4 de outubro de 2009

Contemplar...




Contemplo uma rosa qualquer
que por fios distintos se rompe,
e em seu leito pingos recentes
de lágrimas alagam suas pétalas.

Fecho os olhos para ver
tua pele macia que corre sob a luz,
riscando a realidade de pequenas espumas.

Contemplo as aves
nas encostas cerradas,
à luz oposta vagando distantes
de tudo e de todos.

Escrevo em páginas amareladas
arabescos e emoções sinuosas
que se destacam nas sombras
e por um acontecimento branco
resumem o mar.

Contemplo as palavras
nos braços do meu amor,
apreciando a tempestade de consoantes
e úmidas vogais que saem da sua boca
verdadeira língua de amor que nos escolheu
que não permite a aspereza e indelicadeza.

Com o poder de domar a Lua
louvo o propósito do puro acaso
reconstruo um momento de silêncio
em uma ocasião atemporal,
enquanto contemplo uma rosa qualquer.

Marcello Lopes