31 de maio de 2009



Teu corpo despedaçou suspiros

para fora da minha boca,

fazendo o silêncio cair e encher os meus ouvidos,
estrelas me visitam nessas noites

Tenho saudades dos teus sussurros.



Há dias busco luz

não gosto da sombras

Gosto dos lençóis impregnados

com a nossa essência...



Há dias busco horas e tempo

cansei das noites intranquilas

amo os momentos de teu alegre encanto,

a tua voz em meus poemas.



Mergulho na tranquilidade e paz

quando deito em teu colo,

conforto harmonioso que alcancei no caos.



Metade de mim mora nas manhãs

onde passo a inventar

linhas de mão, lábios e sopros...

gritando com esperança e novas trilhas...



Há dias busco o tom que estava no silêncio

enquanto teu rosto tremia de desejo,



dos teus cabelos colho as pétalas

de sincero amor,

gosto de te guiar e escolher



Há dias tento decifrar teus olhos

imprecisa como tudo que é indecifrável

é bom viver ao teu lado com luz, sem medo,

com paz, sem tédio.



A escuridão assustadora da noite me revelou

uma esperança que insiste em renascer

a cada sorriso, a cada orgasmo teu.



Saudade de te chamar pelo nome

saudade da nossa vida refletida em poemas

alinhada pelos planetas e signos,

medos e angústias,

dores e aflições.



Nas noites onde o frio

se esconde em nossas pausas

as palavras quase sempre perdidas

nas imensidão de estrelas.



Amo tua beleza

confiança e calor...



Há dias que trocamos palavras cegas,

que a saudade de manter a palavra viva é absurda,

então me calo e vejo as ruas que inventaste para mim,

um céu que dá sombra, a chuva que marca

a respiração no vidro....



Teu corpo ataca meu coração ruidosamente,

intrigada pelo meu desejo

desenhando sombras em certos ângulos do meu corpo,

silenciosa como fotografias,

cheia de boas promessas...



Quero te dedicar um poema que antecipe

a nossa maravilhosa vida, que crie

um inverno como nenhum outro,

que faça me perder em teus pés

em teu ventre seguido pelas palavras

abafadas entre as paredes.



Há tempos que me perco em tuas costas

admirado pelo reflexo das folhas ao cair nesse outono

refletido em suas mãos.



É no teu ardor que me atravessas

que me faz prisioneiro do encanto desse tesão...



Nas praças, nos quintais teu nome me aparece,

enquanto eu envelheço, necessito diariamente

do teu corpo pesando a medida exata

do meu desejo...



Eu morreria sem ti,

és o meu viver

minha canção

minha trilha a ser percorrida.



Teus livros abertos na minha mesa,

quando tu percorrias as ruas

sem nenhum destino,

quando a noite não se acabava....



Quando eu tenho fome,

tenho tuas mãos,

quando eu ficava sozinho,

tinha o teu carinho

quando eu tinha a luz

tu davas a vida.



Marcello Lopes

30 de maio de 2009

Tenho tuas cartas em minhas mãos,
carregadas de memórias,
triturando a realidade.

Poderia cortar meus olhos
sem tuas bênçãos,
por odiar o toque agudo
que não roça mais meu corpo...

Como uma luz que se apagou,
provocando febre,
inventando línguas
apagando poemas.

Os risos,
sons e harmonias tudo foi esquecido,
quando sumiram do meu caminho.

Já fui chamas,
míriades de imagens rodopiando
coração e pernas monótonas
fazendo-se de perigosas.

Um sinal de infinito que se acaba.

Nossos romances prometem mais
do que podem cumprir ?
Os joelhos no chão ecoam ainda as vozes
dos que caem com o suor dos aflitos.

As juras de amor
no chão onde andam os pés,
as rosas perdidas nas vertigens e abismos.

Tenho tuas cartas perdidas entre a razão e a renúncia.

Quais palavras são de amor ?
as carícias transformaram-se em crimes,
as promessas em fúrias
e as tentações ???

Essas breves epifanias do amor,
cumplicidades à uma mesa de café,
perdas e danos que sofremos
entre o medo e a esperança
de novo procuramos.

Somos colhidos pelo tempo
em plena queda
envelhecemos um dia de boas promessas.

Somos a multidão
dos que ainda acreditam no amor
mas que já caminham condenados
ao tropel dos crentes,
cegos ao movimento da manhã.

Marcello Lopes

26 de maio de 2009





Posso parecer breve em minhas palavras
falar que te amo, que te adoro,
simples sentimentos que não
se rendem à oração.


Digo e escrevo coisas
que estão impressas na dolorida ausência
da tua boca generosa...


A verdade é a única forma de te alcançar,
sentir que você vive dentro de mim
Ora a me alimentando
ora a me consumindo.


Te escrevo porque durante toda essa ausência,

comovo-me imóvel sobre os lençóis...


Impossível não capturar qualquer sentimento

quando sinto esse imenso afeto,

essa vontade louca de te abraçar e aninhar tua cabeça

no meu ombro, vendo teu sorriso lindo.


Da tua boca jorra o mel

aromático que me arrebata

desse amor não tenho explicações

sei que o real mostrará...


Teus olhos são a minha biografia

e teu rosto desperta em mim

as doces lembrança

e a dor da tua falta...


Eu sei que minha veia poética alça vôos

quero te acordar,

enchendo seus lábios de beijos,

devorar tuas miragens

roubando tuas expectativas.


Quero gravar no espaço e no tempo

tua imagem,

quanto carinho eu tenho

para te dar,

como um fogo que

não pára de queimar...


Quero que o sol te banhe

pois quando a tua pele se destaca,

tombo vertiginosamente sobre os teus seios.


Tua figura ilumina ao fogo

domando meu pensamento,

só te quero quando respiro...


A terra,

o sol

o vento

o mar

exageradamente relevados em tua vida.


Marcello Lopes

25 de maio de 2009

Lirismo puro



Já és minha.

Repousa com teu sonho em meu sonho.

Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.

Gira a noite sobre suas invisíveis rodas e junto a

mim és pura como o âmbar dormido.


Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.

Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.

Nenhuma viajará pela sombra comigo,

só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.


Já tuas mãos abriram os punhos delicados e deixaram cair suaves sinais

sem rumo teus olhos se fecharam como duas asas cinzas,
enquanto eu sigo a água que levas e me leva:

a noite, o mundo, o vento e novelam teu destino,

e já não sou sem ti senão apenas teu sonho.


Neruda ....

Auto-retrato



Quero desfrutar das belezas que enfeitam nossa vida,

valorizar os momentos mais simples,

ver poesia num olhar,

numa palavra,

no seu silêncio.


Só entendo o nosso amor com letras maiúsculas,

quero corresponder toda a sua intensidade,

ter a coragem de me apaixonar totalmente.


Meu amor é dedicado,

verdadeiro, leal,

companheiro e amigo.


Me dôo com facilidade,

escrever é meu caminho

para a liberdade.


Quero poder sonhar com você,

mesmo o mundo nos dizendo

que sonhar está meio

fora de moda.


Eu não desisto

penduro meus poemas em balões

para que eu transforme os seus sentidos

e conotações !!!


Marcello Lopes

Simples

Te conhecer é um presente que se descortina
aos poucos, trazendo surpresas,
revelando detalhes,
escondendo manias
e, finalmente,
aproximando nossas bocas...

Deixei-me seduzir pelo teu encanto,
pela simplicidade dos teus atos
tuas doces palavras enfeitiçaram meus ouvidos.

Eu estava indeciso.
Aqueles dois primeiros parágrafos me levaram
à perdição...

Encantava-me com suas histórias
escondidas nas linhas da timidez
quero acordar e acalmar o ar
transpirar murmúrios desse amor tardio,

Arrebatador
que tanto impressiona.
Cativa,
seduz.

Ahhh se te amasse desde sempre !!!

Todo horizonte é um vasto sopro de incerteza,
mas eu me supero e te surpreendo,
desfazendo os erros do teu passado,
recomeçando um novo caminho,
um sonho.

Desejo todas as tuas linhas,
descubro que preciso de ti
nesse dia tão azul,
não te enxergo, apenas sinto...

Eu fui em tua cidade e
voltei caminhando. aprendendo que do desafio
eu não tremo,
supero !!!

Nem se atreva a pensar muito,
novamente tua voz ecoava
uma felicidade genuína
senti que tua vida é um presente para quem te cerca.

E ainda estico meu sorriso
quero me largar em teus braços,
tenho saudades de tuas mãos
saudades do mercado,
da Savassi,
da Pampulha...

Não fique tímida,
muito menos acanhada.

É Belo Horizonte!

Meu olhar entrega
o que a razão argumenta,
discuto e digo que sim,
digo que quero

Penso em excluir as palavras,
já que o olhar se torna A palavra,
mas é a voz que trai ao revelar segredos.

É o olhar que ama melhor
mas é preciso saudade
para desenhar tuas linhas perfeitas,

Então tô morrendo de saudades !!!!

Marcello Lopes

24 de maio de 2009

My Funny Valentine....


Tenho saudades dos teus sussurros
que insistem em renascer a cada
movimento de minha vida.


Eles me provocam,

estimulam e sopram sentimentos

diferentes em mim,


Teu corpo vagando em verso,
distraindo a verdade,

enganando o coração

um sonho feito de brisa

onde letra e poesia se beijam.


Minha namorada,
sou apenas teu amante

tudo gira e dança ao teu redor.


Quem afinal és tu ?

estrela cadente,

bela, sinuosa e cheia de flores

chegou de repente

ultrapassando meus limites

desenhando novos sonhos

enquanto dançava

no meio das nuvens.


Quero beijar teus seios

imponentes,

irresistível sedução

que não precisa

de explicação.


Tu já habitavas meu inconsciente,

como uma brisa leve que o vento sopra

versos, melodias, poesias

pequenos fragmentos de luz.


Entre a razão e a emoção

a verdade e a ilusão,

como saber te amar ?


Minha namorada

como posso sonhar sobre amor, sobre a paixão

quando o que mais me faz falta

a ausência do teu sorriso ... ???


Quero transformar tua vida

métrica e rima,

notas e letras

buscando a perpectiva,

o relevo,

a harmonia das cores, o traço ...


Sofro com tua paixão que me reinventa

que preenche meu universo de contradições

e quando não busco teu entendimento

fujo da racionalidade,

um coracão nesse furacão...


Minha namorada

lembranças afloram com teu perfume,

os sentimentos entorpecedores,
pensamentos confusos em torno de suas pernas...

memórias de um tempo que

existe na saudade e no coração.


Abraço o mistério da vida daquela que amo

não existe um momento que passo sem ter

o desejo de te querer, de te entender,

sem esquecer dessa busca desenfreada

de um por quê....


Minha namorada quando estou em silêncio,

há música levando a poeira,

o passado o vento leva !!


Tua voz é brisa que me assoma

um breve momento à consciência,

como uma sincera confidência.


Teu alegre encanto

esconde meu rosto

numa imensidão de beijos,

mera fantasia de rimas imprevistas

de desejos escritos

da felicidade simples.


Minha namorada tem força

graça e leveza,

teu amor comanda tudo

O que sou, o que almejo.


Descobri nas frestas dessas palavras

o significado oculto da superfície do teu corpo,

reconhecendo a sua capacidade

de me surpreender quando amanheces...

de me deslocar quando beijas

de se revelar no meu paladar.


Pinto teu rosto com a palidez da manhã,

navego em teus seios

dono dos meus anseios...


Tua intensa fragilidade

me compromete e entrega

minha vida teu olhar descerra...


Amamos,

vagamente surpreendidos

e no calor dos teus gemidos

de desejo sucessivos

me levaram pensar e sem querer

Exaltar minha musa com todas as letras....


Sorrindo,

te sigo emocionando,

te olho pensando,

mergulhando em desvarios

querendo os cabelos longos,

suas costas,

e conseguindo tua cândida rendição,

lânguida, deita-se e inunda-se....


Poema : Marcello Lopes


P.S : Esse poema tem palavras colhidas em diversos lugares orquestradas e ordenadas pela música My Funny Valentine com a interpretação de Chris Botti.

23 de maio de 2009

John Donne


Vem, Dama, vem, que eu desafio a paz;

Até que eu lute, em luta o corpo jaz.


Como o inimigo diante do inimigo,

Canso-me de esperar se nunca brigo.

Solta esse cinto sideral que vela,

Céu cintilante, uma área ainda mais bela.


Desata esse corpete constelado,

Feito para deter o olhar ousado.

Entrega-te ao torpor que se derrama

De ti a mim, dizendo: hora da cama.


Tira o espartilho, quero descoberto

O que ele guarda, quieto, tão de perto.

O corpo que de tuas saias sai

É um campo em flor quando a sombra se esvai.


Arranca essa grinalda armada e deixa

Que cresça o diadema da madeixa.

Tira os sapatos e entra sem receio

Nesse templo de amor que é o nosso leito.


Os anjos mostram-se num branco véu

Aos homens. Tu, meu anjo, és como o céu

De Maomé. E se no branco têm contigo

Semelhança os espíritos, distingo:

O que o meu anjo branco põe não é

O cabelo mas sim a carne em pé.


Deixa que a minha mão errante adentre

Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.


Minha América!

Minha terra à vista, Reino de paz, se um homem só a conquista,

Minha mina preciosa, meu Império,

Feliz de quem penetre o teu mistério!

Liberto-me ficando teu escravo;

Onde cai minha mão, meu selo gravo.


Nudez total!

Todo o prazer provém

De um corpo (como a alma sem corpo) sem Vestes.

As jóias que a mulher ostenta

São como as bolas de ouro de Atalanta:

O olho do tolo que uma gema inflama

Ilude-se com ela e perde a dama.

Como encadernação vistosa, feita

Para iletrados, a mulher se enfeita;


Mas ela é um livro místico e somente

A alguns (a que tal graça se consente)

É dado lê-la. Eu sou um que sabe;

Como se diante da parteira, abre-Te: atira, sim, o linho branco fora,

Nem penitência nem decência agora.


Para ensinar-te eu me desnudo antes:

A coberta de um homem te é bastante.

22 de maio de 2009

Série As Musas - 4


Nas promessas poucas palavras,
em poesia uma torre de babel.
Teu corpo tem cheiro de camomila e mel.
tua inconstante chama encanta
seduz,
fascina enquanto canta.
Faço seus cabelos cairem como uma cascata em volta do seu rosto,
te deito sobre os meus travesseiros ainda impressos
com a lembrança do seu corpo.
Os seus olhos enigmáticos feitos luz estreita,
contrastando com o calor da pele
sente meu hálito sussurrando na superfície da sua pele
como uma brisa.
Um calor hipnótico, preenchendo todos os espaços,
devorando seus sentidos,
não conhecemos nada a não ser nossos corpos
dormindo abraçados
reconciliados, em paz.
Marcello Lopes

Pelos Frutos




Nem pelo tamanho

nem pela configuração,



Nem pela ramagens

nem pela imponência das copas,

nem pelos rebentos verdes

Nem pelo aspecto brilhante

Nem pela apresentação desagradável

nem pela vetustez do tronco

Nem pela fragilidade das folhas

Nem pela casca rústica ou delicada

Nem pelo aroma atraente

nem pelas emanações repulsivas.

Árvore alguma será conhecida ou amada pelas aparências exteriores, mas sim pelos frutos, pela utilidade e pela produção.

Ninguém que se consagre realmente à verdade dará testemunho de nós pelo que parecemos,

pela superficialidade de nossa vida, pela epiderme de nossas atitudes ou expressões individuais

percebidas ou apreciadas de passagem, mas sim pela substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral.

Pelos frutos os conhecereis - disse Jesus.

Pelas nossas ações seremos conhecidos - repetiremos.

Bom fim de semana e muita paz !!!!

20 de maio de 2009


Hoje quero falar sobre o amor não com as palavras cotidianas, gastas pelo uso e pela banalização

desvalorizadas pelas inúmeras ilusões mas pelos atos.


Quero falar sobre o afeto que todos devem sentir ao acordar ao lado de quem ama,

os olhos brilhando diante de uma lembrança feliz, os tremores quando se lembra da última noite.


O verdadeiro amor cobre uma multidão de pecados, somente ele perdoa,

esse sentimento que nos invade e transforma o conceito o sentido e as formas das palavras.


Quero falar sobre a inspiração que toda a paixão desperta e quando amadurecida se torna sentimento douradouro.


Em meio a um banho de sensações, texturas letras e sons descobrimos aos poucos nosso

ritmo, as palpitações que a pessoa amada nos provoca.


O amor, que sentimento é esse que nos impele, que nos arremessa a um vagalhão de emoções ?


É certo que ele me consome, queimando por dentro todos os medos, traumas e preconceitos, me deixando com a falsa impressão de que sou invencível, de que todos os momentos passados ao lado da pessoa que eu amo são perfeitos.


E são sim perfeitos, são momentos em que a harmonia e o afeto tomam conta do nosso corpo, preenchendo a mente racional e transbordando em nossos corações.


Sabemos que a vida não é perfeita, e que os problemas existem, mas esses momentos devem ser usufruídos com o máximo prazer. O amor que eu sinto, é o que todos procuram, pequenos lapsos de ficção na minha vida real.


Me privar desses momentos é como caminhar rumo para solidão e a insanidade !!


Mas devo lembrar-me sempre de que não existe felicidade eterna ou que dure pra sempre, vivo apaixonado porque esses momentos inesquecíveis de afeto, de cumplicidade são a essência do verdadeiro amor que Paulo nos ensinou nas epístolas.


Isso basta para mim, isso é o suficiente para que eu sobreviva a rotina e aos conflitos diários, e por ser um eterno apaixonado já vale a pena estar vivo.


Marcello Lopes


19 de maio de 2009

Série As Musas - 3



Quando hoje acordei a noite pousou com cuidados de amante,
quando o amor se afastou (por um momento apenas?),
ficamos sós, mas sós em separado...

Deitas-te em mim
sou tanto teu que não sei o que em mim é meu.

Fiquei atento aos teus dengos,
e fiz-te andar, porque roubei teu solo,
chega teu rosto mais perto do meu
sou a noite escura e de tão tranqüilo
já sou loucura.

Sei que esperamos,
nada foi esquecido
os dedos, o coração,
os pés...

Sua clareza é oferta,
escapando da secreta brecha
que ao se negar se liberta.

O que gosto em ti são seus claros-escuros,
de repente um cacho desliza na face,
um olhar brilhante flagrado no perfil.

Essa paixão que afeta nossa pele,
uma troca rápida de palavras na boca carnuda
que ia me dizer outra coisa e não esta...

Te quero sem compromissos
nem obrigações pré-marcadas,
quero apenas te amar.

Depois, apagaremos o que foi momentaneamente vivido,
tudo será refeito,
repensado,
retomado,
apagado,
vivido de novo...

Tenho saudade de todos os dias em que não esteve comigo,
aninhada assim
do que não tive,
sinto a saudade do tempo em
que eu não a tinha nas mãos....

Vejo a flor amarela entre os teus seios,
passeia com minha boca entre os dedos
como um livro de poemas.

Pedi aos teus olhos que me enxergassem agora,
ao recordar suas infinitas visões,
revelando o prazer sutil
das efêmeras paixões.

Quando acordei hoje quis te abraçar
pintar a cor do amor nas aquarelas
entre os instantes e os vocábulos
nossa paixão será o que
captarmos na aquarela.

Marcello Lopes
19/05/09 - Mirassol

Poetas não podem calar-se,

Querem às turbas mostrar-se.

Há de haver louvores, censuras!

Quem vai confessar-se em prosa?

Mas abrimo-nos sob rosa

No calmo bosque das musas.


Quanto errei, quanto vivi,

Quanto aspirei e sofri,

Só flores num ramo — aí estão;

E a velhice e a juventude,

E o erro e a virtude

Ficam bem numa canção.


Johann Wolfgang Goethe

Minha inspiração diária


Oh! inclina,

Senhora das Dores divina,

A graça desse olhar à minha triste sorte!


Com a espada no peito,

O coração desfeito,

Contemplas, Lacrimosa, o teu Filho na morte.


Ergues a Deus o olhar,

E com teu suspirar

Pedes piedade para a sua e tua sorte.


Quem sente

O ardente

Fogo a roer-me as entranhas?

Como este pobre peito anseia,

Como treme e receia,

Só tu o sabes, ó Mãe de dores tamanhas!


Para onde quer que eu for,

Que dor, que dor, que dor

Aqui, dentro de mim!

E, mal estou sozinha,

Parte-se a minha alma,

Choro, choro sem fim.


Os vasos da janela

De lágrimas reguei

Quando hoje de madrugada

Estas flores te cortei.


E logo que ao nascer

O sol no quarto entrou,

Já sentada na cama

A chorar me encontrou.


Socorro! livra-me da vergonha e da morte!

Oh! inclina,

Senhora das Dores divina,

A graça desse olhar à minha triste sorte!


Mater Dolorosa - Johann Wolfgang Goethe


18 de maio de 2009

Despedida



Despeço-me sem lágrimas
a paixão era enorme e em cada instante
a dor da renúncia ao passado sepultado
em cinza e silêncio,
sangrava o lábio.

Não foste a melhor eu murmurei na tua voz,
e eu que havia incendiado todas as vozes
nas rotas sem fim que respondiam
como o eco de um mar silencioso
como uma lágrima.

Hoje é reflexão e despedida,
surge um novo universo repleto de pulsares,
de novas, de planetas...

Pensamentos que nos fazem mal é melhor largar,
soltar no éter e na solidão,
tranformando em um invisível e sinuoso rastro.

Mostra-me os enganos,
os excessos onde se gastou dias sobre dias,
chorosas horas e não enxergamos,
amor de ilusão.

Toda a sabedoria, toda a bondade,
toda nossa dimensão,
se apagaram.
Mil vulcões e estrelas lhe explodiram.
Os sóis e os cometas se apagaram,
ficamos cegos, fiquei surdo no deserto,
sou artista que pinta uma paisagem
contendo uma rosa branca e suplicando para
me deixar amar novamente.

Tomo teu nome em meu verso
e tranformo do avesso sem apreço,
foi apenas uma brisa que soprou.

Marcello Lopes

17 de maio de 2009

Série As Musas - 2


Ordena e farei

pois a vida é breve e por esse instante

concede teu corpo ao meu amor.



Ordena e te direi com enorme naturalidade

sobre os meus sonhos sem perceber

que te dou as chaves

da minha felicidade.



Nossos corpos perpetuam o amor,

as palavras celebram o encontro.



Passei o dia a te desejar,

amando teu corpo adolescente

e quando o silêncio é interrompido
murmuro um fogo resplandecente.



Ordena sem pressa alguma,

eu espero.



Tenho amor sem ter amores,

tenho fogo, incêndio da alma,

que queima e consome tudo

com calma.



Fecho os olhos e aperto o peito

tento calar a sensação que vaga em mim

um medo incessante

de te perder assim.



Ordena e eu componho,

os reflexos das cores

as percepções das dores

a conclusão dos amores.



Contemplo teu corpo nu,

inalando o aroma do teu orgasmo

traçando com as mãos linhas

quase etéreas em teus pés.



Ordena sempre,

e me leva até as nuvens

na pele afetos intensos

carícias de leve.



Marcello Lopes - 17/04/09

Tive...


Todo o tempo que eu tive,

de coloca-la em minhas mãos

e simplesmente, te olhar.


Tive tempo de sentir seu cheiro,

de conversar mais, falando no teu ouvido

ou rindo alto para o mundo inteiro ouvir.


Tive tempo de voltar revendo nosso caminho,

tive tempo de te abraçar

e sentir lá no fundo aquela paz,

que só quem ama de verdade explica.


Tive você para atravessar a rua de mãos dadas,

para me fazer rir da coisa mais banal,

para beijar sua testa e passar a mão no seu cabelo.


E foi assim, te olhar me salvava.

De qualquer mal, de qualquer medo,

de qualquer perda.


Marcello Lopes

16 de maio de 2009

Arwen


O tempo é seu,

estenda suas mãos de mel e sedução,

e cultiva seus sentimentos

os amores, a vida.


Com um sorriso no rosto,

sabes que cada escolha sua

reflete em minha vida.


O tempo é seu,

não saia me procurando por aí,

sou livre e me escondo nos recessos

do seu coração.


Na frescura da luz

e na aconchegante escuridão,

te imploro que não me procure

fora da sua paixão.


Sonha devagar,

muitas tiveram a chance de me amar

com falso amor ou sincero mas nem

todas entenderam minha alma poética.


O tempo é seu,

você amou com mágoa esse rosto que sempre muda

leu minhas palavras endereçadas às musas

com dor de um ferro incandescente na pele.


Esconde o rosto na escuridão das estrelas,

desatando a fantasia e as entrega

em minhas mãos na ânsia de ouvir

as palavras que sempre sonhou.


Descarta a obrigação de me entender,

assim como o céu tem muitas formas,

minhas palavras tem muitas musas,

mas minha pele só tem a tua.


Vem,

conhece seu poeta de mãos ligeiras,

de coração aberto, de poemas míticos.


O tempo é seu,

ergue os olhos para a luz da esperança

desbrava a vida sem promessas,

com a felicidade simples, de amigos sinceros.


Luta pelo que seu corpo sente,

não se esquive da dor

o que importa é hoje,

busca o aprendizado para um futuro...


O amor é alegria que se soma ao prazer,

refletindo na pele, nos olhos, nos seios.

Quando o amor vem,

não pede nada,

apenas celebre o momento.


O tempo é seu,

os poemas são meus

não possuo nada mais.


Aquele momento foi alegria,

foi gozar e regozijar a sua presença

não foi possuir sua alma.


Essa paixão é desconexa, excitante

minha princesa.


Marcello Lopes

16/04/09

14 de maio de 2009

Resplandecentes



O real confundia-se com o sonho,
De cem em cem passos
recito uma breve composição que hoje
identifico indissoluvelmente ao seu nome.

Em cada desenho meu
seus pés de porcelana criavam
um verso, feliz dos lábios que
nele habitaram.

Há muito esperava esse momento,
a sorver seus pés com uma adolescência feroz,
meus lábios queimados pela paisagem
por inventar já não cabe nesse corpo.

O canto do silêncio arrasa o meu estar,
desabitando o meu desejo,
salpicando de sangue meu vento.

Por isso abra a passagem entre
as nuvens e a luz,
grita meu destino, um corpo e uma paixão !

Te prometo uma tarde de verão,
o coro dos anjos, o jorro da água
rio turquesa cuja luz estenderá
sobre seu corpo.

Assim você fechou os olhos
e percebeu que essa sua paixão,
podia conquistar um coração que
bate ao lado do seu.

Marcello Lopes
14/05/09


13 de maio de 2009

Série As Musas - 1



Minha loira de lábios rubros,

sorrisos de orelha a orelha

aplaudia nossa ligação com

gemidos de prazer.


O seu nome atravessou sete gerações

percorrendo os campos,

construindo idéias sobre si mesma.


Eu estava à sua espera,

e também penso com satisfação como
será divertido gritar em praça pública

quero que ela seja rainha !!!


Gritarei por toda uma manhã,
quando os tons carmins se erguerem

sobre as casas e por toda uma tarde,

para os lados dos jardins de palmeiras.


Meu amor por você extraiu

do mundo imagens e cores,

o desejo que eu sentia pela única

vida dotada de alma !!


Atordoado pela glória das suas curvas

tão admiradas em minhas prosas e poemas,

a paixão se apodera dos meus dedos,

do meu corpo e dos meus pensamentos.


Debruçado sobre os seus joelhos,

me afogando em seu ventre,

fazendo as pazes com seu rosto.


Não consigo me furtar dos seus

braços nus, estendidos entre

as vestes brancas e das suas pernas que

engatinham em meio aos girassóis.


Um longo arrepio invade seu corpo,

enquanto eu deitava um olhar furtivo e

te amava profundamente.


Minha musa de incauta ternura,

pedia com impassível semblante

menos severidade em meu rígido

céu de amor.


Minhas palavras influenciavam

os seus estremecimentos, e

aquela sensação de incansável obstinação

produzia uma outonal impressão.


Quero te deitar nesse estranho

ninho de amor, formado por pétalas,

sentimentos e poemas e passar

com você todo o outono.


Passavam-se horas sem que se

ouvisse o menor ruído, passeava sem cessar

de um extremo ao outro da minha poesia,

a harmonia das rimas e das suas curvas

abafava os seus passos.


Eu te encontrei assim seus

olhos desmesuradamente abertos

as suas narinas e lábios encheram-se

de pérolas de paixão.


Sorriu e tomou entre as suas a

minha mão acariciando-a

era uma vida que começava a se criar,

carregada de delírio e intensidade.


Minha musa suave parecia impossível

esse amor prosperar,

crescer em meio à jardins de desejo

e arquiteturas gramaticais.


É nessa paixão,

cada instante ao seu lado fez que

meu corpo pronunciasse o poema

como uma breve composição

proporcionando a sua imortalidade.


Marcello Lopes

14/05/09

12 de maio de 2009

O amor é uma felicidade que treme.


Marcello Lopes

Vox



Eu sentei ao teu lado e escutava sem dizer uma palavra.

A vibração na tua voz
encontrava eco em meu coração
e separava a alegria da tristeza
o fracasso do sucesso.

Com a tua voz meu espírito voa,
encontra um espaço sem fim
onde posso ver o mundo como
um grão de areia.

Meu amor por ti tem asas poéticas,
e essa doce paixão me leva além das
nuvens.

Estranha magia se misturava a tua voz
elevando sentimentos
menosprezando a fúria da tempestade.

Minha querida,
é um sonho te ouvir,
algo mais expressivo que todas
as palavras já ditas.

Entre vocábulos coordenados
e frases sussurradas
absorvo as emoções do momento.

Em um instante deixei de te ouvir,
para colher o que eu sentia.

Tua voz é brisa suave
a modulação doce da
linguagem das almas iluminadas.

As tuas sílabas materializam-se
na música que sempre amamos,
na melodia que toca em
meus sonhos,
ativando os sentidos
relembrando sentimentos
esquecidos.

Em meu coração trago um
cortejo de emoções,
para que tua voz transforme
as lentas horas em lembranças felizes.

O júbilo recheado de notas alegres
que povoam teu passado
em meu ser tua música transforma-se em
lágrimas em meus olhos,
sorriso em meus lábios e poesia em minhas mãos.

Tua voz é um suspiro
onde teu corpo é música
e tua alma emoção.

Marcello Lopes - 23/04/09

O amor




O Amor abre meus olhos com uma luz mágica,

toca meu íntimo com seus dedos de fogo

despertando minha alma para o paraíso.


Os sentimentos superiores me guiam

à lugares onde os dias passam
e as noites são eternas núpcias.


O amor com todo o seu encanto

me ensinou a adorar a natureza
feminina com seu jeito meigo,

revelando para sempre os segredos
da beleza.


Pelo amor ouvi em meus ouvidos
pela primeira vez as rimas dos versos

que escapavam do seu corpo,

foi com você que transformei
minha vida em uma tela

para sua alma colorir.


Pelo o amor, o meu coração
guarda sua felicidade

e meu peito é um túmulo
para sua tristeza.


Eu te amarei do mesmo jeito que amas

os jardins na primavera,

e viverei seu amor como
as flores vivem com a luz solar.


O amor fará que eu lembre de você para sempre,

com esperança, (com) paixão.


Pelo amor esculpirei tua imagem na pedra

dentro do meu espírito,

revelando os menores detalhes,

a pureza que te cerca no brilho e luz

dos seus olhos.


O amor queima como chama branca

nadando nas frestas do meu corpo

derretendo o silêncio, elevando os sonhos.


Pelo amor escuto as batidas do teu coração,

vejo as imagens do teu pensamento e a nostalgia

desse momento.


Marcello Lopes

Pintura : Gibran Khalil Gibran

Séries As Musas - Urânia

Soltei meus anéis

nos confins da saudade

flutuando como um poeta

à mercê do espaço.


Marcello Lopes

Urânia é a musa da astronomia.

10 de maio de 2009

FALECIMENTO



Meu pai faleceu no meio da família, dentro do coração de todos, ao lado dos netos e filhos, longe dos sentimentos egoístas, de mãos dadas comigo.

Obrigado Jesus pela bênção que me proporcionou.

Muita paz !!

7 de maio de 2009

Palavras




Palavras devoradas pela chuva
e outras intempéries.


Palavras escritas na parede há muitos anos e
mutiladas por cartazes publicitários.


Palavras ditas na rua, voláteis, levantando a cabeça
no meio de conversas alheias, desfazendo-se no ar como fumaça.


É delas que espero o que as outras nunca me dão.


Marcello Lopes

Descanso



E de repente desfalece. E se agrada pelo imóvel, pelo sossego.


Dormir, a solidão sem sobressaltos, paisagens novas.

A esperança acompanhada de alegrias e cantos.


Os imprevisíveis acidentes de percurso vibram ocultos,

clandestinos em nosso interior.


Inofensivos porém vorazes e teimosos,
continuaram ressoando e corroendo
desfazendo lentamente qualquer

fibra que nunca saberemos onde estava e era importante.


Seria então um alvo determinado,

ou a rota desde sempre planejada

que muito nos espanta permanecesse

assim mascarada de outros caminhos possíveis.


Morte prematura.


Insisto no desejo de descansar e deixar os outros.


Marcello Lopes

Tatuagem



Tatuar teu corpo com
as minhas palavras
eternizar nosso êxtase
com ardente paciência,
fundir meus pensamentos
em teu corpo nu.

Cobrir teus seios
de verão,
de ânimo
de poesia.

Reverenciar as tuas curvas
com persistência,
uma vitalidade que
não conhece limites.

Envolvido na tua pele
ouvindo o silêncio ensurdecedor do
breve orgasmo, que
estabelece um suspense
entre o leve sono e o novo movimento.

Ressoando em teu desejo
sangrando até o infinito.

Marcello Lopes

Sonhei com você




Eu sonhei com você
ao meu lado,
seu sorriso refletindo a manhã
mais bela.

Revelando segredos,
alegrando uma vida inteira.

Eu sonhei com você,
com sua voz me guiando
através da densa neblina
do cotidiano.

Nunca me senti em paz ao lado
de alguém,
mesmo em sonho.

Seu sussurro atingiu a minha alma,
o seu primeiro olhar nunca me esquecerei
pois foi nesse momento que eu deixei todas
as minhas dúvidas.

Eu prometo à você,

que não é só a sedução de um corpo,
é seu universo que eu quero conquistar,
ter a sintonia entre os dois mundos
desvendar seus mistérios e te amar.

Sonhei com você,
dormindo no meu peito
ouvindo a chuva lavar nosso telhado.

Suportando o inverno
para semear em teu ventre

início da nossa própria vida

colhendo a recordação de hoje
e plantando o sonho de amanhã.


Sonhei com você,
fonte inesgotável de prazer

onde bebe meu coração sedento.


Escolhemos o caminho mais difícil
sacudindo as dúvidas,
acabando com a escuridão.


Sonhei com o nosso gozo,

de generosidade,

das palavras trocadas entre os suspiros

da mais saborosa felicidade.


Meu coração anseia compartilhar

lágrimas, risos e sorrisos

ensinamentos e bondade

com você mostrando o caminho

para a nossa verdade.


Sonhei que estava desfrutando o silêncio

que surge entre um orgasmo e outro

reconhecendo o significado de estar

apaixonado.


Você é meu sonho,

induzindo meu corpo ao delírio,

uma procissão de desejos e luxúria.


Você, minha musa caminha escondida,

sagrada nos recantos mais luminosos do meu peito.


Sonhei em te encontrar em meio a tempestade

te proteger e manter aquecida.


Eu a olho com afeição

esperando exercer uma doce influência,

em sua vida,

em seu corpo,

enredando em seus cabelos meus dedos,

laços, deixando meus traços.


Minha querida,
sonho perplexo com brilho do

nosso entendimento,

as possibilidades são infinitas,

abrindo as portas da sedução.


Sonhei com você

plena de harmonia

celebrando nossa sintonia.


Marcello Lopes

07/05

Série As Musas - Polímnia



A tua alma agradecida esqueceste
da sombra,
do vento,
deitada entre finos laços
com teu véu,
cantando e chamando
as almas que meditam em
um oceano triste.
Marcello Lopes
Polímnia é a musa dos hinos sagrados

5 de maio de 2009

Homenagem



Os seus poemas me tocam, excitam, comovem, te sinto aqui, bem perto, como se cada palavra movesse moléculas do meu corpo, sinto cada enredo, sendo que a cada vez que não encontro um poema teu, fico perdida sem sustento emocional, é um vício.

Não te conheço, nunca te toquei, nem amei, mas fico pensando em cada mulher que passou por suas mãos, se deixaram levar pela mesma atmosfera em que me transporto toda vez que te leio, você cria um mundo de fantasias, me faz acreditar que você exista em cada palavra, mesmo a realidade me dizendo que tu és um homem comum, com o segredo da magia das palavras.


Mas te quero assim, único em meu encantamento.


Texto: Ângela


Esse texto é uma homenagem da Ângela em seu blog Bela & Tirana onde ela escreve seus sentimentos e impressões sobre o mundo e o cotidiano, aos meus poemas.


Ângela se tornou uma das minhas musas mais interessantes, com apenas 22 anos tem uma maturidade tremenda, inteligente, bonita e fã de Stephen King !!!!


Gosto muito dos seus comentários sempre sinceros sobre os meus poemas, chegando até a margem da crítica ácida.


Fico grato quando meus poemas que são totalmente autobiográficos atinge alguém de maneira tão positiva e tão profundamente, e chego a ousadia de pensar que isso é o sonho de qualquer escritor seja ele de poemas ou romances.


Obrigado pequena érato pela singela homenagem, isso só aumenta a responsabilidade de me traduzir o melhor possível.


Marcello Lopes

2 de maio de 2009

Ode ao teu corpo



Teu corpo conheço de cor,
escrevo poemas na tua pele
(conhecida e tão feliz)

Sorrio quando desponta em minha cama,
alegre,
nua e efêmera.

Bela e frágil
porque há doçura em teus suspiros.

Nasço no meio do teu corpo
meu céu,
minha paisagem.

Me perco em teus seios
que tanto persegui
estremecendo a memória
de quem somos.

Procuro minha alma em teu corpo
celebrando a forma como o teu aroma
me vicia.

Teu corpo não tem nome,
nem muito menos tempo,
está perdido entre as estrelas
só sendo encontrado com a febre
e a emoção que tão ardente paixão
provoca.

Se eu te chamar
será que me ouvirás ?
Pois sou apenas uma sombra
caminhando ao teu redor.

Teu corpo tem aroma de jardins
de malva com seus perfumes
brancos e vermelhos.

Um retrato claro, límpido do
meu desejo ocupa-se da simetria
do teu corpo.

Teu corpo é o poema
onde as rimas brincam
os versos ousam,
e nossas pernas se entrelaçam.

A inspiração se resume no que as
minhas mãos consomem.

O papel ocioso
conserva em suas linhas os
sentidos mesclados de
sonhos e sabedoria.

Teu jeito calmo me acolhe
entre ternuras dentro dos
teus braços.

Teu corpo caminha entre alamedas,
ruas sem tristeza,
nem mágoa.

Na tua ausência peço tua volta
quando transborda em mim
solidão, as trevas e o esquecimento.

Teu ventre é enseada
a espera da onda que vai e vem
alegrando teus quadris.

Quero anunciar teu nome
aos quatro ventos,
ao mundo que não conhece
teu corpo.

Deixei o silêncio e a dor
para penetrar em suas praias
líricas, que equilibram teu corpo
como uma sutil alucinação.

Roço meu rosto em teus pés
eles conhecem cada estremecimento
do meu desejo,
minhas mãos em tuas coxas,
sorvendo cada momento.

Teus olhos iluminam meu espírito
desnudando meu maior segredo

Arruma meu corpo em tua cama
na febril surpresa que dispensa
palavras e se alimenta de gestos
olhares e arrepios.

Teu corpo é sossego
paisagem da minha vida,
igual a face da Natureza.

De todas as minhas paixões,
teu corpo é soberano !

Tuas mãos secam bruscamente
as minhas lágrimas,
me envolve cantando sobre o
brilho tênue de cada estrela
sem perturbar a sua claridade.

Pinto em teu corpo uma tela
repleta de flores e arabescos luminosos
percorrendo tuas linhas descobrindo
a sorte oculta em cada dedo.

Teu corpo toma o luar para
se banhar de orvalho,
sussurrando em sua linguagem
silenciosa.

Teu sorriso é alegria que eu não tive
mas que recebo da tua presença.

Sendo assim,
me entrego ao prazer do teu corpo
tateando a superfície,
sentindo a respiração ofegante
sorvendo gemidos
me surpreendendo pelo
fascínio que nos envolve.

Tuas pernas me levam à gruta dos búzios
um mar de espuma, bolhas e ondulações.

Me tens assim
ganhando minha confiança,
me confundindo
me sentindo.

Tuas curvas deslizam em águas dóceis,
fazendo meu corpo latejar,
amando desesperadamente.

Quanto tempo se passou entre o sonho
e a realidade ?

Nos momentos de pleno prazer
se desfaz as horas,
cessa o instante turbulento,
cala-se a voz e paralisa-se as mãos,
domina-se o imprevisível
cativando meu ser profundamente.

Suave e feminina
teu ar de mulher,
olhar de menina.

Teu corpo é abrigo
onde me protejo, me escondo
me inspiro e te amo.

Marcello Lopes 18/04/2009

1 de maio de 2009

BLUES FÚNEBRE

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Evitem o latido do cachorro com seu osso suculento,
Silenciem os pianos e com tambores lentos
Tragam o caixão, deixem que o luto chore.

Deixem que os aviões voem em círculos altos
Riscando no céu a mensagem Ele Está Morto,
Ponham gravatas beges no pescoço dos pombos brancos do chão,
Deixem que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão.

Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste,
Minha semana útil e meu domingo inerte,
Meu meio-dia, minha meia-noite, minha canção, meu papo,

Achei que o amor fosse para sempre: Eu estava errado.
As estrelas não são necessárias: retirem cada uma delas;
Empacotem a lua e façam o sol desmanchar;
Esvaziem o oceano e varram as florestas;
Pois nada no momento pode algum bem causar.

W.H Auden

P.S : Deixo aqui o link do youtube para que vocês possam assistir a fantástica performance do ator John Hanna declamando esse poema no funeral do seu namorado.

http://www.youtube.com/watch?v=b_a-eXIoyYA

FUNERAL BLUES (1936)


Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.


Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.


He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.


The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.


W.H Auden

Minha inspiração diária.




O poeta inglês W.H. Auden (1907-73), nunca teve o mesmo status que outros poetas modernos de língua inglesa, como o irlandês W.B. Yeats e os americanos T.S. Eliot, Ezra Pound, Wallace Stevens.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York, um de seus poemas mais famosos – 1º de Setembro de 1939 – começou a ser citado na cidade como se fosse um sinalizador para situar melhor a sensação de desespero.

Escrito para lamentar a eclosão da Segunda Guerra Mundial, tem várias passagens que parecem dizer respeito a questões daquele momento: “O inefável odor da morte/ Ofende a noite de setembro”.

Em 1994 uma onda audeniana como essa também acontecera, depois do sucesso mundial do filme Quatro Casamentos e Um Funeral, com Hugh Grant.

O personagem de John Hannah lê no enterro de seu namorado o poema Funeral Blues na medida certa de emoção.

Apenas dois livros dele foram publicados: uma antologia de poemas, com tradução de José Paulo Paes e João Moura Jr., pela Companhia das Letras, em 1986; e uma coletânea de ensaios sobre literatura, teatro e música, A Mão do Artista, pela Siciliano, em 1993.

E ambos estão esgotados há muito tempo. Vale a pena procurar seus poemas pela internet.


Marcello Lopes

Você



Você é tempestade de luz que
tocou meu mundo e fez nascer
uma sinfonia de sentimentos,
palavras e devaneios.

Você que prepara armadilhas com seu corpo
me cercando, arrastando meu pensamento
ao fogo intenso do seu desejo
sem ao menos me tocar.

Fiz dos momentos banais poesias agradáveis
da sua voz saiu a música que fala
ao meu coração,
e ávido pela sua liberdade,
defendia ardentemente
essa paixão.

As minhas palavras são objetos
que ofereço para desvendar possibilidades,
esvaecer em seu corpo,
que é meu porto seguro,
meu território inexplorado.

Você trouxe à tona o envolvimento,
com seu sorriso me surpreende,
sacio minha fome e desfaleço
em seus seios,
recomeço em seus lábios
me cobrindo com sua pele.

Você é minha musa,
irradiando afeição
inspirada pelo amor
renovada pelas cores a voar.

Fada sorrindo à encantar !

Seus movimentos me comovem,
incendiando meu corpo,
acordando meu coração com rimas
e melodias para eternizar a sua beleza.

Quero na manhã que se segue
acordá-la com beijos,
derramar sobre seu ventre
palavras suaves e doces
iluminando seu caminho com
criatividade e magia,
penetrando cada vez mais
em sua vida.

De mãos dadas quero agradecer
esse momento abençoado
enquanto eu sussurro
desvendando seus segredos,
encantando seus ouvidos
enchendo sua alma de eternos
cantos.

Sou um pequeno barco navegando
no meio do mar de seu corpo
infinito em sua profundidade,
perdido em seu azul sem fim
cadenciando sonhos,
esperanças e felicidade.

Você me fez reviver alegrias,
enterradas pelo tempo,
você, a tempestade que clama
pela doçura que corre pelo sangue
conduzindo nosso amor aos mais
profundos e maravilhosos mistérios.

Quero me sentar ao seu lado,
compreendendo seu rosto e mãos,
conhecendo a sua altura,
entendendo o mistério da
dor,
da ausência,
colhendo suas lágrimas
que fazem tudo brilhar.

Fecho meus olhos e é você que eu vejo.

Seu senso de humor,
sua personalidade encantadora
abala minhas idéias.

Você se entrega à meus poemas,
encharcando meus lábios de eternidade,
procurando nas palavras a existência dos deuses,

inspirando igualdade e clareando os meus dedos
com afeição e amparo.

Você,
tempestade de luz que sopra os ventos
que percorrem o infinito,
ondulam os campos.

Meus poemas são reflexos da perfeição
que exalta as paisagens do seu corpo,
a planície das suas costas,
derramando sobre mim torrentes de rosas
e idéias,

Os vales onde seus seios repousam
encantam meu caminho,
desalinham meu desejo.

Meu sonho ambicioso
é chegar ao seu cume,
inspirado pelo seu vendaval
de delírios e luxúria.

Você é minha musa
prosa de alegria e sorrisos
coroada pela magia iluminada.

Marcello Lopes

Série As Musas - Érato

Teu lábio tem outro nome
enquanto o som vibra
e umedece minha boca.

Teus olhos
densos, soberanos
sabem apenas que os mares
não tem deuses nessa vida.

Tua beleza trazida pela espuma
foi coroada de rosas,
envolta em nuvens
nunca desejou nada.

Marcello Lopes
Érato é a musa do verso erótico.