30 de outubro de 2010

Sonata


Minha querida,
o amor começa pelos semi-tons
anunciando o aprendizado.

Nos acidentes musicais sussurram
segredos, versos e espantos.

Permaneço inspirado mesmo entre os intervalos,
preenchendo os meus vazios com sua imagem.

Modulo seu orgasmo em oito compassos,
repletos de arco-íris e sorrisos.

Escrevo assim à margem do verso
acolhido pelo seu rubro abraço.

Marcello Lopes
Foto: Google

25 de outubro de 2010

Som


Transita entre corpos clandestinos
lamentando sua dor,
em transe.

Marcha varrendo o tempo
em que segredos eram máscaras.

O coração é um lugar desconhecido,
repleto de caminhos sentidos
e amores consentidos.

Entre açoites e dores
jaz em todos nós um som juvenil
para além de todo corpo pueril.

Marcello Lopes
Foto: Google

23 de outubro de 2010

Céu


Abre a porta com carinho,
e a passos ligeiros se aproxime
deixe a lágrima do céu pousar dos sonhos
e aos poucos teu corpo desvendar.

Marcello Lopes
Foto: Google

20 de outubro de 2010

DIA DO POETA



Hoje é dia do poeta.


Parabéns à todos que encantam essa vida. Em especial um beijo à todos os poetas que eu leio (estão aí na barra lateral).

  • Sandra Leite
  • Lara Amaral 
  • Lou James
  • Letícia Palmeira
  • Marcelo Novaes
  • Ribeiro Pedreira
  • Deborah Simões
  • Vivian 
  • Filipe
  • Toda a Confraria dos Trouxas
  • Diálogos Poéticos
  • Renata "Doce" Aragão Lopes
  • Mariana Noronha 
  • Paula Figueiredo
  • Renata Luciana
  • Sabrina Davanzo
  • Tempestade
  • Nydia Bonetti
  • Eder Asa
  • As meninas talentosas do Maria Clara
  • Ogatodaodete
  • Patrícia Porto
  • Pedro Ramúcio
  • Felicia Pensamentos Soltos
  • Ademir Gerreiro 
  • D.Magni
  • Poesia em Foco
  • Lau Siqueira
  • Rafaelle - A escafandrista
  • Luiza Mara
  • Ricardo Kersting
  • Maria Flor
  • Majoli
  • Ari Mota
  • Mariana Botelho
  • Niemi Hyyrynen
  • Alan Salgueiro
E à todos os outros poetas que eu ainda vou descobrir nessa minha aventura virtual.

Marcello Lopes

19 de outubro de 2010

Melancolia


Prendeu-me com seu sorriso,
arrebatou-me com sua inteligência
me atraiu com seu corpo liso.

Agora as raízes que viviam entrelaçadas 
morrem pálidas jogadas pelo caminho.

Consolou-me com seus versos vermelhos
ocultos sob um véu pueril.

Agora as lágrimas descem tristemente
dos olhos, das mãos, dos céus.

A dor é uma rosa da manhã
que tem o esplendor efêmero
e a lembrança perene.

Marcello Lopes 

Sorriso



Tua felicidade é tanta que me desperta o desejo de viver a tarde com todos os mistérios ao teu lado,
tua vida é pura e solene, com tua pele matizada por inúmeras cores.

Teu sorriso é traçado pelas descobertas fascinantes que a vida te apresenta,
caminhos, descobertas, amores.

Tive um sonho onde eu caminhava ao teu lado, marcando com meus versos os teus passos,
pintando teu corpo com os mais profundos sentimentos.

Teu sorriso é caminho de águas serenas que apontam para o coração, o meu e o seu.

Marcello Lopes

18 de outubro de 2010

15 de outubro de 2010

#1


O dia amanhece, o vento sopra e balança a janela como querendo nos acordar, viro e me afundo em seus cabelos negros com cheiro de paz.

Sinto seu sorriso se abrir e seus olhos percorrerem o quarto repleto de livros, papéis soltos, roupas jogadas no chão vítimas silenciosas do nosso tesão.Vira-se pra mim e me beija nos olhos, manejando suas mãos em meus cabelos, esses tão escassos e tão agradecidos.

Sinto sua pele arrepiar em contato com a minha, você ri ingenuamente e se levanta procurando o que vestir, encontra minha camisa jogada em um ângulo estranho que só os gestos apaixonados podem refazer.

Caminha levemente em direção à cozinha, deixando de propósito a porta aberta para que eu ouça seus movimentos.

Sinto cheiro de café, aroma das manhãs apaixonadas, sinto cheiro de laranjas recém colhidas com suas flores adornando suas tigelas.

Adormeço com o silêncio da casa e segundos depois sou acordado pelo leve roçar dos seus cílios em meu rosto, meu perfume no seu corpo retoma minha consciência.

Na bandeja café, flores e um verso.

Nos seus olhos o desejo incontrolável de abrir a janela e dar boas-vindas ao dia.

O sol se encarrega de espantar o que restou do nosso sono, as ondas trazem aos nossos ouvidos a realidade, e percebo que ao seu lado a vida é carregada de significados.

Seu corpo cola na janela, absorvendo todo o ambiente, luz, o som das ondas, a textura da areia que se arrastou até nós durante a noite.

Mesmo de costas pra mim posso ver seu sorriso como se aquele momento fosse irremediavelmente perfeito.

E nada me embriaga mais que a sua felicidade.

Carrego nas mãos o verso e uma flor, declamo levemente a beleza da flor e enfeito seus cabelos com o verso.

Você se despe da camisa, veste uma bermuda, uma camiseta e me toma a mão levando-me na varanda de onde se vê o mar.

O mar é como nosso amor, é vasto e profundo, inspira medo e respeito.

Sua alegria é como o céu, límpido e real.

Caminha alegremente pelo chão batido sem se preocupar com os pés descalços, os mesmos que beijei avidamente ontem.

Hoje sujos de areia e orvalho me parecem tão simples.

Já não te alcanço pelo caminho, então retorno sabendo que esse momento é seu, de isolamento dócil e voluntário, de pés sujos e coração transbordando de paixão.

Eu me volto para a mesa onde deixei as palavras soltas em páginas esquecidas nas gavetas, em meio aos livros e revistas pela casa, pensamentos, citações e pobres tentativas de traduzir seu rosto.

Lendo os poemas de e.e.cummings o tempo se perde de mim, carrego minha inspiração em uma taça de vinho e olho pela janela tentando enxergar o infinito.

Ao longe espero ouvir o som dos seus sorrisos e um sentimento de companheirismo me invade trazendo as lembranças do nosso encontro, horas e cafés compartilhados até que o silêncio interveio e só foi quebrado com o som dos lábios umedecidos pelo desejo de se unirem tornando nosso encontro perfeito.

Carregados pela afetividade sem limites em uma comunhão de desejos e pensamentos idênticos nos entregamos, situação absurdamente poética onde o sexo não era o protagonista e sim a mística identificação das almas gêmeas.

Me debruço na janela do mesmo modo como me debrucei em seu corpo delicado e macio.

Consumindo as memórias mais doces do dia me satisfaço por completo e aguardo pacientemente o seu retorno cheio de aurora e de rumores.

Faço uma prece silenciosa agradecendo a sintonia dos pensamentos, a sincronia dos corpos, a persistência do desejo que nos levou até aqui.

Marcello Lopes

13 de outubro de 2010

Simplicidade


Teu amor me lembra
a simplicidade,
gestos mínimos.

Céu cheio de sol,
de nuvens ausentes.

Teu amor me lembra
o ritmo que hesita,
mas logo se impõe.

Caderno de página amarelada,
ordenado pela pretensão imensa
de viver sem saber nada.

Teu amor se dissipa dentro de mim.

Marcello Lopes
Foto: Cinthia Melo

6 de outubro de 2010


Juro que foi sem querer que nossos olhos se tocaram,
murmurando complexidades, adornando cumplicidades,
criando na distância a quietude do beijo.

Juro que foi sem querer que dialoguei com as tuas delicadas mãos,
concedendo à elas o imenso prazer,
que entorpece os sentidos..

Foi teu sorriso que me acariciou e resgatou um verso esquecido,
escrito em um comovente silêncio apaixonado.

Juro que foi sem querer que eu me apaixonei pelos teus versos,
pela tua rima, por essa ausência material que excita minha imaginação,
que só cresce a cada dia.

Essa paixão dispersa pela distância, persiste pelo afeto e pela admiração
que forjam o desejo denunciando um verdadeiro caos em nosso coração.

Foi teu modo de viver, de acreditar na vida que fez esse sentimento invisível
nos confrontar, fazendo-nos assinar um pacto onde juramos solenemente
em meios à ruídos e semi-tons que tudo valeria a pena.

Juro que foi sem querer que roubei tudo, palavras, sentimentos, anseios
esperanças e memórias para te adornar o corpo,
amenizar o fogo que nos consome,
esquecer um verso perdido em teus seios,
mero acaso.

Marcello Lopes

P.S: Existem pessoas que conseguem nos inspirar com apenas um sorriso, um olhar, um verso.


A melodia que sempre me espera
e eu a evoco todos os dias
trazem-me memórias fascinantes.

Quando tocada
as amizades são invocadas,
sucessões de pequenas vibrações
são emitidas

A melodia que sempre me espera
tem o meu amor desinteressado
isento de ilusões,
atento às armadilhas da vida.

Só tenho a ternura
que tua música transforma todas as manhãs
onde os céus se abrem,
as flores desabrocham
e com teus acordes a realidade se justifica.

Os tons formam uma gravitação de indecifráveis sentimentos.

Para Erik Satie

P.S: Leiam ouvindo Jacques Loussier Trio interpretando a peça Gymnopédie n°1

3 de outubro de 2010

Silêncio



Quero silêncio, na cabeça, no coração, no mp3, nos desejos ocultos pelos sons dissonantes que insistem em me atordoar.

Quero silêncio na alma, que cale o chiado agudo e irritante desse peito amargurado por tantos desenganos, meus, tristemente meus.

Coloco todos os dias os sussurros e os pensamentos para dormir, alheio às dores e chagas que isso possa me ocasionar, nem os sons das teclas dos pianos que me embalavam me consolam, falta-me tudo, palavras, amores, amigos, conquistas, fracassos e vontade.

Quero silêncio hoje para ouvir quem sabe os conselhos das paredes, testemunhas materiais de inúmeros relacionamentos, sentimentos e emoções.

Quero hoje mais do que nunca ouvir meus passos, ouvir o som dos meus olhos se fechando em busca de novas paixões.

Marcello Lopes

Questionamentos



Tenho tanto que apreender, mas tantos cotidianos me despem a memória, os anos, a seiva.

O som do silêncio que invade os carros, os trens e agora dentro de mim ressoa a ideia do finito, da expiração da validade corporal.

Mas oculto esse pensamento mortal como quem esconde um mistério que quase grita dentro do peito e me leva para longe do caminho que sonho.

Pois cada sonho é um caminho, uma ponte para eterna alma estremecida pelos anos banais e inúteis, carrego na pele a frase de que eu sei o que a vida é, será ?

Quem pode saber o que é vida sem vivê-la em sua intensidade ? E qual intensidade é a certa ?

Sofro sempre ao lembrar que tenho tanto que apreender, mas estou desatento, paro, sigo e depois como levado pelo vento, prossigo.

Mas nunca chego ao fim da jornada, nunca poderei dizer que li todos os livros, que decorei todas as poesias, minhas e dos outros, essa vida que eu vivo, eterna e limitada é um existir dentro de outra vida ?

Sou lento e nessa imensidão de palavras, desponta em mim a tranquila e poética paisagem da alma que esquece e move-se em desejos eternos.

Marcello Lopes

Olhos



Os meus olhos absorvem apenas o que o silêncio me concede, na imensidão oceânica da vida preservo as melhores memórias na fina e tênue linha do sentir.

Desconheço sentimento tão desolado quanto o tédio, entre tantas coisas desejadas, 
cidades, mulheres, versos, ele enche a mente cansada de velhos retalhos.

Escondo da consciência os meus nervos abalados, até que preencho o meu olhar cansado de tudo que foi um dia imaginado.

Por entre as janelas canso de tanto imaginar as viagens e aventuras que um dia meu corpo, cérebro e alma irão gozar.

Os meus olhos absorvem o momento, a partilha dessa imaginação febril, desse desejo que pulsa em mim de descobrir, desbravar, conquistar e viajar pelos meus sentidos.

Marcello Lopes

Foto: Blue Ice Angel - 1000 Imagens

1 de outubro de 2010

Calado


Estou com o corpo calado
pelas imagens que ganham 
movimento, 
cores e sons.

Estou com o corpo calado
deduzindo interrogações, 
seduzindo olhares
cadenciando emoções.

Meu silêncio é ato delicado,
preciso e irreversível.

Estou com o corpo calado 
capturando o breve flagrante do instante.

Me detenho com o corpo calado,
nas pedras,
no vôo
e me revelo na luz que se descobre das coisas.

Estou com o corpo calado
vivendo um incêndio.

Marcello Lopes