30 de abril de 2010

Sorrisos


Quando eu disse que te amava,
sua resposta foi um sorriso.

Navego em suas costas
me afogando nas vagas
que seu corpo de sereia produz
com sorrisos de deusa.

Quando eu disse que te amava,
uma onda de luz e calor me envolveu,
e me ergueu acima dos meus sonhos.

Quando disse que te amava
sua resposta foi um sorriso
que apagou todos os meus medos.

Não importa o quanto chorei
aprendi que ser feliz dói,
e os sonhos e ilusões 
ficam apenas nos poemas.

Uma ilusão breve me toca 
quando lembro das coisas que me marcaram
das músicas que me emocionaram,
de Neruda e Miles.

Seu perfume ainda permanece
nos lençóis,
na minha pele
na memória.

Quando disse que você era o motivo da minha vida
que cada sensação sentida era na verdade reflexo 
da sua pele na minha,
sua resposta foi um sorriso.

O sol reflete suas curvas 
vejo-as bem quando ao seu lado caminho
com alegria e saudade
dos momentos felizes,
eufóricos e dos que ainda não aconteceram.

O seu sorriso é meu novo destino,
meu caminho para possíveis desatinos.

Todos os dias recomeço minha vida, 
e todos os momentos seu sorriso
me conduz à novas direções
me negando qualquer tempo pra lembrar 
das feridas, das dores,
me convidando a mergulhar em suas cores.

Quando disse que te amava
sua resposta foi um sorriso.

Nas manhãs que desperto ao seu lado
a fragrância matinal espalhada pelos seus cabelos
me invade e me aquece
fazendo-me levantar 
e espalhar versos, pétalas sob seus pés. 

Quando disse que te amava
sua resposta foi um sorriso
que como uma brisa impele
as nuvens delicadamente.

Em uma tarde de sábado 
protegidos pelas árvores dos bosques 
milhares de flores banharam nossos pés
fazendo as sombras desaparecerem.

Quando disse que te amava
sua resposta foi um sorriso,
que me fez ansiar pelo seu beijo.

Hoje você se levantou e me abraçou
me desejando cores azuis,
recitando versos de Mallarmé.

Meu sorriso te oferece muitas promessas 
que a arte e o amor ensinam,
aprendi a te amar nas músicas de Vander Lee
nos seus retratos largados pela casa,
na emoção do seu sorriso.

Quando disse que te amava
sua resposta foi um sorriso
como a madrugada que chega 
e desabrocha o jardim de rosas.

Suas mãos sussurram palavras inebriantes
como uma brisa morna de verão,
na pele, o suor do sexo,
na poesia, o desvario de uma paixão.

Poema: Marcello Lopes
Divinópolis - Mg

28 de abril de 2010

Quem sou ?



Sou aquele que ainda
sente teu corpo em minhas mãos.

Que te ajusta levemente em meu peito
e suspira feliz de contentamento.

Sou aquele que renasço em outra vida
por causa do teu amor.

Sou aquele que está condenado a amar,
apenas na vertigem do teu sonho.

Já não sou mais o que era antes,
na sombra do teu passado
tombo em outros seios
como um desmaio,
apenas para acordar
sabendo que nasci para te amar.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

25 de abril de 2010

Poema de despedida


Você disse adeus,
quando eu queria um até logo.

Sonhei com uma viagem,
e o doce retorno dos seus braços.

Você me disse adeus
mesmo sabendo que não era uma escolha minha,
não me perguntou,
não pude escolher a resposta.

Foi como assistir um rio correr de volta para sua nascente,
era uma palavra despida de felicidade,
despojada de emoção,
apenas silêncio.

O som das letras nunca mais será o mesmo,
nunca mais serei tentado a fazer uma nova caminhada
como essa que me levou até seus braços.

Você me disse adeus
quando eu só queria um até logo.

Meus poemas já não são
seu passaporte para um mundo de fantasias,
hoje eles são reais,
para mim e para você.

Todas as histórias que eu escrevo hoje são reais,
mas meus versos são ausentes de alma,
de personalidade,
sinais da sua ausência.

O destino se opôs e criou uma (ir)realidade
onde você não é minha, é de outro
uma nova vida, uma nova caminhada
mas insisto com o céu que a minha vida é única
não há espaço para nova partitura, nem novos tons...

Você me disse adeus
e disse que se eu procurar bem acabo encontrando
a explicação pro meu coração,
a poesia que duvida da vida
e nasce assim uma nova geografia.

Eu só queria dizer um até logo,
e que as suas particularidades
não cabem em novos mapas
que o futuro não é tão possível assim sem seu amor.

Em meus poemas não existem muitos sorrisos
são enigmas,
cores que traço na tela para dizer coisas que não sei nomear,
meus versos sentem o absurdo de existir sem seus olhos
desconheço dor pior que de um coração amargurado.

Estou cada vez mais sozinho
em meio às rostos e seios que se esfregam em minhas mãos,
ninguém entende que inúmeras mulheres não podem acalentar
um coração que já inundou-se de desejo e angústia.

Você me disse adeus,
quando eu só queria um até logo.

Amanhece o dia
outro sem você,
a palidez do espelho me esbofeteou o rosto
não reconheço meus contornos
desde que perdi suas formas.

As promessas que eu fiz,
jazem cobertas de pó
no criado-mudo
mergulhadas no tempo
lamentando a saudade
e seu adeus.

Poema:Marcello Lopes
Foto: Google

P.S : Não conseguir amar alguém talvez seja a coisa mais difícil na vida.

19 de abril de 2010

Doces Recordações

As mais doces recordações da minha vida
são dos seus lábios em minha pele,
suaves como pétalas de rosas
aromáticas, rubras.

Naquela minha vida
o vento falava através dos meus versos
desfolhando suas defesas
percorrendo os lugares onde tua alma visitou.

As mais doces recordações da minha vida são
do seus olhos mudos
e suas emoções gritantes,
não havia razão em nossa paixão,
estávamos imersos
naquele sentimento descontrolado,
caos e orgasmos.

No horizonte que se forma em torno do seu corpo,
colorido e desejado
a surpresa mostrou-me outra face,
sedutora e esperançosa.

Naquela minha vida
me alimentei de memórias e abstrações,
de solidão e dores,
e seu amor mostrou-me o caminho da libertação.

Em meus versos consigo hoje ordenar o caos na minha vida,
me resguardando dos sonhos desfeitos,
sofrendo pelo encontro adiado tantas vezes.

Minha voz não é mais a mesma
antes intensa,
hoje é repleta de alívio e silêncios
que uso para me reinventar.

Naquela vida as recordações mais doces
são das suas mãos implorando proteção,

como quem faz um mantra na travessia de um rio
e eu faminto de desejo apenas me alimentava
do momento.

É necessário sobreviver,
o futuro que antes eu encarava com desprezo
bateu às minhas portas,
preso às lembranças encantei-me com o passado
e existia apenas no presente.

As minhas mais doces recordações da minha vida
são feitas de momentos entre a sua vida e a minha
o seu momento e minha dor,
a minha alegria e seu viver.

Poema: Marcello Lopes

15 de abril de 2010


Uma explosão de beleza.

o amor é assim,
cromático, audacioso como um desenho de Degas,
impossível descrevê-lo e impossível tentar não descrevê-lo
o amor é desenho em pastel, efusão de cores
chama azul, vermelha e amarela.

Eu o conheci por esse calor
que se irradia pela minha pele,
pelas mãos e que jorra sobre o corpo da amada.

O amor é assim,
não somos capazes de compreender sua lógica,
sentimento de movimentos naturais,
luz, sinfonia, jazz...

Compartilhamos a idéia em cafés,
discutimos o rapto dos nossos corações,
acreditamos que exista algo que supere isso.

O amor é assim,
inicia-se em simples abraços,
risos, vinhos...

Nem as ninfas nos bosques,
nem mesmo os deuses puderam fugir desse deslumbrante fato,
todos nós queimamos por dentro.

Podemos olhar o objeto do nosso ardor por horas,
os traços banais se tornam pintura na primavera,
lemos seu corpo pelos planos coloridos da cama
nos detemos em cada detalhe,
murmurando versos e fantasias.

O amor é assim, liberta-nos de nós mesmos.

Nossa amada tem formas definidas,
leve como as bailarinas,
levando-nos suavemente ao prazer de vê-la.

Imóvel me torno e pela milésima vez me surpreendo
com que o amor me revela da vida.

Essa chama que queima também é sensação não apenas visual
mas táctil, de fulgurante delicadeza.

O amor é assim,
conflito em luz e trevas
matéria e essência
pedindo equilíbrio nessa desordem emocional,
até verter-se em lágrimas.

Começo a recitar meus versos
e na pele flameja a luz,
velozmente emerge de dentro de mim o mundo,
coisas reais,
as mãos, o seios,
os pés...

No rosto surge o inevitável,
na mão dezenas de palavras
que o coração diz,
mas a voz ocultou.

O amor é assim,
um belo instante
uma mancha,
uma noite estrelada.

Carregamos em nossas recordações mais apaixonadas
o que nenhum céu ou mar teve de azul.

Uma coragem que desafia o sol,
uma fé inquebrantável que nos faz vibrar
os limites do Universo,
criando e misturando
fervendo na luz criamos concertos,
telas da beleza de Goya
a delicadeza de um poema de Goethe
o esboço de Da Vinci.

Alguém se conhece sem o amor ?

Milagre da vida,
voz que atravessa os abismos da ignorância,
que esconde a alma divina,
o amor é obra de mestre,
inspirado,
delicado,
vigoroso arroubo de gênio.

É assim o amor
nasce da fé em algo sensível,
dos sonhos que são como pequenas chamas
impelidas pelo toque
transfigurando a mão de quem ama.

O amor é assim,
extraodinário,
incêndio de cores, harmonias, versos
que parecem crepitar e nós, divinamente inspirados o ouvimos !!!!

Poema: Marcello Lopes
Foto: ?

P.S: Não lembro de onde copiei essa foto, por isso se alguém souber me avise que coloco os devidos créditos. Esse poema veio martelando na minha cabeça hoje depois de uma pessoa me perguntar de onde vem meu fogo para tanta poesia, tanta paixão. Disse à ela que sou apaixonado pela vida, viver já é um grande romance com instantes de lágrimas, sorrisos e risos, acertos, erros, expectativas desfeitas, surpresas... 

Viver é ter ao redor pessoas de bem, que te amam não se importando com seus defeitos, com suas variações de humor, é ter uma família, é amar o trabalho e trabalhar com amor, se não tiver isso na sua vida, você não está vivendo, apenas ocupando espaço.

Sou grato à vida sim, com todos problemas, com todas as dívidas, nada me dá mais prazer que abrir os olhos pela manhã e agradecer Jesus por mais um dia, se for bom ou ruim, isso é comigo.

Dedico esse pequeno poema à amiga lusitana Cláudia que ainda não se afinou nessa imensa orquestra que é a vida, não se preocupe gaja, terás acordes belíssimos e de inconcebíveis tons....

E Viva Jesus !!!!

12 de abril de 2010



Olá.

É com muita honra que eu faço parte ao lado de inúmeros poetas talentosos, inclusive minha querida amiga Lara Amaral, do blog Diálogos Poéticos.

Hoje tem poema meu lá...

Abraços.

Marcello Lopes

11 de abril de 2010

Uma pergunta


Que mal pode advir do respeito mútuo,
da delicadeza,
da bondade,
da confiança
e de um relacionamento pacífico ?

Só o amor une sem tirar a dignidade de ninguém,
nem tenta roubar seu próprio eu.

Marcello Lopes
Foto: Cintia Mello

7 de abril de 2010



Segui a moça que abre portas
para o sol,
para a esperança.

Que como uma doce criança,
tem mais perguntas que respostas,
que devora com avidez os dias de chuva.

Sigo seu caminho
como quem gosta da noite,
onde sabemos que vemos menos
ouvimos mais.

Desenho seu nome na varanda,
esperando um novo dia
contando histórias,
compartilhando tristezas
sorrindo para coisas feitas.

Nesse trajeto,
ela sabe o quanto é difícil resgatar a alma
do limbo,
como uma mensagem dos ausentes
não esquece de lembrar
que todos dias são diferentes.

Sigo o caminho traçado,
me espantando com a falta de amor,
com a solidão do meu leito,
com a falta do seu colo.

Ela não desvendou o mistério
do porque é tão difícil se deixar amar.

Nesse caminho,
descobri quem eu sou
naturalmente emoção,
integralmente poético
vivendo uma vida nada segura.

Ela, no entanto, preenche a alma de sustos,
vaga-lumes e estrelas
se alegrando por tudo
e por nada.

Penso nessa moça
caminhando para a felicidade,
se perdendo em harmonias musicais
na magia do cinema
e no aroma da poesia.

Teus sentimentos são puros
quase antiquados,
na essência do teu ser
bondade,
em tuas mãos,
amor...

Hoje eu sigo pelo caminho
em instantes silenciosos
de paz e honestidade,
plantando perguntas
para que essa moça
colha respostas.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Cintia Mello

P.S: Baseado em um perfil do orkut que me fez sorrir mansamente e me fez lembrar dos meus desejos mais simples.

6 de abril de 2010


Intensa.

Sua vida é um florescimento
de fotografias e poemas,
de sensibilidade.

Inventa-se
passando de menina frágil à mulher madura,
de guerreira à dama.

Converte-se em desenho,
improvisando sentimentos
versos e emoções.

Na presença absurda da paixão
transmuta-se na leveza de um carrossel
frente às intempéries da vida,
montanha-russa.

Amiga...

irmã...

anjo...

De onde vem sua doçura ?

Suas qualidades raras
transformam momentos banais
em milagres.

Tem os homens aos seus pés,
o destino deles ligados à suas palmas
suaves e dedicadas.

Musa expressiva dos domadores de ondas,
os desamparados que corram atrás de ti !!!

Grava as inúmeras possibilidades
em fotos,
cores
em arte.

Na alma, um verso
nos versos, um corpo...
no corpo
infinitas voragens.

Seus amores compõem um universo,
de formas e belezas
de sombras festivas.

Em suas mãos
toda a coerência que me falta,
e em seu coração
planos indefinidos.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Cintia Mello

P.S : Minha querida amiga Cintia, singela e pequena homenagem que não consegue encontrar palavras pra descrever o que você significa na minha vida. Te amo hoje e sempre.

5 de abril de 2010


Nesse feriado o intelectual deixou o poeta,
criando uma ruptura entre a alma e o coração.

Nesse feriado Álvaro de Campos habitou meus pensamentos
dando-me conselhos, versos e verdades absolutas.

No silêncio das suas palavras, fragmentou-se minha realidade.

Nascia então a compreensão de que existe
um poder corrosivo no amor que destrói
as mais inquebrantáveis correntes
que nos ligam aos outros.

Foi um alívio expulsar esse fogo que não era meu
hoje respiro o que eu falo,
conto a história que não é trágica devido a intervenção dos versos.

Nesse feriado experimentei o fenômeno natural do assombro,
com seus terrores e desastres.

Ao ler tuas cruas palavras criou-se um arco-íris glorioso e pacificador entre a realidade e o meu desejo de amar.

Nesse feriado criou-se abismos terríveis entre algumas pessoas,
entre outras surgiu uma paisagem secreta,
selvagem mas sempre inundada pelo sol.

Álvaro de Campos estava ali na minha frente,
com sua alma nua, alegre,
deslizando os versos pela minha vida, pelo outono do meu olhar.

Nesse feriado,
com emoção reprimida tento esquecer o absurdo da vida.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

P.S: Esse feriado fui arrebatado pelas leituras poéticas sob uma chuva fina e fria em Poços, em meu quarto desfilaram Maiakóvski, Emily Dickinson, Neruda e o mais constante em meus pensamentos, Álvaro de Campos.