25 de julho de 2011

#37


Tento amar as perguntas que existem em teus pés, um amor como esse não faz sangrar, longe de nós as palavras soam tão iguais, desejo é teu corpo inteiro repleto de significado e que desse sentimento surja um rodopio de cores, um hábito de virtudes e que arda no peito e estale nas mãos.

Não posso adiar um amor que escorre sobre minhas mãos, e se transformam em séculos de poesia, na aurora que grita a liberdade e cala as sombras.

Teus pés são hábeis em vazar as cores mais vivas, perdendo-se em meus lábios, esculpindo em meu corpo a espuma que sai dos nossos poros e não cabem na cama, escorrendo pelas paredes, manchando os degraus, entupindo os ralos, chegando incrivelmente na rua onde vivemos.

Tuas pernas me laçam e me fazem ter vontade de abrir as janelas e com intensidade perder os meus limites, mergulhar fundo em algo que eu tenho medo de tão sereno que possa ser, me prender tolamente a uma felicidade efêmera de tão possível que seja.

Esses dias rasos não cabem mais em nossas palavras preferidas, a manhã é tão comtemplativa vista de cima do seu corpo,ando pensando nas buscas que fazemos enquanto nos amamos ardentemente, buscando o êxtase, o prazer alheio e o próprio, e me apaixono perdidamente por isso todos os dias.

Não entendo o equilíbrio, sou estupidamente desequilibrado quando meus sentimentos gritam teu nome, e até a plena exaustão procuro a esperança de mais um dia ao teu lado, colhendo em teus pés um buquê de esperanças e alegrias.

Há muito que saborear, careço de muitas vontades, de coisas profundas e de virtudes, das tuas mãos experimento as luzes que contém a riqueza de uma paixão, dos meus olhos lê-se livros e no horizonte dessa inconcebível relação, impulsionamos apenas nossos sonhos.

Danças em torno da cama, enchendo o coração com a vida, perfumando os lençóis com a saudade e como se nascesse uma vez mais se espanta com o mundo.

Ri afastando minhas mãos e tomando minha alma que se aproxima do teu corpo, anda devagar narrando alegremente sobre nossos orgasmos entrelaçados de paixão pelos campos, pelas camas, pelos becos.

Tento entender que a única forma de amadurecer é se impor amorosamente na vida, juntar sua solidão à solidão alheia, teus pés tornam tudo mais fácil, trêmulos dedos em minha língua, assombrando meu corpo que ejacula teu nome pelo espaço.

Eu quero é me entregar, essência e espalhar meu corpo em teus seios, doente de tanto beijá-los, sorrindo feito criança, te erguendo e compondo em versos a tua face.

Texto: Marcello Lopes

21 de julho de 2011

#36


Embriaga.

E da face marcada pela paixão me põe a sonhar.

Respirar 
E do teu corpo impossível, meu desejo sobrevive.

Marcello Lopes

18 de julho de 2011

#35


Minhas mãos te entendem como flor,
meus dedos te defloram desprovidos de embaraços,
e se tua pele lacrimeja é pelo beijo que escorrem minhas cores.

Marcello Lopes

11 de julho de 2011

Dúvida


Podia ser só amizade, paixão, carinho, admiração, respeito, ternura, tesão. Com tantos sentimentos arrumados cuidadosamente na prateleira de cima, tinha de ser justo amor, meu Deus?

Caio Fernando Abreu

#34


Pele que dança nua
sorvendo sonhos e desejos
derramando fantasias,
criando orgias.

Pele que queima as mãos ágeis que dominam
aurora dos versos amortecidos pelos beijos.

Pele salpicada de gozo
que degusta o gosto de mel em teu corpo.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Brooklyn Decker

8 de julho de 2011

#32

3

Dói não sentir mais o odor das pétalas esmagadas pelos seus pés,
dói não ouvir seus sussurros que minhas mãos tentam desvendar.

Dor é não sentir seus lábios líricos, úmidos
silenciosos se abrindo.

A dor erosiva desabotoa as mágoas guardadas,
revelando os segredos envelhecidos no corpo e nos livros.

Poema: Marcello Lopes

4 de julho de 2011

#32


Descarta a fantasia
medindo formas
e criando asas.

No desejo ávido da carne
despe-se da intimidade
e mata-se a realidade.

Poema: Marcello Lopes
Foto: Brooklyn Decker