29 de abril de 2009

28 de abril de 2009

Quero....

Quero nesse silêncio alvoroçado

escutar com sincera atenção

meus poemas escorrendo

pelo teu corpo

como ondas de fogo.


Quero bagunçar teu universo

nortear tua incoerência

intuir uma ilusória ordem

em tua vida.


Quero causar impacto

de tonalidades duvidosas

de afetos involuntários

desbravando tua geografia.

Marcello Lopes
29/04/09

Quando eu te encontrei....



Te encontrei
em meio ao movimento ordenado
das ondas.

Teu sorriso tudo iluminava
valorizando a transparência
dos meus sentimentos.

Te encontrei querida,
rejeitando as sombras
intuindo sobre a essência
desse amor.

O absurdo de um poeta vem naturalmente
assim como as lembranças dos nossos
momentos.

Te encontrei em meio as canções e
alegrias e sensações que ficaram gravadas
em tua pele e que eu imortalizo
nessas páginas.

Vivenciando amor
guardo na memória a tua forma suave,
tuas palavras meigas
interlúdios das nossas noites
repletas de tesão.

Te encontrei entre os jardins coloridos
contemplando o céu infinito
pressentindo o envolvimento
inescapável desse doido sentir.

A essência da tua alma
nem as aparências,
nem imagens revelam.

Teus seios,
são poemas que cantam
em minha mente.
Escuto tua voz como quem escuta
as promessas de sereias.

Te encontrei além do amor
através de paisagens que tuas mãos
desenham,
reflexos daquilo que tua alma
anseia.

Eu devo tudo à minha musa.

É em teu ventre,
perfumado pelas flores que eu trago
que curas as minhas feridas.

A distância que hoje insiste em nos separar
só me faz procurá-la cada vez mais,
sem tréguas,
sem medidas
quando em sonhos nos encontramos.

Rasgo tua roupa
iluminando teu corpo
com as rimas das minhas
poesias.

Construo um mundo
com caneta e papel
onde teu canto é melodia suave
em meu ouvido e tuas mãos
são caminhos de descoberta
do paraíso.

Quanto te encontrei
deixastes em meu mundo
sentimentos de valores inestimáveis
um anjo aflito em germinar em meu
coração,

tamanha paixão.

Marcello Lopes 28/04/09

26 de abril de 2009

Pena que o amor doa tanto
em tão poucos de nós.


Marcello Lopes

Esse olhar...

Queria poder mudar esse olhar amargo.

Seu sorriso é de uma rosa que perde as pétalas.
Eu vejo em seu rosto a tristeza que a maquiagem
tenta disfarçar.

Vejo um véu bordado de falsa felicidade
jogado displicentemente em seu rosto.

Suas mãos estão retorcidas,
retrato verdadeiro de uma mulher
sofrida.

Queria poder mudar esse olhar amargo,
esse mundo que você habita.

Queria que minhas palavras tivessem o poder
de penetrar fundo em seu ser,
retificando
transformando seu modo de viver
revelando segredos.

Queria poder cessar essa dor
transformando-a em minha.

Feliz neste mundo o coração que encontra
outro que lhe entende.

Transmutar seu sangue em brasa ardente
um estado de euforia como se fosse
cuspido pela boca de um vulcão.

Não deve haver arrependimentos
nessa paixão.

Queria poder despertar esses sentimentos
em seu coração.

Levantar seu corpo como a de um pássaro
e fazê-la voar para o céu,
guiando a sua fé
desenhando nas nuvens seu nome indomado.

Queria poder converter essa neblina que nos
afasta em uma nuvem de primavera.

Você pode deixar o amor abrir seus olhos,
como uma luz mágica e com meus dedos
em fogo tocar seu íntimo pela primeira vez.

Queria poder mostrar à sua alma, a beleza que pode
nos guiar ao paraíso de sentimentos superiores,
onde os dias passam e as noites terminam em núpcias.

Com o seu encanto poderia me ensinar a adorar a sua beleza
com seu jeito meigo que dia-a-dia me revela os segredos
desse amor.

Queria poder mudar esse olhar amargo guardando
em meu peito a sua tristeza,
fazendo da minha vida um quadro para
sua beleza.

Marcello Lopes.

Desarme-se



Se seu coração nunca conheceu

os segredos da noite

nem compartilhou um dia de sol

com alguém,

desarme-se.


Se seus ouvidos nunca

ansearam ouvir as palavras

que definiriam sua vida com

outra pessoa,

desarme-se.


A vida é um sonho

repleto de possibilidades

e de atos apaixonados,

permita-se encontrar o sentido

da vida,

do bem-estar

da felicidade que somente se eleva

quando se aceita desarmar-se.


Se suas mãos nunca desenharam paisagens

sobre um corpo nu,

pasmo de admiração ao ampliar o carinho

em meio ao redemoinho de tesão e encantamento

desarme-se.


Se sua alma

nunca se manisfestou em desejo ardente,

murmurando pro mar

promessas e verdades,

então desarme-se.


Caminhe por todos os atalhos,

conheça a profundidade do

tesouro desconhecido sem

limites, sem medidas.


Pois a vida não caminha em linha reta,

nem cresce sem sacrifícios.


É preciso desarmar-se

para aceitá-la.


Marcello Lopes - Goiânia 09/04/09

23 de abril de 2009

Melancolia

Caminhando pela quietude da minha vida,
que compreendi os segredos da luz
e os mistérios das trevas.

Sussurro nomes e sensações
que em minha existência conheci
cantando melodias sem compreendê-las.

Recordo das palavras estranhas
que este mundo me fez escrever
sombras de dias que quero esquecer.

Corre em mim uma canção
melancólica,
de saudade que simboliza
ora uma coisa
ora outra.

Caminhando e ressucitando os rostos
que delinearam minha alma
que me envolveram com
canções e esperanças.

Encontro em mim
parte das sementes que
esvoaçaram por um
momento.

Me encho de melancolia
ao fechar os olhos e nada ouvir.

Porque descobri que a melancolia
é muda !

Sinto seu movimento,
ouço seus passos
mas sem ouvir por um
momento
a doçura das suas palavras.

Marcello Lopes - Goiânia 08/04/09

Breve

Embriaguei-me de poesia
adoeci de saudade
caí na tristeza.

Não te encontro
e nem me vejo.

Saltei como louco
com o coração aos
prantos.

Percebendo a imensidão
da tua ausência.

Poema: Marcello Lopes

22 de abril de 2009

Instante

O instante é a verdadeira
matéria-prima da poesia.

Como se uma tempestade noturna
se apoderasse do meu corpo
descobrindo frases
iluminando afirmações
ressoando rimas.

Nessa violenta agitação
as palavras se organizam
se articulam quase que por
si só.

A palavra é ato
de uma consciência subterrânea,
é fato que se admira.

Enquanto um flui,
o outro se esvai.

Nada se perde
na metamorfose do instante
transforma-se em vento o que não se usa,
em poema atirado no
fundo do tempo as palavras
pálidas,
que se fundem no papel.

Poema: Marcello Lopes

Série As Musas - Terpsícore

Dança
sobre o pobre jogo
de variedades que
nunca termina.

Em teus pés
não há limites
pois és a dançarina
das nuvens.

Coroada de grinaldas
serena em tua ocupação
transforma a dança em
sedução.

Um universo próprio
de bailes e festas
celebrando tudo
onde teus passos
envolvem o movimento
e ressoam nos salões.

Dormireis um dia
queimando planícies
debaixo dos teus pés descalços ?

Retornando ao mar
envolta pelo céu
silenciosa como um suspense
perigosa como a vida,
acalmando e dançando
no infinito.

Poema : Marcello Lopes

Terpsícore é a musa da dança.

20 de abril de 2009





Não há simetria em nosso amor,

é bonito,

prazeroso.


Não nos importamos com as sombras

nem mesmo em preencher as

lacunas que de vez em quando nos

separam de modo imprevisto.


Os sonhos conspiram a nosso favor,

reflexo do nosso querer

de antes ou de agora ?


Suspiramos aliviados quando descobrimos

o que foi feito do nosso mundo,

porque os sonhos continuaram sonhos

o romance não morreu e ainda temos

o olhar carregado de desejo.


De quem é a culpa ?


Do instante, que insiste em nos unir,

do calor que sobe em nossos corpos

quando nos olhamos,

ou dessa atitude louca quando estamos

sozinhos no quarto ?


Sorrimos ao encontrarmos amigos

que vivem de romances feitos de meios-tons

e medos inteiros,

não somos assim...


Esse mundo que vivemos,

sem fronteiras, de idéias mirabolantes

recuperando a todo instante as músicas

perdidas em uma velha fita k7,

onde passamos as noites em claro

amando, escrevendo e lendo.


Nossos julgamentos se estendem

por círculos cada vez mais amplos

arte, vida e sexo se confundem

e os nossos argumentos mais fortes

venciam sempre.


Poema: Marcello Lopes

18 de abril de 2009

Poeta



O poeta é uma árvore plantada á beira do rio de beleza,
cujos frutos alimentam os corações famintos.

É um rouxinol que salta entre os ramos da palavra e canta
melodias que enchem os corações de ternura.

Poema: Gibran Khalil Gibran

Gibran foi um maiores gênios que o Oriente já produziu, poeta, pensador, escritor, artista plástico, filósofo que ocupa um lugar de destaque na literatura árabe e foi um defensor sem tréguas dos direitos das mulheres árabes.

Declarou guerra às oligarquias dominantes e sanguinárias dos sultões otomanos. Sua escrita ficou marcada pela sensibilidade poética do seu pensamento humanista.

Foi o profeta da paz e do amor, um gênio da literatura e da arte.

Seu livro mais conhecido aqui no Brasil se chama O Profeta lançado pela LP&M.

Dedico esse seu poema à todos os poetas que conseguem traduzir o amor em palavras, que colorem seus mundos com as cores de seus sentimentos.

Somente quem não ama pode desprezar a poesia.

Em meu outro blog http://leiovejoopino.blogspot.com escrevo sobre Gibran, sua obra e seu impacto em minha vida.

Texto: Marcello Lopes

ADITYAS

Flamejante universo
inalcançável firmamento
resvalando entre as muralhas
do meu pensamento.

Dessa noite que conhece
todas as veias,
que protege as concepções
dá significado ao
teu nome.

Eternidade
elemento inviolável
que forma a tua essência.

Deusas da luz
lavradas pelo sol
protegidas pela lua.

Seres absolutos
formas luminosas
simbolizada pela
pétala de sutis
arabescos.

Poema: Marcello Lopes

Adityas são um grupo de deidades solares.

16 de abril de 2009

Querida

Você se foi
em uma noite cheia de luz
com um segredo na alma
escapando das minhas mãos.

Sua vida foi um sonho
entremeados por tristezas
e alegrias,
bem-estar e aflição.

O aroma dos seus lábios
a sua singeleza
que sempre me anestesiava
como uma embriaguez prazerosa.

Você se foi,
como o silêncio da noite
em direção a um redemoinho
de ilusões.

Pasmo de admiração
nem notei sob o calor do sol
suas lágrimas
que escapavam da minha
compreensão.

Sua imagem me escapa
mas seu caráter se eleva
sobre essa dor que a ausência
do seu amor me causa.

Eu a aceitava
extasiada pelas aventuras
buscando proteção
quando cansada de ferir
seu coração.

Você se foi,
nas fendas que circundam
minha vida
além dos muros de
proteção.

Continuo caminhando
por todos os atalhos,
murmurando para o mar,
compreendendo sua dor,
e ressucitando meu amor.

Você se foi,
procurando a secreta nascente
da felicidade se manifestar.

Meu coração só conhece
o silêncio durante a sua
fuga.

Meus ouvidos ainda anseiam
por ouvir o que só o seu coração
conhece.

Você se foi,
transformando seu corpo nu
em sonho,
seus olhos em tesouro
desconhecido.

Sem você as páginas estarão
sempre pálidas,
sem poesia
sem profundidade.

Um mar de linhas perplexas
e cheias de infelicidade.

Você se foi,
brincando de esconde-esconde
com a minha alma.

Quantas vezes te amei
pois o amor é tudo
que eu consigo guardar
e ninguém pode tirá-lo
de mim.

Poema: Marcello Lopes
Goiânia - 07/04/09
Eu não caminho.

espero,

não sei se pela

inspiração

ou por mim ?

Poema: Marcello Lopes

14 de abril de 2009

Ausência



Tua ausência me faz falta.

nada mais me engana

arranco as pedras do caminho

para te fazer um poema marmóreo.



Teu corpo deixa um vazio que

lentamente escorre pelas frestas

do meu cotidiano,


Arde em mim um lamento pelos

teus seios,

se abate sobre mim uma dor

pelo teu doloroso distanciamento.


Há uma hora de alegria,

quando finjo que estava contigo

andando nos parques,

ouvindo jazz

a paz dos corpos.


Tua ausência cresce em mim

quando vejo crianças vestidas de

flores,

quando ouço Miles,

nos ritos de devoção

á tua imagem.


Verdadeiras festas de loucas alucinações !!!


Éramos puros, tolos

plantávamos amores,

colhíamos com nossos corpos

a palidez da paixão.


Sinto teu silêncio

nas festas,

nos risos alheios

nas esquinas vazias.


Espero por ti,

pela janela

de cabeça erguida,

uma enganosa paz.


Não há mais sons e cores

sem teus pés soando no

piso,

anunciando a tua presença


O prazer dos teus olhos

a graça do sorriso ao ouvir

um tema tão banal

absorvendo tudo como se fosse

o mais lindo poema.


Quando não te encontro,

me reencontro constrangido

aflito,

perdido

em teus lugares cotidianos.


Caio na calçada,

enumerando ausências

prevendo o teu retorno

na horizonte.


Não é teu nome

que incomoda,

é a fome

das perguntas trocadas.


Na tua ausência

não troco mais frases,

nem estórias

que se afogaram nas reticências do

teu vazio.


A falta

espantosamente dolorida

de tudo que já foi dito,

na tua ausência mal me leio


porque nada foi escrito.


Poema : Marcello Lopes

Série As Musas - Melpômene



Mergulha o silêncio
na última veia de esperança.
Deixo-a neste leito,
grave e seriamente vazia,
pois seu rosto já não vibra
mais.
Enquanto caminho para longe
as folhas de videira
desmancham a linha do
horizonte,
que treme em suas mãos.
Poema : Marcello Lopes
28/03/09
Melpômene é a musa da tragédia.

13 de abril de 2009

Oberon



Caminhando entre a bruma branca em movimentos abstratos
transpassado pela luz e cores da manhã.

Contemplando a enorme colcha de retalhos
formada pelos campos, sonhos alheios e
flores,
estende suas mãos compartilhando seus
segredos.

Á seus pés
nomes sem cor
costurados ás colinas ásperas
em palavras sem calor.

Mãos que desenham flores amarelas
rentes ao chão
despedaçando a dura realidade.

Em seu peito
repleto de sons
e seus cabelos perfumados com
o aroma das flores.

Não havia paz
enquanto não houvesse amor.

Das sombras reinava um silêncio
profundo e imemorial.

Foi quando em seus inúmeros momentos
encontrou-se com uma doce luz
que hoje habita seus pensamentos.

Purificando o sangue,
desaparecendo no orvalho
da manhã.

Estremecendo ao sentir os lábios frescos
derramando-se sobre sua língua.

Faminto,
dançou sôbre a superfície da água
com seus cabelos soltos,
despenteados de alegria.

Límpida presença com seus olhos de seda
absorvendo os sonhos,
pairando leve sob a noite.

Na pequena lágrima que cai
desfolhava as sombras.

Em um clarão,
finíssimas pontes alcançavam o homem,
objeto,
mero elemento inventado.

Finalmente conquistado.

Poema : Marcello Lopes

Oberon é o rei das sombras e das Fadas, marido de Titânia.

11 de abril de 2009

Healing Hands



Eu amei muito,
todas as mulheres que conheci
em todos os momentos da vida.

Seus rostos aparecem
como uma dança,
onde o desejo é o último a
sentar.

Amei as mulheres
desejando-as cada vez mais,
chamando-as de diversos nomes
segurando suas mãos suaves
que curavam,
em segredo,
em público.

Elas passaram a ter a mesma beleza,
e a serem sempre desejáveis.

Eu as amei muito,
fui cego em muitos momentos
beijando mãos e pés
sem sentir.

Meu amor crescia á medida
em que eu descobria a
sutil submissão dos homens
á paixão
e o irracional tesão.

Eu amei essa falsidade,
felicidade temporal
que se transforma em sombra
que passa sem despertar
atenção.

Me tornei escravo
prisioneiro da minha busca
pela alegria de amar,
inalando o hálito da ilusão
todas as vezes que fracassava.

Amei a liberdade dos sentidos
sem interesse.

Nunca encontrei a verdade,
nem descobri seus passos
nunca ouvi a sua voz,
que sempre abençoa e
tolera.

Amei-as sem motivo
primeiro por sua
infelicidade,
segundo por suas
almas desarmônicas
onde enterrei meus pensamentos
sonhos e emoções.

Semeei os grãos da
futilidade
circundando palácios
de vaidades

Olho para os lados
e não vejo realização,
só papéis dobrados
desenhos rabiscados
que ao menor vento
sucumbem.

Eu torno a ver seus rostos
ouço suas vozes
véu do passado.

Embalado pela juventude
lia as nuvens,
dançava nos ramos das árvores,
sorrindo para as moças
e flores.

Eu as amei
cobrindo-lhes as faces com mentiras
em forma de beijos,
ainda sinto seus corpos
movimento como das ondas
sempre presentes,
eternamente instáveis...

Sento-me agora na janela
sozinho, observando
as sombras,
imagens em silêncio.

Amei-as
com todo o meu ser
visível ( invisível).

Espero um dia pela redenção,
que ainda treme solitária
em um vazio incomensurável.

Rezo para que suas asas se elevem
se estendendo em minha direção,
renovando a fé,
curando feridas
com mãos que curam, pois
ainda não posso descansar em paz
enquanto alguém estiver
em lágrimas.

Poema: Marcello Lopes
Goiânia - 08/04/09

5 de abril de 2009

TEMPO

TUDO tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Esse capítulo da Bíblia sempre me fez pensar muito, eu o ouvi pela primeira vez no enterro de um amigo, e ele fez toda a diferença naquele momento.


Estou me ausentando dos blogs por alguns dias, chegou o momento da minha falta ser sentida, da reflexão, do inesperado acontecer.


Parto com a bagagem cheia de folhas em branco, com os sonhos e coração aberto ao acaso.Ainda não sei quando volto, nem o porque.


Estou decepcionado comigo mesmo, certas coisas me incomodam demais, preciso viajar, esquecer que os problemas existem mesmo que seja por um breve momento, fazer uma viagem á um local desconhecido talvez seja a melhor coisa que alguém possa fazer.


Italo Calvino dizia que :


" Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.


Os outros lugares são espelhos em negativo.


O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e não terá.”


Dizem que contemplar a si mesmo apavora ?


Estou tentando descobrir uma razão para isso.


Alguns dias de silêncio.


Marcello Lopes


Eclesiastes Cap.03 versículo 01

2 de abril de 2009


Não basta te conquistar
quero desenhar paisagens
nas tuas costas.


Debruçado em teus seios
me embriago de poesia
transbordando de alegria.


Somos uma coreografia de fogo,
queimando serenamente
levianamente convexos
consolados pela pálida
manhã,
seremos infinito.


As loucuras desse amor,
sempre disfarçando as
feridas,
entregando a nossa mocidade
pelas ruas,
nas poesias.


Penetrar no teu corpo
nessa fé que te faz aflita,
essa loucura que
não cabe em si,
e se torna só uma lembrança
há muito esquecida.


Não basta ter o pensamento
é preciso dominar tua alma,
recordar a felicidade que a noite
produz. . .


Louca paixão
que domina o tempo
e cuja a luz é tão
pouca.


Quero te arrebatar
derreter teus enigmas
preparar as virtudes,
incendiar teu mundo
(visível)
e impossível.


Solto essas palavras ao vento
correndo com os sopros
perdendo a cabeça,
ferindo o corpo
entorpecendo a alma.


A brisa que nos faz tremer,
é dessas coisas que
nos fazem felizes,
nas sombras do
desejo.


Poema: Marcello Lopes
01/04/09

Séries As Musas - Tália



Te vi brilhar
nos palcos
de rosto sensato,
Coroada de hera
na medida exata.
Uma letra,
uma data.
Todo o universo
vibra,
seu cristal é límpido
pronto a atuar
para a imensidade
do ato !
Poema: Marcello Lopes
Obs: Tália é a musa da comédia.

1 de abril de 2009

Silenciosamente

Sou o silêncio

não clamo por respostas

nem chamo nomes.


Com os lábios gastos

peço minutos de pausa.


Para contemplar

o espaço vasto do

tempo.


Poema : Marcello Lopes

28/03/09