27 de maio de 2010

Teu corpo



Teu corpo é exclamação !!
nunca soube o que eu procurava até achar teu corpo
reconhecido, satisfeito em minha cama.

Teu corpo é destino.
Sempre desejei algo que fosse livre e heróico,
encontrei o vício da liberdade em teus seios
e ironicamente me aprisionei em teu corpo.

Mudei de nome, de cidade
de profissão,
mas me entedio facilmente
estou perdido e incompleto.

Teu corpo é caminho.
Todos os teus abraços são infinitos,
eles me levam sempre à outras coisas,
ao ritmo da tua cintura,
ao brilho dos teus olhos...

No reflexo do teu suor
existe uma sombra,
que aos poucos queima tudo que é frágil.

Teu corpo é paz,
com o teu sexo selvagem e teu amor tranquilo,
descobri entre seus pés, o esconderijo perfeito.

Aos poucos me canso de tantas fugas,
de tantas mentiras e combates,
me entrego à teus doces encantos
e finalmente te amo.

Nossa vida é construída em noites perfeitas,
completas de orgasmos e acordes,
vinho e poesia,
desejo e encontros.

Teu corpo é santuário,
onde reconheço meu altar
e confesso meus pecados.

Nossas pausas ganham outras cores,
trazemos para dentro do nosso corpo
um mundo de sentimentos e esperanças
e é assim que recomeçamos todos os dias.

Teu corpo é luz,
que conheço tão bem
distante dos desejos alheios,
encontro-o tão perto do meu destino
persigo teu rastro iluminado
como o cego persegue a canção em meio às trevas.

Teu corpo é cheio de abstrações
que fortuitamente minhas mãos tocam
e meus lábios molham.

Eu nunca a perdi de vista,
em teus movimentos sublimes
mantinha distância e mesmo atraído
pelas tuas cores quentes
traduzia teus lances em versos.

Teu corpo é tela
onde desenho minha paixão,
cultivo meus poemas e reflito sobre teus seios,
livres, lindos e sensíveis.

Teu corpo é fragmento do paraíso,
harmoniosa sensação de divina proteção
quando acaricio seus braços.

Nosso amor é infinito,
traduzindo em teu corpo
minha felicidade,
em meus poemas,
nossa liberdade.

Teu corpo é meu
e meus poemas são seus.

É uma história sem fim.

Poema: Marcello Lopes

23 de maio de 2010

Momentos perfeitos

 


Pequenos momentos perfeitos
são como fontes de luz
que iluminam e aquecem,
são como os prazeres que bebo aos poucos,
e depois que se sucedem permanecem
na memória, na pele, na boca.

Pequenos momentos perfeitos
são efêmeros como os sonhos,
breves como a vida das borboletas,
etéreos no presente instante
mas sólidos em um passado distante.

Pequenos momentos perfeitos
se encerram em nossa sincronicidade,
nas fendas que as palavras abrem,
no brilho dos olhos que se abrem
sinalizando o desejo.

Esse pequeno momento pode ser traçado
nas mãos que se entregam ao enlace
no beijo que pulsa e anima o espírito.

A perfeição que louvamos tanto,
nos é concedida à todo instante,
quando invocamos a pessoa amada,
sentindo os membros chamuscados pelas chamas do desejo
e nos refrescando nos lábios silenciosos.

Momento perfeito é um beijo roubado,
um abraço dado,
os dedos entrelaçados,
os corpos encaixados.

Quando formos atingidos pelo amanhecer
e as ondas de um novo dia nos atingirem
ecoará em nossos corações o poder dessa perfeição.

Pequenos momentos perfeitos anunciam o despertar
de um sentimento que estremece,
que vibra dentro de nós,
e cuja amplitude permanece intocável.

Nesses momentos não há necessidade de sussurros,
nem mesmo as palavras são precisas nessas horas,
a existência desse movimento é sereno e objetivo,
silenciosa sintonia nos domina desfraldando nossas bandeiras,
recriando movimentos,
emergindo da luz mãos que colorem-se mutuamente.

Perfeição abrupta,
lembranças que sob os difusos raios da pele ocultam significados múltiplos.

Música que repousa na memória
em versos invisíveis, mas audíveis
compartilham seus instantes de amor
de estímulo,
de sentido.

Poesia que se parte em pedaços,
homenageando os sonhos,
alegrando a vida,
desmanchando o peito apaixonado.

Pequenos momentos perfeitos,
a vida alerta sobre a ilusão dos amantes,
uma outra realidade,
porém,eu acredito em estrofes apaixonadas
os sonhos, meus e teus,
são a moradia da felicidade.

Momentos perfeitos são os que lembramos
mesmo quando o abismo nos rodeia,
mesmo quando o oceano nos aprisiona
e a solidão nos domina.

A afinidade dura instantes,
queimando a pele em uma febre inconsequente,

Assim eu vejo as oportunidades que eu tive,
os espinhos que me feriram, as pessoas que cruzaram meu caminho me levando a crer que a distância entre o amor e a realidade é irreal.

Os momento perfeitos são eternos.

Poema: Marcello Lopes

P.S: Quem nunca tomou parte nesses doces momentos ? Onde a pessoa que desejamos diz o exatamente o que queremos ou faz exatamente o que idealizamos ? Sou feliz pois tive vários momentos assim, e agradeço amorosamente à todas as mulheres que fizeram alguns desses momentos durarem pra sempre na memória.

O blog recebeu o prêmio dardos (reconhecimento entre blogueiros) concedido pelo Professor de História Eric Siqueira.

Bacharel e professor de história, graduado pela UFPa, especialização em Tecnologias da Educação- PUC-Rj e que me foi repassado pelo excelente blog  http://www.reda-umquestodeestilo.blogspot.com

16 de maio de 2010




A música que salva
é harmonia que espalha os versos
e dispersa as sombras.

A música que faz estremecer ao longo dos acordes
que semeia na brisa leve do dedilhado.

Uma música faz adormecer e sonhar com palavras e peles nuas,
tons cobertos de significados, imagens e sussurros.

Esse som cristalino que foge dos nossos sentidos,
causa furor à um inocente amor,
queimando cidades e criando miragens.

A música que exala poesia
conta segredos, chora dores
clama reencontros.

Na vida e na morte, música.

Na terra ou no céu, música.

Quando o sonho se dilui e na febre efêmera da paixão
emerge a melodia ecoando na pele.

Inundando o coração,
o artista perde-se para na partitura
revelar-se.

Música profana
esvaindo-se no sexo,
na falsidade pela madrugada afora.

Música sacra,
ungida e santificada,
afundando o pecador realçando sua imoralidade.

A música derramada na alma
foge de ser descrita,
tornando-se eterna,
preciosa.

A música que vive conduzindo amores,
desvelando-se em emoções
desnudando relações.

Uma música que mata,
é a que seca o corpo
que incita à morte e destruição.

Os movimentos em uma linguagem que entorpece
seduzindo os fracos de coração.

Mas a música que envolve
reluz nos acordes,
arpejos e acaricia os dedos
exalando paz e sensualidade.

É a música que trouxe as boas notícias,
que desenhou suas linhas nas terras desoladas.

A música de Brahms
florindo as vidas,
inspirando e intuindo.

Nossa vida se modifica com ela,
o som provoca o pensamento.

A música dos anjos curam
como os poemas de Frost
e os quadros de Monet.

Ouve-se um canto, uma voz,
a necessidade de sons é
como esperar o coração pulsar
cada vez mais forte.

Musica é brilho de sol
é fantasia de gestos
realidade de sentimentos.

Vemos a música como ela é
como cegos enxergando apenas o essencial.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Marcello Lopes

P.S: A música sempre fez parte da minha vida, minha mãe como professora de música tinha uns discos de música clássica e óperas, eu comecei ouvindo MPB nas viagens pra Cananéia, depois conheci a música de Brahms,Liszt e Chopin e fiquei apaixonado por Beethoven.
Anos mais tarde conheci o Jazz, Miles, Chet e Louis Armstrong fizeram e ainda fazem muito a minha cabeça.
Hoje eu ouço muita música instrumental, pianos solos, Yanni, Secret Garden e Vangelis.

Leiam ouvindo sua trilha sonora preferida e apreciem sem moderação !

11 de maio de 2010

Lágrima


Uma Lágrima corre no rosto como água da chuva,
faz o vento que passa estremecer o corpo.

Uma lágrima que marca o rosto escondido pela maquiagem,
água de cachoeira que purifica,
fragilidade que emociona.

Uma lágrima derramada na noite,
soturna e fria onde a solidão espreita
deslizando levemente no quarto.

Uma lágrima pode ser imensidão de sentimentos,
águas profundas de um desejo há muito represado
libertando-se nas cores de um novo dia.

Transportada na luz carregada de sal,
onde o espírito alivia seu peso,sua dor.

A lágrima é de paixão que se derrama após beijos longos 
e abraços arrebatadores,
de saudades ou de despedida.

É a mais pura liberdade de sentimento,
é profusão de devaneios e delírios 
cobertos de poesia, de felicidade 
e (des)amor.

Há os que choram camuflados pelas sombras 
sozinhos e magoados, 
sãos os que mais sofrem.

Há os que choram com filmes embaixo do cobertor,
no ombro amigo, na cama com o amor.

Chorar de felicidade
queima mas não dói,
é a lágrima doce, natural.

Chorar de ódio
é viver infeliz,sem sorrisos 
e sem objetivos.

Chorar de tristeza 
é adoecer,
sofrer na sombra
sem transparência, sem saída.

Uma lágrima que cai serve 
para alguém te abraçar 
para alguém te estender a libertação.

As lágrimas que banham o corpo
afogam o espírito de compaixão.

Muitas vezes sem saber a quem recorrer,
na dor encontramos o consolo,
onde a esperança vai nascer
e o corpo se fortalecer.

Uma lágrima é reflexão
que brilha como pedra preciosa
e inspira versos,telas,
óperas.

Poema: Marcello Lopes 
Foto: Google

P.S: Nessa vida já chorei muito, por amor, por ódio, por desgosto, por vergonha, e todas marcaram meu rosto criando caminhos sinuosos, escondidos sob os sorrisos, e pior já fiz chorar.