28 de janeiro de 2011


Queria tanto ter seus braços nos meus,
seus olhos vendo o que eu vejo
suas mãos retendo todo esse calor.

Sempre escrevo pensando em você
ainda penso muito em você apesar de tudo
queria começar tudo de novo
e podemos, mas não depende só de mim.

Quero que saiba que eu adoro você
pelo que fez em minha vida,
pelos sentimentos que trouxe,
pelas cores e sons,
pelas noites mal dormidas
pelos sonhos bons e pelos desejos em comum.

Impossível não sorrir quando leio algo que você também gosta,
impossível não se sentir sozinho quando a única pessoa que te enxerga está tão longe.

Pois é como você está pra mim,
distante em pensamento
nas mínimas atitudes
até em sonhos.

Você é especial,
sempre será pra mim.

Marcello Lopes

24 de janeiro de 2011

Ando procurando


Ando procurando uma metade 
deve ser sincera,
autêntica para ser amada
que seja alma, corpo e coração.

Que seja perfeitamente imperfeita
que seja infantil em sonhos
e adulta em atitude.

Ando procurando momentos de felicidade
que complete a minha metade,
que esteja próxima sem titubear em encantar
fascinar em cada gesto,
sem receio dessa proximidade.

Que seja crédula em amores impossíveis,
que caminhe sem medo no vazio 
que captura a amargura,
e descobre as cerimônias mais espetaculares.

Metade mulher,
metade musa.

Ando procurando em um olhar triste 
um verso, 
uma harmonia onde possa despertar e dançar
fragmentos de um pequeno poema
para começar a amar.

Sou poeta, imperfeito ser humano
virtualmente perfeito,
viciado em aromas, 
em terremotos emocionais,
com frequentes calafrios nas noites de sexo
onde objetos amados ganham vida,
e as mãos açoitam as folhas de papel.

Ando procurando a dolorosa sensação 
de estar atado à outra pessoa,
a entrega total de si mesmo,
esse tipo de amor extinto que insiste 
em pelejar contra as cinzas da efemeridade.

Minha metade é mulher, 
curiosa, 
manipuladora das regras,
com belas histórias e
carícias amorosas.

Ando procurando um outro olhar
que em seu próprio sentido é indecifrável,
misturando palavras certas e atitudes poéticas
como um caldeirão de uma fantástica alquimia.

Minha metade é quase invisível
um espectro de luz,
miragem de amor
lembranças de amores idealizados,
de encontros,
de beijos nunca consumados.

Ando procurando essa metade 
de curvas imperfeitas,
vontade plena, que vive na palavra
e sobrevive na dança alheia dos meus sonhos.

Minha metade é dona de um sorriso
que convida, 
provoca e ordena.

Marcello Lopes

22 de janeiro de 2011

Me fale de sentimentos


Me fale de sentimentos enquanto respiramos
da sensualidade,
da paixão pelos mistérios.

O fechar dos olhos para ler
o que nos resta no coração,
a poeira dos corpos esvoaçando
rodopiando no quarto como borboletas.

Me fale de sentimentos enquanto amamos,
uma provocação,
um convite,
as mãos que ordenam.

Teu amor me envolve,
pacifica meu espírito,
maltrata meu corpo.

Nas sombras cinzentas
um feitiço irresistível.

Me fale de sentimentos enquanto escrevemos
um vento sopra dos teus cabelos
me fazendo sucumbir
apagando do chão os rastros
dos meus poemas extraviados.

A ameaça do vazio
que até então estava ali próximo,
e dirigia olhares para o nosso amor impossível.

Mas teus pés dançaram com a poeira
em cerimônias ocultas,
amando-me efemeramente
nas modestas noites.

E eu já não sei quem sou,
me entrego nas curtas distâncias
entre minhas mãos e teus seios,
nos fragmentos de consciência
após o orgasmo na aurora.

Me fale de tudo e de sentimentos
enquanto eu te amo,
enquanto decoro seus poros
enquanto seu sorriso luminoso
me liberta dessa velhice solitária
em um quintal sinistro.

Marcello Lopes
Foto: E Deus criou a mulher

20 de janeiro de 2011

Mãos



Se meu olho trabalha no cultivo da beleza das fisionomias,
o que minhas mãos podem fazer da tua (minha) vida ?

Marcello Lopes
Foto: Berka

19 de janeiro de 2011



As ruas molhadas de lágrimas, 
imploram urgência,
em camadas cinzas e lamacentas 
a vida reza por permanência.

Marcello Lopes
Foto: Google

Cézanne


Gentilmente colocadas 
laranjas amarelas
maçãs rubras
delineadas,
a cada pincelada.

Marcello Lopes
Quadro: Cézanne

17 de janeiro de 2011

Sonho claro



Um dia ela se dissolveu em um sonho claro,
com hálito de hortelã
pés angelicais pisando no capim recém-cortado.

Eu caminho ao encontro dos fulgores dos seus olhos,
de felicidade imediata,
com corpo sensual,
ao respirar seu aroma sinto calafrios
diante da nossa aurora perfeita.

Um dia ela se dissolveu em um sonho claro,
com a canção seca e fria dos poros entorpecidos
pelas drogas dos aromas.

Eu descobri os mistérios da sua vida,
na minha pele as marca dos seus gestos
na minha memória,
as partículas extintas dos seus beijos.

Seu sorriso me faz chorar,
manipulando meus sentimentos
presumindo movimentos,
embrenhando-se no meu amar.

Um dia ela se dissolveu em um sonho claro,
voltando para a lembrança de uma carícia amorosa.

Marcello Lopes
Foto: E Deus criou a Mulher

15 de janeiro de 2011

Versos estremecidos


Amei tua nuca esguia,
teu amor pelo desconhecido
amei a tua sensualidade depois
do gozo.

Teu hálito,
teu hábito
me agradam.

Respiro teu perfume
caminho em tuas planícies
amando incessantemente
teus segredos sobre teus olhos.

Amei as tuas promessas
o mergulho em tuas águas
o fogo do corpo
queimando como lenha.

Invado sua vida,
rasgando os reflexos do passado
deslizando pelo presente que
teus pés varrem furtivamente.

Amei com rudeza teu corpo nu,
a espuma dos teus pés
suplicando pelos teus sussurros
inquietantes.

Amei teus gestos esquecidos
teus objetos e tesouros,
cobri tuas palavras amareladas
com versos estremecidos.

Marcello Lopes

13 de janeiro de 2011

Brumas


Posso ver as palavras
como ondas imóveis
às quais apenas a tua imagem dá vida.

Arrasto brumas para inflamar teus seios
e no infinito desenhar teu rosto.

Sou nômade,
mas permaneço no teu corpo
a cada instante,
sublinhando cada nota harmoniosa
que teus lábios produzem.

E assim vivencio o momento
como se fosse a eternidade
com inesperada felicidade.

Marcello Lopes

10 de janeiro de 2011

Caminho


Hoje caminho em direção aos meus desejos,
não vivo mais por ninguém,
na bagagem poucas coisas,
livros, poemas e alguns trocados.

Hoje, estou sozinho e decidi fazer do meu caminho
o aprendizado de uma vida,
apreendendo ensinamentos,
colecionando experiências,
sem querer construir castelos nem barragens,
estou livre, sem rumo, sem raízes.

Essa escolha é inteiramente minha,
sem influências externas.

Hoje o silêncio me faz companhia,
os gestos são contidos,
a inconstância é perene
ritmada pelos versos e sussurros.

Hoje caminho nessa estrada
onde um dia a ousadia se manifestou em minha alma
pela primeira vez construindo sonhos
colorindo vidas,
renunciando a solidão.

Não quero mais seguir ninguém,
só peço desculpas e sigo em frente,
do passado só me resta serenidade.

No caminho a felicidade fez um desvio,
fez-se calma dentro de mim,
pedindo silêncio.

Marcello Lopes

7 de janeiro de 2011

Burilamento


A vida trabalha duro em mim 
lapida minha alma,
martela meus ossos,
queima a pele e abrasa meu coração.

A vida ressoa em mim,
assim como tua paixão.

Marcello Lopes

4 de janeiro de 2011

Semear


Semear a vida,
usar indevidamente os verbos
criar a paixão como um jardim.

Mergulhar na intenção de amar
despertando nos outros a vontade
de agradar.

Semear a vida,
desejo de decifrar a pele,
o aroma e a textura dos enigmas.

Toda a mulher é um enigma.

Surpreender,
instigar os olhos,
saborear a alma.

Semear a vida,
usar da paixão para entender a si mesmo.

Agir amorosamente para sentir o peso de um corpo
que se expõem, que interage
sem verdades perfeitas e felicidade infinita.

Escrevo nas horas mais impróprias,
sou imprevisível, inconstante e imperfeito.

Semear a vida,
escrever versos que enxergam o invisível
das coisas absurdas, dos sorrisos leves
e de uma sensibilidade à flor da pele.

Unidos com a convicção de um mundo de inconformados
que atrevem-se a amar e ignoram os protestos,
mudando as pessoas, o mundo, as cores.

A coragem é esperada, no momento certo
no fechar dos olhos e no abrir dos lábios,
a personalidade permite,
o tesão busca e o amor semeia.

Marcello Lopes

Espaços, tempo e memória


Espaços,
tempo e memória.

A falta do ombro,
a indiferença e a saudade.

Espaços,
tempo e memória.

A convivência traz o medo da perda
daquilo que nunca nos pertenceu,
o horror dos dias solitários
instantes de ilusão.

Espaços,
tempo e memória.

As cores já não preenchem mais,
nem os pensamentos florescem
e os versos já não semeiam as páginas.

O espaço que seu corpo ocupava no tempo
e na minha memória,
está perdido para sempre,
sou como um poço sem fundo onde o azul escuro se perde
os verbos me cegam, deixando minha vida
seguir assim tão despercebida.

Espaço,
tempo e memória
de tudo o que você foi pra mim.

Marcello Lopes

2 de janeiro de 2011

Desejo


Quando os desejos acariciam
os versos mimam,
e a paixão redimida pelo tempo
emudece o corpo tão carregado de pecados.

Carrego nos olhos os mares e montanhas
que um dia teu sorriso percorreu,
guardando o beijos e sonhos.

O destino quando bem bordado,
nos presenteia com corpos entrelaçados
afagos e amanheceres.

O que me importa são os pequenos prazeres,
os momentos mágicos,
os versos delicados que emudecem
e repousam nos seios depois de entregues.

Marcello Lopes

P.S: Que 2011 seja assim para todos que alucinam aqui nesse espaço.