28 de fevereiro de 2011

Estátua



E eu perdido te beijava, 
sem me dar conta de que não sentias nada.

Teus lábios de pedra não retém meu calor, 
nem teus olhos vertem lágrimas pelos meus poemas.

Estou perdido,
me enfeitei todo, 
escrevi teu nome na areia
e tuas pernas não podem caminhar.

Sonho com a maravilha dos teus olhos 
imprimirem um alento, 
imagino tuas mãos solitárias 
se achando em meu corpo.

O que eu sinto é que tenho uma flor
mas não sinto o aroma,
a jóia que não vê a luminosidade
e em meus versos oculto esse 
sofrimento.

Marcello Lopes
Foto: E Deus Criou a Mulher

25 de fevereiro de 2011

Musa 2



Lá perdida no oceano, 
profundo e azul,
caminha uma musa.

Lá perdida em devaneios
marcando seu caminho através da espuma, 
causa naufrágios, paixões e destruições.

Despreza as leis dos homens,
sacudindo as ondas com teus seios,
atirando aos céus os teus louvores.

Assolando os poetas com teu canto, 
fulminando-os com teus lábios
aportando teus pés nas costas alheias.

Lá perdida no oceano
firma a esperança  com ondas suaves
e mãos livres.

As páginas rudes devastam tua história, 
copiam teus movimentos, 
e as línguas se secam com teu nome.

Lá perdida no temporal, 
teus olhos enxergam a aurora dos meus versos,
espelho humilde de tua imagem, 
sublime paixão que não se tem final.

Musa ardente 
eterna, 
inabordáveis pensamentos me atingem, 
sonho ser levado no seu peito
um prazer, 
uma alegria juvenil.

Poema: Marcello Lopes

21 de fevereiro de 2011

Musa


Há um prazer desconhecido
em sonhos e músicas,
um entusiasmo solitário
no olhar.

Sem roteiro, nem linhas a seguir
o prazer que ruge e extingue as estrelas
escorre efêmero como o orgasmo.

Se entrega à paixão
que gira e desola reis, 
que esfria o coração 
após se saciar ao redor do fogo
implorando pausa e silêncio.

Há um prazer secreto
na prece que louva as musas,
queimando a pele,
tombando alicerces,
desfazendo sonhos.

E então em um estrondo
a inquietação que se alimenta da monotonia,
poeira uiva embaixo da cama
o mundo se extingue quando
você acorda.

Marcello Lopes
Foto: E Deus Criou a Mulher

18 de fevereiro de 2011

Um bolero, outro tango



Noite fria,
um bolero,
outro tango,
um vinho
jardins com aroma de jasmin.

De uma forma mansa e insana,
percorro seu corpo com meus olhos,
rodopiando entre seus seios,
bailando lentamente entre suas pernas.

Despindo lentamente minhas intenções,
um para cá, dois pra lá,
passos embriagados de desejos
um tango cadenciado
outro bolero rasgado.

Na sua voz afino meus versos,
compassivos, longos
e apaixonados.

Nosso amor é assim,
entrelaçados pelos sussurros
afastados pela dança.

Passeio na madrugada das suas costas,
pelas ruas vazias dos seus pés,
me entrego, me sinto leve
madrugadas insones,
ternura louca,
nosso tango é fé e paixão.

Em nossos ouvidos ecoam os acordes de Piazzolla
requintado e intenso,
como seu sexo,
como suas pernas a correr pelas minhas
revelando na canção o fogo
dessa combinação.

Seu rosto é moldura perfeita
seu corpo louco,
rasga o véu da lucidez
bailando nua desgovernada
ouvindo o canto rouco do tango poético.

Não é isso que os amantes fazem ?

Entre um acorde e outro, a doce loucura,
onde dançamos fiéis ao nosso coração,
ritmados pela sensação intensa de se permitir,
que invade e seduz.

A canção fala do deleite do amor
com cenários deslumbrantes,
corpos sincronizados
poemas de Pessoa,
instantes preciosos.

Delicadas mãos que me conduzem,
confundem,
preciosa madrugada
onde nossas almas apaixonadas desabrocham
a cada perfume,
a cada nota,
um bolero,
outro tango.

Pés traçados pela divindade
mãos mágicas repletas de sentidos
braços sedosos que envolvem o tempo
sentimentos que encobrem tudo.

Delírios avassala dores ,
só os amantes entendem
a harmonia desses amores.

Marcello Lopes
Foto: Kelly

15 de fevereiro de 2011

# 2




A tua lembrança aquecia o meu fogo,
a luz dos teus olhos passava sobre meu corpo,
somente tuas mãos conduziam meu sexo.

E assim vibrando,
alucinando a carne
encontrava-me tão presente na tua ausência.

Marcello Lopes
Foto: E Deus criou a Mulher

14 de fevereiro de 2011

Você precisa


Você precisa sentir o aroma das flores,
que nascem das mãos orvalhadas
que se demoram em sua pele.

Você precisa ouvir as imagens
que meus olhos criam quando seus lábios me tocam.

Essas palavras são mais que desejos
são como corrente poética que corre nas minhas veias,
onde realidade e fantasia se confundem muitas vezes.

Você precisa sentir a luz que meus olhos encontram quando você sorri.

A poesia enlouquecida atropela os sentidos,
os versos nos fazem resistir à solidão,
são criados para emocionar.

Essa paixão por você
burla as regras,
engana as convenções,
caminha sozinha encontrando trilhos e encruzilhadas
abrindo espaço para mergulhos cada vez mais profundos.

Você precisa se entregar, suspirar e respirar meus versos...

O tremor das pernas,
o nascer do suor,
um ritual que se repete toda a vez que eu trilho seu corpo,
com gestos esquecidos na aurora.

Você precisa sentir o rodopio do corpo
enquanto as músicas nos embalam,
canções estampadas de felicidade
de beleza e vida.

Você, que quase não pisa no chão,
precisa de mãos dadas,
do sorriso ingênuo,
das emoções com ar de primavera.

E eu voando nas asas dos versos
me agarro na sua imagem e sigo em meio as praias
beirando sempre seus seios,
e me encontrando distante penso na queda,
mas sorrio com o vento soprado pelos seus lábios.

É, você precisa sentir o que eu sinto por você.

Poema: Marcello Lopes
Foto: E Deus criou a Mulher

12 de fevereiro de 2011

Quando os versos



Quando os versos te tocarem, 
recorre às lembranças dos tempos onde a nudez 
falava à vida, lei do verbo amar. 

Quando os cantos embalarem o sol, 
ressurge e regojiza e transforma as víceras 
doloridas em coração pulsante. 

Quando os versos te tocarem 
recupera o andar perfeito 
e renda-se aos que ousaram se exibir. 

Por que quando os versos soarem límpidos e 
os desejos se exprimirem em sussurros ao longo do mundo, 
todos terão os corpos se tocando, 
o prazer se estampando nos rostos 
o gozo se cumprindo e seduzindo a alma.

Poema:Marcello Lopes 

9 de fevereiro de 2011


Sem permissão 
ficou lá, 
dourada como o fim da tarde, 
sob a seda na pele.

Sem permissão 
queria se exibir 
enquanto meu olhar se entorpecia 
despertando-me para te amar.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Anne Hathaway

7 de fevereiro de 2011

Corpo Santo


Quero provocar, 
pranto, 
calafrios, 
excitação. 

Quero nascer 
no teu corpo santo, 
emudecido pelos inúmeros versos 
derramados pelas nossas mãos. 

Quero ignorar a triste distância 
que me mantém nesse momento 
ausente de todo o seu sentimento.

Quero aos poucos te vestir 
com os sussurros, versos, beijos e afetos. 
e assim renascer manso e pecador 
através do teu canto que mil vezes me fez chorar, 
e ao mesmo tempo tornou nossos corpos inseparáveis.

Marcello Lopes

4 de fevereiro de 2011

Palavras 2



Se fossem só palavras,
seriam versos vertendo-se pelas páginas dos livros, 
perdidos, inúteis. 

Se fossem só palavras, 
o amor não arderia 
não clamaria pele, 
suor e pêlos. 

Se fossem só palavras, 
o orgasmo seria sem odor 
sem líquidos, sem aventura. 

O meu sexo não provaria da tua pele,
do teu odor, do teu tempero 
do doce e delicioso sabor do amor. 

Palavras sem o amor 
é corte sem dor.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Pesquisa no Google

2 de fevereiro de 2011

Palavras



Já não ouves as minhas palavras, 
preciso dizer-te que os sentimentos queimam, 
o toque se tornou estéril, 
e delas nasceu a passividade.

A raiva de algo que não sei explicar, 
enfraquecidas pelas dificuldades de me expressar, 

Não sabia, mas eram eu te amo.

Marcello Lopes
Foto: Pesquisa Google

Altar


Pulsavam os desejos
e foi assim na ponta dos meus dedos, 
que o amor montou altar 
para assim nos versos celebrar 
a própria existência.

Marcello Lopes
Foto: Vênus

1 de fevereiro de 2011


O mal tempo já se foi, 
o desespero sumiu, 
e você chegou.

De mãos iluminadas,
rosto doce e coração bom.

A incerteza deu lugar a esperança, 
o tempo passou, 
as feridas cicatrizaram
e o coração se liberou.

Quando você chegou.

Marcello Lopes

P.S: Meu aniversário hoje trouxe uma onda de vibração tão boa, pessoas distantes se tornaram próximas, pessoas que eu achava que tinha perdido me acharam.

Memórias da pele


Em seus dedos,
marcas dos gestos esquecidos.

Na pele, 
a memória dos amores extintos.


Marcello Lopes