29 de setembro de 2009


Minha vida é enredo
com o tempo passando tão rápido,
que mal sinto a dureza dos dias.

As estações mudam,
as horas passam
o amor cresce a cada dia
e o ódio desbotando a cada segundo.

Minha vida é enredo,
de filme, de peça, de sinfonia
perturbadora, que me conduz
mundo afora...

Eu sei meu destino
é o que se passa agora,
porque o ontem já foi....

Caminho constantemente
sobrevivendo ao mar turbulento
sem perturbar a minha viagem,
vencendo os infortúnios
gritando minha coragem.

Alguns dias me enchem de esperança
sempre depois de uma tempestade
que me aflige e quase me parte em dois
mas a bonança chegou
e me faz esquecer o medo.

Minha vida é enredo
com cenas de sol brilhando,
trazendo serenidade não importando o que passou.

Meu amor surge radiante,
a tristeza morreu,
esquecemos o passado,
vivemos o melhor em cada instante.

O amor é presente que nos foi confiado
em meio à ondas devastadoras
redobramos o carinho,
seguimos nossa vida com firmeza.

Minha vida é enredo
que apesar da graça segue em frente à todo custo,
muitos me abandonaram,
partiram. . .
outras desistiram,
eu sigo em frente
contando sempre com a tua força latente.

A minha querida está sempre cuidando de mim
com precisão,
renovando nosso carinho todos os dias,
amando-me com paixão.

Enfrento as dificuldades com veemência
enfrentando tudo e todos,
atento a tudo que surge.

Minha vida é enredo
surpreendido pela paisagem
distraído pelo seu rosto

Será sempre difícil,
mas precisamos aprender a contemplar
o sereno, esquecendo as rusgas e desavenças,
fortalecidos na crença
de que nosso amor pode tudo.

Nossa vida é sempre assim
trovoadas, tempestades, ventanias,
depois a calmaria...

Marcello Lopes
Eu ?  Rebelde ?

Você é que segue como os outros.

Eu faço meu próprio caminho.

Marcello Lopes

25 de setembro de 2009

Que fez de mim
todo esse inconstante?

Com seu bailado indeciso
entre ir e vir
indo para trás,
correndo adiante.

Ás vezes combinava
as cores de tudo o que
ainda não foi,
com a harmonia de tudo que já foi antes.

Que foi feito de mim ?
Que sempre mudou
sempre ficou...

Hoje passeio além da verdade
além do destino que dança colado
ao tempo sem que nenhum deles se toque.

Que foi feito de mim ???

Me faço distante hoje
não conheço o caminho
é como um segredo.

Ninguém me escuta mais
a voz desabotoando as frases
tremendo nas harmonias,
percebendo em minhas mãos
que sou apenas clandestino.

Entre minhas paredes e poucas cortinas,
deixo meus sonhos no ar.

Marcello Lopes

16 de setembro de 2009

Nesta manhã
tudo pareceu azul
eu acostumado a cinzas
escuros sem ordem,
enfeitei-me e agradeci.

Nunca tive vontade
de conhecer o outro lado
Girando em torno de si mesmo
e observando tudo ao meu redor.

Em mim queima alguma diferença
mas a poesia persiste,
como um instinto
um passo,
à direção do abismo.

Nesta manhã
que cisma poesia
a coisa mais rara
está na minha cabeça
e não nas palavras
nem nas pedras.
Adormecido no início
sou um todo
que encurva
e estico a mão para tocar
nas páginas vivas dessa jornada.

Não é com qualquer poema
que minha boca se esvai em sentimento
ou sem um certo desejo que acomoda no peito
é a verdade
nomes, datas, faces
que criam um contexto que com o tempo
viaja desacostumado.

Essa manhã recai em mim,
com esse ardor que me decifra
de qualquer dor,
e descobre timidamente o amor.

Não somos apenas sexo e suor
somos preliminares, sacrifícios e
oferendas.

Exalamos intimidade
eu e tua imagem
adjetivos de todos os
pensamentos.

Eu te escrevo
como convém,
e deito minhas palavras no teu corpo
ao soar da letras e das rimas
nesta manhã eu faço o verbo
te experimento nos lugares corretos.

Tom e timbre
harmonia em nomes
e olhares,
enquanto a poesia se desfazia
a minha verdade sorria.

Nesta manhã que tudo se transformou
que as forças externas precisam ser amainadas,
controladas para que eu possa tocar mesmo que de leve,
o mesmo lugar em que teus pés mergulharam.

Queria alegria para o poema
os versos saem desbotados
já que todas as cores estão em teus olhos,
vejo em preto e branco
escrevo para esquecer as coisas simples
as perdas.

Aproxima-se o desconhecido
grande começo que ainda não sabe dizer
por isso o silêncio, o disfarce.

Todas as tentativas de nomeá-la
em nada me assegura que estamos vivos
e se o paraíso esta longe.

Marcello Lopes

13 de setembro de 2009

Venha comigo

venha comigo
que eu busco paz
quero ser feliz
me obrigo a não olhar para trás.

venha comigo
a paisagem que nos protege
me dá a mão
e alimenta minha coragem.

Quero aprender a linguagem certa
pro amor,
pra você.

Marcello Lopes

7 de setembro de 2009


Mas é em meus braços
que teu amor se aninha,
provando o quanto vale a pena o sacrifício
a singular beleza efêmera da fé.

Deitada e adormecida,
pensativa e queimando em febre
sem culpa,
totalmente bela.

Nossos corpos não tem fronteiras,
nossa alma jaz tolerante em espera
de um lampejo sobrenatural.

Mas é em meus braços
que teu êxtase derrete
geleiras,
derruba rochedos,
solene e esperançoso.

Um sussurro denota
toda nossa louca fidelidade,
o toque das mãos,
o dobrar dos lençóis
a porta entreaberta
uma idéia, decerto.

Nos transformamos em loucos
temidos pelos previsíveis,
um beijo nosso expressa
todas as coisas que eles perderam...

Em teus seios suaves sobre a minha cabeça
sonho com a beleza da noite
onde a visão morre
e apenas a intuição abençoa.

Mostramos nosso peito
que pulsa apesar desse medo mortal,
encontramos abrigo em nosso amor
dessa aridez de esperanças e rios de insultos.

Nosso amor não é fácil de entender,
ao contrário de outros
seguimos nosso curso,
nessa sinuosa estrada
regando aos poucos os descrentes
entregando a cada curva
os detalhes de uma jornada apaixonada.

Marcello Lopes

4 de setembro de 2009

Tô indo embora,
cantar a melodia que me define
escrever minha história
em uma nova página em branco.

Tô indo embora
porque meu sorriso
se alimenta da sua surpresa,
porque meu mundo é seu.

Em breve volto a pintar aqui
poemas que transbordam amor e paixão,
construções de um poeta imperfeito
de um homem sem medo.

Eu tô indo
pra realizar o
desejo idealizado,
para sentir o gosto
do sucesso.

Eu tô indo
porque essa vida é um mar
de possibilidades
endereçadas à nós.

Marcello Lopes

2 de setembro de 2009


Sonho enquanto você dorme,
se o seu amor não fosse
tão insubstituível
talvez eu ousasse dormir.

Porém sonho
assim continuamos juntos,
numa paixão descalça
com os espaços entre nós
colidindo.

Lá fora há o verão,
onde o tempo é piedosamente lento.

Sonho enquanto você dorme,
as memórias dançando
me abraçando,
mesmo aquelas que habitualmente
não beijam sem estímulos.

Cada noite que o vento vem do sul
ninguém vem para me abraçar
ao longe no horizonte
seu rosto leve, nu
e tão amado.

Então subitamente, paro.
para recuperar o fôlego
e sonhar enquanto você dorme.

Marcello Lopes

Eu espero pelo momento
que a tua presença retorna,
uma luz que não hesita.

Cultivo a paixão
multiplicando as lembranças,
secretamente resgatando
todas as melodias.

O que resta de mim sem você ?

Uma janela vazia que atormenta,
um mar morto,
uma fuga enrolando pelo corpo.

Na primeira onda
a derradeira presença,
o sorriso roçando minha boca
gemendo sôbre as marés.

Não quero que te acordar,
sei silenciosamente como é
bom ouvir o silêncio
que sai de você.

O que resta de mim sem você ?

Ecos perdidos na cidade,
escolhas mal-feitas,
sem aprendizado nenhum.

Eu sou um misto de amor
e prazer,
de caminhos perdidos
e de idas e vindas.

Você,
é o sorriso um tanto contrariado
em um final de tarde,
é o adeus que espanta as madrugadas
cortejando nas manhãs meu corpo.

Somos,
eu e você,
juntos,
os dois,
nós.

Com começos e fins,
desejos saciados
toques implorados
a salvação,
uma perdição
saudades na mesma esperança.

Marcello Lopes

P.S: A Inspiração veio com o quadro do Matisse, que terá exposição no Brasil de suas obras.