29 de janeiro de 2009

SEDUÇÃO....


Me interessei pela menina
que passeava no jardim

Trazendo de tão longe os olhos
que reconhecem,
conversamos durante a noite.
enquanto teu pensamento
me despe.

Desenho com os olhos
cobertos pelas tuas imagens
idealizando esperanças,
sorrindo para as nuvens.

Me envolvendo facilmente
com teu carisma,
com tua argúcia em me desarmar
e pensei o quanto seria fácil
te amar.

teu olhar caiu nos
meus olhos,
estou á mercê da
tua vontade.

Sempre que vais embora,
o silêncio invade
tremulamente o meu sorriso.

Eu quero parar as estrelas
para que elas ardam comigo
a tua ausência,
a minha fascinação.

Me impressiona
que me indagues tanto
ficando cada vez mais próxima,
no entanto minhas mãos
não a alcançam.

Estremeço diante
dos teus olhos recém-chegados,
desenrolando o tempo,
mirando meu rosto,
desvendando segredos.

Há algo em teu aroma,
que só em meus sonhos
pude perceber.

Como flores vivas
festejando água e luz,
recebo teu sorriso
que te faz imensamente
sedutora.

Não pretendo nada
só o gosto da tua boca
a inércia do teu corpo sobre o meu
o esquecimento do orgasmo que paira
sem dúvidas,
sem mentiras
só contentamento

Me perco diante de ti,
tímido,
assustado
facilmente apaixonado.

Olha-me como quem desvenda
tesouros,
teorias,
trilhas perdidas.

Então mil vezes me sinto teu,
como convém ao amor,
teu riso corre placidamente
em minha lembrança.

Ninguém é capaz de ver o fim
então deixo-me levar
durante tempos infinitos,
jardins e rios,
apenas desejando tua volta.

Cada vez mais ansioso.

Que respostas
receberiam as perguntas do teu olhar ?

Poema: Marcello Lopes

Olho minhas mãos,

queria trazer-te versos lindos

inspirados pelo encantamento

do teu sorriso.


Mas sou como os prisioneiros

que tem saudade,

mas tristeza de escrever.


Uma canção de primavera

queria te cantar,

onde o tempo e o vento

fossem meus heróis.


Um dia acordarás

em uma tarde antiga

com um retrato na cômoda,

surpresa de ser amada.


Lembrarás daquela canção

da carta desesperada,

das naturezas-mortas


Uma história mágica,

no verão onde o que importa

é ser e estar.


Ser amada e estar amando.


Poema: Marcello Lopes

03/01/07

27 de janeiro de 2009

Minha inspiração diária


Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro.


Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal.

O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos.


Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Escreveria mais tarde:"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos.


Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder.


A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão.


Essa foi sempre a área de minha vida.


Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar.


Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."Conclui seus primeiros estudos — curso primário — em 1910, na Escola Estácio de Sá, ocasião em que recebe de Olavo Bilac, Inspetor Escolar do Rio de Janeiro, medalha de ouro por ter feito todo o curso com "distinção e louvor".


Diplomando-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1917, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do antigo Distrito Federal.


Dois anos depois, em 1919, publica seu primeiro livro de poesias, "Espectro". Seguiram-se "Nunca mais... e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei, em 1925.


Casa-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem tem três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada.

Suas filhas lhe dão cinco netos.


Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "O Espírito Vitorioso", uma apologia do Simbolismo.


Correia Dias suicida-se em 1935. Cecília casa-se, em 1940, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.


De 1930 a 1931, mantém no Diário de Notícias uma página diária sobre problemas de educação.


Em 1934, organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo.


Profere, em Lisboa e Coimbra - Portugal, conferências sobre Literatura Brasileira.De 1935 a 1938, leciona Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).


Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.Colabora ainda ativamente, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico.



A concessão do Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras, ao seu livro Viagem, em 1939, resultou de animados debates, que tornaram manifesta a alta qualidade de sua poesia.


Publica, em 1939/1940, em Lisboa - Portugal, em capítulos, "Olhinhos de Gato" na revista "Ocidente".

Em 1940, leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).

Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ).


Aposenta-se em 1951 como diretora de escola, porém continua a trabalhar, como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (RJ).


Em 1952, torna-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho. Realiza numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou.


Torna-se sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953.

Em Délhi, Índia, no ano de 1953, é agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi.


Recebe o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962.


No ano seguinte, ganha o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Seu nome é dado à Escola Municipal de Primeiro Grau, no bairro de Cangaíba, São Paulo (SP), em 1963.


Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura.


Recebe, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Ainda em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meireles em Valparaiso, Chile.



Em 1965, é agraciada com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras.


O Governo do então Estado da Guanabara denomina Sala Cecília Meireles o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro.


Em São Paulo (SP), torna-se nome de rua no Jardim Japão.Em 1974, seu nome é dado a uma Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho, bairro de São Mateus, em São Paulo (SP).


Uma cédula de cem cruzados novos, com a efígie de Cecília Meireles, é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), em 1989.


Em 1991, o nome da escritora é dado à Biblioteca Infanto-Juvenil no bairro Alto da Lapa, em São Paulo (SP).


O governo federal, por decreto, instituiu o ano de 2001 como "O Ano da Literatura Brasileira", em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins do Rego.


Há uma rua com o seu nome em São Domingos de Benfica, uma freguesia da cidade de Lisboa.

Na cidade de Ponta Delgada, capital do arquipélago dos Açores, há uma avenida com o nome da escritora, que era neta de açorianos.


Traduziu peças teatrais de Federico Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf.


Sua poesia, traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner, foi assim julgada pelo crítico Paulo Rónai:"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa.


Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo...


A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea.


Bibliografia:


Tendo feito aos 9 anos sua primeira poesia, estreou em 1919 com o livro de poemas Espectros, escrito aos 16 e recebido com louvor por João Ribeiro.


Publicou a seguir:


Criança, meu amor, 1923

Nunca mais... e Poemas dos Poemas, 1923

Criança meu amor..., 1924

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1929 (ensaio - Portugal)

Saudação à menina de Portugal, 1930

Batuque, Samba e Macumba, 1935 (ensaio - Portugal)

A Festa das Letras, 1937

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1949 (biografia de Rui Barbosa para crianças)Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

Doze Noturnos de Holanda & O Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Poemas Escritos na Índia, 1961

Poemas de Israel, 1963

Antologia Poética, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam no Quarto Centenário da sua Fundação Pelo Capitam-Mor Estácio de Saa, 1965O

Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão para o francês de Gisele Slensinger Tydel), 1967

Antologia Poética, 1968

Poemas italianos, 1968

Poesias (Ou isto ou aquilo & inéditos), 1969

Flor de Poemas, 1972Poesias completas, 1973

Elegias, 1974

Flores e Canções, 1979

Poesia Completa, 1994

Obra em Prosa - 6 Volumes - Rio de Janeiro, 1998

Canção da Tarde no Campo, 2001

Episódio humano, 2007


Teatro:


1947 - O jardim

1947 - Ás de ouros


Observação: "O vestido de plumas"; "As sombras do Rio"; "Espelho da ilusão"; "A dama de Iguchi" (texto inspirado no teatro Nô, arte tipicamente japonesa), e "O jogo das sombras" constam como sendo da biografada, mas não são conhecidas.


OUTROS MEIOS:


1947 - Estréia "Auto do Menino Atrasado", direção de Olga Obry e Martim Gonçalves. música de Luis Cosme; marionetes, fantoches e sombras feitos pelos alunos do curso de teatro de bonecos.


1956/1964 - Gravação de poemas por Margarida Lopes de Almeida, Jograis de São Paulo e pela autora (Rio de Janeiro - Brasil)


1965 - Gravação de poemas pelo professor Cassiano Nunes (New York - USA).


1972 - Lançamento do filme "Os inconfidentes", direção de Joaquim Pedro de Andrade, argumento baseado em trechos de "O Romanceiro da Inconfidência".

Pensar


Pensar é transgredir

o lado negro da humanidade,

é com um pouco de silêncio

que as velhas ilusões

desaparecem.


Pensar é viver,

teorias da alma

histórias de quem nos desgoverna.


Pensamentos que me aparecem

precariamente,

são aqueles com mais valor.


A perturbadora sequência

de temas,

que tomam forma em meu cérebro

são indispensáveis para que

eu entenda a nossa eterna ambivalência.


Cultura e Ignorância

tramas de uma mesma teia esquecida

dramas de uma vida covarde.


Pensar é sim

inventar complexidades,

tantos sonhos destruídos

por esses atos inconsistentes.


Pensando em palavras

traiçoeiras,

que de repente nos matam

dolorosamente.


Marcamos nosso lugar no mundo,

pensando

falando.


O mundo se desarruma

na ausência das letras

quando esquecidas no espaço

criam armadilhas.


Pensar é contemplar

mundos sendo criados

personagens atormentados

matéria no vazio.


Pensamentos são belas paisagens.


Poema: Marcello Lopes

Teus pés


Quando não posso contemplar teu rosto,

contemplo os teus pés.


Teus pés de osso arqueado,

teus pequenos pés duros.


Eu sei que te sustenta que teu doce peso sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,

a duplicada purpurados teus mamilos,

a caixa dos teus olhos



que há pouco levantaram voo,

a larga boca de fruta,

tua rubra cabeleira,

pequena torre minha.


Mas se amo os teus pés

é só porque andaram

sobre a terra e sobre

o vento e sobre a água,

até me encontrarem.


Poema : Pablo Neruda

26 de janeiro de 2009

ÉRATO



Te idealizei em meus sonhos,
buscando rumos diferentes.

Teu nome é quase mágica,
Érato,
a musa que rege minhas mãos.

Pois todas as outras mãos
desfalecem sobre as páginas em branco
escutando seu suspiro,
encantando as letras.

Tua forma, musa
resgata os sonhos de todos nós,
mendigos de tua atenção.

É em tua boca,
que eu encontro a
sedução.

Eu a conheço
dos abismos dos meus sonhos,

Entre os fantasmas dos esquecidos,
eu a reconheço.

Teu coração
não pede,
nem toma
apenas seduz.

Já não sofro,
nem sinto silêncio
ao redor de ti.

Tuas idéias,
consomem minha imaginação,
desenho teu corpo,
teu andar nas areias
do pensamento.

Teu riso
nunca mais me esquecerei,
foi um breve momento,

onde a estridente alegria
deu lugar a serena paixão
naqueles pequenos instantes.

Poema: Marcello Lopes


Errei,
assim observo meu erro
nessa observação sutil
faço a correção.

Retorno a vida anterior,
a página virou
as horas passam lentamente.

Um dia de cada vez,
parcialmente absorto em
detalhes anteriores.

Menos sofrimento a cada dia,
a dor vai dando lugar ao vazio,
que por si só provoca
a dor.

Amanhã é outro dia,
o ciclo recomeça,
a vida continua.

Poema: Marcello Lopes
26/01/2009

Lugar


Quero me perder,

deixar para trás tudo

que me irrita,

tudo que me excita

e todos que me evitam.


Quero encontrar um lugar

onde possa com os pés

descalços pisar,

e não ser julgado por

tanto sonhar.


Quero coisas

desejo pessoas,

mas meu lugar não é aqui.


Onde todos sorriem

mas ninguém é feliz,

onde todos choram

mas ninguém sofre de verdade.


Talvez esse lugar que eu procuro tanto,

esteja dentro de mim.


Talvez, somente eu possa achá-lo

sozinho.


Poema: Marcello Lopes

05/12/1998



Durmo agora,

fatigado por sonhar em vão

dando trégua aos meus males,

sumo.


Chorosos sãos os versos

que me são inspirados

sem arte,

sem a beleza

eles me soam desesperados.


Não vejo a luz

em um mundo esquecido,

o futuro uma sepultura,

onde os amigos me enterram

sem ternura.


Não me inspire esses

versos malditos !

da serenidade ao furor louco

só me resta um pouco.


Curvo a minha face

e com o punho descarnado

sustento entre lágrimas,

um grito envenenado.


Porém,

tudo que sai

é um gemer rouco

e cansado.


Poema: Marcello Lopes

01/08/1991

22 de janeiro de 2009


Corre

descuidada sob o céu mais azul.

onde o ar é puro,

corre...


Talvez quando eu te vi

fosse um sonho,

sonho meu.


Olha,

com esses olhos que tudo despem,

o mundo é frio

mas o desejo nos esquenta a alma,

então olha claramente.


Canta,

pois o dia nasce e sou teu poeta

aos teus pés escrevo sobre

teus prazeres perdidos

canta glorificando-os.


Nessa sinfonia

os sinos,

a marcha

até mesmo Beethoven

silenciam.


Dorme,

o coração sofre

separado pela circustância

preso por essa distância.


Suspira,

movendo a seda

que sustenta teus sonhos.


Move-se entre esse invencível exército

que procura em vão

como eu,

o louvor de uma

canção.


Vencendo assim,

ostentando o corpo sensual,

que oscila,

que desmaia

desprovida de sombras
escassamente compreendida

mas vitoriosa.


Poema: Marcello Lopes

Seu poema



Te encontrei
sorri
acenei em tua direção.

Eu me lembro de tudo,
teus olhos brilhando
a cada frase dita.

Me espanto a cada sorriso teu,
dois estranhos diminuindo
a distância entre presente e
futuro.

Contei histórias,
desenhei paisagens.

E você me disse
sobre coisas feitas,
sonhos desfeitos.

As pessoas que vieram e se foram em nossas vidas,
foram citadas enquanto caminhamos
suavemente pelo nosso
passado.

Se não chovia,
chove agora em minha memória

Teus olhos,
vivos e claros,

Num silêncio amargo te perguntava :

- Voltarei a te ver ?

Os mesmos olhos
riram e sua boca viva
me respondeu :

- Claro que sim !

Sorri.
beijei teus lábios
e acenei em tua direção.

Poema: Marcello Lopes

21 de janeiro de 2009

Minha inspiração diária


Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira), nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão, quarto filho dos onze que teriam seus pais, Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.

Inicia seus estudos no Jardim Decroli, em 1937, onde permanece por dois anos. Depois, estuda com professoras contratadas pela família e em um colégio particular, do qual acaba fugindo. Em 1941, matriculou-se no Colégio São Luís de Gonzaga, naquela cidade.

Aprovado em segundo lugar no exame de admissão do Ateneu Teixeira Mendes, em 1942, não chega a concluir o ano letivo nesse colégio. Ingressa na Escola Técnia de São Luís, em 1943.

Apaixonado por uma vizinha, Terezinha, deixa os amigos e passa a se dedicar à leitura de livros retirados da Biblioteca Municipal e a escrever poemas.

Na redação sobre o Dia do Trabalho, onde ironizava o fato de não se trabalhar nesse dia, em 1945, obtém nota 95 e recebe elogios pelo seu texto.


Só não obteve a nota máxima em virtude dos erros gramaticais cometidos. Face ao ocorrido, dedica-se ao estudo das normas da língua.

Essa redação foi inspiradora do soneto "O trabalho", primeiro poema publicado por Gullar no jornal "O Combate", de São Luís, três anos depois.Torna-se locutor da Rádio Timbira e colaborador do "Diário de São Luís", em 1948.

Editado com recursos próprios e o apoio do Centro Cultural Gonçalves Dias, publica seu primeiro livro de poesia, "Um pouco acima do chão".

Em 1950, após haver presenciado o assassinato de um operário pela polícia, durante um comício de Adhemar de Barros na Praça João Lisboa, em São Luís, nega-se a ler, em seu programa de rádio, uma nota que aponta os "baderneiros" e "comunistas" como responsáveis pelo ocorrido.

Perde o emprego, mas é convidado para participar da campanha política no interior do Maranhão. Vence o concurso promovido pelo "Jornal de Letras" com o poema "O galo".

A comissão julgadora era formada por Manuel Bandeira, Odylo Costa Filho e Willy Lewin. Começa a escrever poemas que, mais tarde, integrariam seu livro "A luta corporal".

Muda-se para o Rio de Janeiro (RJ), em 1951. Passa a trabalhar na redação da "Revista do Instituto de Aposentadoria e Pensão do Comércio", para onde foi indicado por João Condé. Torna-se amigo do crítico de arte Mário Pedrosa.



A publicação de seu conto "Osiris come flores" na "Revista Japa" rende-lhe mais um emprego: o de revisor da revista "O Cruzeiro", por indicação de Herberto Sales, que se encantou com o conto publicado.

Vai até a cidade de Correias (RJ) onde, por três meses, trata-se de uma tuberculose. Oswald de Andrade, que havia lido "A luta corporal", texto inédito e recém-concluído de Gullar, no dia de seu aniversário, em 1953, presenteia-o com dois volumes teatrais de sua autoria: "A morta", "O Rei da Vela", e "O homem a cavalo".

Em 1954, casa-se com a atriz Thereza Aragão, com quem teve três filhos: Paulo, Luciana e Marcos.

Lança "A luta corporal", que causou desentendimentos com os tipógrafos em função do projeto gráfico apresentado. Após sua leitura, Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari manifestam-lhe, por carta, o desejo de conhecê-lo.


No fim desse ano, passa a trabalhar como revisor na revista "Manchete".Seu encontro com Augusto de Campos se dá às vésperas do carnaval de 1955, resultando inúmeras discussões sobre a literatura.


Trabalha como revisor no "Diário Carioca" e, posteriormente, engaja-se no projeto "Suplemento dominical" do "Jornal do Brasil". A convite do trio de escritores paulistas acima citados, participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1956.


Em janeiro do ano seguinte, o MAM carioca recebe a citada exposição. Gullar discorda da publicação do artigo "Da psicologia da composição à matemática da composição", escrito pelo grupo concretista de São Paulo.


Redige resposta intitulada "Poesia concreta: experiência fenomenológica". Os dois textos são publicados lado a lado na mesma edição do "Suplemento Dominical".


Com seu artigo, Gullar marca sua ruptura com o movimento.Em 1958, lança o livro "Poemas. No ano seguinte, escreve o "Manifesto Neo-concreto", publicado no "Suplemento Dominical" e que foi também assinado por, entre outros, Lygia Pape, Franz Waissman, Lygia Clark, Amilcar de Castro e Reynaldo Jardim.


Ali também foi publicado "Teoria do não-objeto. Criou o "livro-poema" e o "Poema enterrado", que consistia de uma sala subterrânea, dentro da qual havia um cubo de madeira de cor vermelha, dentro desse um outro, verde, de menor diâmetro, e, finalmente, um último cubo de cor branca que, ao ser erguido, permitia a leitura da palavra "Rejuvenesça".


Construído na casa do pai do artista plástico Hélio Oiticica, a "instalação" não pode ser vista pelo público: uma inundação, provocada por fortes chuvas, alagou a sala e destruiu os cubos.


É nomeado, em 1961, com a posse de Jânio Quadros, diretor da Fundação Cultural de Brasília. Elabora o projeto do Museu de Arte Popular e inicia sua construção.


Revê sua postura poética, até então muito marcada pelo experimentalismo, e passa a não atuar nos movimentos de vanguarda. Fica no cargo até outubro/61.


Emprega-se, em 1962, como copidesque na filial carioca do jornal "O Estado de São Paulo", para o qual trabalharia por 30 anos.


Ao mesmo tempo, ingressa no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC). Publica "João Boa-Morte, cabra marcado para morrer" e "Quem matou Aparecida".


Assume, com essas publicações, uma nova atitude literária de engajamento político e social.


No ano seguinte é eleito presidente do CPC.


Lança o ensaio "Cultura posta em questão". Em 1964, a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) é invadida e a primeira edição do citado ensaio acaba queimada.


No dia 1º de abril de 1964, filia-se ao Partido Comunista Brasileiro. Ao lado de Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes, Thereza Aragão, Pichin Pla, entre outros, funda o "Grupo Opinião".


O ensaio "Cultura posta em questão" é reeditado em 1965.Em 1966, a peça "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", escrita em parceria com Oduvaldo Viana Filho, é encenada pelo "Grupo Opinião" no Rio de Janeiro, e conquista os prêmios Molière e Saci.


No ano seguinte o mesmo grupo encena, também no Rio, a peça "A saída? Onde está a saída?, escrita em parceria com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa.


"Por você, por mim", poema sobre a guerra do Vietnã, é publicada em 1968, juntamente com o texto da peça "Dr. Getúlio, sua vida e sua glória", escrita em parceria com Dias Gomes e montada nos teatros "Opinião" e "João Caetano", no Rio de Janeiro, com a direção de José Renato.


Com a assinatura do Ato Institucional nº 5, é preso, em companhia de Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil.


Em 1969, lança o ensaio "Vanguarda e subdesenvolvimento".1970 marca sua entrada na clandestinidade. Passa a dedicar-se à pintura.


Informado por amigos, em 1971, do risco que corria se continuasse no Brasil, decide partir para o exílio, morando primeiro em Moscou (Russia) e depois em Santiago (Chile), Lima (Peru) e Buenos Aires (Argentina).


Durante esse período, colabora com o semanário "O Pasquim", sob o pseudônimo de Frederico Marques. Seu pai falece em São Luís (MA).


Em 1974, por unanimidade, é absolvido no Supremo Tribunal Federal, da acusação Publica, em 1975, "Dentro da noite veloz". O "Poema sujo" é escrito entre maio de outubro desse ano.


Em novembro, lê o novo trabalho na casa de Augusto Boal, em Buenos Aires, para um grupo de amigos. Vinicius de Moraes, que organizou a sessão de leitura, pede uma cópia do poema para trazer ao Rio.


Por precaução, o poema é gravado em fita cassete. No Rio, Vinicius promove diversas sessões para que intelectuais e jornalistas ouvissem o "Poema sujo". Ênnio Silveira, editor, pede uma cópia do texto para publicá-lo em livro.


Enquanto isso não acontece, diversas cópias da gravação circulam pela cidade em sessões fechadas de audição.


No ano seguinte, sem a presença do poeta, o "Poema sujo" é lançado, enquanto Gullar dá aulas particulares de português em Buenos Aires, para poder sobreviver.


Amigos tentam um salvo-conduto junto às autoridades militares, procurando obter garantias para que ele volta ao país. Somente em 10 de março de 1977 desembarca no Rio.


No dia seguinte, é preso pelo Departamento de Polícia Política e Social, órgão sucessor do famoso "DOPS". As ameaças feitas por agentes policiais, que se estendiam a membros de sua família, só terminaram após 72 horas de interrogatórios, ocasião em que é libertado face à movimentação de amigos junto às autoridades do regime militar.


Retorna, aos poucos, às atividades de crítico, poeta e jornalista. Lança "Antologia Poética". "La lucha corporal y otros incendios" é publicada em Caracas, Venezuela. No ano seguinte, 1978, grava o disco "Antologia poética de Ferreira Gullar" e, sob a direção de Bibi Ferreira, é encenada a peça teatral "Um rubi no umbigo". Começa a escrever para o Grupo de Dramaturgia da Rede Globo, indicado pelo amigo Dias Gomes.


Seu livro "Na vertigem do dia" é publicado em 1980 e "Toda poesia", reunião de sua obra poética, comemora seus 50 anos de vida. Estréia a versão teatral do "Poema sujo", com a interpretação de Esther Góes e Rubens Corrêa, sob a direção de Hugo Xavier, na Sala Sidney Miller, no Rio de Janeiro.


Lança o livro "Sobre arte", coletânea de artigos publicados na revista "Módulo", entre 1975 e 1980.A Rede Globo exibe o seu especial "Insensato coração", em 1983.Em 1984, recebe o título de "Cidadão Fluminense" na Assembléia Legislativa do Rio.


Profere a conferência "Educação criadora e o desafio da transformação sócio-cultural" na abertura do 25º Congresso Mundial de Educação pela Arte, realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.Com a tradução de "Cyrano de Bergerac", de Edmond Rostand, publicada em 1985, é agraciado como prêmio Molière, até então inédito para a categoria tradutor.


Em 1987 lança "Barulhos". Dois anos depois, publica ensaios sobre cultura brasileira e a questão da vanguarda em países desenvolvidos, no livro "Indagações de hoje"."A estranha vida banal", uma coletânea de 47 crônicas escritas para "O Pasquim" e "Jornal do Brasil", são publicadas em 1990.


Colabora com Dias Gomes na novela "Araponga". Morre, no Rio, seu filho mais novo, Marcos.


Nomeado diretor do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC), em 1992, lá permanece até 1995.


A Rede Globo exibe a minissérie "As noivas de Copacabana", escrita em parceria com Dias Gomes e Marcílio Moraes.


Lança, em 1993, "Argumentação contra a morte da arte", que provoca polêmica entre artistas plásticos. Morre, no Rio, sua mulher Thereza Aragão, em 1994.


Seu livro "Luta corporal" ganha edição comemorativa a seus 40 anos de publicação. No Centro Cultural Banco do Brasil - Rio, ocorre um evento sobre o trabalho do poeta.Em 1997, lança "Cidades inventadas", coletânea de contos escritos ao longo de 40 anos. Passa a viver com a poeta Cláudia Ahimsa.


No ano seguinte publica "Rabo de foguete - Os anos de exílio".


É homenageado no 29º Festival Internacional de Poesia de Rotterdã.Lança, em 1999, o livro "Muitas vozes" e é agraciado com o Prêmio Jabuti, categoria poesia.


Recebe, também, o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Biblioteca Nacional."Ferreira Gullar 70 anos" foi o nome dado à exposição aberta em setembro de 2000, no Museu de Arte Moderna do Rio, para marcar o aniversário do poeta.



Ocorre o lançamento da nona edição de "Toda poesia", reunião atualizada de todos os poemas de Gullar. O poeta recebe o prêmio Multicultural 2000, do jornal "O Estado de São Paulo".


No final do ano, lança "Um gato chamado Gatinho ", 17 poemas sobre seu felino escritos para crianças. É publicado na coleção Perfis do Rio “Ferreira Gullar - Entre o espanto e o poema”, de George Moura em 2001.


São reunidas crônicas escritas para o “Jornal do Brasil” nos anos 60 no livro “O menino e o arco-íris”. Lança uma coleção infanto-juvenil “O rei que mora no mar”, poemas dos anos 60 de Gullar. Em 2002, é indicado ao Prêmio Nobel de Literatura por nove professores titulares de universidades de Brasil, Portugal e Estados Unidos.



São relançados num só livro, os ensaios dos anos 60: “Cultura posta em questão” e “Vanguarda e subdesenvolvimento”. Em dezembro o poeta recebe o Prêmio Príncipe Claus, da Holanda, dado a artistas, escritores e instituições culturais de fora da Europa que tenham contribuído para mudar a sociedade, a arte ou a visão cultural de seu país.



Lança “Relâmpagos”, reunindo 49 textos curtos sobre artes, abordando obras de Michelangelo, Renoir, Picasso, Calder, Iberê Camargo e muitos outros.


Me dá algumas palavras,


abranda teu silêncio,


descreve-me inesperadamente


cenários, sonhos


combinações imprevisíveis da tua alma.


Tua voz ainda ecoa em minha mente,


imagens construídas ao longo de inúmeros sorrisos


beijos e planos.


Me dê alguma esperança,


o que somos sem ela ???


que seja mínima,


pois a tristeza de um poeta


é o disfarce de um sonho.


Me dê a surpresa,


de ouvir seu pensamento,


da sua provocação.


Meus lábios tremem


quando respiro teu nome.


Me dá um beijo,


saciando minha vontade


entre lágrimas te falo que o amor


ainda me afoga de tanta felicidade.


Estes sonhos


me levam para locais iluminados,


longos campos emoldurados,


fruto da minha perplexidade


quando contemplo teu corpo.


Sussurra algo em meus ouvidos,


assim prova que me adoras.


Tuas palavras são pequenas


heranças do meu amor.


Poema: Marcello Lopes


01/01/07





Dança



O silêncio da dança era ensurdecedor,

estávamos

embalados pelo canto do vento

somente teus olhos

falavam.

O silêncio escuta

com paciência enquanto dançamos,

nossas palavras foram apagadas

alheias a essa doce coreografia.

Nossos gestos são simples,

transcendem o concreto

o amor nada diz,

nada.

Te amar

jamais outra coisa

Dançamos sozinhos

por um momento,

e depois com o vento.

Poema : Marcello Lopes

05/02/2008

16 de janeiro de 2009

Objetos


Restam apenas os objetos

sem razão,

matérias frias que contemplo

e afago em sua ausência.


A amarga convicção

de recolher as palavras

calando-me quando não se tem

quem lê-las.


A tua ausência apaga minha luz,

me afeta,

o vazio que se forma ao meu redor

ceifa o último instante do dia.


Restam apenas os objetos

abstratos

inconsequentes

esmagados pela circustância.


Não consigo ( nem quero) escapar

de pensar que você

me faz uma falta imensa.


Difícil é suportar

o duelo entre a saudade e

a insônia.


Os dias onde a sua ausência me fragiliza,

são infelizes em essência,

e substância.


Doem como cicatrizes

são tempestades em meus pensamentos.


Restam apenas objetos

que me contemplam

envolvem,

esperando sua volta

comigo.


Poema: Marcello Lopes


Mario de Miranda Quintana nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana.


Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal Correio do Povo. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês.No ano de 1914 inicia seus estudos na Escola Elementar Mista de Dona Mimi Contino.

Em 1915, ainda em Alegrete, freqüentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário. Nessa época trabalhou na farmácia da família. Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato, no ano de 1919.
Começa a produzir seus primeiros trabalhos, que são publicados na revista Hyloea, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio.Por motivos de saúde, em 1924 deixa o Colégio Militar.

Emprega-se na Livraria do Globo, onde trabalha por três meses com Mansueto Bernardi. A Livraria era uma editora de renome nacional.
No ano seguinte, 1925, retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia de seu pai. No ano seguinte sua mãe falece.

Seu conto, A Sétima Personagem, é premiado em concurso promovido pelo jornal Diário de Notícias, de Porto Alegre. O pai de Quintana falece em 1927.


A revista Para Todos, do Rio de Janeiro, publica um poema de sua autoria, por iniciativa do cronista Álvaro Moreyra, diretor da citada publicação.



Em 1929, começa a trabalhar na redação do diário O Estado do Rio Grande, que era dirigida por Raul Pilla. No ano seguinte a Revista do Globo e o Correio do Povo publicam seus poemas.

Vem, em 1930, por seis meses, para o Rio de Janeiro, entusiasmado com a revolução liderada por Getúlio Vargas, também gaúcho, como voluntário do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre.Volta a Porto Alegre, em 1931, e à redação de O Estado do Rio Grande.


O ano de 1934 marca a primeira publicação de uma tradução de sua autoria: Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.

Começa a traduzir para a Editora Globo obras de diversos escritores estrangeiros: Fred Marsyat, Charles Morgan, Rosamond Lehman, Lin Yutang, Proust, Voltaire, Virginia Woolf, Papini, Maupassant, dentre outros.

O poeta deu uma imensa colaboração para que obras como o denso Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust, fossem lidas pelos brasileiros que não dominavam a língua francesa.

Retorna à Livraria do Globo, onde trabalha sob a direção de Érico Veríssimo, em 1936.Em 1939, Monteiro Lobato lê doze quartetos de Quintana na revista lbirapuitan, de Alegrete, e escreve-lhe encomendando um livro.

Com o título Espelho Mágico o livro vem a ser publicado em 1951, pela Editora Globo.A primeira edição de seu livro A Rua dos Cataventos, é lançada em 1940 pela Editora Globo.

Obtém ótima repercussão e seus sonetos passam a figurar em livros escolares e antologias.Em 1943, começa a publicar o Do Caderno H, espaço diário na Revista Província de São Pedro.

Canções, seu segundo livro de poemas, é lançado em 1946 pela Editora Globo. O livro traz ilustrações de Noêmia.

Lança, em 1948, Sapato Florido, poesia e prosa, também editado pela Globo. Nesse mesmo ano é publicado O Batalhão de Letras, pela mesma editora.


Seu quinto livro, O Aprendiz de Feiticeiro, versos, de 1950, é uma modesta plaquete que, no entanto, obtém grande repercussão nos meios literários.

Foi publicado pela Editora Fronteira, de Porto Alegre.

Em 1951 é publicado, pela Editora Globo, o livro Espelho Mágico, uma coleção de quartetos, que trazia na orelha comentários de Monteiro Lobato.
Com seu ingresso no Correio do Povo, em 1953, reinicia a publicação de sua coluna diária Do Caderno H (até 1967).
Publica, também, Inéditos e Esparsos, pela Editora Cadernos de Extremo Sul - Alegrete (RS).

Em 1962, sob o título Poesias, reúne em um só volume seus livros A Rua dos Cataventos, Canções, Sapato Florido, espelho Mágico e O Aprendiz de Feiticeiro, tendo a primeira edição, pela Globo, sido patrocinada pela Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul.

Com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, é publicada sua Antologia Poética, em 1966, pela Editora do Autor - Rio de Janeiro.

Lançada para comemorar seus 60 anos, em 25 de agosto o poeta é saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira.

A Antologia Poética recebe em dezembro daquele ano o Prêmio Fernando Chinaglia, por ter sido considerado o melhor livro do ano. Recebe inúmeras homenagens pelos seus 60 anos, inclusive crônica de autoria de Paulo Mendes Campos publicada na revista Manchete no dia 30 de julho.


Preso à sua querida Porto Alegre, mesmo assim Quintana fez excelentes amigos entre os grandes intelectuais da época. Seus trabalhos eram elogiados por Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles e João Cabral de Melo Neto, além de Manuel Bandeira.

O fato de não ter ocupado uma vaga na Academia Brasileira de Letras só fez aguçar seu conhecido humor e sarcasmo. Perdida a terceira indicação para aquele sodalício, compôs o conhecido Poeminho do Contra Todos esses que aí estão Atravancando meu caminho,Eles passarão...Eu passarinho! (Prosa e Verso, 1978) .

A Câmara de Vereadores da capital do Rio Grande do Sul — Porto Alegre — concede-lhe o título de Cidadão Honorário, em 1967.

Passa a publicar Do Caderno H no Caderno de Sábado do Correio do Povo (até 1980).

Em 1968, Quintana é homenageado pela Prefeitura de Alegrete com placa de bronze na praça principal da cidade, onde estão palavras do poeta: "Um engano em bronze, um engano eterno". Falece seu irmão Milton, o mais velho.1973.


Nesse ano o poeta e prosador lançou, pela Editora Globo — Coleção Sagitário — o livro Do Caderno H. Nele estão seus pensamentos sobre poesia e literatura, escritos desde os anos 40, selecionados pelo autor.


Em 1975 publica o poema infanto-juvenil Pé de Pilão, co-edição do Instituto Estadual do Livro com a Editora Garatuja, com introdução de Érico Veríssimo.

Obtém extraordinária acolhida pelas crianças.Quintanares é impresso em 1976, em edição especial, para ser distribuído aos clientes da empresa de publicidade e propaganda MPM.

Por ocasião de seus 70 anos, o poeta é alvo de excepcionais homenagens. O Governo do Estado concede-lhe a medalha do Negrinho do Pastoreio — o mais alto galardão estadual.

É lançado o seu livro de poemas Apontamentos de História Sobrenatural, pelo Instituto Estadual do Livro e Editora Globo.A Vaca e o Hipogrifo, segunda seleção de crônicas, é publicado em 1977 pela Editora Garatuja.


O autor recebe o Prêmio Pen Club de Poesia Brasileira, pelo seu livro Apontamentos de História Sobrenatural.Em 1978 falece, aos 83 anos, sua irmã D. Marieta Quintana Leães. Realiza-se o lançamento de Prosa & Verso, antologia para didática, pela Editora Globo.

Publica Chew me up slowly, tradução Do Caderno H por Maria da Glória Bordini e Diane Grosklaus para a Editora Globo e Riocell (indústria de papel).


Na Volta da Esquina, coletânea de crônicas que constitui o quarto volume da Coleção RBS, é lançado em 1979, Editora Globo. Objetos Perdidos y Otros Poemas é publicado em Buenos Aires, tradução de Estela dos Santos e organização de Santiago Kovadloff.

Seu novo livro de poemas é publicado pela L&PM Editores - Porto Alegre, em 1980: Esconderijos do Tempo.


Recebe, no dia 17 de julho, o Prêmio Machado de Assis conferido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Participa, com Cecília Meireles, Henrique Lisboa e Vinicius de Moraes, do sexto volume da coleção didática Para Gostar de Ler, Editora Ática.Em 1981, participa da Jornada de Literatura Sul Rio-Grandense, uma iniciativa da Universidade de Passo Fundo e Delegacia da Educação do Rio Grande do Sul.

Recebe de quase 200 crianças botões de rosa e cravos, em homenagem que lhe é prestada, juntamente com José Guimarães e Deonísio da Silva, pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços daquela cidade.

No Caderno Letras & Livros do Correio do Povo, reinicia a publicação Do Caderno H. Nova Antologia Poética é publicada pela Editora Codecri - Rio de Janeiro.O autor recebe o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no dia 29 de outubro de 1982.

É publicado, em 1983, o IV volume da coleção Os Melhores Poemas, que homenageia Mario Quintana, uma seleção de Fausto Cunha para a Global Editora - São Paulo. Na III Festa Nacional do disco, em Canela (RS), é lançado um álbum duplo: Antologia Poética de Mario Quintana, pela gravadora Polygram.

Publicação de Lili Inventa o Mundo, Editora Mercado Aberto - Porto Alegre, seleção de Mery Weiss de textos publicado em Letras & Livros e outros livros do autor.

Por aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, o prédio do antigo Hotel Magestic (onde o autor viveu por muitos e muitos anos), tombado como patrimônio histórico do Estado em 1982, passa a denominar-se Casa de Cultura Mário Quintana.

Em 1984 ocorrem os lançamentos de Nariz de Vidro, seleção de textos de Mery Weiss, Editora Moderna - São Paulo, e O Sapo Amarelo, Editora Mercado Aberto - Porto Alegre.O álbum Quintana dos 8 aos 80 é publicado em 1985, fazendo parte do Relatório da Diretoria da empresa SAMRIG, com texto analítico e pesquisa de Tânia Franco Carvalhal, fotos de Liane Neves e ilustrações de Liana Timm.

Ao completar 80 anos, em 1986, é publicada a coletânea 80 Anos de Poesia, organizada por Tânia Carvalhal, Editora Globo. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Vale dos Sinos (UNISINOS) e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Lança Baú de Espantos, pela Editora Globo, uma reunião de 99 poemas inéditos.

Em 1987, são publicados Da Preguiça como Método de Trabalho, Editora Globo, uma coletânea de crônicas publicadas em Do Caderno H, e Preparativos de Viagem, também pela Globo, reflexões do poeta sobre o mundo.Porta Giratória, pela Editora Globo - Rio de Janeiro, é lançada em 1988, uma reunião de crônicas sobre o cotidiano, o tempo, a infância e a morte.

Em 1989 ocorre o lançamento de A Cor do Invisível pela Editora Globo - Rio de Janeiro.

Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Campinas (UNICAMP) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

É eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, entre escritores de todo o Brasil.Velório sem Defunto, poemas inéditos, é lançado pela Mercado Aberto em 1990.

Em 1992, a editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reedita, em comemoração aos 50 anos de sua primeira publicação, A Rua dos Cataventos.

Poemas inéditos são publicados no primeiro número da Revista Poesia Sempre, da Fundação Biblioteca Nacional/Departamento Nacional do Livro, em 1993. Integra a antologia bilíngüe Marco Sul/Sur - Poesia, publicada Editora Tchê!, que reúne a poesia de brasileiros, uruguaios e argentinos.

Seu texto Lili Inventa o Mundo montado para o teatro infantil, por Dilmar Messias. Treze de seus poemas são musicados pelo maestro Gil de Rocca Sales, para o recital de canto Coral Quintanares - apresentado pela Madrigal de Porto Alegre no dia 30 de julho (seu aniversário) na Casa de Cultura Mario Quintana.

Alguns de seus textos são publicados na revista literária Liberté - editada em Montreal, Quebec, Canadá - que dedicou seu 211o número à literatura brasileira (junto com Assis Brasil e Moacyr Scliar), em 1994.

Publicação de Sapato Furado, pela editora FTD - antologia de poemas e prosas poéticas, infanto - juvenil. Publicação pelo IEL, de Cantando o Imaginário do Poeta, espetáculo musical apresentado no Teatro Bruno Kiefer pelo Coral da Casa de Cultura Mário Quintana, constituído de poemas musicados pelo maestro Adroaldo Cauduro, regente do mesmo Coral.

Falece, em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos, o poeta e escritor Mario Quintana.

Escreveu Quintana: "Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira".E, brincando com a morte: "A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos".



Bibliografia: - Em português:

- A Rua dos Cata-ventos (1940)

- Canções (1946)

- Sapato Florido (1948)

- O Batalhão de Letras (1948)

- O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

- Espelho Mágico (1951)

- Inéditos e Esparsos (1953)

- Poesias (1962)

- Antologia Poética (1966)

- Pé de Pilão (1968)

- literatura infanto-juvenil - Caderno H (1973)

- Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

- Quintanares (1976) - edição especial para a MPM Propaganda.

- A Vaca e o Hipogrifo (1977)

- Prosa e Verso (1978)

- Na Volta da Esquina (1979)

- Esconderijos do Tempo (1980)

- Nova Antologia Poética (1981)

- Mario Quintana (1982)

- Lili Inventa o Mundo (1983)

- Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

- Nariz de Vidro (1984)

- O Sapato Amarelo (1984)

- literatura infanto-juvenil - Primavera cruza o rio (1985)

- Oitenta anos de poesia (1986)

- Baú de espantos ((1986)

- Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

- Preparativos de Viagem (1987)

- Porta Giratória (1988)

- A Cor do Invisível (1989)

- Antologia poética de Mario Quintana (1989)

- Velório sem Defunto (1990)

- A Rua dos Cata-ventos (1992)

- reedição para os 50 anos da 1a. publicação.- Sapato Furado (1994)

- Mario Quintana - Poesia completa (2005)

- Quintana de bolso (2006)



No exterior:- Em espanhol:

- Objetos Perdidos y Otros Poemas (1979) - Buenos Aires - Argentina.




- Mario Quintana. Poemas (1984) - Lima, Peru.



Participação em Antologias:


No Brasil:

- Obras-primas da lírica brasileira (1943)




- Coletânea de poetas sul-rio-grandenses. 1834-1951 - (1952)




- Antologia da poesia brasileira moderna. 1922-1947




- (1953)- Poesia nossa (1954)




- Antologia poética para a infância e a juventude (1961)




- Antologia da moderna poesia brasileira (1967)




- Antologia dos poetas brasileiros (1967)




- Poesia moderna (1967)




- Porto Alegre ontem e hoje (1971)




- Dicionário antológico das literaturas portuguesa e brasileira (1971)




- Antologia da estância da poesia crioula (1972)




- Trovadores do Rio Grande do Sul (1972)




- Assim escrevem os gaúchos (1976)




- Antologia da literatura rio-grandense contemporânea - Poesia e crônica (1979)




- Histórias de vinho (1980)




- Para gostar de ler: Poesias (1980)




- Te quero verde. Poesia e consciência ecológica (1982)

14 de janeiro de 2009

Sylvia Plath




Sylvia Plath nasceu em 27 de outubro de 1932 e matou-se em 11 de fevereiro de 1963, quando tinha apenas 30 anos.


Até então sua única obra poética era The Colossus, publicado em 1960. Mas são os poemas escritos após a publicação de seu primeiro livro que a transformaram em um mito da poesia contemporânea.


Seus últimos dez meses de vida foram marcados por uma intensa atividade poética que gerou seus melhores poemas, uma obra que a alçou ao patamar dos grandes poetas do século.



Plath é costumeiramente classificada como poeta confessional.

Neste sentido, sua vida é retratada fielmente em sua poesia, de alto grau emocional.



Plath sempre foi marcada por uma forte instabilidade, fruto do trauma causado pela morte de seu pai quando ainda era uma criança de oito anos.



A morte de seu pai foi a gênese da imagem do colosso masculino, do deus másculo e onipotente que ela ao mesmo tempo adorava e repudiava.



Sua vida foi marcada pela sombra de homens que considerava poderosos e opressores, figuras que ao mesmo tempo a inspiravam e a diminuíam.


Ao lado de seu pai, Plath posicionou em seu pódio seu marido Ted Hughes, também poeta, homem que ela admirava profundamente.


Plath divinizava estas duas figuras masculinas e as inseriu em sua poesia na forma do mito do deus ausente ou morto, cuja ausência ou morte ora é lamentada e ora é celebrada.



Seu casamento com Ted Hughes lhe proporcionou a parceria ideal e Hughes substituiu em certa medida a figura paterna que a assombrava.


Ambos dividiam os mesmos interesses e as mesmas leituras. Hughes era para ela o grande mentor que a educava e contribuía para seu aprimoramento.


Os dois chegaram a abandonar suas profissões para viver apenas a poesia, mudando-se dos Estados Unidos para Londres, Inglaterra, em 1959.


Este período marcou o início de sua fase madura, demonstrando claramente como sua vida íntima se refletia em sua poesia.



No entanto, o ápice de sua produção poética só seria atingido após um período conturbado e traumático.


Em julho de 1962 Plath descobre o envolvimento adúltero de Hughes com outra mulher e seu mundo desmorona.


Plath percebe que vivia uma fantasia e esta constatação dá início à produção de seus maiores poemas.



O divórcio consuma-se em outubro deste mesmo ano, um momento de intensa criatividade. Deste período são os poemas mais fortes e mórbidos de Plath.


A morte está mais presente do que nunca. Seu imaginário é preenchido por sangue, desmembramento, ossos e órgãos internos que criam imagens muito fortes em sua poesia.



Plath muda-se em dezembro com seus dois filhos para um apartamento em Londres durante um dos mais frios invernos do século.


Em janeiro, cerca de um mês antes de seu suicídio, é publicado The Bell Jar, um romance autobiográfico que explora seu passado e seus traumas.



A biografia de Sylvia Plath certamente é essencial para a compreensão de sua poesia, haja visto o poder de influência de seu pai e de seu marido em sua criatividade.


Seus maiores poemas, tais como "Daddy", "Lady Lazarus", "Purdah" e "Fever 103°", refletem com grande força suas experiências existenciais.


No entanto, a classificacão de Plath na categoria de poetas confessionais representa também o perigo de subestimar outras facetas de sua poesia que são tão importantes quanto o caráter biográfico da mesma.


Em um estudo brilhante datado de 1975, Judith Kroll faz uma excelente análise da face mítica da poesia de Plath.


Segundo Kroll, o mito do grande deus morto lamentado pela deusa amante ou mãe é o ponto crucial na obra de Plath.



Seu pai e seu marido representavam este deus poderoso.


A admiração que Plath tinha por ambos se mesclava com um sentimento de ódio, pois apenas a destruição de ambos lhe daria a autonomia para crescer.


Somente livre da sombra destes homens ela podia desenvolver seu potencial criativo.



De igual importância na poesia de Plath é o mito da lua, adorada como deusa em muitas culturas primitivas.

A lua é o símbolo da inspiração poética, significando para Plath seu destino enquanto criadora, sua musa e sua guia.



A lua está presente de forma explícita em muitos poemas, especialmente em sua fase madura, e sua influência enquanto mito pode ser sentida mesmo nos poemas em que não é mencionada de forma explícita.


Em "Edge", que é muito provavelmente o último poema escrito por Plath, a lua assiste a tudo impassível, como uma presença implacável.


Em "Elm" ela é "impiedosa".



O branco, cor mais significativa em sua poesia, é sempre o símbolo da morte, ou renovação, iminente. Nos poemas escolhidos aqui sentimos sua presença no "branco zinco", nas "nuvens", na palidez cadavérica, na "serpente branca", no "leite", no "açúcar", no "capuz ósseo" da própria lua.



A idéia da morte na poesia de Plath não representa apenas o fim, a eliminação definitiva e completa de sua identidade. A morte mítica muitas vezes marca o início de um novo ciclo.


Em muitos mitos absorvidos pela poesia de Plath a morte do deus é seguida por seu renascimento. É este o sentido da morte em sua poesia.


Seu desejo de morte é nada menos que o desejo de transcendência, de renovação. Para Plath a morte é o fim de um estágio e o início de um período superior de vivência.


Este viés interpretativo dá uma nova dimensão à poesia de Sylvia Plath, uma obra magnífica que se sustenta entre as maiores do século, a despeito dos fatos trágicos que marcaram sua vida.



Sugestões de leitura:


Poesias, de Sylvia Plath Editora Iluminuras


Chapters in a mythology - the poetry of Sylvia Plath, por Judith KrollEd. Harper&Row


Ariel, de Sylvia Plath Editora Verus

Minha inspiração diária


OS MANEQUINS DE MUNIQUE


A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.


Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero


Onde os teixos inflam como hidras,


A árvore da vida e a árvore da vida.


Desprendendo suas luas, mês após mês, sem nenhum objetivo.


O jorro de sangue é o jorro do amor,


O sacrifício absoluto.


Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu Eu e você.


Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus sorrisos


Esses manequins se inclinam esta noite


Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,


Nus e carecas em seus casacos de pele,


Pirulitos de laranja com hastes de prata


Insuportáveis, sem cérebro.


A neve pinga seus pedaços de escuridão.


Ninguém por perto.


Nos hotéis Mãos vão abrir portas e deixar


Sapatos no chão para uma mão de graxa


Onde dedos largos vão entrar amanhã.


Ah, essas domésticas janelas,


As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,


Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.


E nos ganchos, os telefones pretos


Cintilando Cintilando e digerindo


A mudez.


A neve não tem voz.
Poema : Sylvia Plath

Um dia te conheci
apaixonando-me pela tua face febril
com meus olhos perseguindo o vazio.



Um dia,
tentei te dizer
a mensagem de amor que escrevi.



Com o coração iluminado
pelo teu sorriso,
sem ar,
pronunciei-a.



Não em palavras,
nem versos de amor,
contei sobre teu perfume de flores
o vento no teu cabelo



a manhã iluminada pelos teus olhos
e o azul dos teus olhos refletindo
no céu.



E sem aviso,
numa gentileza enorme
ganhei um beijo.



Poema : Marcello Lopes
11/12/2007


O ritmo das suas mãos em meu corpo
é como a beleza dos versos
impressos em livros.

Com a alma leve,
que canta e interroga tudo e a todos
tal qual uma criança em suas aventuras
vivo meus dias com você.

Teu retrato
nítido em minha lembranças
virou paisagem constante na minha
vida.

Mundos que se alinham,
o seu e o meu,
arquitetura perfeita.

Olhando as páginas em branco,
descubro um poema,
uma vida
e você.

Poema : Marcello Lopes

12 de janeiro de 2009




Teus olhos brilham
como um calmo incêndio,
queimando aos poucos,
atravessando cidades
arredondando pedras.



No silêncio
surdo perfume exala
do teu corpo.



Dos teus poros,
as cores se confundem
como um prisma que cega,
assombra.



Em tua voz,
um eco de gritos
que devastam meus sentidos.



Não há como ignorar tua presença.
Em meu contentamento febril,
te vejo
te desejo.



Poema : Marcello Lopes


07/12/2007



Ouço o murmúrio das
cantigas de um tempo
que não se apaga facilmente.



Nos teus pés,
uma canção
Na tua boca,
a surpresa de ser amado.



A saudade do quarto,
das frestas deixadas pela ausência
dos nossos corpos.



Fragmentos da nossa vida,
naturezas-mortas sem a tua presença.



O poeta e a sereia,
eu e você.

Bem-aventurados.



Poema: Marcello Lopes
12/12/2007

Musa





Minha musa é
impossível de ser conquistada,
como um animal de luz
que cega e distrai,
se esvai em si mesma.



Você,
é festa,
eu,
silêncio.



Seus olhos me fazem aceitar
com devoção,

seu corpo,

seu rosto,
como um doloroso sincronismo
entre dor e paixão.



Seu riso harmonioso,
é arte.


Sua pele é jovem,

e coroada de flores.


Tento exprimir o quanto as letras encantam

àqueles que as cultivam,

apenas para seu prazer.


Pelo seu amor, sou capaz de cantar a vitória
ao som da cadência dos seus passos.


Desperta desejo, com confiança

e felicidade.


Ao lado das fontes, faz graciosos movimentos

de uma dança, com seus pés incansáveis,

enquanto exibe a harmonia

de sua voz cristalina.


Só há uma musa que desejo

ardentemente,
você.



Poema : Marcello Lopes
15/12/2007

8 de janeiro de 2009


Quando olho para você
não me percebo
por que já não sou único.



Sou apenas um fração de realidade,
fragmento solto,
poeira em busca de felicidade.



Quando estou ao seu lado,
te amando
abrem-se as dimensões perdidas
tudo se funde em um só
momento.



Seus olhos,
sua boca
canto feliz para saudar seus traços.



É no silêncio
entre orgasmos e a respiração
que escuto meu amor,
e me reconheço.



Sinto tudo de todas as maneiras,
seus sentimentos,
meu coração.



Nos meus versos
conto a vida ao seu lado
eterna aventura.



Sua paz me toca,
em seus atos
surge esse assombro
de poder mover meu universo.



Poema : Marcello Lopes
01/01/2008

Nos teus pés. . .


No doce caminhar
dos teus pés
me perco.



A suavidade das tuas linhas,
definida por mãos divinas,
me enlouquece.



Insanidade me espera,
pois teus pés são desafios
a serem vencidos,
sorvidos em pequenos goles.


Poema : Marcello Lopes

6 de janeiro de 2009


Esse era o mundo que nos acomodava
que iluminava o futuro,
e sentíamos que podia ser nosso.



A realidade era essa,
não precisávamos de outra.



Que saudades,
da ansiedade...
das intuições espontâneas
do carinho,
da nossa felicidade.



Fizemos experiências
convencidos de que somos
capazes de voar e
de sempre amar.



Que saudades do coração
acelerado,
de possuir um mundo novo
nos braços.



A cada momento que nascia
a esperança,
os olhos brilhavam.



Que saudades
de reconhecer os passos
no corredor,
o encantamento de cada novo dia,
o romper do tesão
até nossos ouvidos zunirem
de emoção.



Constantes e atraentes,
éramos a alegria sem palavras,
a essência sem a devida compreensão.



Poema : Marcello Lopes

Caio na noite
tantos anos depois,
amores estranhos
mágoas profundas.

Sonho com um enigma
sem solução,
nossa cama vazia
sexo sem tesão.

Invento um objeto de uma filosofia qualquer
uma nova paixão.

Outra canção,
mudança,
dança e emoção.

A quebra do silêncio
um poema no meio da noite,
tudo real.

Outra interpretação
ousadia, riscos
nada com você era igual.

Poema : Marcello Lopes

3 de janeiro de 2009

Minha inspiração diária


Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...

A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos

Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,

Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos

Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:

Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,

Tudo vai recomeçar !!!

E sem nenhuma lembrança

Das outras vezes perdidas,

Atiro a rosa do sonho

Nas tuas mãos distraídas...


Poema: Mário Quintana

Não basta



Não basta saber amar
é preciso conhecer quem somos
a dança, o ser,
o caminho do desconhecido.

Não basta saber pensar,
é preciso saber ter e existir
que vale a ideologia
sem a essência das coisas ?

Não basta ter sexo, tantos anos repetido
ás vezes sem sentimento,
que sequer ouso relembrá-los.

O degelo de uma paixão,
as emoções que se tornam fragmentos.

Não basta ter intimidade
corpos que se movem
como objetos enigmáticos.

A desunião dos valores,
quebra do silêncio apenas
para a agressão.

Não basta a paixão enlouquecida,
que consome vorazmente e que de herança deixa apenas
destruição.

Amanhece o instante do êxtase,
nada mais.

Olhares resignados,
estranhos pensamentos
não basta ver nada além da
tua nudez.

O ser e o nada,
flores no escombro
já não é mais
encanto.

Poema : Marcello Lopes

Pedaços de ti

Perco-me em ti,
uma tempestade sensual
me atinge quando espreito
cada pedaço do teu corpo.

Quero ser teu refúgio,
nesse mundo paralelamente
diagonal.

Memórias de um momento
na elegância da tua timidez
pedaços de ti etéreo paraíso.


Segredos ocultos
em suas linhas simples
a beleza dos olhares trocados,
detalhes,
memórias da pele.

Calma e sensual
meu desejo transforma teu corpo em reflexo
discreta sedução.

Poema: Marcello Lopes

Deixa eu te ame em uma aurora sem sangue.

Suspiro extasiado quando ouço tua voz.

Deixa que eu te ame, pois quando se consumar o ato,
uma certa sensibilidade nos dominará,
e o silêncio será nossa declaração de amor.

Deixa, que o amor nos libertará.
Dê-me tuas mãos, tenho comigo as rosas
onde teu corpo repousará.

Deixa que eu conduza teu corpo, farto de prazer e
cego de gozo, tendo em minhas mãos teus seios,
teu desejo apaziguado.

Deixa, dissolver o tempo que nos consome,
e transforma tudo em memória.

Deixa que eu te ame, loucamente, em algum lugar onde sacudidos
pelo orgasmo brevíssimo,
possamos morrer abraçados.

Deixa ser assim, ás avessas, um arrepio,
músculos exaustos.

Deixa que eu te ame, assim.



Poema: Marcello Lopes

07/12/07