29 de agosto de 2011

#43

Eu era um pequeno construtor de versos quando escutei pela primeira vez sua voz, vagueando pelo meus ouvidos como uma sinfonia desvencilhada de forma, harmonia que arrebatava.

Você era bonita com uma alma perfeita, com pés luminosos e pescoço carente de beijos, quando nos encontramos pela primeira vez eu escondi meu rosto em seus cabelos negros com cheiro de paz, e de repente não sofri mais.

Meus pequenos versos se dissolviam, vergavam sob o peso dessa paixão tão avassaladora. Eu morria de vontade de pousar meus lábios em seus ombros, instalar minhas mãos em seus seios perfeitos.

A primeira vez que eu segurei suas mãos foi quando em um impulso tentei queimar tudo, versos, roupas, minha vida inteira e foram suas mãos que salvaram tudo, desmoronando em mim um sentimento de agradecimento, e assim amei-a.

Amei-a como homem, como poeta, recolhendo com os poros cada impressão do seu corpo, acariciando suas coxas para decorar cada centímetro do seu corpo. E assim cresci como poeta, agraciando cada folha com versos à sua imagem, descobrindo cada vez mais significados que pudessem descrever o segredo dos seus olhos.

E assim prolonguei o gozo em cada palavra, cada parágrafo amando sua nuca esguia, desbravando seus lábios apenas para encontrar a renovação desse amor.

Caminhamos juntos atacando ruas, estradas, praias e montanhas com nossos sonhos, elegantes desejos dos apaixonados esfumaçados por sentimentos arrebatadores. 

E foi a água que me ensinou mais sobre sua pele do que o sexo, ao mergulharmos nossos corpos e encontrarmos a felicidade diante de cada arrepio.

A primeira vez que eu escrevi algo em seu nome fui varrido furtivamente por uma bravura exemplar, estimulada pelos aromas do seu corpo impressos em meus lençóis.

Era um poema que suplicava pela sorte dos amantes que ateavam fogo às paixões com frases inquietantes e corações disparados.

A folha ficou repleta de pensamentos, desejos secretos sendo revelados com a mesma excitação que nos deliciamos esperando o gozo romper entre a pele. Nessas páginas, estavam todos os delírios extintos, os gestos esquecidos e amados.

A primeira vez que você sorriu para mim foi como um tênue facho de luz que me fez chorar, e você ficou me olhando sem voz, uma sublime beleza permanecendo silenciosa.

Foram suas palavras, fragmentos de pensamentos que colaram em minha mãos imperfeitas, trazendo carícias amorosas que me faziam esquecer a aspereza da realidade.

Não mudei, nem poderia. Foram seus silêncios que despertaram minha curiosidade, fascinando todo o meu corpo com suas ordens sufocadas, indicando onde queria ser acariciada.

Me surpreendi com o seu corpo suado, seus olhos colhendo cada palavra da folha, brincando com as frases em sua boca, afagando com os olhos as minhas mãos incansáveis.

Eu era tão ingênuo que pensava colher seus sorrisos e imprimi-los nas páginas, saquear vidas alheias para acreditar que houvesse esperança para nós.

Eu sei que você gostou de mim, senão meus poemas seriam apenas esboços de uma vida à espera de um sopro, de um chamado, de um raio de sol que a fizesse se inventar.

Difícil colocar o coração em imagens abstratas, em construções gramaticais, em outros olhos.

Mas eu tenho tempo para ler as sombras desse amor, de desaprender a te esquecer, acreditar que seus olhos são minha luz, correr desesperadamente sabendo que a química entre nossos corpos são repletas de miragens, de sabores e encontros idealizados.

Anos depois do nosso romance, já adulto e repleto de vontades inacabadas, descobri seu endereço e corri com o vento.

Já conhecia suas margens e não havia nenhuma célula do seu corpo que não capturei com as mãos e lábios, e encontrei brincando no jardim entre crianças resvalando suas pernas, insinuando-se entre seus braços.

Fiquei sentado em um banco, imaginando e aproveitando das imagens da sua felicidade materna, revivendo os eternos planos com os olhos afogados tentando não naufragar e no meio de tudo isso, eu percebi os mesmos cabelos, os mesmos olhos selvagens, a promessa de um novo mundo.

Sua filha era o poema desenhado e amorosamente concretizado.

Ao anoitecer, eu estava espalhado pelo jardim envelhecendo sem dor.

Os versos sobrevivem dançando nas páginas, as palavras certas nem sempre correspondem às ações.

Marcello Lopes
Poços de Caldas

26 de agosto de 2011

A luz no silêncio

Inventei vidas, irrequieto e impaciente construí personagens tão ricos e convincentes que até mesmo a alma mais pura acredita, essa intensa convivência com a ilusão criou imagens preto e branco em minha memória, ausentes de cor elas encobriam o tempo.

Eu estava voltando de uma dessas vidas, sem conquistar nada, a solidão se instalando e seduzindo as sombras, acreditando que a ilusão envelhecera e perdera seu encanto quando eu a vi.

Não conhecia essa mulher, ela não fazia parte da minha vida, ou melhor, de nenhuma das vidas que criei. Ela apareceu pela primeira vez e sua luz me atingiu como o reflexo de um relâmpago em um vidro opaco.

Subi correndo a rua e me escondi, um rosto imóvel com o coração em chamas, caí sentado no chão frio segurando meus braços pressentindo um sentimento que nunca havia experimentado, uma energia nuclear percorrendo meu corpo.

Essa sensação estendeu-se por dias, não entendia por que tanta paixão e afeto por uma estranha, que não era senão um olhar perdido atrás de centenas de outros rostos ?

Essa presença que me persegue mesmo quando durmo, adulterando minha vida, contestando todas as minhas decisões com uma voz potente.

Saí de casa, e reinava a calma nas ruas desertas, sons de paz se faziam ouvir, uma panela batendo em alguma cozinha, crianças rindo, e um delicioso aroma de leite achocolatado encobrindo toda a sujeira das ruas.

Me senti com o inevitável sentimento de nostalgia, lembrando das modestas noites que eu passava com minha família, fragmentos de uma curta felicidade. Caminhei com afinco e mergulhei no enigma que essa mulher se tornou, e tinha a certeza de que nos reencontraríamos em breve.

Durante toda a madrugada andei cego e titubeante, como um bêbado perdido em uma cidade desconhecida, flutuava pelas ruas como se navegasse por um rio formado de imagens e rostos desconhecidos, jovens e velhos, mulheres e crianças perdidos em um mundo lamacento e repleto de fantasias estorvantes.

Dias se passaram na mesma angustiosa rotina, voltei ao caos cotidiano de uma das minhas vidas, carregando a imagem do encontro como uma fotografia que aos poucos se transforma em mito, retratando apenas o que a imaginação vê.

Era cedo e o mundo começa a cuspir gente estúpida por todos os lados, resolvi fazer o caminho inverso do meu dia a dia, e julguei ver uma pequena luminosidade em algum lugar, atrás dos rostos medíocres que me cercavam. Corri em sua direção, segurando a respiração e decolando minha esperança pelas ruas, confuso e ofegante perdi o rastro, um universo inteiro de possibilidades sumiu diante do meu corpo lento.

Fiquei mudo e paralisado por alguns momentos, sem deixar que a multidão me perturbasse, e de repente ela estava ao meu lado, murmurando algo, existindo ali satisfeita como se fosse apenas um satélite incandescente em meu pequeno universo.

Ao encontrar seu olhar amei seu sorriso, amaldiçoei minha vida abandonada, e assim sem pronunciar uma só palavra me atou às suas mãos e voltou a caminhar, dessa vez carregando consigo meu corpo e coração.

Nos sentamos em um café, eu um pouco surpreso encontrei suas mãos nas minhas, seus olhos encerram segredos insuportáveis e nos meus o desenho das palavras. Do meu silêncio nasceu uma série de pensamentos, dúvidas e medos, sua luz revelou uma coragem apaixonada.

Não questionei nada do que me revelou, aos poucos cada uma das minhas vidas foram desaparecendo, sem forças pra resistir fui acolhendo essa mulher em mim, assim acolhi o amor.

Afoguei todas as sensações e desamores enquanto você iluminava cada vez mais o ambiente, já não podia mais abandonar o que me foi oferecido de mais precioso na minha existência.

Essa felicidade que se anuncia me apavora, eu não sabia que a vida podia ser isso, felicidade. As inúmeras vidas me endureceram, impermeabilizando meu corpo contra conceitos tão distantes como desconhecidos para mim, como braços abertos, afetividade e alegria.

Essas horas com você me ensinaram coisas bem diferentes, um mundo irresistível, uma pérola de luz com um verbo que explode no coração antes de jorrar na boca, um desassossego que tranquiliza o espírito, apagando os semblantes falsos, derrubando leis de aparência e me convencendo a esquecer o passado, suavizando o presente.

Para mim você está sempre próxima, não esqueço nada e nem quero, sua luz baniu todo o sofrimento que já não me lembro das minhas cicatrizes. Naquele café, sentado à sua frente de mãos dadas senti o terremoto amoroso que abala e danifica qualquer coração, a deliciosa sensação de pertencer à alguém sem resvalar no sorrateiro apego.

Bebemos café e falamos de relâmpagos e do abrasamento que leva à paz. Martelamos palavras em brasa, hipnotizados pelo ritmo que contém toda a esperança e amor que pudemos encontrar. Tudo me parece fantasioso e seu conselho foi de que eu me entregasse e me escondesse em seus abraços.

Me agarrei à esse tesouro que me era oferecido e beijei seus lábios luminosos, destranquei meu peito, jogando fora a armadura e chorei, não de tristeza, mas pelo simples fato de que é necessário aprender a chorar.

Delicadamente me afundei em seus cabelos, me concentrando em amar esse amor, alentando-me de descanso. Conversamos muitas vezes em silêncio, relendo pequenos detalhes nas mãos, diluindo o desejo da pele nas carícias, escrevendo sem palavras um alfabeto conhecido apenas pelo o olhar.

Voltamos juntos para casa carregando na felicidade nascente, a certeza do amanhã e deitamos na cama surtados por um desespero que prolongamos o gozo até uma dor que demora a dissipar nos atingir.

Ela apertou meu rosto contra seus seios generosos, dizendo que agora não pode viver sem mim, escrevendo com os lábios em meus braços seu nome de forma indelével.

Partiu no dia seguinte sem tristeza, nem ausência.

Agora minha vida é única e simples, uma paixão que eu sinto e um amor que me engole.

Texto: Marcello Lopes
Foto: Magritte

22 de agosto de 2011

#42


É madrugada, não existe movimento, nem mesmo o ar se desencontra. O silêncio é traiçoeiro, demarcando as ruas como os semáforos e na sedução desse vazio penso no que  escrever na folha que me aguarda pacientemente.

Olho para o céu pedindo entendimento, inspiração, tesão qualquer sentimento que embale minhas mãos à brincar de desvendar possibilidades. Ouço alguém caminhar nas ruas abaixo de mim, passos quebram o silêncio espesso, rompendo a concentração que eu tanto desejava ter.

Olho para estante, Eco, Auster e Calvino me desafiam, desmontam meu instinto de escritor, uma mediocridade me sufoca e joga em minha direção um labirinto de brancos e distrações. A folha está lá, deitada, impassível e intocada esperando que eu a pinte de frases e pontuações.

Meu sonho é colocar todas as dimensões de uma vida na pequena folha, um minúsculo papel que contém toda linguagem dessa vida, e mesmo assim a noite parece me desacatar com a sua desgastada incomunicabilidade.

É uma busca insana por uma palavra que ronda misteriosamente meu cérebro, e que a simples descoberta dessa palavra faz jorrar centenas de outras em um ciclo atordoante não para de escoar todos os dias.

Quando sou tomado dessa febre todos os dias são prosa e verso, mesmo quando exausto deito e tento não pensar em pensar. Me levanto da mesa improvisada, lavo o rosto tentando não odiar a madrugada que devora cada segundo da minha vida, vejo entre as gotas de água em meus olhos a folha aguardar algo nem que seja uma rasura. Nem assim os deuses me inspiram.

Tento pensar nos amores que eu tive, foram tantos e de tão diferentes formas, cores e necessidades que me perco em devaneio sentindo falta de alguém que se foi e que não sorrirá mais pra mim, que não se deitará esperando após o prazer a promessa de amor, de dor, ou ao menos de indiferença.

As lágrimas não me surpreendem, sinto falta da inspiração que nunca esperou o momento seguinte, que sem pressa tomou minhas mãos e descreveu o mundo de atos, de orgasmos em pequenos momentos perfeitos.

Mas não escrevo, penso em tudo organizando por épocas, por rostos, por seios, pés, poemas e milagres, mas não surge a primeira frase, o verso inicial de um poema épico, de uma ode à musa desnuda e molhada de beijos.

Volto à mesa e continuo a contemplar a madrugada, estranhos passam e gritam algo que não sou capaz de entender, um carro canta o pneu em uma esquina escura e imagino por que a pressa nessa noite que meu pensamento se transformou em um absurdo displicente.

Revejo a folha seca, sozinha na mesa ainda esperando a inspiração de uma agonia que ficou presa entre dois pensamentos, é no excesso de imagens que nasceu o branco.

Guardei a folha, derrotado e iludido pela ilusão de ser poeta que turva meus pensamentos ao tentar clarear meu coração.

Jogo-a na gaveta e maldigo meus pensamentos que me desobedeceram, que resistiram ao meu domínio e que não carecem de piedade. Ajeito a folha com culpa, deitando-a entre outras folhas mais afortunadas, repletas de versos, de paixões que criaram outras frases e que essas reinventaram um pensamento, deslocando minhas mãos cada vez mais longe, fundindo gramática com amor, aderindo ao papel muito mais que apenas tinta.

Me entrego à madrugada, ao invisível e me torno anônimo, não termino nenhum pensamento, só caminho descalço pelas calçadas somando cores, subtraindo raciocínios e dividindo músicas através do silêncio.

Texto inspirado e dedicado à Letícia Palmeira.

12 de agosto de 2011

Suas mãos

Só o milagre da poesia consiste em transfigurar a realidade, transformar sonhos em desejos realizados, reunir os cacos de uma vida estilhaçada pelas decepções da vida.

O poeta puro, aquele que escreve com o coração e com arte espanta-se com a capacidade que os versos tem de criar, se requintar somente pelo fato dele se apaixonar. A vida impressiona com suas formas ásperas e instantes densos que aparecem arrancar os sonhos, no entanto, o poeta em um delicado sentido de harmonia une os versos magicamente à objetos, formas, sentidos e relevos.

É a vitória de um homem ou mulher sobre uma situação dissonante, vence a banalidade de uma vida ordinária com a criação de palavras extraordinariamente sensíveis ao poder expressivo da paixão, paixão pela vida, pelos filhos, pela natureza, pelo sexo.

É o carinho que fala com eloquência, que constrói nas páginas em branco um corpo perfeito, repleto de desejos e alma, onde todos os sentimentos estão expostos, onde o espaço entre as linhas formam fragmentos de rara beleza e inusitada lírica.

Na paixão de um poeta e nos limites da desordem sentimental a que ele se entrega é para ele alegria, prazer de usar materiais nobres como o sexo, o amor, o deslumbramento na descoberta e transfiguração dos versos.

Fragmentos de histórias amorosas, delírios de prazer, sonhos que ganham transcedência ao se integrarem à métrica poética de uma biografia que nenhum homem tem igual.

Aquele que se rende às letras jamais assassina o menino que traz consigo e como não pode matá-lo, descobre através da máxima expressão pueril as pequenas construções gramaticais que o elevam aos céus.

E quem o poeta enfeita ? A vida além das paixões ?

Marcello Lopes

Dedicado aos poetas que me inspiram com os seus textos, suas vidas e sua dedicação às letras...

11 de agosto de 2011

#41


Me escondo atrás de portas abertas, às vezes escutando ruídos no silêncio.

Quis ser o sonho da sua boca, a luz dos seus olhos, transformar minha vida nessa sua presença.

Me escondo sob a terra que seus pés caminham pelo simples motivo de sentir seu peso em minha pele.

Quis ser o vento que leva longe seu sussurros, por que se você não fala abertamente existe sempre o instante em que nosso pensamento se mescla com os nossos sonhos.

As portas nunca são largas o suficiente para permitir que todos os nossos sonhos se libertem , e nossas mãos não sabem ler os desejos que descansam em nosso cansaço, nem mesmo o tempo flui rápido o suficiente para cicatrizar todas as nossas feridas.

Minha eternidade é apenas um intervalo que contém todos os começos, meios e fins que existem em seu corpo, cada entardecer ao seu lado inspira todos os músculos, células incansáveis que se agitam dentro de mim ao ouvir sua voz, recorrendo e desejando meu peito e eu escorro pelas extremidades dessa existência todo o sentido que seu amor me inunda.

Marcello Lopes

9 de agosto de 2011

#40



A cor da nostalgia era reinventada pelos seus olhos cinzas, 
nas suas memórias a minha salvação.

Nas infinitas vidas que eu vivo no papel, 
os instantes em que estou ao seu lado.

Marcello Lopes

4 de agosto de 2011

#39


Minha musa eterna, a tua presença perene em minha pele transforma os versos que nascem das minhas mãos. A minha solidão foi a primeira a ver teus olhos, a paixão que me consome a alma se entrelaça com o mito da tua presença.

Minha musa eterna, passeio em teu corpo enquanto ouço  línguas incompreensíveis emergindo das margens pálidas de um livro de poemas, não posso exprimir de outra maneira senão com gestos e gritos de prazer.

Em minha vida descobri duas religiões, a do teu corpo e a dos versos espalhados aos quatro ventos que como grãos de areia dispersos se juntam em algum momento.

Minha musa eterna, empalidecido pela falta da luz do teu corpo, me defronto com a necessidade quase espiritual de encontrar contigo, ou nos reencontrarmos fisicamente, já que em geografias indefinidas pelo tempo ou pelo espaço fomos amantes.

Noite e dia a mais primitiva das emoções me invade e me envolve em sua pele macia e assombra.

Minha musa eterna entregas teu corpo à quietude de minhas mãos, ao conhecimento dos meus lábios para que eu domine seu horizonte, com sentimentos e versos.

Entre as sombras do meu corpo e a luz dos teus olhos as alegrias são infinitas, juntos desafiamos o pó do passado, resistimos ao alvorecer de um futuro sem poesia.

Minha musa eterna, teus pés provocam a impressão de leveza e profundidade, um mistério conforme a tua emoção. 

A tentação de me esquecer dentro do teu corpo é tão se onde que associo esse prazer à de um universo radiante se revelando intensamente. Teu sorriso ora pungente, ora delicado vai deixando meu mundo seduzido em instantes de absurda leveza.

Nos seios fecundados pelos meus beijos transbordam de felicidade alimentando esse desejo de paz e beleza. Eu te quero minha musa eterna, me alimentar da tua beleza, das tuas costas nuas trazer a alvorada, e no teu ventre copular esculpindo dentro de ti um poema.

Texto: Marcello Lopes

1 de agosto de 2011

#38



Me diga o que você deseja, o que você espera sentada à porta cruzando seus sonhos e espalhando desejos?

Me diga o que você deseja quando sorri entregando-se à ilusão dos versos, imaginando respostas para as perguntas que ninguém quer responder.

As escolhas nem sempre são claras, nem sempre a alma brilha na inquietante realidade, mas sei o quanto você luta para que esse sorriso não desapareça.

Esses pequenos momentos de infância em na vida adulta faz lembrar os valores que o vento dispersou e a mente esqueceu, o tempo, sempre ele, empresta uma ilusão estéril de que a vida só se faz com tempestades e que não se encontra cura senão na dor.

Essas palavras que lanço nessas páginas soltas, envelhecidas pelas mãos que esperam a inspiração, são extremos de um pensamento otimista, é loucura dentro da sanidade, é a feiúra dentro da beleza que não tem receio em defender o que se sente, o que se vê.

Me diga o que a torna tão louca a ponto de esperar algo de alguém ? A exaltação da expectativa une todas as decepções.

Acredito em você, no seu amor por mim e por todos, essa incurável habilidade de abrir os braços à todos que sofrem de amor.

Nesse mundo de excessos você retrata seu sentimento em filmes, versos, fotos, e sempre existe um silêncio entre seus movimentos, isso me enche de referências, acabo indagando as aparências, apaziguando  turbulências que existem dentro de mim e nesse processo encontro a substância exata do que você foi feita.

Amar tem disso, tempestades e calmaria, recriar a vida através dos versos sem reticências, sem delírios, apenas regojizo.

Marcello Lopes