30 de setembro de 2010

O Sol





sol se põe no teu corpo
finca minhas raízes na natureza da sua pele,
nutrindo-se de lágrimas, beijos e orgasmos.


O sol se põe no teu corpo
pequenos versos refletem o sentido profundo
que tua imagem inspira.



De forma sutil contempla meus esforços
entrelaçando tua vida na minha.



Marcello Lopes


Foto: Autoria Desconhecida - Fonte: Google

25 de setembro de 2010

Cegueira



Minha vista nada pode revelar,
os navios carregam minhas bagagens
malas, bandeiras, cartas e discos,
sentimentos, desejos e acordos.

Minha vista nada pode vislumbrar
o destino que tudo isso terá, 
malas, bandeiras, cartas e discos.

Sigo o meu destino tateando 
cada palmo dessas páginas amareladas 
da minha vida, carregando comigo apenas a alma, 
com o peito encharcado de lágrimas, 
de sal,de tempo.

Minha vista nada pode ocultar
já que hoje os sorrisos são amargos,
a separação que sinto dos lábios 
que me acariciavam o rosto,
e agora já beijam outros lábios.

Minha sala é feita de lembranças, 
minha mesa foi talhada na madeira da espera
minhas roupas tem os vincos endurecidos, 
por causa da solidão.

Minha vista já não reflete o semblante 
alegre e vistoso da juventude,
os navios que carregam minhas bagagens 
já são apenas imagens.

Reza a lenda que dor 
só dói se for de amor,
e que dor maior 
é do corpo apartado 
do corpo amado..

Minha vista agoniada, 
partida e ferida pela despedida
pede lembranças,
suplica imagens da amada
do corpo feito de espuma
das promessas levadas pela maré.

Me despi do vento,
prometendo não voltar
encharcando meu coração 
de espanto e versos 
pra dor afogar.

Minha vista já não pode espreitar
a mensagem que o amor pode mandar, 
nesse abismo de silêncio e saudade
tudo que eu posso lembrar 
é da nossa felicidade.

Marcello Lopes
Foto: Francis A. Willey

24 de setembro de 2010

Na palma

Henri Cartier Bresson

Na minha palma, alma que a ti abraçada apenas vicia.

Na minha pele teus dedos cruzando, amaciando, e ainda de coração doendo continuas dançando.

Vou te amando assim pelos meios, fins, objetivos poéticos e sem sentido de versos disléxicos.

No meu ouvido, jazz , gemidos e tua língua que é fonte de prazer, que sacia minha sede de sexo, de febre.

Na luz da lua, o que brilha é tuas delicadas mãos nuas, na minha transa o que me excita são teus pés
cobertos de chamas.

Quero arder na tua própria geografia me perder, assim sem querer me ver.

Marcello Lopes

22 de setembro de 2010

Música


Teu corpo é a música que aproxima nossos corpos,
é sinfonia que arrasta minha alma.

É Mozart embriagado de amor,
um sobressalto de felicidade,
mãos entrelaçadas e espanto.

Teu corpo é música.

Marcello Lopes
Foto: Google

Tempo


Gastei as pedras,
percorri caminhos em inúteis esperas.

Gastei o silêncio com palavras não ditas,
murmurei infinitos versos.

Gastei o tempo em gestos
e promessas vãs.

Marcello Lopes
Foto: Joana Silva

Desordem


É tua boca que cria as turbulências
que desordenam a minha vida.

Marcello Lopes
Foto: João Castro

Vício


De todos os vícios,
teu corpo é o mais intenso.

Marcello Lopes
Foto: Daniel Pedrogam

19 de setembro de 2010

Dança


Nesses teus movimentos,
te devoro entre versos insinuantes,
acordes hipnotizantes
assim cadenciamos o universo.

Marcello Lopes
Foto: Klaus Kampert

16 de setembro de 2010

Afeto Literário


Eu te vejo entre almofadas

lendo o tempo todo, enquanto chove e as cinzas de um dia se assentam pela cidade.

Eu te vejo serena e lânguida mastigando as linhas de um romance, desbotando as cores das páginas
com suas linhas mestras, estabelecendo sentidos e sentimentos nas raízes literárias.

O meu desejo é encontrá-la, após um longo dia com a necessidade de revelar suas leituras,
suas impressões fazendo assim que os personagens fictícios continuem cada vez mais vivos.

Eu te vejo aprofundando seus conhecimentos, resolvendo seus impasses, sorrindo entre as páginas
no retiro da alma e no sossego do corpo.

Eu te vejo solta, leve, lendo poesias, recitando pela casa Borges, exalando em tua pele o gosto e o som dos modernistas.

Teus pés que me levam à loucura e hoje me mostram o caminho dos textos que compõem a tua formação, entre as estantes reencontrei tua paixão.

Eu convivo com poetas, escritores e mestres mas hoje guardo na memória, nos rascunhos dos cadernos,
cada frase tua,  cada nobre prosa.

Te vejo pelos espaços onde os livros habitam, na varanda lemos Goethe e Mallarmé cercados de entardeceres e flores, e em vez da simples exaltação, somos inspirados por um sentido mais pleno de paixão.

Eu vejo teu olhar que apreende essa metrópole sei que tua imaginação constrói uma civilização atemporal,
baseada em literatura, poesia e arte, por isso nada peço senão a eternidade ao teu lado.

Lendo um livro contemplamos uma rosa e caminhamos nos pátios, traduzimos os subúrbios e assim assumimos o contorno da cidade, a literatura tem sobre nós um efeito avassalador.

Eu te vejo elaborando um texto, uma carta com palavras que eu conheço e que me são caras, definindo o amor, a mágoa e a dor.

Nossa vida está contida em um mito dilatado, conhecido por uma única palavra, livro.

Minha cidade natal é aquela que leio, os anseios que tenho não são meus, corto os sentimentalismos
e pulo as interrogações, reescrevo os excessos.

Quando eu te vejo escrevendo significa que estou te descobrindo, me resignando ou me corrigindo,
examinando tua condição de ser uma humana afetivamente literária.

Eu tenho meus fantasmas, são parte do meu roteiro, suscitados pelo romances fracassados e ficções exasperadas.

Mas é teu corpo com paixão e veemência que responde minhas dúvidas que nenhum ensaio ou aforismo consegue.

Eu te vejo refletindo sobre suas experiências literárias provocadas pelos anseios e pela ingênua realidade,
vejo o essencial em teu ser, compor tua vida é obra engenhosa de um fidalgo.

Eu te vejo assim, atordoante me virando completamente do avesso essa é a melhor sensação que alguém pode ter.

Texto: Marcello Lopes
Foto: Letícia

14 de setembro de 2010

Experimento


Experimento teu amor como se fosse o céu,
vejo sua alma e seu corpo nus,
marcando minha vida em uma fascinação apaixonada
que abraço as memórias e as guardo em uma canção
que desliza na tua boca e paira no meu coração.

Marcello Lopes
Foto: Google

13 de setembro de 2010

Inveja



Desgosto pela tua felicidade,
nem admiro as tuas habilidades
sou injustiçado !!!

Tenho reais possibilidades de ser melhor,
de ter mais,
de ser mais que ti.

Ardo por dentro,
impossibilitado de te deter
de te fazer sofrer.

Como dói tuas conquistas,
teus olhos brilhando a cada vitória,
me mata essa ansiedade
de te ver caído e enlameado.

Marcello Lopes
Foto: Google

P.S: A inveja é um dos sentimentos mais hediondos que existe, na inveja estão contidos tantos crimes e injustiças que se perde a conta.

Frágil Despertar


Foi preciso nosso amor terminar para
que eu enxergasse o que você me ensinou.

Marcello Lopes
Foto:Google

10 de setembro de 2010

Te ter verdadeiramente



O amor é como fugir no tempo,
torna-se eterno através dos versos,
e da cura que tuas mãos me causam.

Eu nasci entre versos e ilusões
e te encontrei perdida entre palavras
e promessas vazias,
que chacoalhavam teu corpo inteiro.

Na música que ecoa em minha vida,
são os teus arranjos que me embalam,
desaguando na claridade da página em branco.

O amor é metade loucura,
a outra metade não sabe o que sente.

Te escolhi pela pele,
pela luminosidade do teu sorriso
que cegou minha pupila
e inquietou meu espírito.

Na alegria diante de todos os gestos,
algo muito maior apareceu entre nós,
doando-se sem reservas,
cobrindo tudo com sua beleza.

E quando teus lábios acharam o caminho dos meus,
pude enfim te ter verdadeiramente.

Marcello Lopes
Foto: Google

Poeta e devaneio


O devaneio do poeta é maior que sua vida,
do que os homens,
maior ainda do que o seu amor.

Escreve como ama,
declama como vive.

Sempre dá mais do que recebe,
é desejo e ardor em cada sílaba,
é chama em cada estrofe
é amar mesmo sabendo da dor.

É ter fome de paixão,
sede de romance
infinita ventura poética !

Nas manhãs condensa o pensamento
em um sorriso,
na noite em um grito.

Poeta é assim,
amar perdidamente
alma, sangue e corpo.

Marcello Lopes
Foto: José de Almeida

P.S: Poema inspirado por Florbela Espanca.

8 de setembro de 2010

Cais



Caminhe sempre,
descubra o que é preciso para encontrar a felicidade,
transforme a dor em escola,
o ódio em introspecção
e a paixão desenfreada
em um momento fora da vida.

Busque o seu cais,
capte o momento de emoção,
seja na memória ou na poesia,
lembre-se de que o negro não é medida de luz
e que o amor abre as portas do céu.

Carregue entre as mãos um livro,
seja ele qual for,
pense antes de sentir,
sinta antes de agir.

A paciência é uma virtude que se aprende,
respeite as perguntas sem resposta em sua vida,
busque solução para os problemas de hoje
e deixe o futuro para os astrólogos.

Já dizia o poeta que a vida é assim:
esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.

Encontre seu cais e com um sorriso no rosto renove as certezas,
abrace com ternura e colha a eternidade através da felicidade.

Marcello Lopes
Foto:José Boldt

5 de setembro de 2010



Entre a turbulência dos dias
e a desordem das noites
te inventei.

Transformando tua imaginação
no pulsar do meu próprio ser,
moldei teu rosto soprando versos e desejos.

Entre a chuva e o sal das lágrimas,
te amei.

Gerando em meu peito segredos e alucinações,
murmurando uma canção antiga
pude enfim dar a razão ao teu amor.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google