27 de maio de 2011

# 19


Diga você o que quer quando me fez abandonar as promessas vazias dos amantes,
testando meus limites que animam o espírito pelo sofrimento da pele.

Diga o que eu preciso entender para te roubar e me abandonar nas forças incontroláveis da paixão,
morro e renasço em teus braços quantas vezes for preciso.

Diga você o que é necessário para viver plenamente o seu amor para me livrar daquilo que não sou.

Quantos já não morreram pelo instante de idolatrar seus instantes ?

Diga você o que faz essas vozes te amarem tanto?

Em nossos momentos de adrenalina uma fúria toma conta de nossos corpos, jogando luz nas sombras, abrindo as portas de um paraíso que eterniza os momentos e transforma as palavras em versos.

Juntos somos tranquilidade e inconstância, sorrisos e sarcamos, beijos e orgamos.

Diga o que você quer que eu seja, e serei quando você quiser. A distração do teu corpo é o combustível que minha pele necessita para descobrir que meu silêncio é mais ensurdecedor que meus versos.

Quero te deitar entre livros, cores, tapetes e escrever luz no teus seios, elevando o encanto e a dor dessa paixão.

Marcello Lopes
Foto: Kelly Mailê

23 de maio de 2011

#18


Queime os vestígios da minha pele na sua,
permita-se que o acaso decida seu destino.

O meu corpo se ajustava perfeitamente no seu,
transformando seu ponto de partida em tesão.

Os meus desejos forravam seu chão,
minha mãos não resistiam os impulsos de explorar seu corpo,
relembrando cada poro, cada suor.

Sua pele tinha memória escondida como duas ondas no mar
que correm pelo caminho mas nunca se chocam.

Esqueça os caminhos percorridos pelos seus lábios em meu corpo,
a lentidão de cada abraço, o beijo deixado nos olhos,
as mãos entrelaçadas nas costas esqueça tudo isso.

Nas vertentes da vida você se lançou despercebida da minha paixão,
alheia a minha simplicidade retirou-se para longe.

Com lágrimas desesperadas tentei te encontrar,
possuir o amor que tanto te exaltava
mas seus desejos sempre ocultos me deixaram pra trás.

Marcello Lopes
Foto: Valerie van der Graaf

13 de maio de 2011

#2 - parte 2

Antes de ler esse texto, leia esse aqui primeiro.


Meus passos ofegantes e impacientes seguem o mesmo caminho que fiz horas atrás, enquanto presenciava sua vã tentativa de me alcançar pela areia da praia. Agradeço o mar por ter sido testemunha do nosso amor, como um cúmplice fiel dos desvarios de dois apaixonados.Ele lava os meus pés enquanto peço para os deuses que eles nunca deixem de ser seus. Meus pés no fim do dia sempre desejam voltar para ti.
Abro a janela e vejo você entre papéis , escrevendo versos que me lembram o mistério da vida. Beijo seu rosto delicadamente como um gesto de respeito,pois sei que naquele momento existe um fio frágil que liga suas idéias em suas palavras. Acendo a luz, o incenso, e continuo olhando para os seus movimentos sutis.
Começo a me despir do cheiro do mar, da roupa suja de areia e lavo meus cabelos para que você encontre neles minha alma. Você me observa com olhos de poesia, tesão, afetividade, companheirismo, esperando que eu o chame para junto do meu corpo. Naquele momento nada me protege mais que tuas mãos fazendo desenhos e escrevendo na minha pele os seus sonhos.
Preparo o jantar enquanto você organiza a mesa e as taças. Conversamos sobre tudo o que nos interessa nesse momento, nós dois. Repouso meu rosto em seu peito enquanto você mistura seus dedos com meus cabelos e me conta histórias de amores antigos e impossíveis. Movida por um desejo incontrolável guio suas mãos para que possa sentir o arrepio que as tuas palavras me provocam.

Foto: Lorena de Brito

P.S: Estou entrando de férias, viajar um pouco, ler mais, comer comida da mamãe, e ficar um pouco sem escrever. Espero vê-los(as) em breve por aqui. Beijos e abraços alucinados.

3 de maio de 2011

#17



Meus versos se esvaem nas bordas do seu corpo,
retirando os males do mundo através dos seus rodopios.

O universo é hipnotizado pelos seus gestos que consomem destinos e acasos,
que harmonizam desejos e ganham vida dominando os sons.

O sangue jorra pelos ferimentos da paixão, desafiando a perdição.

Minhas mãos delineiam as cores que pinto seu retrato,
criando chamas que consomem as telas em gestos de luz.

A dança alegra o ambiente e embriaga a mente que acalenta um sonho,
fervendo na pele mas morrendo nas páginas alvas e vazias de um livro.

Na cadência dessas palavras que invadem meu espírito,
transformam minha poesia em oração,
cessando apenas quando seu ritmo derruba imprevistos,
queimando de emoção.

A aparência engana e transforma os incrédulos sofredores em cegos,
obedientes perseguidores aspirando eternamente vestir-se de amor,
querem libertar-se dessas dores.

Os versos tem fúria, se fundem com o universo
dissolvendo fronteiras, misturando línguas e dispersando virtudes.

Seu encanto é meu destino,
seus pensamentos existem além de mim,
entre uma borda e outra do seu corpo
tudo se (con) funde entre calor, sexo e desafio.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Pamela Van Kruijsdijk

#16


É aqui que sempre estou quando você me procura. 

Marcello Lopes