29 de março de 2011

28 de março de 2011

Pele


A pele que consola,
também mata.

A vida que se adapta
também desce do pedestal 
sobrevivendo aos desastres amorosos.

A pele requintada
adormece latejante e triste, 
persistindo no momento onde o tédio não existe.

Lendo sua pele me demoro em cada ângulo,
mastigando cada poro no sulco macio dos seus seios.

A pele que meus dedos penetram
carregam o odor das flores,
nesse desejo murmurado
loucura e tesão são misturados.

Marcello Lopes 

25 de março de 2011

22 de março de 2011

#5


Essa infame fome 
que me cala,
que me degrada.

Insone vida de pecado,
seu impreciso instante.

Na cama,
o fluxo incompreendido,
desordem do nosso amor.

Marcello Lopes

15 de março de 2011

#4


Um tempo sem palavras,
saudade.
Um tempo sem pele,
tesão.

Me cubro das lembranças 
de intimidade,
me curo em noites turbulentas 
de paixão.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Irina Shayk

12 de março de 2011

A surpresa de um poema


A surpresa de um poema é capaz de sinalizar todo um romance, 
sinais de luz,
na harmonia de sons, 
o suor do esforço físico.

O coração quer habitar em outro,
um desabamento de emoções, 
um incêndio de sensações.

A surpresa de palavras construídas no espaço onde os corpos descansam, 
atravessados pela transparência do orgasmo.

O amor que se tem é feito de sílabas, parágrafos e frases desconexas, 
de gotas e lágrimas, 
de mãos encontrando sutilezas nas partes mais inesperadas do corpo.

A surpresa da página largada ao acaso na cama, 
mera transgressão delicada dessa paixão.

A minha poesia é explorar o amor
as possibilidades com extrema simplicidade.

A mulher é poesia da natureza, 
e eu sucumbo aos desejos cotidianos,
minhas palavras reverberam-se nos seios, 
nos pés, nos lábios
em todas as formas,
em todos os prantos.

A surpresa do poema amplifica as cores,
agita as texturas, 
tornando os sons e cheiros suportáveis.

Marcello Lopes
Foto: Camille Rowe

3 de março de 2011

Dança



Minha vida pede cores
meus pés demarcam o espaço desejado
renasço no ritmo gravado e gritado nos muros.

Meus olhos são amplas janelas
escancaradas para o horizonte,
onde eu procuro minha musa eterna.

Recrio com meus versos
as escolhas da minha vida,
a renovação da esperança,
os sonhos e as expectativas.

Oferto aos deuses minha música,
meus sacrifícios recém-paridos
gerados em mim.

Minhas mãos são a própria inocência
denunciando nas páginas esbranquiçadas
as marcas de uma paixão.

A virgem que morre em sacrifício
se apresenta no contraste dos meus sonhos
indagando sobre meus desejos.

A música soa profética,
recitação de uma velha oração,
uma pureza que se extingue.

Meus pés me carregam como em uma procissão,
professando os pecados,
os desejos e os sacrifícios em nome da paixão.

Meus olhos, essa indiscreta janela
que disfarça os olhares,
confundem os pensamentos
e murmuram versos.

A sintonia esconde diante dos olhos
a profusão de orgasmos que a boca sussurra.

Nesse ritmo fugaz,
intenso e ansioso
torturo minhas mãos
selando com aparente calma
o efêmero poema.

Minha vida é dança
imagens e letras,
imperceptíveis sensações
diante da minha janela.

Intranquila paixão,
brilha na pele,
de braços dados
sigo a procissão.

Marcello Lopes

P.S: Bom feriado à todos.

1 de março de 2011

#3


Você seduz os meus olhos,
com uma mistura entre beleza e inteligência
um instante ao seu lado e eu me apaixonei,
breve segundo capturado pelas minhas mãos,
um movimento poético delicado,
luz e sombras, precisão exata.

Você é poema que revela as coisas do mundo,
palavra solta que levanta vôo
verso que se detém na página
na língua e na cadência que surpreende. 

Poema: Marcello Lopes
Foto: Danica Thrall