29 de novembro de 2010

PAI


Foi sua experiência traçada em movimentos da vida, 
que me ensinou que a tarde tem seus mistérios.

Foram suas mãos que me guiaram pelos caminhos,
na complexidade do primeiro passo, 
na alegria das descobertas.

Foi teu exemplo que despertou em mim, 
desejos de aventura, 
profundos sentimentos.

Foi sua vida ora turbulenta,
ora serena,
que me fizeram chorar,
rir e sorrir.

Marcello Lopes 
Foto: Phillip Toledano

P.S: Lembrei muito do meu pai com essa foto, não nos entendíamos muito bem, mas sei que hoje sou uma pessoa melhor por causa dele e do que passamos até o momento do seu desencarne.

Fico à espera


Fico à espera
das tuas mãos a me tocar,
do teu amor me sustentar.

Fico à espera 
dos teus beijos me desfazer,
e em teu colo morrer.

Marcello Lopes
Foto: Lars Lindqvist

23 de novembro de 2010

Eu me apaixonei - 1

Eu me apaixonei pela necessidade
de compor versos e desejos,
pela felicidade de carregar na pele
teu nome e tua sensação,
nasci de palavras que tuas mãos
escreveram em páginas amareladas,
esquecidas em um momento de tesão.

Eu me apaixonei por você
ao penetrar seu universo carregado de cores e imagens,
me apaixonei perdidamente pela dor dos verbos
e pelo amor aos advérbios.

Me apaixonei pela idéia que tantos esquecimentos me causaram,
pela forma como teus dedos tecem sílabas adocicadas ao meu redor
ao contemplar teu rosto para decorar cada traço,
e em seguida decorar teu rastro.

Somos amigos, juntos conversamos
de repente só escuto, imóvel
atento às palavras harmonizando com teus pensamentos,
crio das suas idéias o silêncio que me ensina.

Me apaixonei insistindo na permanência da alegria
e do sentido que a sua vida faz na minha.

O que temos não importa o nome que damos,
momentos e suspiros perenes,
sem explicações...

O tempo corre,
dá passos que a razão não explica
mas só o coração entende.

Presente, passado, futuro
filhos de um mesmo pai que vive dentro de nós,
só lembrados depois do beijo
ou do destino escolhido eternamente ligados ou separados.

Me apaixonei pelo roteiro dos nossos sonhos,
pela minha idealização de poeta,
pela tua sensibilidade de mulher.

Poema: Marcello Lopes

18 de novembro de 2010

Sorrisos


É no seu sorriso que eu enterro
todos os mistérios dos dias,
abandono minhas esperanças
em sua risada intensa e sincera.

É no seu sorriso que o silêncio
perde o sentido desfazendo os enganos,
perseguindo o que nos consome
desejando loucuras,
gritando lembranças.

Os dias se seguem,
iguais e pela metade sem você,
como sombras e breve repouso,
mas quando vejo seu sorriso
o descontrole toma controle
e desperto ansiando seus braços
seus traços,
abraços...

Te trouxe rosas vermelhas
sons dissonantes
e tons neutros,
alguns versos que deixei de lado
na esperança de que eles
fossem amados,
como eu te amo.

É no seu sorriso
que vejo tudo se aproximar
uma história de amores e fotografias
um passado repleto de alegrias.

Seu olhar invade meu peito,
levando meu destino pro fundo
de uma página em branco,
criando um novo rumo a cada verso,
com uma paz cálida e sensual.

Um anjo bom deixou em minha janela
uma poesia, cantos e breve cores
que eu só encontrei em teu rosto,
em teu sorriso, em teus olhos.

Varro a melancolia da minha vida,
apago as mentiras do meu coração
aguço meu paladar,
pois seus olhos roçam levemente minha pele
invadindo minha alma sem desespero,
nascendo do desejo,
serenando meus medos.

Nas noites de solidão
descubro seu sorriso na memória da minha pele,
causando uma ventania em meu coração,
de paz,
de amor...

É na vastidão dessa ausência
que por medo ou dor escrevo.

Marcello Lopes

Fechou os olhos



Fechou os olhos para a estupidez humana,
para as palavras bonitas mas vazias dos homens,
cerrou a alma para os brutos e a finitude da bondade.

Optou por viajar dentro de seus próprios limites,
navegar em seu mar de perplexidades
ouvindo ao longe uma velha canção.

Fechou os olhos para as aparências,
vislumbrando o essencial,
apaziguando as dores,
descansando pra poder um dia 
colher suas flores.

Os poemas nascem da pele,
do beijo, da festa pagã dos corpos se amando.

Fechou os olhos e experimentou o doce amor
que ousou existir entre tantas coincidências
desvelando o mais profundo afeto.

Não se cega com as ilusões da riqueza material
não se ensurdece com os gritos
e mentiras do amor efêmero,
é no tato que se encontra a felicidade
que invade o peito e voa em direção
à realidade.

Os pequenos prazeres da vida,
um sorriso, uma gentileza, um poema,
uma dança de olhos nos olhos
intensamente sedutor.

Fechou os olhos declamando poemas de cor
desejando que a pele sinta o que o coração percebeu,
o aroma do movimentos,
as cores do vento,
os sons das fotografias.

Fechou os olhos para sentir com a alma
aquilo que os olhos não entendem.

Marcello Lopes

Solidão



No silêncio das paisagens 
aprendi aos poucos que o amor é ventania.

É tempo, espaço e geografia.

No teus olhos brilha uma chama,
rubra como as tardes vermelhas do pôr do sol
queimando pedras,
formas perenes de toda a incerteza.

Depois de ti escolhi a solidão,
versos como companheiros,
memórias como paisagem,
arrependimento como encanto.

Meu mundo se imobiliza enquanto estás ausente,
leio poemas, ouço músicas 
que teu corpo compôs e relembro 
das tuas fendas, grutas e elevações.

A escolha foi tua,
a sede é minha.

Marcello Lopes

17 de novembro de 2010

Esse silêncio


O silêncio repleto de dor,
não liberta, aprisiona
o choro dolorido não alivia
é fantasia inconsistente.

Achei que seria mais forte dessa vez
mas me desencontrei,
a razão de um lado brilhando feliz
e a paixão clamando transparência.

O silêncio que essa ausência me faz ouvir
do corpo, do jogo, da vida,
traz o amargo desejo de sorrir
sem sentir na alma.

Pensei que seria fácil,
rascunhos, versos e sexos
teu corpo perfeita geometria em minhas mãos,
encobrindo a realidade
desnudando pouco a pouco nossas diferenças.

O silêncio que grita nesse quarto
que me atinge como uma onda
que desampara sorrindo
e foge chorando
não vê o cego que fui.

Marcello Lopes

16 de novembro de 2010

Tatuagem


Quero meu nome impresso em teu corpo,
através dos meus beijos e versos.

Marcello Lopes
Foto: Pedro Gomes

12 de novembro de 2010

Acompanhado


Estou acompanhado,
ela é bela e perfeita,
cheia de saúde e vigor
e todos os dias chega causando furor.

Estou acompanhado,
ela me causa estremecimentos e dor
diversos sentimentos e amor.

Essa saudade não me deixa andar sozinho,
se agarra aos meus braços com seus finos filamentos
perturba e distrai,
flutua pra longe e logo em meu peito recai.

Marcello Lopes

11 de novembro de 2010

No teu corpo


É teu o corpo sob os céus
que as nuvens tomam e
em meus pensamentos tua pálida pele
voa.

A leveza constrói esse momento,
o sorriso que entorpece
como feitiço de sereia
que ferve minhas veias.

Tanta dor,
não há coerência nesse amor.

É teu corpo que navega
entre mundos,
carregando entre as margens
um olhar perdido
lábios soprando ventos de paz
e o coração afogado em poesia.

É teu corpo que meu desejo devora,
desnuda através desses versos
atravessa as saliências
declama e reclama teus pudores.

Lavo-te das dores 
com meu gozo
repleto e completo.

Marcello Lopes


Meu Deus !
Quantas promessas carregam um olhar ? 

Marcello Lopes

10 de novembro de 2010

Fronteiras


Teu corpo é paisagem que desnudo
com as mãos,
é brisa que eu sinto com meus versos.

Teu corpo é magia,
e teus seios as fronteiras 
da minha alegria.

Marcello Lopes

1 de novembro de 2010

Mar



É nas suas costas que meu mar quer morrer !!

Foto: Marcello Lopes - Sobrevoando o Rio de Janeiro

Continuo..


Estou amando suas reticências,
decorando suas adjacências.

Marcello Lopes
Foto: Marcello Lopes - Niterói - RJ