28 de outubro de 2011

25 de outubro de 2011

#55


Olha bem pra mim, me prende ao vento com teus olhos, 
caminha de mãos dadas suportando todos os erros, 
assumindo uma parcela de culpa e rezando para que a ventania ceda em breve.

Eu consumo teu corpo em longos goles, me servindo dos teus seios sob o céu aberto,
tecendo fios de uma história que não pede nada em troca a não ser coragem. 

Me sacio na sua saliva, quiseram nos calar, mas nosso amor se embrenhou tanto em nossa vida, 
que ninguém sabe onde começa o meu sentimento e onde termina a sua pele. 

Marcello Lopes 

20 de outubro de 2011

#54



Ando devagar em sua direção, sem saber qual vento me leva pra mais perto dos seus cabelos.

Meus passos vão contra o tempo, contra o argumento de que a vida não está no remendo de idéias e sim ao longo de frases que escondem a verdade.

Caminho invejoso dos que já conseguem dormir satisfeitos pelos sonhos realizados e desejos consumidos.

Percebo que a solidão é um vício abandonado pelos poetas, uma ilusão de quem ama uma idéia, algo efêmero de quem estende o lápis ao papel e sorri.

Essa estrada é coberta pela poeira de sonhos dos que falharam, arrebentados pelos laços desfeitos, obrigados a desistir pela impaciente expectativa.

Paro na obrigatória dúvida daqueles que amam mais do que deveriam, detalhes que estão no tempo e na ausência de fragmentos que se avistam jogados pelo caminho.

Eu chego a me permitir que o pensamento desenhe linhas nem sempre perfeitas das suas mãos, pés,seios que estremecem ao meu toque, a saudade desenha linhas perfeitas no momento exato.

Marcello Lopes
Foto: Catrinel Menghia

Dia do Poeta


Parabéns à todos que fazem da vida mais colorida.

17 de outubro de 2011

#53




Povoa meu dia com risos súbitos,
acalma a palavra que esfria a pele, 
de quem tudo sente,
de quem tudo sabia sobre as coisas que os gestos não explicam.

Marcello Lopes 

12 de outubro de 2011

#52


Esse nosso amor tem disso.

Um romance como o nosso que rouba do tempo, insistindo na euforia do momento.

Suas pernas que tremem depois do gozo não mentem, elas sempre voltam pro meu lençol.

Esse nosso amor suaviza a língua, queima a pele e devora os movimentos lentamente.

Todo meu corpo se agita quando preso pela sua cintura ejaculo versos e fluidos queimando seios, pés e ouvidos.

Marcello Lopes
Foto: Katie Fey

10 de outubro de 2011

#51


Cascata de luz,
flor que desabrocha no amor,
resvala na imensidão dos versos
acaricia a água desenhando sílabas de dor.

Espera o coração,
de um sopro, em um rodopio
luzes nascem da penumbra,
com esta pequena dança incendeia a paixão.

Se eleva como cometa
abandonando o vento e perdendo a mudez,
a esperança cega cavalga nas tintas da paleta,
e tua pele sente a ardente nudez.

Poema: Marcello Lopes

4 de outubro de 2011