29 de novembro de 2008



Eu estou longe de você,

longe dos seus anseios,

dos sonhos arquitetados por nós dois,

longe dos seus seios.

Por um longo tempo eu te amei,

e hoje te amo muito mais.

Não sei olhar para você e não te desejar,

não posso ficar longe de você.

Se quiser, te dou o amor que cobre o mundo,

e sempre te direi :

- Eu te amo.

Mesmo que você esteja longe,

meu amor não irá morrer.

Ele crescerá com o tempo,

se fortalecendo da angústia e da dor,

você está longe,

mas dentro de mim.

Poema : Marcello Lopes

01/08/05

Falo de amores fugazes,

nesses tempos de incerteza.


Sobre a transição entre a convivência pacífica e a intimidade quase violentada.


Falo daqueles que mantém distância quase etérea ao amor,

á paixão de estar vivo.


Que se transformam em autômatos sem criatividade,

anestesiados.


Falo dos relatos emocionados daqueles que testemunharam o fim do amor.


Falo da necessidade interior de se evitar a dor e a solidão.


Com minhas palavras desafio o esquecimento,

considero o fim do amor um modo de entender a vida,

de superar a perda,


Nesses relatos onde memória e invenção se misturam,

extraio a poesia que me mantém vivo.


Fundamento minha emoção em palavras, rimas

nesses breves momentos de paixão.


Poema: Marcello Lopes

30/08/07


Tua origem divina remonta a criação do Paraíso.


Tua forma singela livre de qualquer vício,

de qualquer devaneio,

permanece gravada em minha pele.


Em teus movimentos de naturalidade excessiva empresta á paisagem cotidiana,

uma nova cor.


Em tua vida multiplicam-se louvores,

exaltações,


Teus olhos produzem jatos de luz, que me cega mas ao mesmo tempo me guiam.


É com o lirismo do mundo moderno que eu canto meu amor por ti,

que imagino o tempo imutável,

as horas que cessam,

ao teu lado.


Poderiam retirar tudo do meu mundo,

menos a tua presença.


Sem tua mão a me desenhar,

sou mero esboço,

fragmentos pequenos e espaçados de uma idéia.



Poema : Marcello Lopes

01/08/1996



28 de novembro de 2008

Minha inspiração diária....


AMOR DO AMOR
O que é o amor do amor ? Essa intriga ficou como uma úlcera me gastando em segredo.
Estava lustrando meus sapatos de manhã. Não renovava esse gesto artesanal desde adolescente. Retomei com gosto a importância de me agachar para as miudezas. Despir os cadarços. Alternar a escova, a cera, e o pano.
Descobrir as frestas e as ranhuras. Ocultar as pedradas da superfície, limpar os peixes de couro, reconhecer a sola e sua gula pelas profundidades pedregosas. Herdar unhas encardidas e o brilho dos pares ao final. Os sapatos envelhecem juntos. Eles se igualam com o uso.
Não há maior, nem menor. Adquirem a bondade da experiência. A generosidade da estrada. E cheguei à conclusão de que o amor do amor é estar junto em qualquer região da linguagem. Linguagem é mais do que lugar. Linguagem cria o lugar. É a capacidade de dizer qualquer coisa para sua companhia e não ser classificado de grosseiro, deslocado, ridículo.
Não enfrentar uma revista ao embarcar para a viagem pelas vogais. Não ser indiciado. Desfrutar da confiança da observação e da amizade espirituosa. Ser compreendido no ato. Ou antes mesmo. Levar alguém para todo o país de sua imaginação. Intimidade de olhar para a boca mais do que para os olhos, como dois apaixonados aguardando o beijo.
Quando posso ser sarcástico, debochado, pornográfico, poético, ingênuo, idiota, cínico, crédulo com uma mulher e não preciso me explicar, traduzir e pedir desculpa. E ainda parecer genuíno. E ainda parecer engraçado. E ainda parecer justo. E ainda parecer ousado. Ser estimulado a não mentir. Ser vários, e não perder a unidade. Ser muitos, e não perder o endereço.
Há algo mais vexatório do que brincar e outra pessoa permanecer séria? Estar se divertindo e ser julgado? Propor relações inesperadas e ser encaminhado para o chat de tortura? Amor do amor é quando deixamos a expectativa pela esperança. Deixamos de repetir o que ela ou ele deseja ouvir, para se contentar com o que ouvimos.
É uma imensa falta dentro da presença, uma imensa concordância dentro da discordância. O amor é o contexto para aquilo que não tem explicação. O amor é sempre contexto para pensamentos desconexos, palavras excitadas.
Amor do amor é quando não nos envergonhamos de nada. Não há medo de dizer, pensar, errar. Quando o nosso pior continua sendo o melhor para quem nos acompanha.
Poema : Fabrício Carpinejar

27 de novembro de 2008


É natural as emoções aflorarem quando descobrimos
quem realmente somos.
Muito além da nossa aparência,
existe um caminho dentro de nós que é desconhecido.
Tão incerto que nem ouso sequer traduzi-lo.
O que seria de nossa existência sem essa trilha ?
Esse desejo que nos sufoca a mente,
que excita nossos sentidos,
que nada mais é do que um mergulho em águas profundas
do nosso ser.
De que vale nossa vida ?
Qual herança devemos deixar no mundo ?
Penso que a minha são os anos que passarei
ao lado de quem eu amo.
Simples esperança !

Meu afeto apesar desse mundo descabido,
é fragmento da essência que supera
o corpo,
que derrota a dor.

Sinto minha vida como um degelo,
a água voltando para casa após a inatividade.
Os obstáculos, curvas e margens
paisagens diversas que
ensinam na busca da minha felicidade.

Então eu danço.
canto apesar da situação,
prefiro o risco de ser tolo do que de ser insensível.
Meu corpo o mar leva,
essa precária matéria,
minha mente o vento espalha,
mas não me fale de tristeza,
contempla o azul do céu,
e a beleza do poema.



Poema : Marcello Lopes

Se me perguntarem....

Se me perguntarem quem me ensinou sobre a primavera,
direi que foram os seus olhos.
Minha alma,
agora agradecida,
descobre que os deuses dessa vida esculpiram a sua face iluminada.
Se me perguntarem se houve algum dia de sofrimento,
direi que sim,
dias em que minha boca desconhecia a sua pele.
Que surpresa a minha quando,
das sombras a sua voz disse uma coisa inesperada,
e eu logo corri apesar das pernas cansadas.
Por isso,
não adianta mais procurar,
esse coração que canta,
é seu.
Se me perguntarem naquelas noites de saudades,
como sobrevivi ao tempo,
ao vento,
responderei que foi com a força do teu coração,
e a minha esperança em nossa felicidade.
Te ofereço meus segredos,
meus sonhos,
minha cama,
até a minha vida que se transforma desde que você surgiu.
Poema : Marcello Lopes

26 de novembro de 2008

ALUCINAÇÕES parte 1


O amor que Paulo se refere não é o amor que sentimos.
Esse nosso amor está baseado em um sentimento material, de posse, é o começo de uma cadeia de sentimentos que pouco a pouco iremos desenvolver, mas infelizmente, estamos ainda bem longe da meta.
Sr. Rui, grande amigo e mentor de minha família diz que o amor é interesse, de trocas, sejam elas sentimentais ou materiais.
Eu "amo" X pessoa por que ela é boa comigo, me trata bem , é boa de cama, etc. . . . e ela me "ama" por que eu faço o que ela quer, não traio, não a desrespeito, etc. . .
E só "amamos" as pessoas desde que elas alcancem nossas expectativas de serem boas, obedientes, que façam nossas vontades, e acima de tudo que não nos perturbe.
Por que se fosse de outro jeito haveria tantos divórcios, mortes, e traições por aí ????
Esse é o tipo de sentimento que 95 % das pessoas tem pelas outras, um sentimento de afeto e nascido do instinto, não de "amor".
O verdadeiro amor é como um sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas, sábias palavras de Allan Kardec.
Talvez o maior exemplo do significado dessa palavra seja Jesus, em outros patamares, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Chico Xavier, Paulo, Estevão, Pedro, etc. . . .
Um sentimento sem os laços do materialismo, sem o desejo de posse, sem as afeições violentas, é um transbordamento de positivismo, de calor humano, é um resplandecer de luzes vindas do coração, do sorriso, da alma.
Quando teremos a chance de sentirmos isso ?
Acho que a resposta é quando fizermos a caridade, quando pararmos de pensar em nós como indivíduos e sim como irmãos.
Seja qual for a sua religião, todos os caminhos levam á Jesus.
Só poderemos cultivar esse sentimento puro quando fizermos algo completamente livre de interesse a uma pessoa desconhecida, mesmo porque é muito fácil fazer algo bom á quem conhecemos não é ???
Amor = Caridade ou se preferir, Caridade = Amor....
O amor que Paulo nos ensina é sem preconceitos, é elevado a enésima potência do amor de mãe, é aquele sentimento que um dia teremos para com alguém que não gosta de nós, para com uma pessoa que esteja sempre errando, que esteja sempre com problemas e dificuldades em entender suas falhas.
Pois esse amor é paciente, benigno.
Alucinação : Marcello Lopes

Amor (Carta de São Paulo Apóstolo aos Coríntios)


“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.
Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.
Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.”

Não esquecerás. . .

Não devemos esquecer os velhos de corpos estragados.

Tão próximos da morte, que os jovens não querem pensar.

Não devemos esquecer a inexistente alegria das horas finais, que deveriam ser aproveitadas a fundo e que padecem no tédio e no desespero.

Não devemos esquecer que o corpo definha, na amargura e na solidão.

Que os amigos morrem, que todos se esquecem, e o fim é escuridão.

Não podemos esquecer que os velhos foram jovens, que o tempo da vida é irrisório.

Não nos apressemos a esquecer que em breve teremos a perspectiva da velhice a nos alcançar.

Somos tão apressados, estressados, ávidos em viver o agora, sem pensar em amanhã.

Simplesmente porque não sabemos constuir o presente.

Devemos nos lembrar que é preciso viver.

Viver a certeza diária de que envelheceremos, que devemos construir agora alguma coisa a fim de tornarmos cada dia imperecível.

O futuro serve para isso, construir o presente com verdadeiros projetos.

Poema: Marcello Lopes

Pensar


Pensar é transgredir o lado negro da humanidade, é com um pouco de silêncio que aquelas velhas ilusões desaparecem.

Pensar é viver teorias da alma, histórias de quem nos desgoverna os sentidos.

Pensamentos que me aparecem precariamente, são aqueles com mais valor.

A pertubadora sequência de temas que tomam forma em meu cérebro, são indispensáveis para que eu entenda sobre a nossa eterna ambivalência.

Cultura e Ignorância são tramas de uma mesma teia, esquecida, são dramas de uma vida covarde.

Pensar é sim inventar complexidades, sentimentos inconsistentes, ações sem razão.

Pensando em palavras traiçoeiras, que de repente nos matam.

Nosso espaço, demarcamos pensando, falando.

O mundo se desarruma na ausência das letras, no espaço perdido entre os pensamentos.

Pensar é contemplar mundos sendo criados, inúmeros personagens atormentados, em um silêncio melancólico.

Pensamentos são paisagens.

Áridas, mas belas.

Poema: Marcello Lopes

25 de novembro de 2008

Voz


Para quantos chega uma voz ?

Posso sussurrar a sensação de que todas as coisas são subentendidas.

Mas quem ouve ?

Posso murmurar palavras desconexas, em um movimento lento, como uma sombra pairando no ar.

Quem dá voz á uma língua ?

Quando posso cantar as frases inventadas de uma história de amor, como canções noturnas de um cabaré.

Observando uma mulher dançar com a própria sombra, sentindo uma ternura imensa, sensualidade desenhada em minha memória.

Para quantos chega a minha voz ?


Poema: Marcello Lopes

Qual será a promessa que trazes á mão ?

A de uma carícia perdida, do erotismo escondido em cada movimento ?

Teu corpo, em movimento e atitude, nosso sexo, em ondulações e delírios.

Qual será a promessa do novo dia ? um orgasmo, a mais pura intimidade ?

A transformação do bronze em ouro ?

Entre forças e fragilidades, danças com a sombra e a luz, ouço um murmúrio doce, enquanto vago sem sentido em sonhos flutuantes, sonho e sinto o que eu não vejo.

É uma questão de pele, em cada toque um sentimento, a procura da sensualidade.

Que promessas dirás em meu leito ?
A alma em descanso é uma eterna valsa de sedução, onde sempre paramos entre a morte e o cansaço.

Que promessas são essas ??

Aceito tudo menos perder o amor.

Voa comigo, nesse outono despido de segredos buscando alvoradas imaginárias.

No nascer do sol os pecados perdem a força,
as emoções brilham nas sombras,
os desejos são vício, que nos equilibram, como a tempestade e bonança.


Poema : Marcello Lopes

24 de novembro de 2008



Desde que você se foi, criou-se vincos em meus olhos de tanto chorar.

De que valeu ?

Todos os sonhos, o amor.

Foram caminhos percorridos sem sentido, frustração dos poemas concebidos, e agora esquecidos.
Para onde agora ?

A palavra me foge, os meus olhos não distinguem luz e trevas.

Memórias da pele, degelo das emoções, independência da essência.

Sinto falta dos olhares trocados, do equilíbrio que o silêncio trazia.

Que estranha cor tem a solidão !

Caminho pelo deserto de linhas simples, em busca de alguma lembrança, á procura de redenção.

Espreitando o oceano, busco nos despojos da maré, pedaços de nós dois.

Todos os homens me parecem livres, menos eu.


Poema: Marcello Lopes

Minha Inspiração Diária....- Boa Semana.


Não ames como os homens amam.

Não ames com amor.
Ama sem amor.

Ama sem querer.

Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.

Sem esperar.

Por não esperar.
Tão separado do que ama, em ti,

Que não te inquiete.
Se o amor leva à felicidade,

Se leva à morte,

Se leva a algum destino.

Se te leva.
E se vai, ele mesmo...

(Cecília Meireles - Cânticos)

23 de novembro de 2008


Teu corpo solto, iluminado deixa-me extasiado.

Tuas curvas delirantes, torturantes, são o meu abismo onde minha sanidade se esconde.

Teus beijos envolvem minha pele, em uma troca louca de calor, suor.
Estou perdido entre teus seios, doces e quentes que minhas mãos descobrem.

Teus olhos me conduzem á uma felicidade jamais sonhada.

Teu sorriso me hipnotiza, doce desejo....
Desejo de te amar, de me perder, enlouquecer.

Teus lábios me atacam, me invadem a alma em uma torrente de brilho e frescor, caí em teus encantos, prisioneiro de um sentimento mais forte do que eu.

Tormento da fusão de corpos, da emoção do êxtase, nesse emaranhado de sensações, de mãos e pés, de sussuros e de imagens desconexas,

Te descubro cada dia mais.
Poema: Marcello Lopes

Sem você sou levado á um abandono consciente, do meu corpo, das minhas idéias.


Sou levado a uma percepção de que minha vida não tem encanto sem a sua.


Você tem o dom de tudo revelar, de dar profundidade a seus sentimentos.


De dar brilho ás cores.


Tenho essa exaltação pueril quando estou ao seu lado, porque a impressão que eu tenho é de descobrir um novo mundo de sensações e movimentos ao seu lado.


Você afasta as sombras e aniquila meus medos, assim sem nenhum temor, me lanço avidamente a te amar.


Poema: Marcello Lopes
Por que escrever ?

Diz o ditado que quem escreve quer ser lido, e eu fico satisfeito em apenas ser lido por poucos.
A "fama" não é algo que eu busque, quero apenas ser eu mesmo, descobrir-me através das palavras que eu leio, que eu ouço e principalmente ás que eu escrevo.
Aprendo mais sobre o meu mundo interior lendo do que eu imaginei.
Minha inspiração vem dos livros, dos filmes e principalmente das músicas que eu ouço.
A inspiração é sim algo efêmero, as palavras jorram em minha mente com uma rapidez incrível e isso acontece em qualquer lugar, já perdi poemas bons ( pelo menos eu acho que seriam) por não ter papel e caneta á postos.
Inspiração significa estímulo, incentivo á criação, ao pensamento, então tento permanecer inspirado quase todos os dias.
Mas existe O dia, aquele dia que tudo deu certo, que as cores estão mais vibrantes, que seu patrão nem olhou para você, que o ônibus chegou no horário, que a namorada foi super-hiper mega gentil com você, aí realmente a inspiração toma conta do meu corpo e escrevo pelo menos 4 ou 5 poemas.
Escrever nem sempre foi uma paixão, ler essa sim é a minha grande paixão, fico estupefato pensando como o autor pôde imaginar e transcrever as histórias incríveis que são publicadas.
Aprendi a escrever para demonstrar o que eu sentia e nem sempre achava as palavras corretas na hora, usava as palavras de outros poetas para justificar meus sentimentos, começou com Hélio Pellegrino, depois com os poetas portugueses como Fernando Pessoa, Álvares de Azevedo, Florbela Espanca.
Nesse período que descobri os poetas portugueses, o amor para mim era como no século XII, tempo de amores como o de Tristão e Isolda, uma concepção de paixão e do amor muito distante do que entendemos hoje, nessa época o amor era de renúncia e de sofrimento.
Depois descobri Neruda, Emily Dickinson, Alfred Tennyson, John Keats ( por conta do filme Sociedade dos Poetas Mortos), Cecília Meireles para mim foi um assombro, grande parte de seu trabalho eu tenho em livros ou em textos da internet.
Enfim a poesia hoje representa 60 % da minha vida romântica, foram os poemas e poetas que me ensinaram a "arte de amar" ( parafraseando Ovídio), foram eles que me sensibilizaram e que me fizeram ficar noites inteiras acordado tentando entender como um poema do século XVII pode ser tão atual.
Então por que escrever ?
Podemos ficar até o fim dos dias tentando justificar a razão, é difícil, mas posso dizer que é prazeiroso escrever e quando se tem amor pelo que se faz não importa a quantidade de pessoas, acessos que se tem em um blog, e sim a qualidade que se faz algo, e quem sabe, um dia um poema meu possa representar alguma coisa na vida de alguém, como aconteceu comigo.
E obrigado por ler !

21 de novembro de 2008

Te encontrei luminosa
em um local onde o tempo e o ritmo não nos importavam.

Um mundo que pertence ás fadas,
nítido como espelho,
que interroga minha alma,
frio como uma canção de inverno.

Te encontrei dançando,
em meio á paisagem.

Descobri olhando as minhas mãos, que sou aquele poeta imprudente,
que se lança ao teu encontro com a alma apaixonada.
Ouço tua música,
variações sutis sobre um mesmo tema.

Canções de primavera,
refinadas pela tua alegria,
coroada pelos meus poemas.

Poema: Marcello Lopes
Eu digo EU TE AMO
surpreendendo as vozes distorcidas,
ampliando os ambientes claustrofóbicos.
Essas palavras nos atigem de modo intrigante.
EU TE AMO,
dito como sopros no mundo abstrato,
assemelhando-se a orquestras celestiais.
Curando feridas incuráveis,
acalmando memórias agitadas,
transformando medos recalcados,
frustrações reprimidas.
EU TE AMO,
repito sem grandes floreios,
motivação febril de compartilhar apenas a verdade.
De tornar possível a impossibilidade de sermos quem somos,
e achar a felicidade.
Escrevo EU TE AMO,
porque nem sempre a voz corresponde ao sentimento.
Nem sempre o mundo ouve,
escrevo para dissipar o perigo de estar vivo e não se levar em conta.
Um ruído súbito em uma casa quase vazia,
EU TE AMO para que os outros saibam que é possível,
para que a verdade não morra atravessada na garganta.
EU TE AMO,
fortalece a mulher frágil,
cobre defeitos,
abraça o orgulho engolido como pedra.
Marcello Lopes
18/11/08
Seja bem-vindo ao espaço de poesia,
de pensamentos e devaneios.
Os poemas postados aqui seguem apenas a linha de raciocínio de
Neruda, que dizia que os poemas pertencem a quem usa e não a quem escreve.
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Abraços.