30 de junho de 2009

Amar e suas complexidades...

Por que as pessoas se amam, mas às vezes não sabem como lidar com esse sentimento?
Amar é um sentimento que pede uma doação, uma dedicação, um compromisso.


Muitos dizem amar, mas não querem se comprometer. Confundem compromisso com falta de liberdade. Claro que quando se ama não quer dizer que devemos nos anular e anular o outro.


Cada um tem sua vida pra viver; não dá pra achar que o outro é só seu, que só tem que estar com você todo o tempo, sem conviver com os amigos, com a família, sem sair pra se divertir, pra se distrair, sem ter uma vida social.


Quando se ama, é preciso que exista o respeito, a confiança, a lealdade. Quando se está com alguém e existe essa confiança, as duas partes são mais felizes, sem cobranças, sem pressão, sem se sentir abandonado(a) porque no dia "X" seu namorado(a) saiu com os amigos.


Cada um precisa viver sua vida. Isso é essencial pra que o amor dê certo. Mas isso também não quer dizer que a pessoa deva trocar constantemente seu parceiro(a) pelas saídas com os amigos, e nem abusar da confiança que o outro te deu.


O amor merece (e precisa) de cuidados.


Tem que existir uma afinidade tamanha, seguida da confiança, para que uma simples saída com os amigos não se torne um tormento na vida do outro.


Se o amor é verdadeiro, puro, seguro, sem possessividade e nem egoísmo, não existe lugar para desentendimentos desse nível.


O amor precisa de cuidados. Precisa ser mimado, precisa ser renovado a cada dia, precisa ser reconquistado sempre !


Como é bom podermos nos apaixonar pela pessoa amada a cada dia !!!!


A cada dia, uma emoção diferente. É preciso renovar o amor e deixar que ele seja renovado em nós.


O verdadeiro amor não é ciumento, não é possessivo, não cobra a atenção do outro, pois não é preciso.


Acontece naturalmente !!!


O ciúmes é natural, mas não deve falar por nós.


Somos seres passionais demais, egoístas por natureza, inseguros.


Mas quando o amor é verdadeiro, e é recíproco, não há lugar para esses sentimentos pouco nobres.


Devemos é aproveitar enquanto o amor brilha na nossa vida, desfrutar dos seus inúmeros benefícios e deixar que ele flua, que extravaze, que tome conta de nós, nos fazendo bem, nos fazendo pessoas melhores.


Amor é isso. É sentimento nobre, que não dá lugar a coisas pequenas.


Então, ame e sinta o poder do amor na sua vida !!!

20 de junho de 2009

Horizonte

Adoro teu jeito simples de viver,
quero ver teus lábios sorrindo
enlouquecidamente,
sentir tuas pernas trêmulas
depois do gozo
as mãos em sonho
retrocedendo fantasias


À meia-luz arranco seu vestido
acomodo as partes que se gostam
deitando, amando
banhando um corpo que não se demora,
devora !!!


Não vou amenizar,
assumo meu romance
quero te carregar
teu corpo, tua mente
nossa dança....


Nos teus pés eu trilho minha via
de loucura,
paixão e tesão...


Um dia desistes de correr
e vem pra mim,
sem desenganos
sorrindo e cantando
o amor mais lindo que já existiu.


Eu tenho razão em ser feliz
porque eu te amo
e eu quero te dar
paz, as estrelas que enfeitiçam o mar
a centelha que o coração deseja.


Vi dentro do teu olhar
a luz que eu sempre buscava
em plena madrugada
teus cabelos soltos
brilhando ao ser amada.


Como não me apaixonar por ti ?
senti na tua pele o calor que enlouquece,
o encaixe perfeito que esmorece....


É por esse amor que eu estou aqui,
pra descobrir quem você é,
pra nunca mais te ver partir...


Me afogo em teus seios
sacio meu desejo no teu ventre
deixando meus cabelos em desalinho
tudo por causa do teu carinho.


Pouso no teu corpo
abandono o mundo nos teus braços
adormecendo no teu colo
tudo por causa do teu carinho.


Me deixei seduzir
minha vida invadir
lancei meu destino em outro coração,
o teu. . . .
forrei tua cama com meus poemas,
tua chama apaguei com orgasmos
pra que nunca duvides dos meus desejos.


Por que não ???
somos livres,
não recues desse amor
buscaremos um novo horizonte
( Belo ?)


Teus olhos não escondem segredos
teu cheiro o meu corpo carrega
confesso que me viciou,
agora derrubo muros,
desmorono alicerces
desvendendo o teu mundo.


Eu acredito em nosso amor,
em nosso querer
nos teus sinais
apesar de distantes demais....


Marcello Lopes

No momento que meu olhar mira o mundo
surge a sombra de um futuro
que me assombra e me desafia.


Há quanto tempo te esperei ?
teu colorido, a paz na solidão entre nossos corpos....


Minha recompensa é o sossego da tuas mãos
o sussurro dos teus pés.


Há quanto tempo teu vento sopra a meu favor ?


A esperança insiste em renascer a cada beijo
salto de desejo quando a nossas tardes se fazem
de silêncio,

de agora e do infinito...


Há dias busco tuas horas
e ás vezes só encontro um instante
como uma saudade que insiste em acalmar a minha pressa.


Há dias busco tua luz,
para desfazer todos os medos e angústias,
dores e aflições.


Te desejo
descubro em teu corpo a lua,
as estrelas quando me visita nas noites intranquilas.


Sem você retomo o caos do pensamento,
distraindo a verdade, enganando o coração
sem ouvir a tua intuição.


Há dias que me desespero,
um desconforto entediante quando mergulho
num caminho escuro, frio, e solitário...


Preciso da tua lógica, da tua voz

quero sentir o acaso,

ouvir as tuas promessas de tranquilidade e paz.


Há dias tento olhar o espelho,

tenho saudades dos teus sussurros,

quero ver o reflexo da luz em teus seios

procuro guiar teus movimentos

em tons harmoniosos....


Nesse caos e loucura

encontrei em meus sonhos o caminho

onde o sol e a luz estavam em silêncio

alinhando meu mundo no teu.


Tua luz, sem medo

minha paz, sem tédio.


Com esperança e o coração aberto

pintado de azul

eu só quero ser feliz....


Não quero pensar no amanhã,

não há tempo não há nada que me faça ser quem não sou

e sem parar pra pensar

sigo teu rastro pelas estradas,

sigo as evidências pra te achar...


Pelas trilhas inóspitas perco a direção

mas na verdade continuo sob a mesma condição

me superando,

surpreendendo todos,

enlouquecendo de paixão.


Eu sonho com você,

doce delírio,

uma paisagem que revela meu destino

e me apresenta um novo destino.


Não há como retornar

prossigo nessa estrada porque talvez

seja essa a beleza da vida

oro e continuo à tua espera...


Marcello Lopes

16 de junho de 2009


Eu traço rotas de cálidas ausências,

por caminhos bifurcados

procurando sua expressão

desejando o silêncio

nos seus seios...


Somos almas livres
fulgurando entre os cantos

enfrentando turbulências.


Esse grande amor,

é cheio de sol e mar

ligados pela paixão

no olhar.


Sigo seu rumo quando

te encontro amanhecendo

ao meu lado,

olhos nos olhos

coloridos instantes

de liberdade.


Tomamos a felicidade

de um gole só,

atingimos os pensamentos,

embaralhando-os

(e nos beijamos, e amamos)


No momento que eu te conheci

o meu chão se abriu,

a respiração sumiu...


Em seus braços orquestro

teias doces que embalam seu sono

enlaçando sonhos e desejos,

projetos e promessas...


De pele eriçada acordamos,

entre os desejos que caem

entre o sonho e a vigília

acordamos sempre tarde demais

ao correr das horas...


Meus lábios na sua pele

criando um prisma de raios

azuis e vermelhos...


Desafiamos qualquer propósito,

nosso corpo todo à toda

gozando nas manhãs de junho

fazendo o dia de sons e gestos.


Viver com você já me embriaga

nosso amor baila ao ouvir nossas vozes

como uma pequena orquestra

de sintonia e aconchego.


Os nossos livros se revelam

como se um maestro os trouxesse à baila
enamorando-se pelas letras....


Nessa pequena e inaudível orquestra

procuramos um ninho quente
que faça sentido.


Marcello Lopes - Belo Horizonte

15 de junho de 2009

Revelou-se em uma surpresa a tua profunda simplicidade

que segredos esconde em tua distância ?

os desejos abertos,

as vontades puras

a certeza de construir um sonho

um mundo de traços coloridos

e de puros movimentos dançantes...


Guarda teu sonho porque o meu

não reflete com a rígida luz do dia

meus sentimentos se curvam e

colorem-se à vista dos difusos raios da poesia.


Um oceano aberto rodeia teu abismo

e eu em silenciosa serenata,

versa-me, canta-me

longe de ocultas arestas...


O que há por trás do véu que repousa sobre seu rosto ?

soprando pétalas,

doce melodia do nosso amor

que perpassa minha alma....


Viver não se vale a não ser compartilhando

o céu,

o gozo e o gosto....


Partilha não se cultiva senão no amor,

minha mulher,

meu coração....


Guardo-a em cores e em todos os estímulos

em todos os sentidos,

que alegria !


Em teu rosto desmancha-se a desilusão

meus versos pintados no teus seios

em homenagem aos sonhos.


Fez do meu mundo versos amantes

fez da ilusão uma realidade inalcançável

criou estrofes de quem quer fazer nada

senão amor....


Escapou-me as canções de primavera,

delírios de encontros

melodias de outubro,

doce harmonia que nos afina...


Teus pés queimaram minha pele

como um dueto de fagulhas incandecentes

que não fazem incêndio

e nem apagam-se

na noite inconsequente.


Marcello Lopes

10 de junho de 2009

BOM FERIADO.....


Cada companheiro de serviço cristão deveria considerar-se instrumento nas mãos do Divino Mestre, a fim de que a sublime harmonia do Evangelho se faça irrepreensível para a vitória completa do bem.

Todavia, se a ilimitada sabedoria do Celeste Emissor se mantém soberana e perfeita, os receptores terrenos pecam por deficiências lamentáveis.

Esse tem fé, mas não sabe tolerar as lacunas do próximo.

Aquele suporta cristãmente as fraquezas do vizinho, contudo, não possui energia nem mesmo para governar os próprios impulsos.

Aquele outro é bondoso e confiante, mas foge ao estudo e à meditação, favorecendo a ignorância.

Outro, ainda, é imaginoso e entusiasta, entretanto, escapa sutilmente ao esforço dos braços.

Um é conselheiro excelente, no entanto, não santifica os próprios atos.

Outro retém brilhante verbo na pregação doutrinária, todavia, é apaixonado cultor de anedotas menos dignas com que desfigura o respeito à revelação de que é portador.

Esse estima a castidade do corpo, mas desvaira-se pela aquisição de dinheiro fácil.

Outro, mais além, conseguiu desprender-se das posses de ouro e terra, casa e moinho, mas cultiva verdadeiro incêndio na carne.

É indiscutível a nossa imperfeição de seguidores da Boa Nova.

Por isso mesmo guardamos o título de aprendizes.

O planeta não é paraíso terminado e achamo-nos, por nossa vez, muito distantes da angelitude.

Todavia, obedecendo ou administrando, ensinando ou combatendo, é indispensável afinar nosso instrumento de serviço pelo diapasão do Mestre, se não desejamos prejudicar-lhe as obras.

Evitemos a execução insegura, indistinta ou perturbadora, oferecendo-lhe plena boa vontade na tarefa que nos cabe, e o Reino Divino se manifestará mais rapidamente onde estivermos.

Muita paz à todos.

Fonte: Livro Fonte Viva
Francisco Cândido Xavier pelo espírito de Emmanuel
Cap. 84 págs 219/220

8 de junho de 2009

Que venha o tempo....


Que venha o tempo,

rodopiando pelos cantos

com as lembranças que ganhei...


Que comece a luta,

espadas e aríetes prontos,

guerreiros de chumbo

conquistando e arrasando tudo e todos.


Terei o nome gravado

nas paisagens da minha infância,

o amanhecer da vida.


Que venha o tempo,

muralha inexorável,

esperando que a esperança passe

e as horas fiquem.


Nada parece mudar

deslizando pelas frestas dos anos,

o rosto dormente,

as mãos ásperas

o coração embrutecido.


Enfrento o tempo,

com o sangue escorrendo pela face,

imóvel ao lado dos companheiros.


O mundo ao meu olhar,

é pedra, planta e pele.


Que venha o tempo,

conto meus passos,

esqueço meus tropeços

os demônios são todos meus.


Na sinfonia,

a harmonia se perde durante a eternidade,

faz-se silêncio.


Devorando as feridas,

perambulando desajeitado pela tempestade.


Que venha o tempo,

tempo de arar,

da cidade que persiste

tempo de amar,

vinho e solidão

tempo de curar

perdendo-se na nuvem em silêncio.


O tempo devora a si mesmo na eternidade da manhã.


Marcello Lopes

6 de junho de 2009

Cativa-me



Cativa-me

e eu te devolvo meus beijos apaixonados

encanta-me com seus carinhos

que eu te devolvo meu corpo.


Cativa-me

e eu me entrego,

ás vezes me faltam palavras

angústia, medo, saudade....


Então me deito e deixo que

as palavras se encontrem,

nos teus seios quero me embriagar

um jogo de palavras vence a dor,

vence a fúria,

constrói nosso amor.


Cativa-me

traz solidão, amor, ameaça

devassa meus costumes,

lembranças.


A esperança grita

nos becos, cantos, muros

quando meu corpo segue

em vão.


Cativa-me

tua presença é quente,

tênue e esmoreço

quando anoiteço sem ti.


Já é dia...amanhece

eu ainda na espera,

ouço vultos correndo

sombras no chão....


Cativa-me,

devagar sigo teu caminho

sou um esboço do teu próprio olhar

que um tanto sem graça

tento te amar....


Devolve-me as carícias

não quero ser compreendido

espero por ti latente

teu corpo é responsável pela minha prisão

e pela libertação...


Descobri que seus movimentos são objetivos,

não importa por que veio e o que causou

importa que teu sexo consegue diluir um amor

e apagar (?) um antigo dissabor.


Cativa-me

tanta coisa que já disse,

sei que sou teu prisioneiro,

no clamor do dia

sou tua forma rude

e ao mesmo tempo singela.


Teus pés são objetos que saltam aos olhos,

são de tudo-nada

quero decifrar o limite que

eles alcançam.


Meu mundo jaz perdido

quando não acompanho teu raciocínio

é um grito mudo,

uma voz presa no quarto escuro
então procuro o interruptor,
o sol de hoje são teus olhos.


Tuas pernas me surpreendem pelo impacto,

revelando o mais conturbado desejo

que estava lá dentro do peito...


Cativa-me



me tranqüiliza,

me dá nome

vem levemente e abre a jaula,

solta a criatura que existe em mim,

e que anseia te devorar

e vai embora com o vento...


Tuas mãos ganham o mundo,

giram tempos,

atravessando planos,

construindo versos.


Aprendi que teu amor é fundamental,

ele me empresta presença

para que eu possa continuar vivo

na tua vida.


És meu pecado,

tão forte,

com o sorriso decidido

e mãos vorazes...


Cativa-me

que eu saberei te recompensar

minhas palavras estão loucas,

seduzidas pela tua luz,

levadas até ás alturas

pelos teus lábios...


Em teu ventre ardendo de tesão,

me movo com ternura

e paixão,

quero que sejas meu início,

meu caminho e meu fim.


Quero teu corpo

teus sussurros,

teus gemidos

cativa-me e liberta

minha vida da tua ausência.


Desfruta da minha amabilidade,

estancando tua sede em meus lábios

saciando tua fome em meu corpo

invadindo-me com teu calor

desfalecendo em minha cama.


Cativa-me

alimentando meus devaneios,

criando versos fascinantes

feitos naqueles instantes

de brilho e carinho.


Te quero aqui,

o doce da tua língua percorrendo meus poros

criando tempo,

imaginando universos,

contemplando nossos corpos

entre beijos e abraços.


Cativa-me

livre de embaraços...


Marcello Lopes

Fica assim. . .

Eu sempre quis reiventar a vida,
em prosa e verso,
um dia aconteceu em meio às dores
a bela flor da paixão.

Quanta luz resplandeceu com enternecedora suavidade
quando conheci teus olhos...

São imagens que fogem do lugar comum,
que em meu coração se formaram
anseando por desejos,
de ser sem receios
só teu.

Silenciosamente
teu suave frescor foi se manifestando,
e eu desatento no simples ato de olhar
fui me apaixonando.

Fui aprendendo a te ver aquela luz dos teus olhos pureza e amor,
na alegria ou dor....

Do mais profundo sim dado a mim na entrega do teu corpo fica assim,
deixa tudo como está....

Teus olhos dão luz,
libertam sem demora dos grilhões que,
outrora, escravizavam meu coração.

No caminho percorrido
eu, sempre perplexo diante do espetáculo da vida,
dos seres, das coisas
e a paixão tornara-se parte nossa vida...

Luz dos meus olhos, espelho da minha alma
és o frescor que acalma,
com doçura benfazeja te amo.

A fugacidade do tempo
revela a precariedade das coisas do mundo,
mas ilumina a paixão do nosso amor.

Tuas mãos que já moldaram meu rosto,
com doce sentimento
aprendeu que na vida, somente a felicidade
permanece no momento...

Em meio às lições de amor
olha para nós e contempla a paixão
toda atenta que agora te retorna
do luminoso reflexo...

De teu espelho secreto,
admira-me e beija-me com amor tudo isso que,
na dor teu desejo tão ardente nos fez crer,
que sejamos contentes....

Do teu simples semblante
nasceu naquele instante
o mais poético sentimento
do mundo...

Dá tua luz agora,
sem medo,
serás meu segredo...

Dar-se à luz querida, aos amores, é o melhor a dar.
tuas pernas que me dão prazer,
quando me enroscam
passam de brisa fresca, ligeira,
em calor de tesão.

Quero acordar ao teu lado
luz dos meus olhos,
dizendo o não dito
gritando o silêncio...

Quando aprendi a te olhar,
fiquei assim tanta paz e gozo....

Mas a semente por ti deixada,
em meu coração, fez brotar
a mais linda alegria,
me amaciando por inteiro contente,
de te ver imune aos velhos costumes.

Do teu olhar que te absolve
que me consome
único e essencial
irresistível...

O que te faz ser este inefável ser ?
que saudades tenho das noites
que não passamos juntos ainda.

Como tu que estás em mim
Fica assim...

Marcello Lopes

3 de junho de 2009

Série As Musas - 5


Quando as palavras morrem nos lábios,
com pedaços colados ao sorriso
fazemos sons, livros e músicas.

Do meu olhar o mar nasceu
e me apaixonei por invernos
declarei promessas irrevogáveis.

Cumprimos todas estações do ano,
sentimos devoção perante
nossos corpos ao fogo da lareira,
minha pintura inesgotável.

Nesta cidade de sons,
o vento é antigo e poético,
nos dá a sensação dos espaços livres
onde estendemos sempre a mão
traçando percursos, mapas,
uma montanha e uma cama.

O seu cabelo tinha a cor mais intensa
no fundo dos seus gestos respiro ausências,
abraço o seu rosto, minha fonte da vida.

Dissemos dezenas de histórias
e não terminamos nenhuma,
e assim penetramos no silêncio
um do outro.

Posso te ensinar a caminhar sorridente
sobre essa desolação,
a olhar para dentro e curar o coração.

Soltei o seu cabelo, paisagens rasgadas
mergulhamos no tempo sereno
e viajamos para dentro um do outro.

Recebe o meu corpo,
quero apenas a sua vida inteira
beijo os seus desertos um por um.

Magoados pelo tesão das manhãs
com a vida jorrando, vermelha,
transformamos espaço e o tempo.

O nosso amor já não está nu,
vestiu as suas roupas
e irrompeu entre lençóis.

Ritualizei datas,
idolatrei o indefinido disforme de sombras,
na solidão corre a água vermelha
nos meus olhos abertos
misturando o meu rosto no seu de luz.

Deixa-me sacudir o pó celestial de seus pés
porque sou o seu poeta,
minhas mãos tocam o seu silêncio gritante
elevando-me como uma nuvem.

Eu sou a ferida e
e você é o sangue,
a solidão do corte.

Há esperança em todo lado
e num momento gracioso
em que o sol entra pela minha janela
depus a minha vida em seu colo.

Se nosso amor pudesse ser observado de outra perspectiva,
não seria amor mas algo diferente,
como se o fogo tivesse se aproximado
demais dos nossos corpos
e fundido a idéia, crucificando um no outro
por dentro pelo golpe vivo
afogados em lençóis de linho e uma cama.

Alguém nos disse uma vez que
o destino não cai do céu,
nem esperança que nos abasteça por todo caminho,
por tudo isso nos encanta as canções,
lieder de Schumann ou de um septeto vienense.

Os movimentos das suas pernas
eriçam-me de desejo,
nossa vida é um punhado de começos suspensos,
rimas de livros lidos, cartas, rascunhos.

Há esperança
de endireitar a curva,
de deixar as gavetas abertas
Amontoar em cima da cama perfumes sem tampa,
pequenos detalhes do nosso romance,
deixamos calar o CD nos afastando de muitos caminhos.

Não sei para onde vão os meus desejos
quando começam a me falar,
logo se calam no seu corpo.

De noite contemplo seu perfil imóvel
descansando sobre o céu azul cobalto
extraordinariamente belo.

Marcello Lopes