31 de julho de 2009

Nossa saudade ficou ali,
no canto escuro da sala acumulando poeira, sem reagir.

Silenciosa,
que só se mexe quando nos lembramos de algo,
repousando do barulho da nossa emoção,
sacudida pelas nossas conversas.

A saudade nos vigia o tempo todo,
quando sonhamos,
quando dormimos...

Mas essa saudade aos poucos está morrendo,
diminuindo todos os dias,
dissipando nossos maiores temores.

Nosso amor se move lentamente quando estamos longe,
mas ele é preciso e se fortalece com o tempo.

A saudade é estranha,
inveja o amor porque seu processo é lento, contínuo
fluindo indiferente do silêncio que a distância nos impõe.

Tenho sorte de experimentar teu amor,
por causa da alegria que ele me proporciona
da história que estamos criando
da vida que estamos planejando...

E a saudade sente que seu tempo é finito, limitado
que nossos corpos escapam de seu veneno
que nosso amor é a apoteose de beleza
e infindáveis prazeres.

As lembranças do nosso romance,
ferve nosso desejo
abre nossa imaginação revelando
a ambição da nossa paixão.

Minha vida deságua na sua
como as letras musicais surgindo em um concerto,
tudo flui naturalmente.

A saudade murcha lentamente,
se arrastando pelas frestas
ameaçando se tornar presente, abruptamente.

Você me faz viver intensamente
a distância já não protege mais a saudade
nem o tempo que nos perseguia,
implacável com a felicidade....

Nada como o retorno da pessoa amada,
a suspensão da saudade em absoluto
a paixão se renovando a cada dia...

Ahh saudade,
até quando ????

Marcello Lopes

30 de julho de 2009


Querida,
te espero no portão todas as manhãs,
preenchendo o tempo com as nossas canções.

Te recordo todas as noites,
desenhando meus poemas
e permanecendo em silênci.

Querida,
tua falta dói em meu corpo,
o sorriso,
os pés que me inundavam de felicidade
se ausentam....

Eu aqui, nessa cidade inundada
e você naquele Belo Horizonte
são nossos silêncios que calam
mais alto em meu peito.

Querida,
sou uma alma que procura um poema
que possa ser escrito em tuas costas,
na agonia da paixão
nos vãos dos nossos gemidos.

Te desejo
enxergando em teus olhos as estrelas perdidas,
descobrindo novos mundos,
abrindo fronteiras
escalando precipícios...

Marcello Lopes

29 de julho de 2009

No próximo dia 30, às 19 horas, haverá sarau no SESC Pompéia, em São Paulo capital, com todos os autores que colaboraram com o projeto Dulcinéia Catadora.

Na mesma data e local haverá o lançamento dos livros de Whisner Fraga, José Geraldo Neres e Almandrade. Também será lançado o catálogo do SESC, com capas de papelão.

São livros de contos e poesias com capas feitas de papelão comprado dos catadores a um real o quilo, quando eles normalmente o vendem a 30 centavos.

Capas pintadas à mão por filhos de catadores.



Uma idéia simples, na contra-mão do mercado editorial, mostra que é possível divulgar autores novos com a venda dos livros a R$5,00.


É assim que funciona o Dulcinéia Catadora, um projeto artístico auto-sustentável que reúne artistas, escritores e catadores.


Todas as iniciativas do Dulcinéia Catadora têm sempre o compromisso com a distribuição do conhecimento e da renda, a divulgação de autores latino-americanos, a valorização e a promoção da auto-estima dos catadores, e o estímulo à criatividade.


Convidado para a 27ª Bienal de São Paulo, o Eloísa Cartonera apresentou-se no pavilhão como um atelier em funcionamento permanente.


Ao grupo argentino, existente em Buenos Aires desde 2003, somou-se a participação de catadores, filhos de catadores e artistas brasileiros.


Daí se originou seu projeto-irmão, Dulcinéia Catadora, que funciona de forma independente, no Brasil, com a artista plástica Lúcia Rosa, as pinturas espontâneas de Peterson, Tatiana, Andréia, e conta com a colaboração de Carlos Pessoa Rosa, Douglas Diegues e Rodrigo Ciríaco na seleção de textos e promoção de eventos.


O projeto funciona na Rua Siqueira Bueno, 1384, perto da estação Belém do metrô.


E você pode escrever para o e-mail: dulcineia.catadora@gmail.com

Marcello Lopes

HÁ MOMENTO CERTO PARA DIZER 'EU TE AMO'?


O Google é o máximo. Com uma única consulta ("comédia romântica Austrália") achei o filme que estava procurando: Paixão e Sedução, do diretor Jonathan Teplitzky.


Um casal de estranhos volta de uma festa no mesmo táxi.


Conversam, rola um clima, eles terminam na cama dela. Horas depois, na segunda vez que estão transando, a moça grita "eu te amo!"

Mais tarde, durante aquele intervalo que no passado era chamado de pausa do cigarro, ela avisa: "Não leve a sério o 'eu te amo', tá? Sempre falo isso quando estou gozando".


Lembrei do filme ao ouvir uma amiga se perguntar, em voz alta, se ela algum dia tinha dito "eu te amo" com sentimento "verdadeiro": "Sempre disse 'eu te amo' movida pela paixão, no calor do desejo.

Ou cheia de ternura depois de um sexo bem feito".Conclusão dela: "As pessoas dão importância demais a essas palavras.


Elas não mudam a vida de ninguém. São apenas uma expressão do momento, uma declaração de tesão. Amo você neste minuto. Só."Será?


Talvez haja um jeito diferente de cada pessoas sentir o amor. Talvez homem e mulheres tratem isso de formas distintas.


Nós, homens, costumamos jogar na defesa. A cultura masculina recomenda desde a adolescência agir com cautela. É comum um amigo dizer ao outro, com a melhor das intenções: "Não deixe ela perceber que você está tão apaixonado".


É por isso que filmes e novelas tratam com esmero aquele momento da trama em que o homem (sempre um bruto com dificuldades emocionais) finalmente se confessa apaixonado – em geral com palavras toscas, relutantes, mas sempre carregadas de sentimentos.

É um clichê que invariavelmente comove as mulheres.


Vi algo assim no primeiro capítulo da segunda temporada de True Blood, que começou no domingo passado na HBO.


A sofrida declaração de amor do vampiro Bill Compton à jovem Sookie Stackhouse provoca nela um mar de lágrimas – e dá início a uma das melhores cenas de sexo já feitas para a TV. Enfim.É claro que nem todos os homens têm medo das palavras.


Quem não se lembra das declarações de amor instantâneas de Vinícius de Moraes, registradas no documentário de 2005 de Miguel Faria Jr.?


Era tudo muito autêntico, muito emotivo, mas, para quem assiste ao filme, parece farsa. Ou caso terminal de carência afetiva.

Provavelmente bebedeira. Embaraçoso, de qualquer forma.


Com as mulheres sempre foi diferente. Por alguma razão elas têm menos receio de expressar seus sentimentos. Os homens quase sempre são pegos de surpresa por aquelas palavras sussurradas no ouvido, depois de um abraço apertado: eu te amo !


Como reagir a elas, o que responder? Essa é uma velha questão, que não tem resposta única.Há quem vá na onda e solte o clássico – e pífio – "eu também". Acho feio.


Prefiro os que lidam com a situação de forma realista. Ouça, respire, sorria, diga algo gentil – mas não minta. Eu mesmo devo ter dito as três palavras mágicas apenas meia dúzia de vezes, e nunca na forma de "eu também".


Quer dizer então que homens não têm sentimentos? Não.


Quer dizer que em geral precisamos de mais tempo para expressá-los. Quer dizer também que temos outra linguagem. O afeto masculino se traduz em atenções, em presença constante, em alegria de rever. E em desejo, claro.


As palavras vêm depois, quando vêm."Eu te amo", para muitos homens, pode ser impronunciável antes da hora. Pode soar postiço, mentiroso, meio escroto se não for totalmente sincero.


Ou tomar a forma de um compromisso pesado para os que levam as palavras a sério.Há uma série de outros verbos – gostar, querer, sentir falta – que pavimentam o caminho antes que o sujeito, afinal, se decida a dizer o indizível.


Quando estiver pronto para fazê-lo. Dito isso, homens em geral não desgostam de ouvir essas coisas, desde que elas tenham contexto.


Às vezes as mulheres enlouquecem e decidem que amam alguém que mal sabe que elas existem. Não é disso que estamos falando, claro.

Mas é gostoso saber que a pessoa que faz você feliz está feliz também. E apaixonada.


Aliás, um dos fascínios das mulheres mais jovens é que elas dizem coisas doces com a maior naturalidade, sem temor algum. É tocante.


À medida que o tempo passa, as mulheres vão se tornando mais cautelosas, como os homens.


Diante das irrevogáveis diferenças de estilo e temperamento, sugiro uma solução de compromisso.


Quem gosta de dizer "eu te amo", diga: desabafe, solte o coração, comova-se. "Eu preciso dizer que te amo", cantava o Cazuza. Faz sentido.


E o tempo se encarrega de corrigir equívocos. Mas não exija, por favor, que o outro faça o mesmo. Para alguns, as palavras têm de ser vividas demoradamente antes de pronunciadas.


É amor do mesmo jeito, mas quietinho.

Ivan Martins

28 de julho de 2009

Te vejo dormir
movimentando-se nas águas profundas do sono
com a força da luz se mantém lúcida e intensa.

Teu silêncio escorre em meus ouvidos,
trasmutando a realidade em minha vida.

Me diz segredos
pequenos grãos de conhecimento
que aspiro,
respiro como partículas de ar
tudo muito preciso.

Te vejo dormir e meus pensamentos
giram ao seu redor desnorteados
felizes,
apaixonados.

A todo instante teus olhos luminosos
desenham sussurros entre meus braços
escorre tuas mãos famintas em meu corpo
se insinuando,
alojando-se em meu peito.

Te vejo dormir
e ecoa na música,uma palavra.
e subitamente ela explode em poemas...

Minhas palavras elevam-se como uma prece,
invadindo teu espaço,
promessas de um amante revigorado de novas esperanças.

Teu sorriso é bálsamo,
tua boca é compromisso
tuas pernas são a cura de todos os vícios.

Te vejo dormindo
e me perco nos livros
sabendo que pertenço a ti
destinado a caminhar vales e montanhas
envolvendo céu e oceano para poder te ler.

Quero te desvendar,
gritar sob o manto de ilusão que nos cega
e compreender teu desejo
sem egoísmo ou preconceito.

Te quero, independente da escuridão
que insiste em nos cercar
como se fosse coisa indolor
temos tempo, razão e sentimento.

Marcello Lopes

23 de julho de 2009

A vida pulsa intensamente
nas revelações da minha alma,
colecionando pedras raras
texturas e cores.

Sou parte de uma categoria sublime,
a de poetas dos valores cunhados
em honra e fidelidade.

Sou parte remendada do tudo ao tudo
os desejos são ilusão de uma vida qualquer
de alguma fragância perdida
que se transformaram em vergonha do passado.

Minha vida sempre foi assim,
chove sem eu saber por quê
um inferno na alma
sofrendo por amor,
algumas vezes chorando
outras dançando.

Sou poeta,
e o mundo inteiro está em minhas mãos
provando uma força diante da labareda do meu peito
e minha poesia sempre mostrando a que veio....

Amando,
sofrendo docemente,
como convém ao poeta,
só isso.

Na ausência da rosa na boca
um silêncio machucado pelos espinhos
idas e vindas de beijos
que me inflamam
e preenchem os abismos

Minha vida é cheia de quedas
invento outras palavras de mistérios impenetráveis
impregnadas de verdade e de paixão.

Sou apenas uma espécie de construtor
juntando sentimentos coloridos
com situações cheias de perigos.

Minha vida inteira foi uma eterna espera
até você chegar com seus sonhos e esperanças
com a chance de beijar sua pele
nessas manhãs cheias de lírios.

A poesia se formou,
desalinhada e expressa
novas palavras para um mundo novo
de corpo e rosto
de formas e sentidos
palavras e imagens que
devoram bem mais do que a si mesmos.

Minha vida se fascina
em proporções ilimitadas
pelos caminhos e pela coreografia iluminada
que me levou até você.

A efemeridade da felicidade
não me assusta,
meus poemas tem a capacidade
de diversificar os movimentos,
e as intenções e as aparentes diferenças.

Minha vida poética tem a sua cor,
os seus traços.

Marcello Lopes

22 de julho de 2009



É essa paixão que eu cultivo

nos bilhetes,

nas pétalas de rosa

são o que dão sentido às lembranças

que o vazio luta por arrastar.


A paixão que eu sinto olha para frente,

onde passam os dias caminhando

e as noites cantando.


São essas sensações vibrantes que eu cultivo,

são esses sentimentos por você que

me guiam incessantemente.


Seu amor é quase fatal,

é um afeto intenso

que só se sacia com cor, poesia e dança.


A paixão é movimento

que expressa,

que brilha e ao mesmo tempo esgota

e se consuma.


Tudo aquilo que eu faço

espalha a beleza e pulsa colorido

pela madrugada da suas pálpebras.


Escrevo com a luz dos seus olhos,

a beleza e o espanto,

com a vontade de olhar o mundo por outro ângulo,

exigir de todos que se olhe para frente.


Minhas mãos carregadas de poesia,

palavras e pensamentos moldo a realidade

que os olhos abandonados não tiveram a sorte de ver.


A paixão que trago no peito,

é pérola em um baú guardado,

tantas perdas e pedras que tentaram represar

esse querer,

que hoje levanto a voz e todos os corações se abrem

e se descobrem,

que se confundem no que eu sou.


Esse coração desvendado brilha alto,

protegendo as lembranças mais sagradas,

nascendo de lágrimas e da intimidade.


Essa paixão compensa toda essa sensibilidade,

pois sou poeta,

vejo a lua que em vez

de se esconder

abaixa o véu e apresenta

sua alma nua.


Não ignoro a distância,

nem os segredos que compartilhamos na noite escura,

componho nossa aventura no íntimo dos nossos corpos

exposto sem avisos, sem pressa.


Esse sentimento que parece nascer em meio ao nada,

chega sempre ao anoitecer,

com carinho e ostentando seu corpo inofensivo.


Eu abandonei tudo para que você pudesse viver,

os meus desejos,

onde minha imaginação

desenha curvas e texturas em seus pés.


Paixão.


Seus desejos não se escondem das vontades,

e nem nos escondemos da beleza do corpo seminu.


Sua beleza não encontra nome em meus conhecimentos,

meu corpo é ferida aberta pelo tesão,

pelo sentimento correspondido.


A paixão é desejo, não mais que isso.


O carinho com qual me abraça

colore e ilumina meu caminho.


A paixão....


Marcello Lopes

20 de julho de 2009

Estamos sempre lado a lado,
nas pedras jazem os velhos hábitos
os pesadelos borrados,
os sonhos presos à esperança.

Estamos sempre ao lado,
envolvendo os vestígios
desse amor, afastados pela mão
que segura o tempo.

Estamos juntos
com a graça de um escultor,
com a fidelidade de um amigo
com o êxtase dos amantes.

O ar mudou
os nomes são outros,
não adivinhamos os segredos dos espelhos.

Lemos e vemos,
juntos,
atados e persistentes.

A luz que preenche o quarto,
os lapsos que abrem vãos
os dias sem data.

Estamos lado a lado,
sob a pesada nevasca desamparados
pelo canto das aves.

Nessa trajetória,
permanecemos fiéis à verdade,
fidelidade e tudo o que sobreviverá
é o amor.

Marcello Lopes

18 de julho de 2009

Nos completamos
fazemos nascer entre nós
a fantasia e a paixão.

Escrevo no contorno do teu corpo
desbravando os caminhos
contendo o prazer das mãos
que se perdem em teu corpo.

Em um abraço ardente ouvimos nosso prazer florescendo
e nos perdemos nas palavras sentidas pela alma.

Das minhas mãos saem sonhos e desejos
palavras e beijos
presentes ricamente saboreados pelo teus ouvidos apaixonados.

Nós nos completamos,
a distância que impede meu corpo de tocar tua pele macia,
não impede as minhas palavras de abraçar teus ouvidos.

Sentados sobre a cama
sentindo os dias tão nossos,
jurando que a leveza do corpo era o céu chegando de mansinho.
levantando o véu da noite, pedindo colo, cheio de saudade.

Nossos braços se abrem e abrigam,
a luz que beija nossos pescoços, nos lançando
em uma vontade louca de sentir
o cheiro, os lábios...

Nos completamos na medida exata
que nosso paladar sente o gosto da pele,
quando nosso tato acaricia os lábios
quando nossos pés se acariciam.

Me perco em ti,
em cada centímetro do teu corpo vivo
me encontro em cada sorriso teu
em cada suspiro me encaixo.

Quanto tempo tuas mãos respiram na minha pele ?

Teu gosto derrete em minha língua,
enquanto teus dedos se perdem em meus cabelos,
teus olhos cheios de luz por entre os meus pensamentos
teu coração por entre os meus sentimentos.

De mãos dadas descobrindo o mundo,
mergulhando dentro dos teus braços
é o tempo da nossa liberdade.

Nós nos completamos dançando pelo céu
sorrindo pelas escolhas que fizemos
cantando e rindo entre as estrelas saudosas
dos vôos,
dos outros tempos....

A reciprocidade entre nós assusta
os incrédulos,
os pessimistas
aqueles que não conheceram o amor.

Esse amor desceu sobre nós
fazendo nossos corações sorrir
um sonho que a canção revelou....

O teu amor me fez escrever,
com ele aprendi a viver,
com teu exemplo, aprendi a compartilhar
com tua simplicidade, aprendi a compreender e seguir com a vida.

Nos completamos.

Marcello Lopes

9 de julho de 2009

Pequenas chamas impelidas pelo teus beijos
queimam a minha epiderme,
através dos teus toques velozes revela-me
a sua extraordinária capacidade de criar beleza.

No teu corpo
explode o incêndio das cores
contrastando com suas coxas
transfigurando um universo inteiro.

Nossos corpos mergulham em acordes insólitos
variações de cinza e azuis.

Tua voz é de inconcebível afinação
que transforma qualquer sonho possível
sem mudanças,
com prazer,
com graça,
com muito sexo
com escolha,
com moral,
com ética,
com a profundidade das cores,
toda luta e toda liberdade na nossa vida.

Muito sexo porque nossa intimidade é importante
escolha porque somos livres para escolher o que quisermos.

Moral porque seremos fiéis aos nossos juramentos,
com profundidade porque nosso amor é real.

As cores são muitas, do seu rosto, do seu corpo,
em minha vida a liberdade de sermos sempre felizes
não importa a situação nossa vida,
porque somos dois em um,
e um em dois.

Marcello Lopes

7 de julho de 2009


Por amor à poesia, em 2005, um grupo de poetas alternativos, de diferentes tendências, criou o Festival de Poesia Alternativa Flap.


A idéia era apresentar novos nomes no cenário das letras e mostrar que o gênero literário não era para poucos, mas para muitos.


Missão cumprida, o festival se tornou referencia entre a geração mais nova de escritores brasileiros e de toda a América Latina.


Com o tema “Vinte anos de Muro”, a edição de 2009 quer mostrar a poesia não apenas como um artefato artístico, mas como um instrumento de voz política.


A abertura do festival acontece nesta terça-feira, dia 7, às 19h, pelos poetas Alfredo Fressia, Paulo Ferraz e Rafael Rocha Daud, na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37 – Bela Vista. São Paulo/SP. Tel.: 11 3285-6986), um dos espaços que concentrará a programação do evento em São Paulo.


Os outros locais são a Fábrica de Criatividade (Rua Dr. Luís da Fonseca Galvão, 248 – Capão Redondo. Tel: 11 5511-0055), Museu da Língua Portuguesa (Praça da Luz, s/n. – Centro. Tel: 11 3326-0775), Espaço dos Satyros Dois (Praça Roosevelt, 134 – Centro. Tel: 11 3258-6345), Bar do Binho (Rua Avelino Lemos Junior, 60 – Campo Limpo), Espaço Zero (Rua Goiás, 167 – Pacaembu. Tel: 11 3661-8658), Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos (Av. das Nações Unidas, 4.777. Tel: 11 3024-3599), Shopping Market Place (Av. Dr. Chucri Zaidan, 902. Tel.: 11 3474-4033) e Bourbon Shopping Pompéia (Rua Turiaçú, 2.100. Tel: 11 3868-5100).


A programação, que segue até a próxima terça-feira, dia 14, terá debates, palestras, leitura com convidados, sessão de autógrafos, passeata poética, além de mesa de livros e editoras na Casa das Rosas durante todos os dias do evento.

4 de julho de 2009

Luz...

Teu rosto é uma explosão de cores.
de uma beleza que a pintura esquecera
impossível descrever esse amor,
impossível não te amar

Na efusão das cores
que se irradiam pela superfície do teu corpo
transforma meus pensamentos em material palpável,
rabiscos, manchas se transformam em luz.

Nossa paixão cria uma obra deslumbrante
com formas definidas,
onde teu corpo preenche os espaços reais
da minha vida.

Tocar teus dedos
é uma sensação táctil
fulgurante.

Na pele flameja veloz esse amor,
abrindo no mármore a seda.

Teus seios alarmantes
vibram a coragem e desabrocham
frescos feito flor à flor da minha pele.

Tua voz extensa que grita aqui,
fazendo o cinza e o azul ecoarem
delicadamente harmoniza a minha vida.

Nós,
um duo de cellos,
fervendo na luz
afundando na delicadeza.

Marcello Lopes

1 de julho de 2009

Silencio

Em ti silencio
meu coração está em teus olhos
meus sonhos em tua alma.

Em ti silencio,
a angústia de antes vai morrendo
quando aos poucos te alcanço.

A canção que ecoa em meus ouvidos
só a brisa sabe da plenitude
que eu sinto ao teu lado
um caminho até o céu.

Em ti me silencio
e a hora mais simples pra te amar
é quando teu rosto
se banha na aurora.

Desenho a superfície do teu corpo
em meus poemas,
em meu olhar
sentado na beira das margens
da tua distância.

Em ti silencio as noites vazias,
com as lembranças dos teus pés
fundindo cheiros, olhares e
envolvimento.

Eu habito em todas as tuas possibilidades
alheio ao mundo que me rodeia,
revelando o que eu sou,
envolvendo com alegria existe em ti.

É tanto amor contido em meu peito
que o azul da manhã se assusta,
foi o amor que te escolheu.

Vagam em mim preciosos momentos
instantes de um amor maior que as
estrelas.

Silencio em ti pela noite plena,
pela beleza do teus seios no escuro
o olhar que me leva à loucura,
o corpo atento sutil e generoso.

Trago a ternura inteira
que existe em mim com a saudade
de uma história que ainda não se completa,
de cenas intensas que me tocam profundamente.

Essa página em branco é meu palco,
o local sagrado que me leva pra um lugar
que me faz inteiro, pleno...
nos gestos,
nos sons e versos.

Silencio em ti....

Marcello Lopes