24 de dezembro de 2008

Eu te espero



Eu te espero mesmo que a convivência da perda irremediável
me conduza a uma tristeza profunda.

Me descubro feliz pela ansiedade da
sua presença,
pelas verdades que você me apresentou,
e com elas estabelecidas
dimensões se abrem.

Eu te espero em silêncio,
que me acalma,
pacifica meu tesão.

No meu coração é a soberana,
para te amar me desdobro em lágrimas,
em meu corpo é a tirana,
que me consome de desejo até as entranhas.

Eu te espero,
por meio das marés imponderáveis dessa vida,
estranhas conexões que transformam-se em
laços cruciais.

Amor,
digo seu nome em saudação a nossa história,
em reconhecimento pela vida,
pelo meu afeto.

Eu te espero,
inventando letras, sentimentos
construindo poesias,
espalhando matéria-prima originada pela
saudade.

Seus olhos me reconciliam comigo mesmo,
suas mãos exprimem as lembranças felizes,
esperanças imperecíveis do meu amor.

Eu te espero,
trazendo no peito a melancolia dos
tempos felizes.

Esse sentimento que é a mensagem dos ausentes,
polida pelas força das lágrimas.

Rezo e choro tentando achar
um sentido quando confrontado com as
situações fora de controle,
ausência do seu colo,
solidão na minha cama.

Fragmentado pela dor,
a incompreensão que nasceu da sua ausência
me devasta a alma.

Eu te espero
por que nada é tão feio ou sórdido,
por que tudo passa,
e saúdo seu sorriso mesmo que por um breve
momento.

Poema : Marcello Lopes
07/05/2008


Uma rua, não qualquer rua, a tua rua.


Luminosa calçada que me guia em segurança.


A rua que o tempo não agride, que as memórias se fundem no asfalto.


Nessa rua, onde tantas desilusões foram cimentadas,
onde as lágrimas misturam-se com a argamassa,
percorro para te encontrar.


Escadas, depressões,
um dia acordarei para tão simplesmente me lembrar
de que ela é fio condutor da minha felicidade.


Que seríamos sem tua forma ?



Poema: Marcello Lopes

20/12/07

A verdade é o espelho da humanidade.


Nos leva ao desapego das coisas materiais, fruto de nossa ambição.


Esse desejo insaciável que nos sufoca e nos prende á solidão.


A verdade nos faz abandonar tudo que nos cega a mente, as vantagens egoístas, a infelicidade.


É somente na verdade, que encontramos contentamento. Longe dos padrões ilusórios estabelecidos pela nossa medíocre sociedade.


De posse da verdadeira felicidade negamos a culpa, que enlouquece, que nos faz matar.


A paz de espírito chega junto com a felicidade, banhando nossa alma com grandiosa luminosidade. A felicidade nos leva a independência das obrigações fúteis, do desprezo.


Não podemos cumprir ordens mecanicamente, somente porque foram impostas sem debate e sem permissões.


Mas devemos aceitar quando as ordens foram estabelecidas por um senso comum. Esse é o caminho da felicidade.


O espelho da alma são os olhos, o espelho de um homem livre é sua felicidade.


Felicidade em viver, livre do sentimento de rebanho.


De nos elevar, felicidade em saber servir á quem não pode servir.


É o único caminho.



Marcello Lopes

23 de dezembro de 2008

Que sabemos sobre esse sentimento que nos sufoca,
que invade nosso peito sem pedir licença ?


O amor é uma força que corre no sangue humano ou
é uma possibilidade externa querendo tomar forma ?


Que entendemos sobre essa vontade arrebatadora de nos amarmos ?


A verdade, a nossa verdade que somente se encontra na sutileza
dos nossos gestos, é o que nos salva.


Pois que sei eu das coisas que eu sinto ao seu lado ?


Percebo as sutis transformações em meu mundo desde que você chegou.


Esse carinho que não cabe em meu ser, querendo extravasar em sua pele.


A verdade com seus conceitos, não pode explicar esse sentimento.


Nossa vida é feita de sensações, odores, paladares, e impressões.


Poema: Marcello Lopes

Perfeita


Eu te direi como contemplar as estrelas
deslumbrando-se com esse mistèrio.

Eu transformarei a minha alma,
simples e clara,
em uma alegria constante impregnada com teu mais belo sorriso.

A vida é curta,
mas sigo com essa liberdade de simplesmente existir.

Eu celebro essa realidade,
eu e você, alucinante verdade.

Eu te dou esse indefinível sonoro silêncio
que se desprende do meu peito quando te vejo.

Eu faço tudo isso, porque para mim você é perfeita.

Poema : Marcello Lopes

Teus olhos

Foram teus olhos que me trouxeram para o mundo real.

A magia das tuas palavras, o fascínio recíproco de duas pessoas
por aquilo que pensam, falam e sentem.

Que perdure por toda a minha vida,
essa delicada e racional paixão.

Estabelecemos um pacto,
intelectual, sentimental, humano.

De uma vitalidade explícita
que só se concretiza na entrega total.

O essencial é invisível aos olhos, mas não aos teus,
que entendem o amor em vez de pensá-lo.

Poema: Marcello Lopes
Existe um árido prazer em te ver brevemente em minha vida.

A memória dos nossos dias me persegue,
e depois de imensa dor quis renunciar a felicidade.

Pois a separação dos corpos,
dos cheiros, das idéias me envergonha.

Muralhas não me impediriam de te ver,
pois moro na possibilidade de te rever.

Meu coração sem teu amor,
tem bordas estreitas, de improváveis batimentos felizes,
pois minha alma te escolheu como companhia.

Poema: Marcello Lopes
Meus poemas são quase objetos
corpo, verbo e alma.

Um renascimento em cada poema declamado.
A fonte, o caminho além de tudo isto,
o meu eu totalmente apaixonado.

Meus poemas são a essência por onde o ser e o tempo
transparece,

onde acabo desmistificando teu corpo,
esvanecendo em tuas mãos.

Nua, melancólica.

Me tornando um visitante da noite, inatingível poesia.
As palavras mágicas que exortam o amor,
a intimidade.

Estranhos pensamentos, entre teus seios
são transformados em poemas de felicidade.


Poema: Marcello Lopes

19 de dezembro de 2008

Minha inspiração diária....


Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia...

Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu, e foi o que fez toda a diferença.



Poema de Robert Frost

Esse poema é teu....




Esse poema é teu.


Nada, nem ninguém pode te tirar a eternidade desse momento.


A felicidade que eu tenho em te escrever, quase eclipsa o sentimento bom de te conhecer.


É por fugir de mim, e pela incomunicabilidade de tuas ações que transforma esse momento único, raro.

Sim, porque amanhã quem sabe onde estaremos ?

É teu esse poema, que me move, que o tempo assiste, mudo porque conhece a efemeridade da vida.

Quero que você me fale de onde vem, para que eu possa te entender.

Pois quando eu a olho, surge o mistério estampado em seus olhos.

Quero que você chegue em mim, devagar e com simplicidade conta-me tudo que eu não sei.


O que há por detrás do seu sorriso ?
Quero te perguntar sobre o começo de todas as coisas, te falei sobre tudo e sobre todos, mas nada disso te tocou.
Teu sentimento não está em nada dessas coisas, então disse que te adorava,

e ficastes olhando para tão longe,
que pensei por um momento descobrir o caminho do teu coração.

Teu poema é como fogo, desprezando a ilusão da limitação,

quanto mais se alastrar em teu peito mais teu contorno se mostrará inquieto,

tendo a riqueza dos seus olhos iluminando a minha desesperançada escuridão.


Olha para mim por muito tempo, é verdade que eu estou dizendo ?

Pode ser que saibas disso, fico em tua frente como quem estende suas redes no mar,

e cansado demais para recolhê-las não tem pressa em te conquistar.

Poema : Marcello Lopes
08/02/2000




Amor,

combustível indispensável da vida,


arrasta nossos destinos como bem quer,


vergasta a alma com sofrimentos e decepções,


amarra nossos pensamentos em um só momento obcecado e doloroso.

Paixão,


lenha do acaso,


fútil, frágil e rasteira.


pele, braços, pernas, seios. . .



imagens que queimam um fogo lento,


que enlouquecem os sãos,


que adormece os sentidos,


que entorpece a razão.



Sexo,


caminho ou encruzilhada. ..


seguir ou não sua trilha não é problema,


pesadelo quando descontrolado,


angústia quando racionalizado.


A fragilidade do nosso meio, dos nossos anseios,

futilidade em não saber o que procurar,

em não saber receber,

felicidade é ilha deserta.
poema: Marcello Lopes


Amar você,
de forma torrencial,
lançar-me aos seus pés utilizando-me dos espaços
em nossas vidas.

Imagens sucessivas dos nossos corpos,
entrelaçados, extasiados.

Da mesa á cama,
exponho meu desejo,
um sentimento que é traduzido em beijos,
sussurros,
frases desconexas e promessas vazias.

Quero tocar o impossível,
realizar o inatingível,
é teu corpo que me embala nesse ritmo obsessivo.

Nosso amor é humano,
feito de pequenos milagres,
e grandes imperfeições.

Não necessitamos de palavras
elas não traduzem esse sentimento,
que persiste mesmo quando estamos separados.


Poema : Marcello Lopes

16 de dezembro de 2008


♥ Africano - Ek het jou liefe
♥ Alemão - Ich liebe Dich
♥ Búlgaro - Obicham te
♥ Cantonês - Ngo oi ney
♥ Dinamarquês - Jeg elsker dig
♥ Eslovaco - lubim ta
♥ Espanhol - Te amo
♥ Esperanto - Mi amas vin
♥ Finlandês - Mina" rakastan sinua
♥ Francês - Je t'aime
♥ Galês - 'Rwy'n dy garu di
♥ Húngaro - Szeretlek
♥ Holandês - Ik hou van jou
♥ Inglês - I love you
♥ Iraniano - Mahn doostaht doh-rahm
♥ Italiano - Ti amo
♥ Japonês - Aishiteru
♥ Latim - Te amo
♥ Libanês - Bahibak
♥ Mandarin - Wo ai ni
♥ Mohawk - Konoronhkwa
♥ Navaho - Ayor anosh'ni
♥ Norueguês - Eg elskar deg
♥ Português - Amo-te
♥ Português (Brasil) - Eu te amo
♥ Russo - Ya polubeel s'tebya
♥ Sueco - Jag a"lskar dig
♥ Tcheco - miluji te
♥ Turco - Seni Seviyorum
♥ Vietnamita - Toi yeu em
♥ Zulu - Mena Tanda Wena


Eu sou o poeta e você a sereia,
o poeta e sua ode

Quem seríamos ???
sem o amor,
sem a saudade que este quarto nos transmite ???

Tia Èlida tinha razão que a poesia pura,
é alegria de viver e
aquarela de após-chuva,
era início de arrebatadora paixão.

Que com aquele terceiro poema de muito longe,
te revelasse assim,
parceiros de entre-sonos,
de uma biografia imemorial.

Sempre,
um poema de circustância,
outra canção,
um vôo de andorinha,
minha paixão,
tua alegria.

Autoria: Marcello Lopes
03/01/2007

15 de dezembro de 2008

Silêncio


Sim querida
faremos em silêncio,
até o próprio desejo
permanecer mudo.
É na ausência das palavras
que meu amor cativa seu corpo.
A dúvida e a angústia
não podem nos atingir.
Vibramos na luz,
e nesse momento de amor triunfante
nos revelamos por completo.
Abandonamos o som,
criamos uma chama com espantosa voracidade
que avança pelas sombras,
devora a desilusão.
Tudo em silêncio.
Te silencio com um beijo,
e com ele desvendo seus segredos
denuncio teus erros.
Façamos em silêncio,
por que as mãos falam,
percorrem medos e
saciam desejos.
No fascínio da nossa paixão,
sonhamos loucamente tantas vezes
pequenos gestos,
prazeres roucos
de tanto silêncio.
Poema : Marcello Lopes

Minha inspiração diária


A aurora de Nova Iorque tem

quatro colunas de lodo

e um furacão de negras pombas

que chacoalham as águas podres,



A aurora de Nova Iorque geme

pelas imensas escadarias

a buscar entre as arestas

nardos de angústia esboçada.



A aurora chega e ninguém a recebe na boca

porque ali não há manhã nem esperança possível.

Ás vezes as moedas em exames furiosos

transpassam e devoram bebês abandonados.



Os primeiros a sair compreendem com seus ossos

que não haverá paraíso nem amores desfolhados,

sabem que vão ao lodo de números e leis,

a brinquedos sem arte, a suores sem fruto.



A luz é sepultada por correntes e ruídos

em impudico reto de ciência sem raízes

Pelos bairroa há gentes que vacilam insones

como recém-nascidas de um naufrágio de sangue.



Poema: Frederico García Lorca




14 de dezembro de 2008


É na claridade das manhãs,

que eu sinto mais a sua falta.


Com dificuldade repouso na cama vazia,

os espaços me consomem.


Nessa imobilidade exasperante,

penso,

durmo,

pensamentos flutuam para fora da cama.


Pela janela posso ver

a cintilante cor azul do verão.


Sinto a sua leve presença,

pois a escuridão se aproxima,

e a felicidade me invade o coração.


Manifestou-se dentro de mim,

uma alegria que antes estava sufocada.


Seu corpo em minha cama,

é sempre festa.


Em nosso amor se materializa os lampejos

de uma nova paixão.


Até um novo dia amanhecer.


Poema : Marcello Lopes
28/01/99


No imenso jardim,

um banco.

No banco,

um livro.

Páginas marcadas por um amor que chegou ao fim.

Letras apagadas pela ação cruel do tempo.

Como se o amor dessas páginas fossem transformadas

em vento.

Em meio a vegetação,

uma folha foge,

voa e pousa.

repleta de melancolia,

volta a voar.

Singela testemunha da tentativa

de um homem de amar.

Poema: Marcello Lopes

20/11/1998



Sem direção

pra onde vamos ???

Perdidos em meio á essa loucura.

Tudo é proibido,

mas nem sempre coibido !

A mentira se torna verdade,

atrapalhando os homens de bem,

acabando com o senso de realidade.

Inversão de valores,

distribuição de favores,

os pobres que fiquem

com todas as dores !

Um ganhando muito,

muitos ganhando pouco.

De um lado da rua,

a riqueza da futilidade,

do outro,

a infelicidade.

Carros importados,

jóias,

seios siliconados.

E o homem honesto,

consumindo remédio falsificado.

Marcello Lopes

Declaração de Amor





Eu te amo.

Todos os dias este amor que meu coração cultiva,

que meu corpo anseia,

é proibido.

Meu amor por você,

nasceu de um olhar perdido.

Cresceu em um sorriso,

e se alimenta da lembrança

daquele beijo roubado.

Por todo esse tempo,

a teu afeto me faz falta.

A ausência dos nossos corpos juntos,

nossos lábios se tocando,

dos olhares trocados

ao som dos abraços apertados.

Eu te amo,

em pensamento.

Porque a distância que nos separa

só faz aumentar meu sofrimento.

Por que eu não tenho você ?

Você, por quem meu coração bate,

por quem meus olhos brilham

e meus pensamentos perseguem.

Eu quero ser teu.

Tanto quanto eu quero que você seja minha.

Poema : Marcello Lopes

04/09/2002

10 de dezembro de 2008

Jeito



Eu amo o jeito como você me acorda pela manhã,

sua voz ecoando em meus ouvidos,

dizendo o quanto me deseja.

Eu amo o jeito que você me beija com seus lábios frescos

em seus braços meus sonhos se realizam.

Eu amo o jeito como você me afaga,

desinteressada, silenciosa

enquanto você me ama.

Durante a madrugada me alegro ao te ver ao meu lado,

fazendo do ritmo do nosso amor uma intensa emoção,

teu corpo produz em mim um espanto imenso,

trazendo-me uma suave recordação.

Amo o jeito com que você desliza pela casa,

com tua respiração fina,

me enlouquece e me atrai.

Amo o jeito como eu te amo.

Poema: Marcello Lopes




Quero romper com este mundo,

enfrentá-lo,

sem vacilar um momento para então

atacá-lo.


Já não sou mais o mesmo

uma parte do meu ser, sumiu.

a outra, no entanto, reluta em existir.


Esse mundo que nunca foi permanente,

sem notar me ofusca com suas ilusões.


Minha mente já não é absoluta,

meu corpo delira.


De repente,

o mundo me acusa,

me condena sem justa causa.


Com profunda saudade,

lembro do que todos já esqueceram,

a nossa felicidade.


Quero mudar,

deixar tudo isso pra trás,

todo a lama,

a sujeira e a solidão.


Mas o mundo reage,

sem poder me defender fico a mercê

de toda a sua escuridão.


Sem me controlar,

fraquejo,

vejo um mundo tão obscuro,


Onde tudo o que se faz é roubar.


Roubar nossos sonhos,

determinando o que é certo para eles

e o que é errado para nós.


Silenciando nossas vozes,

menosprezando nosso talento,

nos forçando a mendigar brilho em lugares desertos.


Ferindo nossos olhos,

para que não pudéssemos enxergar o reflexo de suas ações.


Imitando o purgatório onde as almas queimam

em suas próprias consciências.


Padeço nesse mundo,

preso á versos inúteis,

ritmos desarticulados.


Poema : Marcello Lopes

31/07/00


Amo você de uma forma torrencial,

te amo com frases, pensamentos e ações.

lanço-me aos seus pés,

utilizando-me dos silêncios em nossos olhares.

Imagens sucessivas dos nossos corpos entrelaçados

não me deixam em paz.

Da mesa á cama,

exponho meu desejo,

sentimentos que se traduzem

em sussurros, beijos, orgasmos.

Não necessitamos de promessas vazias,

palavras desconexas,

elas são menores que o nosso desejo que persiste,

mesmo quando estamos separados.

Eu te amo,

buscando o meu caminho,

acreditando que encontrá-lo faz parte de um universo mais abrangente.

As trilhas me conduzem sempre onde você está,

se revelando cada vez mais emocionantes,

onde nossa relação amorosa exerce sua influência.

Poema: Marcello Lopes

8 de dezembro de 2008

Sigo tuas pegadas através das linhas de concreto
que insistem em nos afastar.

Vestida de luz,
espreitas o meu caminho,
com medo de me olhar e deixar de sofrer.

A textura do seu corpo me enlouquece,
deixa-me perto do paraíso.

Seus seios são meu refúgio,
sopro de vida nessas manhãs cinzentas.

Não se desespere,
segue sonhando com esse amor que queima nossa pele.

Nossos caminhos se cruzam,
se entrelaçam,
como nossos corpos fazem á noite em sonho.


Poema : Marcello Lopes
O tempo passou,

mas teu regresso restaurou meus sentimentos,

abalou minhas estruturas.

Amores perfeitos são obras raras,

para colecionadores.

Tempo que vale a pena recordar,

sigo em frente como quem segue uma procissão.

Ainda fascinado por te desejar.

A minha súplica é a de que me leves para aquelas nuvens,

deixemos esse mundo pra trás,

pois as únicas coisas eternas são elas e o meu amor.

Esses caminhos dentro de nós onde aceitamos perder tudo, menos o amor,

nos dá a impressão da insustentável vitalidade da nossa paixão.
Desejo lembrar-te dos nossos toques,

reavivar a memória da pele.

Na beleza da tua timidez,

olhares trocados,

segredos desvendados.

Teu regresso é minha redenção,

é a coleta completa dos teus pedaços,

fragmentados em meu coração.

Vem,

que eu seja teu refúgio,

em um mundo diagonal,

vem refazer nosssas memórias.



Poema : Marcello Lopes

Minha inspiração diária. . . .

Eu levo o seu coração comigo (eu o levo no meu coração) eu nunca estou sem ele
(a qualquer lugar que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito por mim somente é o que você faria, minha querida).

tenho medo que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar...

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe (aqui é a raiz da raiz e o botão do botão e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)

e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes
eu levo o seu coração ( eu o levo no meu coração)
Poema : e.e. cummings
(Tradução: Regina Werneck)

Me perdoa pois sou pecado...

Sou a sua sedução,
cheia de incertezas,
transbordando falsas esperanças
com uma alegria contagiante.

Em minhas mãos você encontrou o impacto,
a luz que cega,
as palavras que nunca ouviu e
assim você se apaixonou.

Me perdoa quando mantive silêncio,
durante seu sofrimento.

A liberdade que antes te pertencia,
agora não existe mais,
nenhum doce momento.

Me perdoa quando depois do fim,
tão simplesmente me escondi.

Como uma criança, acreditou que eu iria salvá-la,
olho minhas mãos e não vejo milagre,
nem descobertas.

Eu sou uma canção,
um caminho,
uma recordação.

Me perdoa pois sou pecado.

Na solidão das aparências,
sem prefácios,
nem epílogos desapareci.

Fui apenas um trecho,
um vôo de andorinha,

sou apenas passado.


Poema: Marcello Lopes
01/05/05

Cumplicidade....

Amor é cumplicidade, é juntar duas almas em um só local e é desafiar a física.

A cumplicidade nos salva das banalidades das relações, nos imuniza contra os venenos da rotina.
Nessa relação de cumplicidade somos forçados a desistir do egoísmo e da individualidade extremada, somos levados a abrir os braços e derrubar os muros, superar o orgulho.

Cumplicidade na hora das vitórias, saborear cada momento seu ou da pessoa amada, sem inveja e nos momentos de crise saber a hora certa de pedir ajuda ou de ajudar.
Cumplicidade é a mais pura e delicada forma de cultivar o amor.


Texto : Desconhecido

6 de dezembro de 2008

Poema bobinho

Ahh querida brisa leve,
leve a folha,
bolha de ar que se dissolve
no mar.

Vento bom que vem me refrescar,
junto de ti quero poder andar,
na praia, areia e mar.

Como as ondas,
meu pensamento te encontra,
e depois te perde,
infinito vai e vem.

Como a nossa vida onde tudo volta,
você se esforça,
para me salvar,
querida há tanto tempo quero te amar.

Poema bobinho : Marcello Lopes
01/02/07

Aparência e substância


A aparência chama a atenção,

a substância cativa.

A Aparência delicia o olhar alheio,

a substância deleita nosso espírito.

Nos momentos de escuridão,

a aparência desaparece e a substância clareia a mente.

Nos momentos de felicidade,

a aparência se expõe para a platéia,

a substância aprecia seu real valor.

Na doença,

a aparência fraqueja.

A substância consola e engrandece.

Na velhice,

a aparência enlouquece,

a substância fulgura iluminada.

Na morte,

a aparência sofre,

a substância ilumina e ensina.

Poema : Marcello Lopes

01/07/03

Quem de nós ??



Nós nos afogamos em oceanos de lágrimas de intensas paixões.

Quantos de nós caímos na armadilha de amar sem ser amado ?

Fizemos loucuras, construímos castelos de ilusões, superamos os obstáculos e enfrentamos tudo e todos por amor.

Nós não fizemos isso ???

Quem de nós não ficou cego imaginando e ao mesmo tempo celebrando que a busca por alguém havia terminado ?

Quantas promessas derramamos nesse imenso oceano de relacionamentos ?

Os caminhos percorridos a custa de sofrimento, privações e muitas vezes de superação nos dão a exata medida do quanto acreditamos no amor.

Tivemos sucesso ?

É durante a noite, quando as luzes se apagam que entendemos o real significado da solidão, quantos de nossos amigos não se perderam nesse caminho ?

Quantos não perderam muito mais do que o rumo.

O que nos aguarda o amanhã ninguém sabe, a chuva que cai agora lavando nossos pecados encobre as lágrimas dos que fracassaram.

Nas fotos, os rostos amigos que não vejo mais, por opção ou por destino.

Olhando para trás vejo o quanto eu poderia ter sido feliz, se nós tivéssemos tido mais coragem, mais amor e menos incoerência.

Você ainda se lembra dos momentos passados quando fomos felizes juntos ?

Ainda se lembra da nossa amizade ?

Poema : Marcello Lopes


Eu fiz um poema,
uma oferenda silenciosa,
em três movimentos,
eu, você e nós.

Na esperança de que aceite meu convite,
escrevo versos de sonhos para você,
Prefiro seus lábios de silêncio.

Você matéria-prima da minha poesia,
sob o céu comum,
o encontro registrado entre o silêncio das palavras
e uma página em branco.

Os olhares trocados,
o poema apesar de tudo,
soprado,
uma alegria pela canção lembrada,
um beijo roubado.

Nas estranhas aventuras desse encontro,
um poema desenhado.
Surpresas,
metamorfoses,
você.

Poema : Marcello Lopes

4 de dezembro de 2008

Minha inspiração diária


Nua és tão simples como uma de tuas mãos,

lisa,

terrestre,

mínima,

redonda,

transparente,

tens linhas de lua,

caminhos de maçã,

nua és magra como o trigo nu.



Nua és azul como a noite em Cuba,

tens trepadeiras e estrelas no pêlo,

nua és enorme e amarela como o verão numa igreja de ouro.



Nua és pequena como uma de tuas unhas,

curva,

sutil,

rosada até que nasça o dia

e te metes no subterrâneo do mundo como num longo túnel de trajes

e trabalhos:

tua claridade se apaga,

se veste,

se desfolha

e outra vez volta a ser uma mão nua."



Poema: Pablo Neruda


Uma canção de muito longe,

ritmada, milagrosamente límpida subiu aos céus em meio ao mundo vago e perdido.

Um milagre que surge sabiamente em forma de música.

Deve haver tantas coisas que merecem ser cantadas,

além da própria dor.

A construção de um poema sinfônico,

se dá por inspiração que só amor fornece.

A canção dos romances perdidos,

do amor imprevisto,

da trágica separação.

Da beleza da alma surge esperança,

quase sobrenatural,

onde temas, arranjos se encaixam.

O silêncio lentamente cede espaço,

ao sereno mas belo jazz,

herança de um gênio.

Para Miles....

Poema: Marcello Lopes

04/05/06

Das metamorfoses
eu guardo as lembranças dos momentos felizes.
O resto são objetos perdidos.
Feliz como quem encontra um paraíso há muito tempo perdido.
Sua aparição,
um poema.
Uma aventura no parque,
interlúdio para uma nova história.
Entre as enormes ruínas do meu passado,
sentamos felizes.
Caminhando entre as ruas que nós mesmos construímos,
planos.

O vento que ensurdece
o passeio que harmoniza.

Lembro das palavras não ditas,
o silêncio que atrapalha,
as paixões mal-sucedidas.

são os pequenos tropeços da vida.
Sem desespero, como crianças brincando na escola,
você me estende a mão dizendo :
- Vem, são velhas recordações.
Poema : Marcello Lopes
03/12/07

A beleza dos versos,

impressos em livros

nítidos,

me dão o ritmo de um adolescente.



Para comemorar a vida,

uma elegia.

Para satisfazer a alma,

uma canção.


Para te desvendar,

interrogações.



Na paisagem árida que se transformou o mundo,

um pequeno poema constrói a arquitetura

perfeita do nosso amor.



Te amo assim.



Nos esconderijos desse seu medo,

se esconde uma alma ferida,

que um dia acordará ouvindo a música

que canto todos os dias para você.



Poema : Marcello Lopes

05/02/08

2 de dezembro de 2008

O Fim


Nada resta a fazer,
o fim se aproxima.
o amor sofreu e morreu.
E assim,
instalou-se a solidão,
sem dor,
apenas um vazio incomensurável.
O fim chegou.
sem fazer alarde,
levou você,
minha única fonte de felicidade.
Subitamente,
seu afeto me faz falta
a ansiedade me afeta.
Avanço nesta estrada como um qualquer,
usando as palavras para chorar,
a poesia me consola,
de uma forma bondosa.
O fim alcança todos,
eu, você, seu amor...
o fim é essencial,
ressurreição, reencarnação, novo ano,
fim de caso.
Para isto acontecer,
é preciso viver,
não somente existir.
Amor, esperança, conforto tudo é um tênue alívio para mascarar o fim.
Inexorável,
turvo,
risível.
Como um poderoso rio,
alargando encostas,
atacando rochedos.
Se estendendo em poderosas ondas,
implacáveis,
o fim chegando a todos nós.
Poema : Marcello Lopes

Hoje é outro dia

lembra-se ???



A mudança,

a primavera que acabou,

o retrato deixado pra trás de propósito.



As coisas que aprendemos com humilde orgulho,

já não basta saber amar,

o amor se inventa.



Hoje é outro dia.

a alegre, delicada agitação

tudo isso é passado.



Ah! os relógios não param !



Aspiram os minutos com sofreguidão,

sentimentos descontínuos,

fragmentos da solidão do dia.



Hoje é outro dia

a magia se foi,

o momento acabou.



Esses inquietantes ventos que agora sopram,

mudam a direção das nuvens,

da chuva,

dos nossos planos.


Infelizmente hoje é outro dia.



Poema : Marcello Lopes

1 de dezembro de 2008

Todo mundo tem medo de dizer não.

Todo mundo tem medo de dizer não.


Mas algumas pessoas têm mais medo que as outras. Principalmente as que apostam as fichas num mundo mais gentil, em formas mais conciliadoras e pacíficas no caso de disputas. Para essas pessoas, o não parece conter uma agressividade intolerável, uma palavra que aponta para um caminho sem volta em direção ao confronto. No geral, elas têm pouca habilidade para respostas rápidas ou facilidade em sustentar posições contra o fogo cerrado de um inimigo mais dinâmico. Então, para elas fica mais fácil morrer por dentro e dizer sim.


Mas por que será que temos tanto medo do conflito que pode ser causado pelo não? A psicóloga paulista Corinna Shabbel fez mestrado e doutorado para responder a essa pergunta. Sua especialidade é ser mediadora de conflitos diante da diferença de opiniões. No fundo, seu trabalho é administrar com razoável sucesso o não de cada um. Dá cursos e palestras sobre o assunto e instrumentaliza pessoas físicas e funcionários de empresas para enfrentar e superar suas dificuldades.


E a primeira declaração de Corinna é preciosa: quase todas as pessoas que estão prestes a dizer não fantasiam uma série de reações negativas por parte do outro. Isto é, a pessoa teme que ele fique bravo, agressivo ou, então, magoado, triste e ofendido. “Esse olhar negativo sobre as conseqüências do não tira a força e o peso da recusa.



Esses fantasmas geralmente não passam da mais pura imaginação. Se a gente diz um não limpo, coerente com nossos sentimentos, e o dizemos com clareza, é bem provável que o outro acate sem conflitos ou ofensas”, diz. A psicóloga aconselha, portanto, a refletir bastante sobre nossos fantasmas e fantasias, conhecê-los de perto e tentar identificar quando eles estão se aproximando para turvar a realidade.


Pois o medo da rejeição é crucial e está sempre a nos rondar, como um fantasma. Claro, imaginamos perder o outro por causa de uma negação. “Isso acontece porque não conseguimos fazer as pazes com o não, fortalecê-lo, saber que ele é necessário na vida e que sem ele não se pode viver. Para nós, ele não é natural – por isso o medo superdimensionado do efeito que ele pode causar no outro”, diz Corinna Shabbel.


O fantasma da gerente administrativa Irene Matsunaga era o peso ancestral de toda uma cultura, a japonesa, que dá especial ênfase ao obedecer sem questionar. “Meus pais sempre me ensinaram a dizer sim. Como um cachorrinho, ganhava uma prêmio toda vez que acontecia isso: um passeio, um docinho, um agrado.” Irene era cada vez mais amada e aprovada em face de sua aceitação e submissão. “Quando comecei a trabalhar, vi que tinha medo de perder a aprovação dos outros diante do meu não. E no ambiente profissional você precisa se impor, dar limites.



A educação que tive ainda me acompanha, mas fui aprendendo que nem sempre a negação inclui uma total desaprovação por parte do outro, um rompimento.” Viu que as pessoas podem não gostar muito de ouvir uma negação, mas que depois aceitam – e tudo bem. Principalmente, é claro, se ela tiver razão.Ser legal não é legal.


Para os psicoterapeutas americanos Jo Ellen Gryzb e Robin Chandler, autores do livro The Nice Factor – The Art of Saying No (numa tradução livre, “O fator gentileza – A Arte de Dizer Não”, sem edição brasileira), a dificuldade para negar surge porque, no fundo, achamos errado não ser legal.



O inesperado livro vai na contracorrente da auto-ajuda, porque não ensina a melhorar a si mesmo, mas a “piorar” e, assim, ser mais verdadeiro. Basicamente, dá o passo-a-passo de como abdicar de ser o boa-praça de plantão, sempre solícito, presente e gentil, para transformá-lo em alguém mais consciente de si mesmo e dos outros, inclusive dos seus abusos. Os dois decidiram escrever o livro quando se encontraram numa segunda-feira de manhã e descobrivida ram que Jo Ellen havia passado uma noite em claro por não saber como expulsar hóspedes indesejáveis de casa e Robin, exausto por bancar o cicerone de parentes que visitavam a família. Antes de expressar o que pensavam, eram tidos como gente muito, muito legal.


Além do risco de não nos deixar mais ser vistos como “legais”, o não também implica outros perigos. É quando as perdas podem ser reais e não apenas imaginárias. “Nessa circunstância, podemos optar por um sim, mas com limites. Posso aceitar algo, mas só por um período curto de tempo, por exemplo. É um sim condicional”, afirma Corinna. Adorei o sim com limites. Tanto que vários dos meus sins daquele momento em diante já vinham com um limite dentro. Acho que fiquei meio chata por um período com meus amigos, mas foi uma bela transição em direção ao não.



Mas também podemos assumir os riscos. “Sabia que podia perder o emprego ao dizer que não ia mais permanecer no trabalho por dez, 12 horas, sem qualquer tipo de hora extra. Não fui imprudente, vi que teria outras oportunidades se tivesse a coragem de mudar de emprego. Disse o não e esperei a demissão, que aconteceu”, diz a comerciária paulista Núncia Alves Ribeiro. Hoje Núncia abriu sua loja de lingerie, está satisfeita, trabalha muito – mas ganha mais. Mesmo que o fim da história não fosse tão feliz, a vida é feita de perdas e ganhos, e geralmente aprendemos mais com as perdas. Elas têm lá suas vantagens.


Mas onde buscar a força necessária para esse não puro e simples, que não teme riscos?
Essa é uma outra etapa.Gentileza e medo
Todo limite precisa de uma potência, de uma força para ser exercido. Um não fraco, frouxo, sem energia, seja na voz, seja na emoção, não dá resultado. E onde podemos encontrar esse vigor?


Vamos voltar lá para o comecinho de nossa existência. Já nos primeiros dias de vida, uma inteligência instintiva se dava conta de que nascemos inteiramente dependentes. Levamos anos e anos sendo alimentados, cuidados e educados até alcançar um pouco de autonomia. Portanto, lá no fundo de nossa mente há uma luz de néon que pisca com os dizeres “sou incapaz de sobreviver sozinho”. “Dependo de alguém, e se perder esse vínculo que me mantém vivo – no caso, minha mãe – posso morrer.”



Para continuarmos com esse vínculo, somos capazes de fazer tudo. Inclusive sempre dizer sim e obedecer, se for necessário.
“Manter vínculos é a mais fundamental estratégia de sobrevivência do começo da vida”, diz Denise Passos, terapeuta somática e pesquisadora do Laboratório do Pensamento Formativo, que segue a linha do psicólogo Stanley Keleman. De acordo com essa linha da psicologia (que analisa o poder de várias influências em nossas respostas comportamentais), temos dificuldade em dizer não porque morremos de pavor de perder nossos vínculos e ter nossa sobrevivência ameaçada.



É um medo inconsciente e ancestral. Uma criança que tem pais agressivos, por exemplo, e que por temperamento é mais doce, aprende rapidamente que pode ser mais protegida ou aceita quando é boazinha. E ser boazinha e prematuramente madura é uma estratégia eficaz de sobrevivência. “O problema não é ser doce e gentil, o problema é só agir assim, como se não houvesse outra possibilidade diante das situações”, diz Denise.


Um dia crescemos, nos tornamos seres autônomos e não mais tão dependentes dos vínculos. Mas a frase de néon pode continuar a piscar no cérebro: somos fracos, dependentes, e precisamos ceder para sobreviver. Como o patinho feio que virou cisne, não percebemos que nos tornamos fortes e adultos. E que não dependemos tanto dos vínculos, a ponto de aceitar e cultivar até aqueles que podem nos causar muita dor e sofrimento na vida.A força do treino

Para Stanley Keleman, temos três heranças: a biológica, a genética e a cultural. A biológica revela que o ser humano tem a agressividade dentro de si. A genética dá forma a essa agressividade, que depende do nosso temperamento. Portanto, ela a individualiza: podemos ser mais assertivos, ou mais passivos e obedientes, por natureza. A terceira vertente, social e cultural, vai condicionar mais ainda a maneira de expressá-la. Uma pessoa que diz sim quando queria dizer não vai chegar a um ponto em que seu cérebro emocional (o sistema límbico) e o racional (o córtex cerebral) vão entrar em colapso.Vai responder com fúria, com seu cérebro instintivo (reptiliano) ligado à agressividade.E como sair dessa?


Treinando pequenos nãos, só para sentir nossa força, em situações menos importantes. E, como numa ginástica, torná-lo forte e resistente. “É preciso um corpo mais tônico, uma emoção mais clara, um raciocínio mais eficaz”, diz Denise. Aprender que crescemos, que não somos mais crianças e que não precisamos nos sentir ameaçados como elas é um bom começo. Perceber que assumir a força, o próprio poder, não significa ser agressivo.


Aventuras e oportunidades o não pode não ser necessariamente negativo. Já pensou nisso? Na verdade, ele pode se revelar como um portão escancarado para um mundo de aventuras e bem-aventuranças. Ele pode ser, ao contrário, imensamente positivo, pois significa uma recusa ao que é proposto, seja por uma pessoa, seja por uma circunstância, e uma abertura a novas situações.


Nas culturas tribais, como a dos índios norteamericanos, o não faz parte do vocabulário de um guerreiro, pois é capaz de expressar, tanto quanto o sim, o que seu coração diz. Segundo o mitólogo Joseph Campbell, nas culturas indígenas os mitos geralmente se apresentam com dois motivos principais: ou a bela moça se recusa a casar com seus pretendentes, dizendo não, não e não a cada um que aparece, ou o guerreiro infringe um limite. Se, por exemplo, a região ao norte é a proibida pela tribo pelos mais variados motivos, sem dúvida é para lá, contrariando tudo e todos, que ele se dirige. Sua aventura começa ao se negar a aceitar o não dos outros.


A cada recusa de pretendentes ou ultrapassagem de um limite, você se coloca num nível mais alto, de perigo maior. A questão é: você está preparado para esse desafio? “A aventura vai ser a recompensa, mas ela é necessariamente perigosa, incluindo possibilidades, tanto positivas quanto negativas, umas e outras fora de controle”, afirma Campbell. Afinal, se você for imprudente demais, pode perder a vida.


Mas há uma grande vantagem nessa escolha. “Estaremos seguindo nosso próprio caminho e não mais o caminho do papai e da mamãe. Com isso estamos sem proteção, num campo de poderes superiores aos que conhecemos”, diz Campbell. É para isso que as histórias e os mitos existem. De certa forma, eles nos preparam para o que há de vir depois da recusa. Isto é, o não abre portas para riscos, mudança, conflitos, aventuras e realidades diferentes.



O mestre tibetano Chögyam Trungpa falava desse não visceral como o “BIG NO”, o grande não, aquele que é capaz de transformar vidas e destinos. É por isso, também, que o tememos. Mas a mitologia insiste que o caminho do coração é protegido por forças que não conhecemos, que não é preciso temer demais e que nele desenvolveremos novas habilidades e valores.


Uma coisa é certa: depois desse não frontal diante da realidade, nada do que foi será do mesmo do jeito que já foi um dia. Fizemos uma seleção de dicas a partir de livros que falam sobre a melhor maneira de sustentar uma negação.



Aqui estão alguns dos conselhos básicos:


  • Ser muito legal pode não ser legal.

  • Experimente ser egoísta de vez em quando. .

  • Se discordar, discorde logo de cara, no começo da conversa .

  • O não precisa ter força.

  • Boa alimentação, exercícios vocais e vitalidade auxiliam. .

  • Se não tiver certeza do seu sim, enrole.

  • Ou peça tempo para pensar. .

  • Não sorria quando estiver aponto de explodir.

  • Aprenda a fechar a cara. .

  • Mude de opinião quantas vezes quiser. .

  • Diga como se sente e não acuse o outro, colocando-o na defensiva. .

  • Não abra muito espaço para contra-argumentos.

  • Reafirme o seu não. .

  • A negação precisa ser firme.

  • Mas não precisa ser agressiva .

  • Imagine sempre que tudo vai dar certo.

Costuma funcionar. .