30 de junho de 2011

#31


Prenda seus atos em meus versos,
seus pulsos nos meus braços
criando nós de poesia.

Prenda meus dedos nos seus seios
corte dos cabelos os fios dos desejos
e sôbre meus olhos cubra contra o medo.

Marcello Lopes
Foto: Brooklyn Decker

27 de junho de 2011

#30


Leio cada poro
onde arde o rubro desejo da sorte,
do amor.

Leio da sua língua que desliza,
os versos que teu corpo oscila.

Poema: Marcello Lopes

25 de junho de 2011

#29


Te encontrei na penumbra, sem palavras e gestos,
entregue à uma verdade que só existe nos versos.

Me entreguei então às palavras para decifrar o seu silêncio, tentando explicar essa vida que ondula em nossa pele, que os versos quando honestos trazem nosso gosto e aroma nas páginas velhas de um livro.

Me aflige o ensurdecedor silêncio que nos atinge, em minhas mãos encontro cartas que você escreveu
e que completam as mutações de uma paixão universal, sempre soube que amor era a energia que nos sustentava.

E isso dói, essa revelação vigorosa e ao mesmo tempo simples estilhaça sobre nós pequenas lacunas que nossos atos não completam.

Queria contemplar seu rosto sem esse sangue que se espalha colorido e fresco pelas bordas do nosso romance, minhas mãos, nuas, alvas não são capazes de conter esse líquido,
assim como meus atos não foram suficientes para perfurar suas defesas
e criar um pacto espontâneo com os teus olhos.

Olhos, meus e teus,
desviam-se indefesos,
sem os argumentos expostos à verdade que só existe na vida real.

Na penumbra a fatalidade é mais delicada, prova amarga nessa ardente luta das paixões.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Olívia Drout

#28


Nada é tão belo como o movimento dos seus lábios
e o alvorecer do seu sorriso.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Anne Vyalitsyna

22 de junho de 2011

Estamos juntos

Estamos juntos caminhando de mãos dadas e sonhos entrelaçados, tão felizes que deslizamos sem densidade e nenhum vento, através de jasmins e arabescos que a Lua torce em tristes espelhos.

Estamos juntos na eternidade desse instante perfeito que se estende em imagens poderosas, desbravando a solidez da ilusão que insiste em nos rodear, desfraldamos as cortinas do tempo e espaço destituindo assim a solidãoque se opõe ao nosso encontro.

Cada vez que cruzamos olhares surge entre nós um alento heróico e livre de perigo matando as sombras que desprezam tudo, criando entre nós uma ligação que contrasta com a nossa realidade, transformando sem medo todos as nossas dificuldades, as flores brancas jorram esperança em nossos pés, e as verdes enfeitam seus cabelos.

Nesse sonho sustentamos o ritmo dos nossos corpos com o mesmo tecido que são feitos os sonhos, criando assim prodigiosas possibilidades, desdobrando nossas vontades e amando sem reservas.

Estamos juntos, e nos convertemos em corpos fluídicos, com sentimentos em constante diálogo, sem exigências, entregando-nos à essa paixão sem princípio nem fim carregando cada um seu próprio universo, abstrato, absoluto e instável.

Calmamente nos despimos dos preconceitos que nos enfraquecem tanto, apagando a bruma que nos faz enxergar apenas um vago retrato do que realmente somos um para o outro. Sentamos e adormecemos nossas opiniões arbitrárias, afogamos o deserto de experiências desastrosas e selamos nossa herança de solidão em uma eternidade breve.

Estamos juntos, finalmente, no exílio dos nossos desejos, então uma boca falará quem é e a outra responderá porque existe e beberemos lentamente o mistério que cada um carrega, e nesse mar absoluto de idéias, opiniões, gracejos sorriremos com os corações perdidos em uma terra que nunca nos entenderá.

Sentada à beira das próprias emoções, sua risada tem longos ecos, seus olhos se detém nos meus e sou capaz de responder quantos acontecimentos em sua vida foram pelo amor produzidos, e se me abraça devotadamente sou forçado a contar quantos deles já foram sofridos.

As nuvens em meu sonho se desmancham, e os desejos se demoram mas finalmente estamos juntos, sem pressa, sozinhos navegamos e estudamos esse oceano indefinível do amor.

Marcello Lopes

#27


Amo essa exaltação que te sobe aos pés.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Jessica Gomes

18 de junho de 2011

#26


Surge em mim ímpetos de devorar seu corpo com beijos
(con)fundir minhas mãos nos seus seios
transformar um instante em momento único.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Jessica Gomes

17 de junho de 2011

#25


Tremores súbitos,
desejos e medo,
tomar teus cabelos negros
umedecer teus lábios
sentimento indefinível ao qual finalmente cedo.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Jessica Gomes

14 de junho de 2011

#24


Não conto histórias, 
meu passado é escrito em versos riscados como as linhas da mão,
desenhados ao longo dos seus seios em ângulos diversos,
entalhados pela paixão que nos consome.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Fanny François

13 de junho de 2011

10 de junho de 2011

#22


Beijo-te silenciosamente,
as pernas latejantes,
as transparências
e as arestas.

Beijo-te a fronte,
inundo cada vez mais a mim próprio.

Tão delicadamente que a tua alma sente.

Marcello Lopes
Foto: Jessica Gomes

6 de junho de 2011

#21



Meu corpo se embebe como uma esponja
dos líquidos que refluem das suas recordações
e se dilata em esperança.

Foto: Michelle Hunziker

4 de junho de 2011

#20



Eu não saberia traçar a rota de onde seu corpo se esconde,
nem muito menos determinar uma data para nos encontrarmos.

Ás vezes, basta-me uma pequena partícula do seu perfume para me inspirar,
um aflorar de sentimentos, o surgimento inesperado de luzes diáfanas.

Eu não saberia que à partir do diálogo entre duas almas gêmeas que se encontram em um incessante vai e vêm poderia construir verso a verso uma paixão tão perfeita.

Essa força criada de frases desconexas separadas por orgasmos e sinais que o corpo envia mas somente outro corpo pode captar.

A paixão é perfeita por que é descontínua no espaço e tempo, ora visível, ora sensível,
aos olhos, à pele.

Eu não saberia dizer por que esses sentimentos afloram quando dispersamos nossos beijos ao longo da pele.

Marcello Lopes
Foto: Giovana Gamma