30 de agosto de 2010

Corpo



O corpo
como fugitivos das regras,
experimentando a confusão
pela presença intensa do desejo.

Desejar é fazer, 
sentir é buscar sintonia com um corpo,
criar novas vontades,
escutar o que a pele pede.

Somos corpos aprendendo a fazer novas conexões,
produzindo outros afetos, 
prazeres diferentes.

Um corpo que chora,
não de tristeza,
de gozo,
de existir.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

Estátua



Construí monumentos à minha paixão,
quando deveria ter erguido aos meus fracassos.

Poema e Foto: Marcello Lopes
Foto: Museu de Arte da Pampulha - Bh

26 de agosto de 2010


Arrebatado pela música,
só depois notei os olhos marejados
e as mãos trêmulas.


P.S: Os sonhos bons podem acabar de uma hora pra outra, mas o arrebatamento permanece pra sempre.

Foto e Poema: Marcello Lopes
Foto: Homem tocando flauta no Museu de Arte Moderna da Pampulha - Bh

21 de agosto de 2010

Sonho



Terminamos nosso passeio sentindo o vento,
de mãos dadas aos nossos desejos,
cada um com o seu.

Marcello Lopes

14 de agosto de 2010

Hoje é sábado


Hoje é dia de solidão.

É a solidão de um poema,
de um concerto de Mozart,
de uma tela de Coubert,
é a solidão de um vinho encorpado,
de uma lareira,
a de uma conversa entre dois amigos,
da cama desfeita pelos corpos que se respeitam.

Hoje é dia de sentir-me desafiado,
pela inércia dos sentimentos
pelas cores cinzas que insistem em colorir meu quarto
e em pintar com tons escuros meus sentimentos.

Hoje é dia de contemplação
de assistir a vida através das partituras de Chopin,
valsando pelo quarto lembrei-me de você
nas rapsódias esqueci de mim mesmo,
durante as mazurkas te amei mais ainda.

Hoje é dia de silêncio
das vozes dissonantes que existem em mim,
vozes que vêem do coração,
da pouca razão
e da lembrança de nossa falecida paixão.

Hoje é sábado,
dia de sonatas,
poemas e vazios.

Hoje é dia de lembranças doces,
dos seus sorrisos,
das suas carícias
da minha vontade
e da sua verdade.

Hoje é um dia onde a música,
onde os versos me preenchem
dia que tudo é poema
desde os cantos dos pássaros
até o silêncio da casa vizinha.

Hoje, minha querida
é minha missa réquiem para o nosso amor,
a lacrimosa pelos nossos momentos mais ternos.

A intensidade me invade,
não sei ser diferente
o amor é algo que me liga
às dimensões mais altas do meu ser,
como negá-lo ?

Hoje é dia de poesia,
de um tempo ocioso
onde penso na noção exata do meu querer,
de uma história eternizada pela doçura
e pelo encontro de duas almas parecidas.

Hoje é dia de solidão.

Poema e Foto: Marcello Lopes
Foto: Fonte na Praça de Poços de Caldas

12 de agosto de 2010



Hoje o céu tirou-me do silêncio,
lavou-me a saudade
recebeu-me devagar.


Texto: Marcello Lopes
Foto: Marcello Lopes (Savassi - BH)

Deixe-me


Deixe-me tocá-la um pouco
abaixe suas defesas,
não quero só a sedução do corpo
mas de todo o teu mundo.

No amor tudo pode se equilibrar
temos um potencial infinito para sermos felizes
só basta que você me deixe tocá-la.

Trago os versos que comovem,
um agrado para nosso caso
mas no fundo sei que um amor
só de palavras não tem a textura perfeita.

Deixe-me tocá-la
olhando realmente para quem você é,
renunciando as aparências,
reconhecendo nossas coincidências
e aceitando nossas essências.

Tive a sorte de encontrá-la quando tudo mais desabava,
nas fendas do teu corpo encontrei magia,
triunfando sobre a tristeza brutal que me assombrava
a sua doçura me reverenciou em acordes cristalinos.

Nada tenho pra te dar a não ser meu amor,
nada tenho pra te cobrir a não ser meus beijos,
não tenho nada que te faça mais segura do que meus braços.

Vaza na minha pele seu suor,
colore minhas mãos tuas longas linhas faciais,
na angústia de te possuir uma música nos embalava
desanuviando o medo vago do futuro
sufocando o terror do desconhecido.

No amanhecer rompemos com o fio da espada
as decepções do passado,
nos queimando em labaredas de esperança.

Deixe-me tocá-la,
abaixe suas defesas e se entregue.

Resplandecerá assim a luminosa vontade
de estarmos juntos todos os dias,
sacrificando as sombras
recordando sempre que dispersamos
aquele trêmulo pressentimento de desastre.

Esse calor desmedido que eu sinto quando estou contigo,
dobra a razão,
se estende pela cama,
inventando cores e harmonias
criando versos atônitos e cumplicidades silenciosas.

Deixe-me tocá-la,
e assim partilhar dessa tua alma enigmática,
que não canso de tentar desvendar.

Roubei um verso,
fiz das luzes alheias um regato
onde com um fulgor desesperado
contenta-se em derramar-se em teus pés.

Quero teu sorriso dialogando com minhas mãos,
quero teu afeto entorpecendo meu olhar
nossos olhares se tocando
murmurando confidências e assombros.

A textura da nossa paixão 
se encontra gloriosamente em nossos lençóis,
dialogando com as espumas que fazemos
fazendo sentido na brisa do mar
e ocultando significados de quem
não acredita no amor.

Quero tocá-la com o coração límpido,
dormir nas brumas dos nossos abraços intensos
e acariciar seus pés descalços.

Quero soltar minhas carícias ao vento,
como os pássaros que não vivem sem voar,
meus versos não vivem sem te amar.

O destino não espera nem lembra,
encanta e intimida,
nos faz acreditar sem ver,
amar sem saber.

Deixe-me tocá-la
como uma rara expressão de admiração,
tocando cada parte do teu corpo com cuidado
como uma métrica perfeita do prazer.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

10 de agosto de 2010

Quando por um momento



Quando por um momento
parei de brandir minhas armas
comecei a entender o amor,
um sentimento que frutifica,
isento de egoísmo
que nasceu da virtude
reproduzido sem alarde
sem privilegiar um coração
em detrimento do outro.

Quando por um momento
fui tocado pela idéia
de uma frenética vontade
de exaurir minhas forças
em teu corpo, em tua vida,
encontrei novas fontes de energia
para dar continuidade à felicidade.

Quando a bolha de ar que nos ampara vacilar,
estaremos de mãos dadas como
se o tempo esperasse nossa
queda e com mãos delicadas
nos protegesse do impacto.

Percorrendo esse caminho em silêncio,
me libertei das fantasias e dos desejos infundados,
delirei sobre a ousadia de querer sempre mais,
me soltei das amarras do preconceito e
pulei os muros das futilidades.

Quando no momento em que
eu precisava desesperadamente
do vento que carregava minhas palavras
e escondia minha tristeza,
encontrei entre os sussurros
o movimento dos seus olhos,

Que já sei de cor.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

8 de agosto de 2010

Poesia



Poesia é cem coisas ao mesmo tempo,
é a busca por um rosto gentil,
é a esperança de que a máscara se torne o rosto,
é sonho e a desordem encerrada na mais pura ordem,
são os delírios da volúpia e as sensações de um homem.

Poesia é emblema de sofrimento e gozo,
é prazer incansável, compulsivo, suicida.

Poesia se forma com a energia de uma vida,
áspera, mentalmente severa repleta
de imagens sensuais,
de nus e de atos heróicos.

Carrego na pele a tranqüilidade insone
que aconchega e protege,
onde o prazer e o amor se misturam.

Todos os versos são carnais,
mas os meus não perdem a leveza,
são impossíveis e tocantes,
com contínuas trocas de identidade
cedendo ao toque dos lábios.

Poesia é uma ciranda incessante,
onde os amantes se encaixam
nas emoções que lhe correspondem.

Na poesia o poeta assume a máscara,
imerso na graça das virtudes,
na beleza das mulheres,
jogos complicados que fluem na vida.

Cultivo nas minhas poesias ensinamentos
e densidades que são sublinhadas
pelo prazer dos sentidos,
falo de amor em toda a minha vida,
porque fui criado por ele.

Marcello Lopes

4 de agosto de 2010

De uma cor púrpura

Para Viviane.

A possibilidade de amar foi sempre o meu reconhecimento
de cores suaves,
do esboço que minhas mãos fizeram do teu rosto,
ao perceber que aos poucos dimensões se abrem justificam
todas as ações para te conquistar.

Os melhores momentos são
de intensidades diferentes,
que afetam meus pensamentos,
como um clímax no ego que obscurece o egoísmo.

Essa impossiblidade de te amar desaparece
quando repito os votos de felicidade,
que nascem de cada erro, e crescem a cada sorriso teu,  
repleto de detalhes sentimentais e inteligentes.

A fragilidade das relações
que nem sempre vendem alegria
e são sempre medidas pelo que se tem
e não pelo que se é,
me transforma e educa.

Essa impossibilidade de amar cresce
apenas nos corações repletos de sombras,
assim regresso às origens amorosas dos poetas sensíveis,
onde em cada murmúrio se transforma em dança, cada choro contido,
se eterniza um verso.

Deságua uma calma em mim
com a leve sensualidade das tuas lágrimas
que minhas mãos transformam
em diamantes fragmentos cintilantes da tua emoção.

Uma tempestade me impede
de caminhar ao teu lado,
mas é uma questão de tempo,
de pele, de sonhos
onde corpos flutuam
e intimidades ondulam.

Essa impossibilidade de amar
é estranha a minha juventude,
onde acolho de bom grado
as honras do teu refúgio íntimo.

Doces memórias dos teus talentos,
das músicas que refletiam meu desejo,
das luzes mágicas que
iluminavam nossas palavras.

Hoje me calo diante da possibilidade
de não te amar,
com medo do silêncio,
denunciar esse pensamento,
com medo do vazio da cama ler essas poucas palavras.

Mas eu sou poeta
e colho nos versos o que me dói
no pensamento,
nas mãos e na pele.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

P.S: Essa impossibilidade é algo que nos desafia.