28 de fevereiro de 2010


Ao amar
nos tornamos imprevisíveis
nos transformamos em inconstantes
mas são nossos sentimentos precisos
que norteiam nosso caminho.

Ao amar
construí nossos encontros
à partir dos meus desejos
adornados pelas tuas insinuações
e pelo calor dos teus beijos.

Ao amar
a paixão louca se cala com um beijo,
o tesão padece com a distância
e as pernas tremem após o prazer satisfeito.

O corpo solene
transmuta em calor
chama que consome e
encerra a paz,
milhões de sentidos e sentimentos
inseridos em três palavras.

Ao amar
confesso que me entreguei
nesse colorido universo
que trazes em teus olhos.

Reparti o afeto
transferindo-o pra tua pele
e aos poucos fui saciando
minha sede,
de amor,
de sexo
contornando os abismos urgentes
que surgiam entre nós.

Ao amar
aprendi que as situações imperfeitas
são as que tem mais sabedoria,
são momentos assim que se interpõe entre nós
nos fazendo sentir nos ossos
as nossas falhas,
nossos segredos.

Ao amar
confessei muitas coisas,
compartilhei a purificação
do tato,
dos sabores
e das flores.

Ao amar
degustei o sal
das lágrimas,
da partida súbita
degustei do doce retorno,  
dos corpos encharcados pelos beijos
dos gemidos cheios de vontade.

Ao amar
somente o teu corpo me aquecia
conduzia minha vida,
direcionava minhas vontades.

Ao amar
em meio aos sons densos
no entanto, infinitamente românticos
encontrei a felicidade
na musicalidade das nossas conversas
de modos e falas tranquilas.

Nesse louvor precioso
finalmente encontrei a paz,
cresceu dentro de mim
a vontade de ouvir e escrever sobre as
descobertas que despertavam meu ser
a poesia é meu idioma.

Ao amar
entregue ao afeto ensandecido,
a minha chama absorve mais do que consome,
meus poemas entorpecem os sentimentos baixos
dialogando com a insensibilidade,
regando os corações ressecados
encontrando almas de diferentes olhares.

Ao amar,
encontro pessoas que murmuram cumplicidades
e se tornam companhias para a vida inteira.

Poema : Marcello Lopes
Foto: Google

Olá.

É com prazer que recebo esse selo da Lara Amaral, a poeta nômade de Brasília, em seu blog : TEATRO DA VIDA .

Lara tem sido uma inspiração constante na minha vida, não só com suas poesias mas com suas indicações de outros blogs que começo a desvendar pouco a pouco.

A única regra desse selo é presenteá-lo para outros 5 blogs que sejam interessantes e úteis na vida cultural de uma pessoa.

Como eu leio acompanho mais de 60 blogs, vou postar esse selo nos meus 2 blogs principais, assim escolho 10 blogs interessantes.

Blog do Professor e poeta Filipe Couto, poemas e sensações descritas e narradas com maestria.

Blog da Luciana com meditações e reflexões dos problemas que são comuns à todos nós. Reflita lá !!!

Poemas bem construídos do Léo que inspiram e transpiram sentimentos pelas linhas.

Poemas escritos com inteligência, descrições que nos fazem enxergar mais de nós mesmos.

Uma comunhão de poetisas em um mesmo espaço, cada dia uma poesia diferente, vibrante.

Marcello Lopes

25 de fevereiro de 2010


Com quantas mãos se tecem uma vida ?

O espanto que tuas formas me causam
nas cores dessa paixão
espalhando pelo firmamento
propiciando fugas,
rimas e loucuras.

São as minhas mãos que conduzem minha vida,
olhando ao longe e sonhando de perto
os versos não tem fim e ardem calados
sob teus seios.

Com quantas mãos se tecem as palavras ?

Enquanto a realidade reduz o romance à um papel modesto,
meus versos transformam em arte teus sentimentos,
não escondo meus defeitos, eu me retrato nos poemas,
nas palavras sussurradas e com isso,
abro um mundo de possibilidades.

Na vastidão das tuas costas
consagro minhas letras hipnotizado pela tua beleza,
pelo teu profundo sorriso.

E emudeço diante da tua presença
porque tem horas que só os gestos
tem licença pra falar.

A construção do teu poema é feita entre diversas ocasiões
quanto mais nossa relação é romântica,
maior a profundidade das palavras,
quando eu te vejo parcialmente pela cidade
minha inspiração é puramente sensorial.

Com quantas mãos se decidem uma vida ?

Nessa abstração singela que é tua vida,
sei que o meu poema nasce das tuas texturas,
dos teus sabores, e emociona quando traz consigo
uma relação de todas as coisas boas
que não existem isoladamente em nossa vida juntos.

Meu poema não existe sem ti, minha musa,
sem tuas formas desenhadas exuberantemente pelos deuses
sem a tua risada tímida
criando em meu coração um imaginário fantástico.

Com quantas mãos se constróem uma vida ?

Teu corpo é pintura,
onde os teus seios são elementos geométricos
sendo alinhados pela perfeição divina.

Com quantas mãos se constróem um amor ?

Confrontamos juntos as dificuldades
em busca de um amor singular
a verdadeira essência poética.

Busco desvendar os segredos do teu corpo
descrevendo em versos sua desenvoltura
fonte do meu prazer.

Poema : Marcello Lopes
Mãos : Aninha

23 de fevereiro de 2010

Poema da Madrugada



Adoro ver-te
Na madrugada, nas letras, nos quintais
Na alma decifrada em verso e prosa
Na delicadeza e na doçura de ser

Poeta,
vendedor de sonhos e amores

Adoro ver-te
quando está voando longe,
por entre livros, xícaras, aviões.

Cadernos e viagens,
me encontre sempre
nas suas horas loucas,
que são minhas também.

Adoro ver-te

Mesmo só vendo nos cubículos
desenhados com cores opacas

adoro, se for à dois.

Poema: Karina Duprat
Foto: Google

22 de fevereiro de 2010


Não estou mais buscando a perfeição,
nem mais momentos perfeitos
se encaixando na escuridão.

Estou buscando nos livros,
nos recantos mais luminosos,
o meu perdão.

Não quero mais a ilusão
de um relacionamento pautado pela pele,
pela promessa vazia,
pelos inebriantes instantes do sexo.

O que eu escolho hoje é viver.

Sem saber quantas eu magoei,
caminho em direção à retificação,
do corpo e mente,
do espírito,
e acima de tudo, do coração.

Os momentos ilusórios da paixão desenfreada
trouxeram companhias desagradáveis,
sombras que se alimentam
do pensamento fútil,
da essência do tesão enlouquecido.

Escolhi a solidão, resignado e obediente.

Muitos corações magoados pelo caminho,
uns perdoam, outros odeiam.

Encontrei a simplicidade,
os olhos mansos,
seu medo de se apaixonar me transformou,
me machucou e me ensinou.

Alguém como eu a enganou,
e hoje não pode me amar
pq perdeu a confiança.

Me resguardo sozinho hoje,
repleto de esperança,
nela,
no amanhã,
em mim.

Não há pressa,
o presente corre ao nosso lado
e o passado só fica sentado
esperando o futuro tão sonhado.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Marcello Lopes - Poços de Caldas

P.S : O que fazer quando nos sentimos angustiados e arrependidos ? Alguns bebem, outros usam as drogas como fuga, e poucos de nós escrevem.

Refúgio e perdão


Quem somos diante do divino ?

Nós, que somos pequeninos diante do Universo de formas, de traços
atraímos o que pensamos,
desejamos o que nos é conhecido
amamos o que nos são semelhantes
odiamos com facilidade e não sabemos perdoar.

Quem somos diante do desconhecido ?

Quando o Pai Celestial nos convoca,
é lá que aguarda a tarefa,
de amar,
de servir,
de se perdoar.

Em meio aos gritos de dor que ouvimos todos os dias,
façamos de um canto da casa nosso refúgio,
espaço reservado ao aperfeiçoamento
do sentimento puro,
do relacionamento fraterno
e da humildade.

Quem somos nós para desacreditar na fé ?

Transmitimos nossas idéias sobre tudo
sobre todos, todos os dias,
mas quando chamados à conversação sadia em torno da mensagem divina,
apresentamos mil inconveniências,
intimidados pela verdade absoluta.

É preciso coragem para se criar o santuário
onde com generosidade guardaremos nossos tesouros mais sagrados,
é lá que aprenderemos a pautar nossas relações mais fraternas com o mais sadio pensamento.

É nesse recinto que exumaremos nossas mais terríveis reminiscências,
ansiosos pelo perdão, pedindo à Jesus orientação.

Quem de nós nunca errou ?

Sempre com as melhores intenções nos lançamos às aventuras amorosas,
na expectativa de que sejam emocionantes,
ansiamos que cada momento seja delirantemente doce, e doloroso resultado advém dessas conquistas efêmeras nos derrubando ao chão, tão humilhados e derrotados.

Quem somos diante do divino ?

Amarremos uma fita branca em nosso corpo, em nosso refúgio
símbolo perene do perdão,
abandonemos a angústia moral, apaguemos o capítulo de sofrimentos dolorosos e sigamos em frente,
a jornada começa em nosso refúgio.

Marcello Lopes

P.S: Essa foto da Cintia me provocou uma emoção muito grande, todos nós temos nossas dívidas, e eu como ser humano falível que sou tenho as inúmeras faltas a serem corrigidas. 

19 de fevereiro de 2010

Corro alegremente



Corro alegremente para longe de tudo que me faz sofrer,
ao abrir os olhos só vejo a tua imagem
completa, distante mas muito real.

Entro na tua vida cortando o mundo em dois lados,
nós e os outros.

Corro alegremente pelo caminho que teus pés abriram
a paixão que me move também une e separa as estradas que compõem esse caminho,
e imediatamente sonho em te presentear com flores e versos.

Amanhece e o caminho está lá,
celebrando a nossa história
se oferecendo como salvação de nossos planos,
de nossos sonhos.

Sorrio ao pisar levemente nesse caminho
feito de pétalas, de sorrisos e de nossas promessas.

O vento carrega o aroma dos teus cabelos
a chuva lava meus pecados dos tempos que eu não era feliz,
mas a realidade se transforma a cada passo dado em sua direção.

Não há espaço nesse caminho para a solidão,
preciso te oferecer o alvorecer,
os poemas,
a gravidade que me impede de voar
e em torno de ti, as nossas canções preciosas...

Corro alegremente pelo caminho iluminado pelos teus sorrisos,
são tuas mãos que me comovem,
são tuas ações que me concedem o merecimento
de te oferecer as mais belas palavras.

Vagueio entre os rostos estranhos perdidos em outros caminhos,
o teu é mais belo,
a imensa maioria desses rostos caminham à deriva
imersos em sofrimentos e expectativas fracassadas...

Minha vida é gratidão
de mãos dadas aos poemas
lentamente te abraço
movendo-me em direção à tua paz.

A beleza da tua vida é essa,
em todo o movimento que eu faço
é visível tuas mãos,
em todos as lágrimas que derramo
são teus olhos que me vigiam.

De tuas mãos brotam a luminosidade
que remove toda a futilidade que um dia em meu corpo existiu,

toda a tragédia que um dia fustigou minha vida
em troca da eternidade.

O caminho para o teu amor
passa por todos os rostos que eu vi,
por todas as bocas que beijei
e todos os sonhos que desfiz.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Cintia Mello

P.S: Depois de iniciada essa parceria com a minha amiga Cintia, notei que ela ficou mais poética como fotógrafa, pensando previamente em versos para a paisagem que se oferece, adorei cada foto que ela me enviou e essa parceria ainda tem muitas sementes a germinar....

18 de fevereiro de 2010



Visto teu manto branco
coloco flores amarelas em tuas ondas
é pra Iemanjá me abençoar
crio meu elo com teu doce balançar,
estou à espera do sol levantar
e com ele o amor e a paz
e quem sabe, alguém pra amar.

As areias dançam ao som das ondas quebrando
e sôbre elas o vento sussurra
tornando meu movimento lento
meus papéis ondulam como a balsa,
então eu sento
e imagino....

Me entrego de corpo e alma,
teu manto me cobre,
minhas pernas,
meus versos...

O sol se insinua no horizonte,
nos poemas eu esqueço o tempo
procuro a luz lírica
reflexo da benção de Deus.

Escrevo esse poema e sorrio,
a luz que me banha agora,
encanta meus desejos,
desvenda os segredos
aquece minhas idéias.

Nessa praia perdido,
invisível para as pessoas
clareio meus sentimentos
pedindo inspiração,
saúde e você.

E lá surge você,
sorrindo
sendo recebido pelos pássaros cantando
as ondas brincando nos recifes...

Nas areias pálidas como a pele da minha amada,
sempre acreditei em viver em um mundo repleto de magia
e poesia.

O sol chegou, e pra todo mundo ver
puro e intenso como eu,
ele me agrada gritando por todos os lados.
queimando a pele,
evaporando os líquidos,


Esfera alaranjada que ilumina
calando o gritante som das ondas
um lindo dia, 
uma realidade à sombra das árvores.

Eu o vi chegar
e como um poeta que recita seus versos
gritando aos sete ventos
pude sonhar
sem querer mais despertar
esperando por você.

Poema : Marcello Lopes
Fotografia : Cintia Mello

P.S : Mais uma parceria entre fotografia e poema, a Cintia me presenteou ontem com mais 3 fotografias lindas, que eu tentarei descrever a natureza em poesia.

17 de fevereiro de 2010

Resiliência da Alma



Me detenho desconcertado por uma coincidência universal,
somos poetas,
admiro suas palavras
suspensas como se penduradas no céu
a iluminar quem as lê.

Todo poeta deve sem atinar para as consequências,  
escrever e se apaixonar,
mesmo que seja pelas palavras de outro poeta.

Tenho uma fome de querer conhecer e de aprender,
que reata minhas vontades com suas histórias,
um brevíssimo momento para se desfrutar de sua inteligência,
sensação boa de se viver ao ler seus versos.

Com o barulho da chuva leio suas descobertas
sua poesia desenha caminhos, 
desata os limites, 
e eu caminho para a satisfação absoluta.

Quando o leio,
somente penso em me satisfazer
já é uma questão emergencial,
pois existem em suas palavras diversas imagens
gestos, uma doce cumplicidade
de quem procura sempre pela felicidade.

É assim que eu vivo através das suas palavras,
sou o corpo que recupera a forma
após o choque das suas idéias,
aprendo com a tua capacidade de se superar
das infelicidades,
das adversidades.

E tudo que eu ouço
é resiliência,
sempre....

Marcello Lopes

P.S: Esse pequeno e simples poema é a homenagem à um dos grandes inspiradores dos poemas publicados aqui no Alucinações, o Ari com o seu blog Resiliência da Alma nos ensina todos os dias a doce e difícil arte de nos modificar, de nos superar sempre a cada obstáculo que a vida nos coloca à frente com sua prosa bela e verdadeira.

Por Favor, visitem o blog.....

P.S 2 : Obrigado à Lara ( poeta de Brasília, nômade das letras) por causa dela eu descobri diversos blogs de poesia sensacionais....

11 de fevereiro de 2010

Um lugar simples...



Parcialmente intocado pelo cruel tempo,
a uma distância razoável da insanidade urbana
que invade a tranquilidade,
o silêncio só era quebrado pelo crepitar da lenha.

Perdido entre as montanhas
esse lugar místico se transforma
paraíso na terra
com a fumacinha de forno
o pequeno engenho de cachaça
sem água corrente,
nem luz...

Nessa paisagem luminosa e de prazer,
componho meus poemas que misturam
lirismo e ironia,
ouço as canções de amor e encontro 
a verdadeira comunhão com a natureza.

Cercado de amigos
bastava uma música
uma bela acompanhante
para me inspirar
deixando que minhas letras reverberassem
em múltiplos significados.

Nesse lugar simples
o sol
alguns livros e uma garrafa de vinho tinto
amenizavam a melancolia causada pela cidade,
estampada em meus versos.

Na beleza nua e selvagem
encontrei um senso de humor
modesto e sedutor,
descobri como aliar a espiritualidade á minha obra
de forma disciplinada,romântica e severa.

A chegada dos gafanhotos e passarinhos
apontam uma nova estação,
marcando o tempo de uma forma ampla,
sentindo os ciclos da natureza,
do Sol ou da Lua.

A simplicidade me inspira
na vida, no timbre perfeito,
deixando meu sentimento em harmonia
com a minha personalidade.

Sem riqueza,
sem calendário
sem preocupação com o amanhã
a natureza me invade
e em sua perfeita transição
provoca-me uma profunda despreocupação
uma ingênua satisfação animal e gentilezas sem fim.

A casa de madeira
é inspirada por essa vida,
como um poema flamenco de Lorca
bela preciosidade,
que de forma gentil me aceita e acomoda.

Nesse lugar simples
tão diferente da cidades
que abrigam um exército de seres desolados,
isolados dos encantos naturais
perdidos em objetivos fúteis
vejo o mato crescer
pressinto em mim expressões
de felicidade,
de carinho e afeto
dos mais comoventes.

Nesse lugar,
encontrei a mais verídica ternura.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Cintia Mello

P.S : Eu inseri frases por todo o poema de Claude Lévi-Strauss de seu livro clássico Trópicos Tristes, e ele faz parte de uma parceria entre minhas palavras e a fotografia da minha querida amiga Cintia.

9 de fevereiro de 2010


À procura pela paz natural
tem seus caprichos,
é preciso enfrentar as ondas,
quebrar o mar,
sem medo,
com equilíbrio.

Deixa que esses nobres cavaleiros
escrevam suas histórias no deserto aquático,
nas águas antigas
em busca de refúgio.

Esses poucos e bons homens e mulheres
que tem em seus corações
o lirismo da natureza,
banhados pelo poente luminoso
e abençoados pelo sal profundo.

A procura pela paz,
do vermelho solar
que carregam nas costas
do cuidado nobre
e arte de amar por excelência.

Ouvem o mar em confidência
consolam rindo
cantam a música do mar
em seus destinos
sempre querendo se alegrar.

Bailam nas águas,
destemidos em seus novos cavalos
perfumando-se com seu hálito
buscando o nirvana
o paraíso calmo e pacífico.

O sol os aguarda em agonia
tingindo suas pranchas
de misteriosas colorações
e ao fundo ainda se ouve
o canto triste das sereias
verdadeiros ecos do mar.

Em busca da paz,
os poetas do mar
se equilibram na vida
de uma grande saudade.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Samanta Sczypula

Nos momentos de indecisão poética,
tua imagem é meu instrumento
um segredo, minha força.

São as tuas palavras que me ajudam a escapar
dos desânimos,
da suspeita de não saber criar.

Tuas tendências criam uma consciência
que me deixa em um desvario febril
que reflete em meus poemas a minha própria face.

Não nego que te vejo como criatura perfeita,
como um símbolo de adoração
mas atrás de toda a maquiagem
dos perfumes e máscaras
existe uma mulher que
só quer encontrar uma paixão.

Queria te falar o quanto eu te amo,
nem as música podem expressar o que eu sinto
meu afeto, meu amor
não negam tempo, desejos por ti.

O abraço sincero,
a troca de olhares
os encontros furtivos
é no silêncio que eu te ouço melhor.

Tua forma irradia beleza,
tua pele a suavidade das pétalas
teus olhos tem brilho próprio
uma existência indescritível.

É teu corpo
que ilumina minha alma,
são tuas opiniões que excitam minhas mãos
que pouco a pouco transcrevem com esmero
meu amor,
minhas palavras tem a cumplicidade dos enamorados,
e a tua satisfação é o meu prazer satisfeito.

Já me disseram que eu sou o poeta que procura a perfeição
nas musas,
no dia a dia
que busca insanamente a convivência com as estrelas
resgatando os encontros românticos em noites estreladas.

Teu carinho me faz tremer a alma,
a força do seu caráter,
a sua força assumindo a sua verdadeira essência
me influenciam a pular abismos, criar pontes,
afrontar meus desejos mais secretos.

Minha vontade é ter tuas mãos em minhas costas
fechando os olhos,
sem receio e permitir que eu procurasse os atalhos
desse amor.

Teus gestos de ternura e dedicação
me proporcionam a mais importante realidade que eu já vivi,
e é nessa situação que me abandono
adormecendo em teus braços,
sonhando sutilmente com um mundo de plena compreensão.

Carregado dessa energia
quero regar o teu mundo,
oferendo-te as marcas espalhadas pelo meu corpo
do teu carinho,
do amor que me ofereces.

Nos momentos de transição,
perdido nas esquinas da solidão
quando penso que passarei a vida incógnito
o mundo te apresenta de uma forma incendiária.

Eu te amo,
corpo,
alma,
espírito...

II

E no entanto mal se parece com as musas tão desejadas pelos poetas,
mulheres ideais concebidas pelos desejos que queimam a pele,
transformam em cinzas a realidade.

Não te pareces com nada disso,
tua chama me possuí
desesperada e faminta,
escrava dos desejos que forra a cama com meus sentimentos
se alimenta das minhas carícias
e acrescenta poesia em vida.

Não te pareces como as estátuas perfeitas
que os olhares cobiçam,
que aprisionam dentro de si
um amor possessivo.

Minha musa, tenho te amado desde sempre
em diversas situações,
em diversos rostos e seios
a cada camada da epiderme alheia 
menos te conheço
somente descubro a mim....

Minha musa tem o sabor genial
que exulta minhas palavras
que se excita pelo que é bom,
mas não se mostra nem uma vez.

Corpo quente
sensação de viver em eterna aventura,
um véu entre a realidade e a poesia,
um conto de fadas
ilusões e sonhos
gemidos e sussurros.

Minha musa não é deusa,
dorme sozinha,
sonha com um passado reluzente
e que sente falta do presente.

O mundo desaba
só as letras que te amortecem a queda.

III

Sim, minha musa
és meu instrumento de felicidade
de inspiração
me fazendo despertar para a realidade da vida,
sem tua presença,
sem a perfeição tão acalentada.

Marcello Lopes.

7 de fevereiro de 2010



Entre o boulevard Raspail e o Jardim de Luxemburgo encontrei-os,
impávidos,
acompanhados dos sonhos de um futuro inspirador
espalhando a luz em um mundo cercado de trevas.

Sem as formas dissonantes dos déspotas
sigo as vozes que murmuram pelos becos,
impressionando-me com suas tendências, paixões e vícios.

Encontro nas esquinas do Grand Palais
as telas de cores reluzentes,
pincéis afiados,
retoques planos e puros.

Desconcertado com a vida nas telas,
encontro Matisse, Braque e Marquet causando escândalos,
transtornando o mundo,
descobrindo novos universos....

Em suas mãos
conheço um novo olhar
uma ferocidade em amar
o belo,
a natureza,
a poesia.

Nas varandas os gêranios perfumam
a imaginação desses homens,
tão sequiosos de um refúgio ensolarado.

Cúmplice em seus desatinos
provoco os aduladores,
convenço os incrédulos,
torno-me amigos dos inimigos
pela emancipação das cores.

Lendo pequenos contos
vejo Picasso criando,
reconduzo meu olhar
e encontro meu rosto nos
espelhos e já não me reconheço
sou parte do abstrato,
participo da arquitetura pitoresca
dessa vida.

Sou pequeno espectador
provinciano demais para entender a genialidade desses homens,
transformados em deuses em seus ateliês,
criando monumentos à vida,
lendas vivas,
mitos,
histórias de uma época de ouro.

Encontrei esses homens andando pelas ruas
em torno do Chat Noir reconheci a luz
nos jardins sendo cultivados,
e os inúmeros seguidores desses poucos gênios.

Ahhh rua das musas encantadas,
elas próprias, desistiram do Olimpo
e abandonam seus deuses
só para serem eternizadas pelas mãos divinas desses homens.

Marcello Lopes

P.S : A inspiração para esse texto veio da história de vida dos pintores que se reuniam em Montparnasse após a primeira guerra, imaginem o encontro de Picasso com Matisse, de Hemingway com Getrude Stein, que vida colorida deve ter sido.

5 de fevereiro de 2010



Mesmo sabendo

que elas tornarão a cair

ele varre-as

elabora vários montinhos

graciosos e equidistantes

por todo o jardim.

Apesar da beleza

da queda das folhas secas

alguém o diz

que elas devem ser queimadas

pois não combinam

com o verde onde se depositam.

Por isso ele amontoa

a natureza morta

em cima da viva

e quando lhe dirijo

o seu primeiro bom dia

daquele amanhecer sem orvalho

ele se assusta e pergunta

se me incomoda

com o barulho do rastelo;

digo-lhe que não

pois já virou até canção

para a minha manhã

que nasceu ardendo há tempos

como o ressecar das folhas.

Autora: Lara Amaral
Blog : Teatro da Vida

Teatro da Vida....


Deslizando pelo palco,
vejo melhor que o poder das palavras é raro,
feito do dia-a-dia sem expectativa,
do amor que nasce das mãos dos poetas,
perco o fôlego ao ler tuas frases saltando,
me atingindo e se debatendo no papel branco e inerte.

Rabisco aqui,
conjugo um verbo ali,
meros pigmentos de uma arquitetura poética,
mas que carecem de cor e sons
então sem culpa, visito teu espaço
leio um poema como quem ora baixinho
de todo o coração.

Depois de te ler,
decifro teus sentimentos,
peço perdão e construo
todas as coisas perdidas,
recupero o bom senso
teço meus versos,
entre orvalho e incensos
na seiva das tuas palavras.

É nesse palco que eu encontro a paz,
antes que a minha vida passe,
antes que minha rima acabe,
procuro apenas uma letra que te revele,
um verbo que te delata
pálido e útil.

Cores de Monet,
Jazz de Miles
e versos de Lara.

Meu mundo gira e se comove,
entregue às tuas horas
aos teus olhares,
teus comentários
causando frenética agitação nos meus poemas.

As horas se estendem pelo caminho,
espalhadas no chão,
nas parcas folhas esperando minha inspiração
não repouso e as idéias me queimam
me entrego às sensações lendo teus poemas
e assim crio minhas próprias interrogações.

Nao me movo,
a luz da verdade que está escrita me fere,
sempre é pouco tempo pra se ler,
queria cantar as baladas que te alegram o coração,
e assim te homenagear.

Estou no foyer,
esperando que estendas novo capítulo de tua vida,
em versos,
em canções que te desnudam mais do que pensavas.

Me sinto feliz,
esquivo-me do fogo
que ofende minha alma
e oculto meus sinceros receios.

Descubro em teu palco,
a leveza do mundo
dividindo espaço entre esse exterior tão bruto.

O tempo cria
os poemas dividem margens
misteriosas estradas,
apara as arestas,
intriga os poetas.

Há momentos em que tua escrita é serena,
mas com a força de um tufão me derruba
todo poema tem seu fim, e como fogo
queima,
aquece os corações, abafa nossos medos e
nos dá esperanças que nunca poderão ser queimadas.

Teus poemas são como a terra,
quando plantados dentro de nós
crescem fortes e resistentes
nutrem nosso cotidiano,
espalhando os sonhos
nos motivando a sermos felizes.

A poesia é toda tua,
a cada dia,
a cada escolha.

Marcello Lopes

P.S: Esse poema é uma pequena homenagem à talentosa poetisa Lara Amaral que escreve verdadeiros tesouros em forma de poemas, seu blog é Teatro da Vida

Nesse mês de Fevereiro estarei homenageando todos os poetas que me inspiram e me fascinam, e convido-os para uma visita ao blog da Lara.

4 de fevereiro de 2010

Ela voltou....


Silenciosa e vestindo meus poemas,
ela voltou....

O poema é meu,
mas a inspiração é tua,
e agora suplicas pelas minhas palavras,
e eu pelo seu aroma.

Ela voltou,
e não me importa se as nuvens cobrem o céu,
sinto o azul me colorindo aos poucos,
o branco me iluminando e como um furacão
sua presença me atingiu,
e revivo todo o sentido dos meus poemas,
e neles sinto todo o seu perfume.

Quero reviver...
as estações com suas flores, seus odores,
relembrar os sentimentos
me atentar aos acontecimentos.

Eu quero estar aí
ao teu lado
com toda a intensidade da minha vida,
dos meus desejos,
dos sonhos que se opõem às sombras.

Ela voltou
e minha poesia torna-se verdade
pois teu amor é minha liberdade.

Não abandonei a esperança
que vem do céu, do mar e da terra
me tornei mais apaixonado
mais antigo que os deuses
desde que tua imagem desapareceu no horizonte.

Mas do tempo perdido eu fiz poesia,
das lágrimas luzes cósmicas
artifícios para sobreviver a um breve instante.

Ela voltou,
e o amor tem assim seu lugar
a revelação dos versos
radiantes com o teu calor,
chama que fragmenta
paixão que pulsa
sorriso que ilumina.

Minha musa,
reencontraste o caminho
cantando se fez minha amante
minha razão se perdeu
faço parte de ti,
e ti do meu mundo
e hoje eu escrevo tudo aquilo
que meu corpo deseja,
e o coração almeja.

Marcello Lopes

2 de fevereiro de 2010



Eu sou livre,
me afundo nesse canto convertido em poesia
com a alegria de um menino
me levanto sem adormecer as lembranças
no peito.

Eu sou livre porque as lágrimas foram convertidas
num porto seguro,
contra as marés baixas que investem contra meu peito.

Encontro a felicidade ao som do silêncio,
no tamborilar da chuva que se mistura com meus sonhos,
no sussurro de uma moça bonita,
no riso fácil de um amigo
folheando páginas de um livro.

Eu sou livre porque amo a vida
palavras, poemas, mulheres.

Nesse labirinto de idéias e oportunidades,
brilho como o fogo do tesão que me devora,
que providencia poemas e promessas.

Eu sou feliz
porque renasci das cinzas centenas de vezes,
sempre trazendo uma palavra,
construindo das ruínas um caminho de poesia e pueril alegria.

Vivo com planos, sonhos e imagens ecoando sem parar
no horizonte do meu pensamento,
fazendo barulho,
pedindo urgência.

Encontrei muitos corpos para amar,
inteligências para admirar
essência para absorver
mas o amor ainda se esconde
entre os escombros do passado,
ou será que está nas fundações de um futuro feliz ?

Eu sou livre porque me apaixono a cada entardecer
repousando sobre um corpo diferente
e desejando que o tempo ficasse parado.

Sou livre porque sorrio,
fazendo ruídos, aprendendo as dizer as palavras certas
afagando as pessoas corretamente,
olhando e me equilibrando nesse jogo que é a vida.

Falo de tudo com todos,
peço perdão e ás vezes nem eu me perdôo
tento não pensar em nada,
entretanto, as estações me obrigam à devaneios sem fim.....

Sou livre porque não me apego às mãos dadas,
às espumas e quadros coloridos,
sou assim porque por muito tempo desejava e hoje eu escolho.

Perdi a conta de quanto tempo fui sozinho, mesmo acompanhado
perdi as noites amando sem reciprocidade, cobiçando
e me odiando pela falta de ar,
de coragem,
de felicidade.

Sou livre porque me encontro nos olhos esperançosos de uma linda menina,
que ri e fica calada,
sou livre porque o tempo está ao meu lado,
e não me inveja mais,
porque a pele se sacia sozinha e
as vigílias não são tão solitárias.

Escolhi ser assim,
cuidando da minha vida,
escrevendo em dias de chuva,
amando em dias de sol inclemente.

Cores e sons,
tintas e música
escolho minha tela e minha trilha.

Eu sou livre porque rezo por mim, pelos outros
e cobro dos esquecimentos seu pequeno quinhão
buscando nas coisas boas da vida minha satisfação.

Eu sou livre porque escolho meus amores,
meu sexo, meu tesão.

Escolho, mas ainda não fui escolhido.
Mas sou feliz assim mesmo.

Marcello Lopes.

P.S : Estou feliz, pelo aniversário, pelos amigos virtuais e pessoais e acima de tudo porque eu sou livre.