29 de abril de 2011

#15


Sentamos frente à frente, nossos ouvidos ressoando acordes perfeitos enquanto o silêncio fervilha ao redor da mesa. Te encontrei com a saia cobrindo as pernas que amo tanto, que ajeito e percorro com as mãos cansadas. A boca que tanto me beijou não se move, se alimenta apenas dos meus olhos, dos sorrisos que as palavras alheias nos causam.

E nós, frente à frente.

Sorrio como se todas as coisas fossem permitidas (e não são?). Tenho tanto pra te dar e tão pouco aqui comigo, mas isso era segredo daqueles que contamos na penumbra, sem olhar nos olhos, acariciando os seios e imaginando o passado limpo e honesto. Suas mãos se movem agora, escrevendo no guardanapo palavras sem sentido para entender as incertezas do encontro.

Pedimos juntos o mesmo prato, como se fosse um jeito enigmático de caminharmos juntos, fazendo a eternidade caber na palma da mão, me espanta seu jeito leve de olhar intensamente tudo que eu faço, me fazendo querer ter mais de cinco sentidos pra te compreender.

Enquanto nada chega à mesa, gastamos o silêncio atirando promessas, risos e esperanças, entrelaçando as mãos completamente desafinadas, fazendo com que as cicatrizes do passado fossem escondidas sob a mesa. 

Com sua voz suave me arrancava os mais profundos segredos, os sonhos e planos.Escolhemos o vinho de acordo com o nosso humor, rubro e encorpado com leves toques de madeira, de uma acidez volátil que constantemente se altera entre doce e seco.

Nosso riso antes desacreditado, surgiu repleto de cores com a realidade monocromática, queria que todos os meus sentimentos fossem dados à você,  o café intocado por medo ou por educação nos faz contemplar os resquícios de um ritual muito antigo antes que nosso amor se consuma entre a minha fé e a sua curiosidade. 

Conversamos sobre os amores inesperados, as dúvidas repentinas que as constelações nos causam, os significados dos versos que florescem através da nossa sensibilidade, ouço seus segredos prestando atenção em cada detalhe, saboreando as palavras como se fossem mágicas.

Eu já estou conquistado, quero apenas exaltar esse romance e exagerar nossa realidade.

Marcello Lopes
Foto: Sienna Miller

25 de abril de 2011

Preciso te contar

Preciso te contar o que tenho enxergado com minhas mãos vestígios
deixados por inúmeras paixões que me corroem os ossos,
alargando minhas costas,
fazendo com que eu descubra certas coisas sobre mim mesmo.

Preciso te contar que meu reflexo não é o mesmo de antes,
que meu sorriso não controla mais quem se aproxima das minhas lembranças,
que as lágrimas se tornaram previsíveis demais e o seu mutismo incompreensível.

Chega o tempo de cada um onde vários versos são soltos pelo mundo,
sem compromissos com suas musas, meras palavras que já não significam nada.

Preciso te contar que as coisas que eu vivi foram diferentes,
que meus sentimentos brotaram como uma erupção expondo meu lado mais frágil,
e com isso produzi os meus versos mais racionais.

Minha vida está repleta de pigmentos, de cores extremas e sentimentos tradicionais.

Marcello Lopes

19 de abril de 2011

#14


O fluxo de felicidade rasga a pele, 
brota nos olhos, 
se funde com o tesão.

Penetra na alma,
carrega uma vida repleta de paixão e desejos.

Marcello Lopes
Foto: Deviantart

Bom feriado, muita paz !!!

18 de abril de 2011

#13


Hoje abri a janela e a luz formou círculos em minhas mãos,
como duas chamas que ardem mas não queimam.

Na madrugada repleta de aspirações e desejos seu peito madrugava em minhas mãos, 
seu corpo se inspirava nas flores do jardim e exalava suave perfume,
tecendo sutilmente uma história tão macia e misteriosa que meus sentidos uniram-se às sombras no amanhecer. 

No quarto escuro, repleto de versos vermelhos e angustiosas promessas, 
me reanimei em seus pés inesperadamente confidentes, pendendo sobre minhas mãos.

O esplendor dessa paixão revestida de um véu primaveril, 
tranqüilamente surge em nossas mãos exaltadas, morrendo nos lábios 
que deliram e sorvem com doloroso prazer o doce (amargo) dos dias tempestuosos.

Com a alegria serena no próprio corpo,
esse altar coberto de prazeres e beijos, ficamos pousados um no outro, 
com os olhos calmos, a alma furiosa e o prazer satisfeito.

Seu sorriso ao amanhecer traduz a verdade perfeita, 
a felicidade infinita de uma alma que vive para amar,
que se expõem às sensações que me fazem rir ou chorar.

Na cama seu (uni) verso enxerga o futuro, transformando transliterações em poesia,
desfazendo-se das aparências e compartilhando comigo 
o deslumbramento de cada palavra e sentimento.

Quando esse dia acabar, enxergaremos a intensidade
e a sensação de paz que esse amor nos traz.

Poema: Marcello Lopes
Foto: E Deus criou a Mulher

13 de abril de 2011

#12



Almas que rompem com a idéia de romance,
criando a percepção do infinito.

Corpos, que iludem o tempo, 
causando desordem dos sentimentos.

Olhos que descobrem, mãos que percebem,
bocas que afastam e pés que acusam.

Vivo essa desordem que apaixona.

Poema: Marcello Lopes

11 de abril de 2011

#11



Nunca conheci um amor de verdade, 
apenas afogamentos intermináveis,
sensações indefiníveis sem envolvimento.

Não conhecia o amor, até suas mãos 
desenharem o espaço à minha volta.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Google

8 de abril de 2011

#10


Singelas alegrias despontam da sedução do seu sorriso,
a eternidade do instante capturado pelo seu olhar,
o frenesi dos orgasmos intempestivos.

O mar que subjuga,
o vento que obedece.

Escuto seus silêncios,
reconheço suas marcas
que fustigam meus olhos.

Essa paixão que ruge como uma tempestade,
fúria que provoca, mãos que hesitam,
apenas para desbravar essa tal felicidade.

Marcello Lopes
Foto: Kelly Maile

7 de abril de 2011

#9



Meus segredos dormem diante dos seus olhos, e nas reentrâncias dos seus seios.

Poema: Marcello Lopes
Foto: E Deus criou a mulher

4 de abril de 2011

#8

Eu descobri uma imagem nos cortes em minha mão,
formando um rosto exatamente como quer meu coração.

Eu descobri um som nas fendas das paisagens que imagino,
harmonioso e latente,
um vestígio dos nomes quase esquecidos.

Acolho esses sentimentos e anseio pelo convívio de mãos,
pés e boca em minha vida,
uma fenda que se torna rosto,
um corte se torna ponte na senda da vida,
uma mulher.

Eu descobri o cuidado da entrega,
as fronteiras entre o amar e o desvelar,
o jogo poético e amoroso que se forma quando estou com alguém.

A alquimia da pele,
o denso fogo queimando os poros,
o corpo, os livros, o desejo.

Eu descobri nos espelhos o que cada olhar guarda nas horas mais difíceis,
e que o amor se torna uma ilha.

Essa orfandade me enclausura e no relâmpago dos sentidos digo tudo que meu coração não diz,
choro tudo que os meus olhos se recusam, grito o que a garganta silencia.

Marcello Lopes

2 de abril de 2011

#7


Erguer paredes,
lançar-se contra os muros,
equivocar-se.

As ilusões são realidades
desentendidas,
infelizes,
e mascaradas de aspirações.

Os amores abandonados,
sufocados pelas construções
das nossas expectativas,
que determinam as implosões.

Erguer paredes,
lançar-se contra os muros
planos incertos
de uma trajetória enganosa.

As paixões imploram misturas
a alma pede cor, e a privacidade
demarca seu território.

Abrir o horizonte
avistando silenciosos sonhos
e chances de uma paixão.

São escolhas e criações
do nosso próprio coração.

Marcello Lopes