18 de dezembro de 2010

Férias


Alucinados e alucinadas,

2010 foi um ano alucinado em todos os sentidos, muitos tombos, poucas vitórias mas muitos aprendizados.

De certa forma, foi um dos melhores anos da minha vida, e do outro lado da moeda, foi um dos piores, conheci pessoas que me trouxeram uma bagagem de experiências gratificantes.

Entro em recesso à partir de hoje aqui nesse espaço que tanto amo, com projeto de publicar meu livro em 2011, e continuar escrevendo aqui.

Obrigado por lerem minhas alucinações, minha paixão, meu amor por estar vivo e compartilhando esse sentimento com pessoas de diversos lugares do País, obrigado pelos comentários, pelas mensagens de incentivo e de carinho.

Que esse Natal seja de muita paz, amor e serenidade, que o ano seja de realizações, promessas cumpridas, amores conquistados, lágrimas silenciadas pelos abraços, que a dor seja apenas passageira e que possamos de fato sermos felizes.

Obrigado.

Marcello Lopes

Preciso de um beijo teu


Preciso de um beijo teu
em uma noite onde a luz
do luar ilumina tudo
dos compassos de nossas mãos
ao claro e belo mar.

Preciso de um beijo teu
ao acordar,
antes que os pássaros
comecem a cantar.

Nos teus pés relembro com saudades
nossas aventuras cheias de desejos
e gracejos,
repletas de versos e felicidades.

Preciso de um beijo teu
para lhe fazer poesia,
sorvendo dos teus lábios a
inspiração e alegria.

Inventei para nós
uma realidade sem obstáculos
repleta de luz e chamas,
em tuas curvas meu corpo
se perde, percorrendo
tudo que te rodeia.

Só me basta isso pra incendiar nosso amor,
pra te colorir de verde, azul e vermelho
para em devaneio te esquecer
e ao acordar, relembrar teu corpo..

Preciso de um beijo teu
ousado e apaixonado,
um beijo que faça o céu explodir de sonhos,
e a terra de perfume.

Te desejo cada dia mais
os lábios sedentos,
as mãos distantes,
desejos, ensejos
beijos, teus e meus.

Aos poucos exploro teu universo
conhecendo tua vontade,
assistindo tua forma graciosa pairando no ar
através das estrelas que nos iluminam.

Meu amor custa apenas um sorriso teu,
na doçura de um entardecer quero
te amar,
e eternizar meus versos em tua pele
até o sol raiar.

Preciso de um beijo teu,
e assim desvendar teus segredos,
diminuir a distância que insiste em nos envolver
quero teu beijo intenso,
junto do teu corpo quente.

Beijos que inflamam a alma,
acalmam o corpo,
invadem as páginas
ardem na cama.

Beijos que são chamas
tatuando na pele a paixão,
o desejo e os sussurros.

Preciso de um beijo teu
pra na brancura do meu corpo
levar impresso teu amor.

Marcello Lopes

15 de dezembro de 2010

Coração Nômade


No decorrer dos anos esse coração nômade
buscava sempre o cotidiano,
tentando de vez cessar o movimento das paixões.

Busquei em caminhos distantes encontrar
a companhia da felicidade no corpo de alguma mulher
e só encontrei miragens, meros reflexos
desse meu desejo de amar.

No decorrer dos anos esse coração
se estilhaçou em sucessivas tentativas vãs
de encontrar encantos e vontades,
acabei achando mudanças e desencantos.

Em quantos olhos pensei ter encontrado
a luz que iria me acalentar,
em quantas mãos achei ter sentido o calor retido
pelo coração depois de nos amar.

No decorrer dos anos esse coração nômade
ficou entre lugares escuros, cercado em grandes confusões.

Sonhei andar ao lado de alguém por ruas floridas pela primavera
mãos dadas que traziam ramos carregados de flores e cores,
parecíamos um só, cristalinos sob o sol acolhedor.

As palavras sempre me consolaram,
sempre acalmaram o espírito selvagem e esse coração indomável,
recordando de versos doces de Cecília, das prosas elegantes de Clarice
alegrando meus pensamentos.

No decorrer dos anos, aprendi a viver entre mistérios e infortúnios,
deixando para trás a melancolia desses momentos indolentes
que me afogavam o peito.

Escondo a verdade sob um véu de indiferença
demasiadamente angustiada pelo pranto que essas flores me causam
saciando então essa fúria que jaz enterrada na alma.

Em quantas pernas me envolvi pensando dar adeus à essa tormentosa procura ?

Foi em uma noite que meu coração nômade
pulsou cheio de surpresa,
encontrando em teus olhos ofertas de amor
tão doces como o mais luminoso poema do mundo.

Temi então pela ilusão,
por me achar em frente à uma alma gêmea de beleza genuína,
não tendo palavras para transformar em verso
explodo em vontade e desejo,
nascendo nesse coração de amor feroz,
um amor silencioso e abnegado.

No decorrer dos anos a paixão sem palavras e sem sentido me atingiu
crescendo e invadindo todos os poros do meu ser,
hoje o que cresce é um poema único,
que invade minhas mãos transformando-as em instrumento
das luzes que irradiam do teu sorriso.

São teus olhos livres e harmoniosos que me deixam perplexo
trazendo por debaixo desses versos a promessa de esquecimento
das dores, das noites terríveis sozinho e do amor abandonado,
do passado atormentado.

Em quantos pés minhas cinzas se deslocaram
quando o fogo da paixão arrefeceu ?

Mas é tua voz clara e calma
que muda o tom da chuva,
que altera as matizes do céu
ao cantar breves palavras que alimentam meu amor.

Hoje já não são as lembranças dos fracassos que ecoam em minha mente,
são imagens e sorrisos, momentos de estremecimentos
que retumbam em mim quando reconheço teu rosto.

Hoje sou cinza transformada,
poeta transformado que deseja o afago em teu mar de carícias,
sou o horizonte límpido que flutua abençoado em teus sonhos.

No decorrer dos anos meu coração nômade
sangrou, se apressou por amar,
descortinou tempos de rejeição,
agiu contra a vontade e só se libertou depois
de inúmeras preces.

Hoje esse coração nunca foi tão meu,
esse carinho nunca se moveu sem meus passos
subiu às alturas incríveis, então cerco-me de arames
cubro meus vestígios, para viver apenas dessa paixão.

Ouço tua voz que canta certezas
vivo de versos que inventam cantigas
pra descrever tua beleza.

Em minhas histórias és sempre a bailarina
que flutua e rodopia em meu corpo,
que rega com os lábios molhados minha pele,
que veste meu corpo com teus seios
és minha crença,
meu futuro.

No decorrer dos anos tenho procurado as chaves
para abrir os cadeados que me aprisionam nessa solidão
adormecido e enferrujado,
meu coração já não reconhece essa emoção.

Estou apaixonado pelos nossos momentos
tão exatos, sólidos e racionais.

Marcello Lopes
Foto : Companhia de Dança Corpos Nômades

13 de dezembro de 2010

Algo


Há dentro de você algo que me cala,
que faz supérfluas as minhas palavras,
fazendo suas mãos cantarem quando de amor
meu corpo transborda.

Marcello Lopes

7 de dezembro de 2010

Eu me apaixonei 2


Sim, já era hora,
de escrever o que poucos vivem
de viver o que muitos,
tantos,
sonham em encontrar.

Sim, já era hora
de me inventar,
de sorver dia após dia
a doçura da tua presença
o acorde suave das tuas palavras.

Eu me apaixonei
pela dança dos teus desejos
que ecoam sem parar em minhas mãos.

Se o tempo insiste em diluir essa relação
tento firmar teus traços,
esquadrinhar o que o amor intuir.

Já era hora de aparecer
alguém que me conhecesse
sem se iludir, que me ouvisse
sem se perder .

Se a distância insiste em romper
os laços, os nossos rastros
curvo-me diante do universo
pra não te perder.

Já era hora de acreditar
que as dores que eu escrevo,
não foram em vão;
já era hora de cantar os sonhos
tremer diante da paisagem, tão perto do mar.

Na trama escrita pelo meus dedos
o mar entrelaça teu corpo,
trazendo em minha direção
teus lábios a me salgar a boca.

Sinto que o amor se aproxima sorrateiramente
criando com meus versos um caminho
um vale, onde as palavras te guiam,
e minhas mãos te fazem vibrar.

Já era hora de transbordar todos
os sentimentos guardados,
sorrisos e bênçãos,
versos e momentos encapsulados.

Teu sorriso é arauto
a proclamar o que os anjos esqueceram,
prenunciar um novo caso,
um novo feixe de pequenos amores cotidianos.

Já era hora de pintarmos o céu de diversas cores,
dos espasmos de alegria nos rodeando,
das nuvens se formando
anunciando que estás chegando.

Os vestígios,
ângulos e momentos
já era hora de termos
tudo isso ao mesmo tempo.

Poema: Marcello Lopes

3 de dezembro de 2010

No outro lado


No outro lado da vida 
com os pés na tristeza
no fim de tarde,
é sempre assim.
céu e sonhos mesclados
na linha do horizonte
esmaecida pelos reflexos
nos levam a adiar uma despedida.

Marcello Lopes

1 de dezembro de 2010

Esperança 2


Antes do beijo
veio o afago,
antes dele veio a liberdade de correr 
de sonhar e sorrir.

Depois da doença,
surgiram as flores, 
as preces 
a vontade de chorar e de resistir.

Mas não se apresse tanto em ir embora,
o amor que temos é santificado
e nunca será tragicamente arrebatado.

Mas às vezes é tanta dor em um corpo
que o medo me parte em dois
derrama minhas lágrimas amargas
ao suspirar teu nome.

Todo esse sofrimento não pode ser em vão,
em vão,
em vão.

Antes do beijo veio o olhar
que me fere o coração,
antes disso veio o sorriso
que flutua no espaço do quarto
e dança ao meu redor
lembrando o quanto é bom te amar.

Depois da doença,
teu espírito sobe às alturas,
livra-se dos farrapos,
e com teus pequenos passos
dança e canta
para viver nas estrelas.

Marcello Lopes
Foto: Thomas Lekfeldt

P.S: Após um ano de luta contra o câncer a pequena se foi, deixando nos pais e no fotógrafo uma lição de amor, coragem e força de espírito.

Esperança


As paisagens mais devastadas 
são mapas dos movimentos humanos,
contínuos e desconhecidos.

Os campos são onde passei os anos já não existem mais,
assim como o amor e a paz.

Onde encontrar a esperança ? 
Que se estilhaçou em camadas 
e hoje pede urgência, e 
vive de si mesma.

Onde senão nos olhos do meu filho,
que se coloca entre as colinas sem medo,
que cheira inocência.

Sonho para ele as estepes tingidas de amarelo,
o céu rabiscado de azul, 
e suas mãos vitoriosas.

Marcello Lopes
Foto: Michael Kamber

P.S: Estou fazendo um exercício ou se quiserem uma brincadeira, me colocando no lugar do personagem da foto, nessa eu imaginei o que esse pai ao olhar para seu filho gostaria para o futuro dele no destruído Afeganistão.