29 de junho de 2010

Entendimento



Entenda que o coração tem um momento
uma história que carrega uma música,
arrasta uma saudade que vive procurando
o mesmo momento sem se acalmar.

Entenda que a pele precisa de um odor,
de um carinho que transforma tristeza em alegria,
que assume um compromisso de natureza amorosa.

A vida nos presenteia com sensações
que nos acordam para o tempo em que vivemos,
para a vida que levamos,
para o amor que buscamos.

Entenda que a boca procura um sabor
mas se a voz falha tecendo enredos,
a ingênua realidade machuca e afasta.

Nossa natureza pede dedicação,
amor e pureza,
das nossas mãos criamos e cultivamos
versos, sentimentos e situações
que escravizam ou libertam.

Entenda que o ouvido precisa
do riso,
do elogio,
da declaração apaixonada.

Que a boca seja feita de beijos,
de frases calculadas,
de pausas forçadas
entre os abismos do corpo.

Por que perdemos esse senso do romance ?

Entenda que é dos olhos
que escorre a beleza desse mundo,
que colhe aos poucos a perfeição de um sorriso,
que brinca com a eterna dúvida da beleza.

Doce brilho da paixão que cessa toda a covardia,
que ecoa nossa voz pelo universo,
físico ou não,
que refaz nossos planos sensatos
e põe fim a nossas aflições.

Entenda que são os pés
que sustentam a vida,
nesse mundo vasto de descobertas e enigmas.

Nesse momento estanco minhas palavras,
peço que abram a janela
ouçam a vida,
acreditem que o amor
pode saciar a sede mais cruel,
é preciso acreditar.

Entenda que tudo que eu falo é real.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

Selos

É com muita honra que esse espaço recebe 2 selos do blog Expresso do Fluxo :


 Tem como objetivo promover a confraternização entre os bloggers. Uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agrega valor à Web. Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras”.




Também tem como objetivo promover a confraternização entre bloggers, unindo a blogosfera.

Em uma das regras desses selos diz que é preciso indicar blogs que mereçam destaque, mas seria injusto da minha parte escolher apenas 15 dos 160 que eu sigo, e levando em consideração que eu os sigo exatamente porque merecem destaque, deixo aqui os selos para todos os que lêem meu blog, todos os seguidores e poetas que fazem minha cabeça na web.

Minha inspiração vem muito das palavras que vocês escrevem.

Obrigado à todos.

Marcello Lopes

27 de junho de 2010

Pensamentos que passeiam
pelas folhas em branco,
uma canção nos campos verdes
sob a chuva da primavera.


O alfabeto da poesia 
descasca os sentimentos 

como o outono nas folhas.

Desmancha as hastes assim 
como faz com os versos, 
friamente iluminados 

pelas cores cinza e azul.

Pensamentos simples e retos,
alterados pelos sorrisos e
por uma canção feita de
luzes e olhos despertos.

Algo de imediato se move,
incentivando as chamas do ato banal.

Nas folhas em branco
uma variedade de sentidos 
e medos carregam dentro de si 
a alegria e a tristeza de ser poeta. 

Marcello Lopes 

24 de junho de 2010

Desejo


Se eu tivesse um último desejo 
desejaria amar, 
e sem medo teria voltado a navegar 
em teus seios,
aprisionado entre as tuas pernas.

Se eu tivesse um último desejo,
seria pular de um precipício chamado
tua vida....

E se sobreviver á queda deitaria-me aos teus pés, 
esperando que o dia estivesse mais luminoso 
e que no entardecer das palavras pudessemos nos abraçar.

Se tivesse um último desejo, 
teria a certeza de decorar a geografia do teu corpo, 
mesmo sabendo que nosso amor naufragaria.

A liberdade que eu desejei em outras encontrei com você,
o amor e a vida igualmente simples
o corpo sempre querendo,
a mente sempre pensando e o coração pulsando.

Se tivesse um último desejo seria o teu amor,
a história de apenas poucos dias mas que comprovou-se ser eterna.

O futuro não passa de metafísica
mas saber que o sol ainda ilumina 
seu sorriso, me inspira.

Despida de arrogância, exata,
tua aparição foi verdadeiramente milagrosa,
tua personalidade torneada pela inteligência e pela maturidade,
fizeram desse poeta,
extremamente feliz e agradecido.

Se eu tivesse um último desejo, 
queria comprovar em meus braços que a tua formosura tem peso e
que nossa paixão guardou a luz que tanto me iluminou. 


Marcello Lopes

21 de junho de 2010

Troca

Troco meus sonhos pelo teu sincronismo.

Quero aceitar a realidade do meu corpo
com a tua forma etérea,
sentir teu universo em comunhão com meus versos.

Troco meu tempo pelos teus sonhos,
onde o tudo e o nada se esquivam do passado
movimentando energias em gestos quase fatais.

Teu tempo ganha uma aura de encanto
toda a vez que a vejo declamar poemas de Neruda,
Keats e descrever com tua voz nosso amor pelos livros.

Toquei a tua pele e partilhei de um olhar 

uma sensação singular
como se eu encontrasse 
minha outra metade,
e assim um desejo inconcebível 
me apossa a alma,
arrebata meus versos,
escandaliza meus pensamentos.
Troco um ano de vida por um beijo teu
e assim vivermos entre arte, versos e literatura,
de beijos, sexo e vinho,
com teu corpo em meus braços
e minha paixão na tua razao.
Troco minha falta de abrigo
pelo encontro casual,
troco o descuido na roupa 
pelo teu perfume intenso.
Nada escapou do tempo
tudo durou muito pouco,
um encontro,
um olhar,
um conto efêmero.
Fiz de ti a minha musa,
minha domadora de palavras
armada de razoes que fogem a uma vida. 
Troco a luz do luar pelo som do teu corpo
se encaixando no meu,
pela brisa das folhas do teu romance 
correndo pelo meu rosto,
troco toda uma orquestra por essa louca intimidade.

Livros, esses seres essenciais no nosso universo, 
mágicos, amorosos e aceitam nossas diferenças,
ainda que minha alma esteja repleta de caos e sombras,
teu pensamento se transformam em seres misteriosos
que dominam nossas noites.

Construimos aos poucos, 
entre suores e orgasmos 
textos e contos cuja paternidade 
silenciam imersos em teus lábios.

Troco a minha inocência pela tua infinita fantasia,
a minha paixão pela tua juventude,
e descubro entre olhares e algazarras 
a felicidade de ter encontrado minha outra metade.
Marcello Lopes

17 de junho de 2010

Ser poeta



Ser poeta é dizer grandes coisas, 
ter uma voz reconhecível.

É misturar sabores, transformar a ilusão em paixão.

Ser poeta é ter o coração aberto,
é ter sensibilidade em transmutar a tristeza em felicidade.

Ser poeta é se apaixonar por todas as musas que inspiram,
 escrever versos que iluminam,
viajar no êxtase de uma nova aventura.

Ser poeta é desenhar o que se pensa,
escrever o que o coração sente,
e expôr o que a pele aspira.

Amor, sonho e realidade.

A tríade que um poeta carrega tatuada em suas mãos,
ser poeta é ser triste quando todos estão felizes,
é estar imerso em doçura quando o mundo
se afoga em fel amargo.

Ser poeta é fazer amor com versos
e sonhar com mulheres que nunca terá.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

12 de junho de 2010

Meu jeito de dizer que te amo



Sorrio com a intensidade dos que nascem abençoados,
olho em tua direção como pedindo tua bênção para renovar minha certeza
de que a eternidade dura apenas os piscar dos teus olhos.

Abraço com ternura fazendo assim meus braços
serem teu baú de sonhos,
sentindo teu perfume,
um leve odor de esperança e alegria.

Caminho com os pés no chão,
com medo de perder as cicatrizes que carrego na alma,
pois foram elas que encontraram tuas suaves e preciosas mãos.

Somos uma sinfonia de acordes soltos e harmonias dissonantes,
és sensibilidade, com o olhar mais profundo que já senti,
sou sonho, cujo dons florescem das mãos e da contemplação do teu rosto.

Meu jeito de dizer que te amo é o céu estrelado,
a serenidade do sono depois do prazer satisfeito,
o amanhã que chega pelas frestas e pela janela,
pela soma da minha alegria com o teu sorriso.

Minha fé recolheu os pedaços do meu coração,
inventou histórias e paixões,
passou horas esquecendo as ofensas,
e anos pedindo perdão pelas falhas.

Compreendi no silêncio repentino
que tua vinda reacendeu todas as chamas,
devolveu-me o brilho ao falar de poesias.

Sou um momento de adrenalina,
enquanto és de introspecção
sou fúria,
és a vida fora da vida.

Meus versos são a medida da luz,
enquanto teus pés abrem as portas do paraíso.

O momento é de eternizar aqui a tua imagem,
transformar em poesia os teus dias,
que sutilmente imprimem marcas em mim
à medida que eu vivo por você.

Não sei fazer mais nada além de traduzir em versos
o que meu sentimentos cantam,
os que os livros que leio me sussurram
e o que teu coração me conta.

Meu jeito de dizer que te amo é embrulhar os problemas
esfriar e apertar as dores,
sossegar tuas carências
e amar a beleza dos teus sentidos.

II

O amor vaza da pele e invade nossa casa
impregnando os móveis,
soprando como uma brisa do mar
rasgando as sombras,
se perdendo nas espumas dos nossos beijos.

Tu és enigma que nunca canso de tentar desvendar,
na abstração que surge entre as brumas e os lençóis
concebo essas palavras acariciando teu rosto
com toda a sinceridade.

Não respiro sem ti,
vivo para te amar
concentrando em minha vida o amor e a lealdade,
todos os dias.

Grito em tons vermelho e azul a minha saudade por ti,
estremeço pela perda temporária e invejo os casais
por alguns segundos,
extraio então duas ou três palavras de alento
e entre flores e beijos,
encontro-te adoçando novamente minha vida.

Não me envergonho das coisas que digo,
nem dos suspiros que surpreendido sinto ao teu lado,
tua boca tem o gosto de morangos
que me encanta e embriaga.

Meu jeito de dizer que te amo é assim,
de face envergonhada me coloco a sonhar
que estás deitada graciosamente ao meu lado
apaixonada pelas minhas carícias,
debruçada em meus lábios,
me ponho a sonhar assim para dizer que te amo.

Concilio minha vontade de homem
com tua responsabilidade de mulher,
sem os fatalismos do ciúme e da possessão.

Não tens o peso das correntes da submissão,
nem muito menos os problemas da cegueira
que aprisiona e enlouquece outros casais.

III

És livre por esse caminho da vida,
e meu amor por ti é consequência lógica
do teu plantio.

Tê-la ao meu lado é cumprimento do destino que tanto sonhei
e renasço em teu seio para o bem e nossa elevação,
impelido pelos teus sentimentos e pela minha experiência.

Meu jeito de dizer que te amo é assim,
livre e consciente,
recaio sempre nos versos repletos de sabedoria e amor
cuja posse perco assim que os escrevo
abrindo-lhe a porta do meu destino.

Conquistei essa alegria exercendo a liberdade de escolha,
através da tua jornada pudemos preparar nosso destino
ardente e digno.

Essas inspirações que me fortalecem o coração,
vigiando-te no sono, na vida, e no amor.

Aqueço meu coração com teus fluidos vivificadores,
que são para mim o farol aceso na noite
para a minha salvação.

Meu jeito de dizer que te amo é assim,
agradecendo aos céus, às musas e aos anjos
por permitirem que teus lábios derramem
seu mel em minha vida.

Enquanto amo, os sóis se acendem
os mares servem de teatro aos deuses submarinos
e os continentes consolam os meros mortais.

IV

Amar outro ser humano é nascer para o bem,
apreciá-lo de maneira justa conhecendo e
admirando o valor,
conquistando aos poucos os espaços do corpo,
da vida.

Tuas leis regem meu universo,
exercem sobre ele emoções ilimitadas,
e desenvolve-se enquanto me elevo.

Tua liberdade me assombra
sem exigências me aceitou
e reparou minhas desordens.

Te amo assim,
ilimitado e invariável.

Minha visão era limitada e imutável,
quando te encontrei sabia que as ordens do meu universo
mudariam,
dobrando-se aos teus desejos, 
espantosamente feliz.

Me afastei de todo o sofrimento,
destruí todas os males
que meus desejos primários tiveram
e teus seios domaram meus vícios.

Meu jeito de dizer que te amo se torna suscetível à tua vontade,
não ignoro mais teus olhares de infalível doçura,
és minha companheira indispensável.

O meu amor é consequência dos teus atos,
puramente livre de resoluções,
sucede-se pelas diversas encarnações,
aceito a vida sob as tuas condições.

Meu jeito de dizer que te amo é assim.

Marcello Lopes

11 de junho de 2010

Gestos Mínimos


São os gestos mínimos
quase imperceptíveis que dissipam minhas ilusões,
mas não a indomável vontade de sonhar.

São os movimentos dessa vida
formando traços angelicais,
que se formam um poeta.

Marcello Lopes

7 de junho de 2010

Amor



Ele não deseja nosso abandono.

Nos pede para segui-lo durante nossa história
valorizando o entendimento de cada instante,
ensinando a todo o momento.

As estradas que atravessamos são interrogações,
que devemos conduzir sem esmorecer,
mesmo sabendo que no final vamos sofrer.

Ele solicita nossa adesão nas pequenas e grandes
situações que somos levados à participar,
afinal é parte imperativa da vida
que se sofra, aprenda, e assim comece a amar.

Se estivermos interessados em nossa própria evolução,
ele nos oferece alternativas,
consolo e nos revela desde o princípio os obstáculos
que tentarão nos barrar, mas junto dele
e com livre-arbítrio vivemos
nossas vidas formando uma unidade,
que só pode ser vislumbrada
pela riqueza da nossa experiência.

Mas se não o aceitamos de bom grado,
a estrada se mostra soturna
sombras, solidão, sucedem-se todo o tempo
frente aos ignorantes e descrentes onde tudo
que encontram é a dor e o ranger dos dentes.

A aceitação por si só não é suficiente,
precisamos concluir nossa viagem
de irremediável solidão,
nessas estradas onde os abraços se calam
e as palavras perdem sua forma,
oferecendo aos nossos irmãos nossa ação,
afeto e compaixão.

Quantos se perderam no frágil crepúsculo ?
Perderam-se de modo melancólico
porque abraçaram a ilusão dos metais dourados,
das vestes brilhantes, do frágil poder temporário.

A beleza do objetivo conquistado
só pode ser apenas imaginado por nós,
porque estamos apenas à beira do umbral
onde avistamos brevemente o ponto de partida,
o vértice esclarecedor.

Sem ele, o silêncio
e a recusa das respostas
são tudo que encontramos.

De posse dele,
podemos ao longo da jornada
exilar-nos da fortuna, das multidões,
porque assim diminuiremos fisicamente
mas crescermos espiritualmente
e assim conseguiremos ascender
à beleza e glória
em um adeus sem tristeza.

Autor: Marcello Lopes

P.S: Nesse poema quis representar o que significa o amor de Jesus em nossas vidas, independente da religião que praticamos, ele (amor de Jesus) nos cura mas não totalmente, porque se não houver mudanças internas não há salvação.

5 de junho de 2010



Eu vi quando tua face ruborizou
e em tua boca se derramou
uma gota de chocolate
brilhante, 
riscando teus lábios
deslizando em tua língua.

Eu vi quando teus olhos brilharam
enquanto degustava o sabor do doce
desenhando figuras no ar,
procurando me provocar.

Cheguei mais perto e percebi
que uma gota se derramou
em teu seio,
sorri e confessei meu desejo.

Eu vi quando tuas mãos afastaram as minhas,
revelando suas intenções,
beijando-me lentamente o queixo.

Tua expressão mudara,
irreverente no início
teu olhar era de desafio feminino.

Bendita gota que me aproximou dos teus poros !!

Levo em minhas mãos o cheiro
e os sabores que degustamos juntos,
quentes, delicados.

Transpiramos versos belos
nos lembrando dos sabores amargos,
bebemos vinhos encantados
gritando frases desconexas,
como se fossem
poemas declamados.

Deitados no sofá
envolvidos nessa fonte de prazer,
sentimos a brisa perfumada
de uma nova primavera
juntos encontramos o paladar revigorado
por esse momento compartilhado.

Eu vi quando tua boca saboreou a minha,
e lentamente escorreu dentro dela
teu líquido doce e escuro,
revigorando-me.

Ignorei todos os avisos,
todos os sinais e abençoei a gota
que me aproximou dos teus poros !!!

Depois desse dia,
vivo no espanto
de acordar e sentir a boca com gosto amargo
fazendo no meu peito um estrago
que vai misturando desejo e lembranças.

Eu vi quando o desejo borbulhou
e nos cobriu de energia brilhante,
e a tentação nos consumiu num instante.

Marcello Lopes

P.S: A Nanda propôs outro tema para um poema, Chocolate e Vinho, não consegui conciliar os dois de uma forma perfeita, espero que vocês gostem.

4 de junho de 2010

Romance Sobrenatural



Tua vida não nasceu de um corpo materno,
mas de uma vibração luminosa
que continha todas as possibilidades.

Criou-se em meio à nuvens
escondendo-se de todos
os sabores da vida e da pele.

Meu corpo estava em transe,
girando pela sala,
buscando uma metáfora,
uma palavra que me fizesse inventar outra vida.

Então teu corpo surgiu,
ardendo em desejo,
com os lábios rubros e sedentos
de fogo, de sangue.

Teu aroma desfazia o vento,
e eu ainda lento
não notei teus intentos.

Inventei sentidos,
suspirando fórmulas,
desenhando equações
para provar que o real
era sonho.

Como uma tormenta
tuas mãos me derrubaram,
descobrindo meus cantos,
rubores e suores.

Nunca amei assim.

Teu mundo é de fogo e mistério,
composto de dor e perfeição,
tua boca enlouquecendo minha pele,
tuas mãos acelerando minha pulsação.

Me rendi,
e em teu corpo encontrei
o que existe entre o real e o extravagante,
entre as sombras e o céu azul.

Não entendo tua língua,
somos como duas notas musicais
que não se compõem a mesma sinfonia,
dois mundos tão complexos que desisti
e enfim me calei,
e te amei.

No raiar do dia
teu corpo não era mais visto
apenas o rastro de um coração imperfeito,
frenético e fascinado.

Em teu mundo surreal
encontrastes a reinvenção da tua pele,
vivendo por segundos na minha,
engravidando de versos e doçura,
comungando com um mero poeta
teu corpo celestial.

Marcello Lopes

P.S: Nanda é para você esse poema.

2 de junho de 2010

Nesses teus movimentos


No pulsar do teu próprio corpo
a música alucina.

Na noite densa, ouve-se um regozijo,
são teus pés deslizando pelo chão
construindo tua fama e destruindo meu coração.

Nesses teus movimentos todos os males são superados,
em tuas insinuantes mãos rodopiam universos
em teus gestos, destinos são consumados.

Ao som do oud e da cítara,
acompanho tua cintura
tuas pernas hipnotizando meus desejos
acordes e harmonias ganham vida com teu corpo
em vestes rubras de sangue e paixão.

Nesses teus movimentos teus cabelos ganham vida,
me desafiando,
me aproximando cada vez mais dos teus rodopios.

És minha perdição !!!

Na dança espontânea faz teus gestos,
dominando os sons, as cores, os olhares.

O som aumenta,
cria-se chamas que absorvem teu suor,
o sangue ferve e as mãos delineam versos
que os ouvidos não percebem...

Nesses teus movimentos
que transformam a fantasia e a dança em gestos de luz,
onde teus traços fugazes alegram o ambiente,
harmonizando as mentes,
acalentando os corações.

Esse teu ritmo que invade meu espírito,
colore de rubro a minha poesia,
orando para que meus devaneios nunca cessem.

Teu quadril encanta,
cadenciando minhas mãos,
aumentando as rotações,
transmitindo a emoção
como se fosse uma oração.

Nesses teus movimentos
cria-se uma luz intencional,
que derruba os imprevidentes,
e transforma os incrédulos.

Te amo quando danças,
transformas teu próprio corpo em folha em branco,
sonhando vestir meus versos.

No salão vestes a roupa que engana,
que fustigas em minha cama
são apenas movimentos
libertando-se para me amar
plenamente.

Paixão sublimada quando integrada à dualidade versos-dança
minhas mãos-(teu)corpo.

Nesses teus movimentos
libertas a fúria,
o êxtase e as energias se dispersam
no balançar dos teus pés.

Quando danças tudo é sublime,
teu corpo inteiro ama de verdade,
se libertando das decepções,
dos falsos prazeres.

Enquanto teu corpo se desdobra em movimentos efêmeros,
e tua graça dispersa as sombras,
sonho com teu carinho.

Nesses teus movimentos
o teu olhar apreende minha atenção,
exigindo fidelidade absoluta,
ensinando-me sobre o tesão.

Ser iluminado,
minha amante vacilante
de longos cabelos dourados
de etéreos sussurros.

Nesses teus movimentos
contemplo dolorosamente as tuas coxas vibrarem,
teus seios faiscarem como em um sonho bom
que se oferece quando dormimos levemente.

Quando danças,
teus lábios carregam uma doçura jamais vista,
jamais experimentada.
teus olhos exprimem uma felicidade
jamais traduzida por versos,
por crônicas ou canções.

Nesses teus movimentos
as jóias que carregas no corpo
luzem na cadência do calor
que provocas.

Nessa cerimônia musical
teu destino é dançar,
minha sina é te amar.

Meu amor é mistura de admiração
respeito e tesão,
um mistério insondável de natureza poética.

Dança insaciável pelo salão,
revirando a atmosfera
transformando energia em dança,
movimentos em orgasmos.

Poema: Marcello Lopes