22 de novembro de 2011

#63




Um vento bom carregado pelo mar azul talhou em meu corpo as tuas impressões e foi impossível não me apaixonar.

Bebi o sumo da tua boca só para descansar na maresia das tuas pernas, roubando sorrisos e emprestando sonhos.

Te encontrei sem vestes tingindo meu corpo de um colorido orvalho onde colho meus versos em teus seios e deito meus beijos em teus quadris imersos em lírios.

Marcello Lopes

21 de novembro de 2011

#62




Há palavras que não esperam o sentimento para queimar na pele,
nem muito menos os movimentos para desnudarem o corpo.

Essas palavras surgem quando mãos vazias delicadamente oferecem o carinho,
quando a boca transparente e molhada oscila entre os lábios e nuca.

Palavras suscitam a fertilidade de sentimentos, 
apagam uma série de desenganos, 
aliviam dores que cintilam na pele depois de uma tempestade.

Escrevemos a nossa história para pertencer à rica pátria dos apaixonados,
 cobertos de um glorioso manto de felicidade, 
um alfabeto que levanta e pulveriza qualquer fuga da realidade.

Palavras em graça, um céu aberto de possibilidades, 
tudo se traduz através dessas palavras que tombam de nossas mãos.

Quatro mãos, uma cascata de letras, acariciando a folha flexível do papel, 
desenhando caracteres e ondulando a fundo nosso caminho.

Marcello Lopes

20 de novembro de 2011

#61




O seu corpo umedece minha vida a cada rodopio, tornando minha vida iluminada e deliciosa a cada salto, uma tempestade de momentos obsessivos e contínuos.

A dança descende de uma melancolia que só os amores impossíveis podem traduzir.

Na minha memória, são teus pés que emprestam as cores mais sutis.

Os olhos atenuam o espanto, como sou teu amante meu desejo é consumir teu corpo com persistência.

Minha cama é o palco onde incendeias teu corpo iluminado, meus versos traçam os mais quentes movimentos, embriagando os sentidos, roçando a loucura com teu cheiro, rasgando a borda da realidade com teus atos, borrando os lençóis com o nosso sexo.

Transcrevo os primeiros movimentos do dia, cito de cor poemas coloridos que esboçam tua sensualidade,
traduzindo livremente o que meu sexo imagina ao conectar-se com tuas pernas rígidas.

Tua dança é repleta de conexões, contextualizações, quase uma esquizofrenia de paixões.

Marcello Lopes

14 de novembro de 2011

#60



Navegando em águas desconhecidas, perdido entre o vento e a dúvida, conheci a nudez da alma, e o azul do sentimento. Não sou impossível, sou apenas a esperança que arde por uma palavra.

Me deparei com os seus olhos, desenhando linhas de horizonte, de saudades e soprando os ares onde minhas velas cavalgavam imersas em seu hálito.

O acaso sempre me pareceu me empurrar para frente, misturando-me com mares e constelações, mas sei agora que o destino tinha planos para nos curar do passado, criando em nós células que dedilham versos em nossa pele, e que com nossos desatinos colhemos saudades e promessas até ouvirmos o riso que procura os olhos acesos, e oferece a paixão na concha das mãos.

Nesse mar encontrei uma sereia com gosto de maçã e de grinaldas douradas.

Muito tempo atrás, diz a lenda, uma bailarina se apaixonou pelo horizonte perdido das estrelas, e ao dançar ergueu uma torre de pedra entre a tristeza e a sede de incendiar o silêncio.

Seu canto é como um sopro vindo da terra, onde a esperança se fez vento, e criou-se um princípio azul entre a racionalidade e a dança apaixonada do encantamento.

Enlouqueci ao entardecer querendo apressar o tempo, mudar a dimensão, mas os minutos mastigam minha ansiedade, ruminam minhas preces e alheio a todos os meus pedidos, escorrem pelas frestas do desejo.

Nos encontramos nesse mar, obstinados por trazer a veemência da pele, a bondade dos astros que pensaram em nos presentear com o som das palavras e o abstrato do vento.

Dois seres tão distantes e distintos, nuvem e ventania, obediência e desordem, a contradição concede-nos uma pátria que reclama sentido e carinho, criando assim uma dependência de várias cores com tantas flores que o oceano queima o sal manchando o céu.

Marcello Lopes
Foto: Daiane Cairo

10 de novembro de 2011

#59



Suscita em mim a delicadeza da sua pele como folha que se dobra ao vento, oscilo a página a cada beijo coberto de expectativas graciosas que pertencem ao futuro que cintila no horizonte.

Eu escrevo hoje para você, de forma tranquila, abrindo sulcos nas folhas com a precisão da minha caligrafia, pensando na fragilidade do nosso mundo, esse mundo de areia que uma tempestade faz desaparecer.

Me levanto para substituir um devaneio por uma realidade, um sussurro por uma comunhão de risos e sorrisos poéticos.

Seu sorriso suscita em mim um carinho sem retoques, sem fronteiras, contornando a distância que insiste em nos separar, costumo pensar que no rumo que escolhemos, colheremos recompensas pela nossa paciência e castidade.

As escolhas que fazemos são simétricas e surgem dizendo adeus ao nos embriagar os pensamentos, continuando a descrever voltas e mais voltas até mesmo depois de anos e anos de enganos e sucessos.

O tempo é sempre um círculo vicioso, trazendo inúmeras oportunidades que já descartamos um dia, ao clarear nosso coração percebemos que a roupagem é a única forma inédita em nossa vida.

Imprimo meus versos nas esquinas, nos cantos e frestas da minha vida, para que de alguma forma você ao me procurar, desvende cartas, memórias e sonhos rabiscados na minha pele.

O silêncio é estilhaço dos delírios que nosso coração descreve e que as mãos não compreendem.

Mas meu amor por você é guardado por pulsos inspirados, pelos olhos frágeis e por uma boca que cativa.

Estamos conectado pelas palavras, estamos perfeitamente encaixados pela postura, e apaixonados pelos acordes que brotam do coração.

Uma vaga sincronia nos atinge, um cheiro de paz emana dos seus cabelos, a indiferença dos outros nem é sentida, a sensibilidade se demora na alma.

Marcello Lopes

7 de novembro de 2011

#58





Poetas entregam-se ao consumo de sorrisos e encontros luminosos. 

criam versos que derretem na pele, e não negam seus traços. 

Marcello Lopes

3 de novembro de 2011

#57



Me exaspera esse branco na folha, essa caneta esquecida e esse silêncio que pacífica.

Os versos me queimam a pele, escrevendo enriqueço minha vida, desperto em mim amores e sinto que o pedaço de papel resguarda minha sanidade.

Os nomes não são importantes, os personagens que rodam minha vida são puros, querem meu perdão por não revelá-los ao mundo.

O fundo branco destaca a profundidade dos meus pensamentos, pessoas que eu amei colorem a história da vida, caminhando através dos parágrafos e estacionando nas reticências.

Minha mãos vazias são como uma fera enjaulada, há pressa em narrar o que a pele sente, o coração pulsa e o orgasmo lava.

Minhas taras são elementos que repousam nas linhas do seu corpo e do meu caderno, e na minha boca engano o tempo com a alegre ficção infiel que não se afasta desse amor.

Tento me encontrar em você, nos mínimos movimentos, enfrento a dificuldade de escrever sobre essa distância que sufoca, que abrasa o sexo e sangra pelas frestas.

Minha palavra nunca fica muda, nunca se entrega ao cansaço do corpo, desse coração que lateja querendo mais e mais, a vaidade da palavra é parte do excesso dessa paixão que sobrevive nessa peregrinação de mãos, lábios e inspirações.

Ao escrever eu faço as minhas escolhas, influencio o encontro entre destino e verso, intensifico a musa disfarçando o que me desilude e refinando o que me excita. Isso preserva minha imaginação da realidade, vivo em um lugar remoto do planeta, que foge da lucidez rotineira.

Palavras ao vento, derramadas nas páginas de modo que o superficial seja eliminado, o clichê morra estrangulado, atropelado pela métrica, pela poesia que nosso instante produz.

Respiro outros ares, leio outros rostos, atinjo a imperfeição que é desejar outros objetos, e assim de forma romântica abandono meu mundo por alguns momentos.

Para depois, febrilmente me debruçar nas páginas com o mesmo ímpeto que beijo seus seios.

Marcello Lopes