9 de fevereiro de 2010


À procura pela paz natural
tem seus caprichos,
é preciso enfrentar as ondas,
quebrar o mar,
sem medo,
com equilíbrio.

Deixa que esses nobres cavaleiros
escrevam suas histórias no deserto aquático,
nas águas antigas
em busca de refúgio.

Esses poucos e bons homens e mulheres
que tem em seus corações
o lirismo da natureza,
banhados pelo poente luminoso
e abençoados pelo sal profundo.

A procura pela paz,
do vermelho solar
que carregam nas costas
do cuidado nobre
e arte de amar por excelência.

Ouvem o mar em confidência
consolam rindo
cantam a música do mar
em seus destinos
sempre querendo se alegrar.

Bailam nas águas,
destemidos em seus novos cavalos
perfumando-se com seu hálito
buscando o nirvana
o paraíso calmo e pacífico.

O sol os aguarda em agonia
tingindo suas pranchas
de misteriosas colorações
e ao fundo ainda se ouve
o canto triste das sereias
verdadeiros ecos do mar.

Em busca da paz,
os poetas do mar
se equilibram na vida
de uma grande saudade.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Samanta Sczypula

Nos momentos de indecisão poética,
tua imagem é meu instrumento
um segredo, minha força.

São as tuas palavras que me ajudam a escapar
dos desânimos,
da suspeita de não saber criar.

Tuas tendências criam uma consciência
que me deixa em um desvario febril
que reflete em meus poemas a minha própria face.

Não nego que te vejo como criatura perfeita,
como um símbolo de adoração
mas atrás de toda a maquiagem
dos perfumes e máscaras
existe uma mulher que
só quer encontrar uma paixão.

Queria te falar o quanto eu te amo,
nem as música podem expressar o que eu sinto
meu afeto, meu amor
não negam tempo, desejos por ti.

O abraço sincero,
a troca de olhares
os encontros furtivos
é no silêncio que eu te ouço melhor.

Tua forma irradia beleza,
tua pele a suavidade das pétalas
teus olhos tem brilho próprio
uma existência indescritível.

É teu corpo
que ilumina minha alma,
são tuas opiniões que excitam minhas mãos
que pouco a pouco transcrevem com esmero
meu amor,
minhas palavras tem a cumplicidade dos enamorados,
e a tua satisfação é o meu prazer satisfeito.

Já me disseram que eu sou o poeta que procura a perfeição
nas musas,
no dia a dia
que busca insanamente a convivência com as estrelas
resgatando os encontros românticos em noites estreladas.

Teu carinho me faz tremer a alma,
a força do seu caráter,
a sua força assumindo a sua verdadeira essência
me influenciam a pular abismos, criar pontes,
afrontar meus desejos mais secretos.

Minha vontade é ter tuas mãos em minhas costas
fechando os olhos,
sem receio e permitir que eu procurasse os atalhos
desse amor.

Teus gestos de ternura e dedicação
me proporcionam a mais importante realidade que eu já vivi,
e é nessa situação que me abandono
adormecendo em teus braços,
sonhando sutilmente com um mundo de plena compreensão.

Carregado dessa energia
quero regar o teu mundo,
oferendo-te as marcas espalhadas pelo meu corpo
do teu carinho,
do amor que me ofereces.

Nos momentos de transição,
perdido nas esquinas da solidão
quando penso que passarei a vida incógnito
o mundo te apresenta de uma forma incendiária.

Eu te amo,
corpo,
alma,
espírito...

II

E no entanto mal se parece com as musas tão desejadas pelos poetas,
mulheres ideais concebidas pelos desejos que queimam a pele,
transformam em cinzas a realidade.

Não te pareces com nada disso,
tua chama me possuí
desesperada e faminta,
escrava dos desejos que forra a cama com meus sentimentos
se alimenta das minhas carícias
e acrescenta poesia em vida.

Não te pareces como as estátuas perfeitas
que os olhares cobiçam,
que aprisionam dentro de si
um amor possessivo.

Minha musa, tenho te amado desde sempre
em diversas situações,
em diversos rostos e seios
a cada camada da epiderme alheia 
menos te conheço
somente descubro a mim....

Minha musa tem o sabor genial
que exulta minhas palavras
que se excita pelo que é bom,
mas não se mostra nem uma vez.

Corpo quente
sensação de viver em eterna aventura,
um véu entre a realidade e a poesia,
um conto de fadas
ilusões e sonhos
gemidos e sussurros.

Minha musa não é deusa,
dorme sozinha,
sonha com um passado reluzente
e que sente falta do presente.

O mundo desaba
só as letras que te amortecem a queda.

III

Sim, minha musa
és meu instrumento de felicidade
de inspiração
me fazendo despertar para a realidade da vida,
sem tua presença,
sem a perfeição tão acalentada.

Marcello Lopes.

7 de fevereiro de 2010



Entre o boulevard Raspail e o Jardim de Luxemburgo encontrei-os,
impávidos,
acompanhados dos sonhos de um futuro inspirador
espalhando a luz em um mundo cercado de trevas.

Sem as formas dissonantes dos déspotas
sigo as vozes que murmuram pelos becos,
impressionando-me com suas tendências, paixões e vícios.

Encontro nas esquinas do Grand Palais
as telas de cores reluzentes,
pincéis afiados,
retoques planos e puros.

Desconcertado com a vida nas telas,
encontro Matisse, Braque e Marquet causando escândalos,
transtornando o mundo,
descobrindo novos universos....

Em suas mãos
conheço um novo olhar
uma ferocidade em amar
o belo,
a natureza,
a poesia.

Nas varandas os gêranios perfumam
a imaginação desses homens,
tão sequiosos de um refúgio ensolarado.

Cúmplice em seus desatinos
provoco os aduladores,
convenço os incrédulos,
torno-me amigos dos inimigos
pela emancipação das cores.

Lendo pequenos contos
vejo Picasso criando,
reconduzo meu olhar
e encontro meu rosto nos
espelhos e já não me reconheço
sou parte do abstrato,
participo da arquitetura pitoresca
dessa vida.

Sou pequeno espectador
provinciano demais para entender a genialidade desses homens,
transformados em deuses em seus ateliês,
criando monumentos à vida,
lendas vivas,
mitos,
histórias de uma época de ouro.

Encontrei esses homens andando pelas ruas
em torno do Chat Noir reconheci a luz
nos jardins sendo cultivados,
e os inúmeros seguidores desses poucos gênios.

Ahhh rua das musas encantadas,
elas próprias, desistiram do Olimpo
e abandonam seus deuses
só para serem eternizadas pelas mãos divinas desses homens.

Marcello Lopes

P.S : A inspiração para esse texto veio da história de vida dos pintores que se reuniam em Montparnasse após a primeira guerra, imaginem o encontro de Picasso com Matisse, de Hemingway com Getrude Stein, que vida colorida deve ter sido.

5 de fevereiro de 2010



Mesmo sabendo

que elas tornarão a cair

ele varre-as

elabora vários montinhos

graciosos e equidistantes

por todo o jardim.

Apesar da beleza

da queda das folhas secas

alguém o diz

que elas devem ser queimadas

pois não combinam

com o verde onde se depositam.

Por isso ele amontoa

a natureza morta

em cima da viva

e quando lhe dirijo

o seu primeiro bom dia

daquele amanhecer sem orvalho

ele se assusta e pergunta

se me incomoda

com o barulho do rastelo;

digo-lhe que não

pois já virou até canção

para a minha manhã

que nasceu ardendo há tempos

como o ressecar das folhas.

Autora: Lara Amaral
Blog : Teatro da Vida

Teatro da Vida....


Deslizando pelo palco,
vejo melhor que o poder das palavras é raro,
feito do dia-a-dia sem expectativa,
do amor que nasce das mãos dos poetas,
perco o fôlego ao ler tuas frases saltando,
me atingindo e se debatendo no papel branco e inerte.

Rabisco aqui,
conjugo um verbo ali,
meros pigmentos de uma arquitetura poética,
mas que carecem de cor e sons
então sem culpa, visito teu espaço
leio um poema como quem ora baixinho
de todo o coração.

Depois de te ler,
decifro teus sentimentos,
peço perdão e construo
todas as coisas perdidas,
recupero o bom senso
teço meus versos,
entre orvalho e incensos
na seiva das tuas palavras.

É nesse palco que eu encontro a paz,
antes que a minha vida passe,
antes que minha rima acabe,
procuro apenas uma letra que te revele,
um verbo que te delata
pálido e útil.

Cores de Monet,
Jazz de Miles
e versos de Lara.

Meu mundo gira e se comove,
entregue às tuas horas
aos teus olhares,
teus comentários
causando frenética agitação nos meus poemas.

As horas se estendem pelo caminho,
espalhadas no chão,
nas parcas folhas esperando minha inspiração
não repouso e as idéias me queimam
me entrego às sensações lendo teus poemas
e assim crio minhas próprias interrogações.

Nao me movo,
a luz da verdade que está escrita me fere,
sempre é pouco tempo pra se ler,
queria cantar as baladas que te alegram o coração,
e assim te homenagear.

Estou no foyer,
esperando que estendas novo capítulo de tua vida,
em versos,
em canções que te desnudam mais do que pensavas.

Me sinto feliz,
esquivo-me do fogo
que ofende minha alma
e oculto meus sinceros receios.

Descubro em teu palco,
a leveza do mundo
dividindo espaço entre esse exterior tão bruto.

O tempo cria
os poemas dividem margens
misteriosas estradas,
apara as arestas,
intriga os poetas.

Há momentos em que tua escrita é serena,
mas com a força de um tufão me derruba
todo poema tem seu fim, e como fogo
queima,
aquece os corações, abafa nossos medos e
nos dá esperanças que nunca poderão ser queimadas.

Teus poemas são como a terra,
quando plantados dentro de nós
crescem fortes e resistentes
nutrem nosso cotidiano,
espalhando os sonhos
nos motivando a sermos felizes.

A poesia é toda tua,
a cada dia,
a cada escolha.

Marcello Lopes

P.S: Esse poema é uma pequena homenagem à talentosa poetisa Lara Amaral que escreve verdadeiros tesouros em forma de poemas, seu blog é Teatro da Vida

Nesse mês de Fevereiro estarei homenageando todos os poetas que me inspiram e me fascinam, e convido-os para uma visita ao blog da Lara.

4 de fevereiro de 2010

Ela voltou....


Silenciosa e vestindo meus poemas,
ela voltou....

O poema é meu,
mas a inspiração é tua,
e agora suplicas pelas minhas palavras,
e eu pelo seu aroma.

Ela voltou,
e não me importa se as nuvens cobrem o céu,
sinto o azul me colorindo aos poucos,
o branco me iluminando e como um furacão
sua presença me atingiu,
e revivo todo o sentido dos meus poemas,
e neles sinto todo o seu perfume.

Quero reviver...
as estações com suas flores, seus odores,
relembrar os sentimentos
me atentar aos acontecimentos.

Eu quero estar aí
ao teu lado
com toda a intensidade da minha vida,
dos meus desejos,
dos sonhos que se opõem às sombras.

Ela voltou
e minha poesia torna-se verdade
pois teu amor é minha liberdade.

Não abandonei a esperança
que vem do céu, do mar e da terra
me tornei mais apaixonado
mais antigo que os deuses
desde que tua imagem desapareceu no horizonte.

Mas do tempo perdido eu fiz poesia,
das lágrimas luzes cósmicas
artifícios para sobreviver a um breve instante.

Ela voltou,
e o amor tem assim seu lugar
a revelação dos versos
radiantes com o teu calor,
chama que fragmenta
paixão que pulsa
sorriso que ilumina.

Minha musa,
reencontraste o caminho
cantando se fez minha amante
minha razão se perdeu
faço parte de ti,
e ti do meu mundo
e hoje eu escrevo tudo aquilo
que meu corpo deseja,
e o coração almeja.

Marcello Lopes

2 de fevereiro de 2010



Eu sou livre,
me afundo nesse canto convertido em poesia
com a alegria de um menino
me levanto sem adormecer as lembranças
no peito.

Eu sou livre porque as lágrimas foram convertidas
num porto seguro,
contra as marés baixas que investem contra meu peito.

Encontro a felicidade ao som do silêncio,
no tamborilar da chuva que se mistura com meus sonhos,
no sussurro de uma moça bonita,
no riso fácil de um amigo
folheando páginas de um livro.

Eu sou livre porque amo a vida
palavras, poemas, mulheres.

Nesse labirinto de idéias e oportunidades,
brilho como o fogo do tesão que me devora,
que providencia poemas e promessas.

Eu sou feliz
porque renasci das cinzas centenas de vezes,
sempre trazendo uma palavra,
construindo das ruínas um caminho de poesia e pueril alegria.

Vivo com planos, sonhos e imagens ecoando sem parar
no horizonte do meu pensamento,
fazendo barulho,
pedindo urgência.

Encontrei muitos corpos para amar,
inteligências para admirar
essência para absorver
mas o amor ainda se esconde
entre os escombros do passado,
ou será que está nas fundações de um futuro feliz ?

Eu sou livre porque me apaixono a cada entardecer
repousando sobre um corpo diferente
e desejando que o tempo ficasse parado.

Sou livre porque sorrio,
fazendo ruídos, aprendendo as dizer as palavras certas
afagando as pessoas corretamente,
olhando e me equilibrando nesse jogo que é a vida.

Falo de tudo com todos,
peço perdão e ás vezes nem eu me perdôo
tento não pensar em nada,
entretanto, as estações me obrigam à devaneios sem fim.....

Sou livre porque não me apego às mãos dadas,
às espumas e quadros coloridos,
sou assim porque por muito tempo desejava e hoje eu escolho.

Perdi a conta de quanto tempo fui sozinho, mesmo acompanhado
perdi as noites amando sem reciprocidade, cobiçando
e me odiando pela falta de ar,
de coragem,
de felicidade.

Sou livre porque me encontro nos olhos esperançosos de uma linda menina,
que ri e fica calada,
sou livre porque o tempo está ao meu lado,
e não me inveja mais,
porque a pele se sacia sozinha e
as vigílias não são tão solitárias.

Escolhi ser assim,
cuidando da minha vida,
escrevendo em dias de chuva,
amando em dias de sol inclemente.

Cores e sons,
tintas e música
escolho minha tela e minha trilha.

Eu sou livre porque rezo por mim, pelos outros
e cobro dos esquecimentos seu pequeno quinhão
buscando nas coisas boas da vida minha satisfação.

Eu sou livre porque escolho meus amores,
meu sexo, meu tesão.

Escolho, mas ainda não fui escolhido.
Mas sou feliz assim mesmo.

Marcello Lopes.

P.S : Estou feliz, pelo aniversário, pelos amigos virtuais e pessoais e acima de tudo porque eu sou livre.