30 de março de 2012

# 87




Me refaço no teu corpo 
criando espaços na minha vida 
para encantar teus traços.

Recolho laços
que o sexo tão intenso criou, 
refazendo sonhos nos instantes 
que afagava teus seios.

Desenhos e versos.

Desenhos da tua pele, 
versos das minhas mãos,
esquadrinho teu corpo criando com a minha poesia
esconderijos secretos nas tuas extremidades.

A geografia da paixão
cria ângulos em que o corpo grita
e a alma canta feliz.

Texto: Marcello Lopes
Foto: Guilherme Lima

# 86



Ao teu lado as minhas manhãs se desenrolam em teus orgasmos surdos, 
em teus olhos que trazem promessas, 
e na minha pele que refresca tua boca. 
Texto: Marcello Lopes

27 de março de 2012

# 85

"Coragem, às vezes, é desapego (...).É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais." Ana Jácomo


Foi tua brisa que te trouxe para mim, 
se equilibrando nas nuvens que em silêncio passeiam pelo céu.

Cantando a ausência de um sentimento que carregava nos olhos,
mas não conhecia no coração.

Foi o vento que levantou meus versos, 
velou nosso sono, rezou pelo teu nome.

Foi o vento que enlouqueceu teu corpo
enrijeceu tuas pernas e aqueceu meus lábios.

E foi a minha tempestade que mudou a expressão, 
levou embora a confiança, o amor e fez fraquejar as bases
e assim te levou pra longe.

Caminho abandonado com o vento contrário
perdido nas doces lembranças com o peito dilacerado.

Disperso atenção, escrevo versos, recomponho atitudes
me desfaço em reflexões, e assim espero um milagre que nunca virá.

Tudo para enganar meu coração.

Texto: Marcello Lopes

P.S: A foto eu achei no blog da Letícia.

26 de março de 2012

# 84


Estou em casa, mas não é minha casa. Escrevo no papel o que eu quero gravar na memória, deixo as palavras largadas de propósito.

Tenho apenas poucos versos para me consolar, exprimir essa dor que eu sinto em caracteres, moldar meu pensamento em algo indolor.

Amo e escrevo, escrevo porque eu amo e nutro todos os sonhos que me são possíveis, compareço às festas apenas de corpo, minha mente já me abandonou há muito tempo.

Eu não me esqueço, seu nome é o primeiro na minha língua, dentro do peito, na pele da mão.


Você está longe fisicamente, e é uma experiência de dor e ansiedade, sorrisos e lágrimas.


E por essa experiência tentamos evoluir, como pessoas, como amantes, como seres humanos. Mas estamos distantes que tentamos alcançar nossas mãos em vão.


Falamos dos nossos sonhos, planos, projetos e é maravilhoso porque quando estamos juntos somos felizes, mas uma felicidade simples que nunca nos atormentou, que arde a face e faz suar o corpo.


Desejo poder tocar você, mas tenho receio de que minhas mãos hoje queimem sua pele, nossos planos, algumas etapas.


Sou eu quem devo permanecer escondido, sou eu quem devo não me declarar tão ardentemente.


Nossa vida hoje é arredia, e nos desvia de nossas tentações, nos encharca a boca, mas não sacia nossa fome de nós, sede do sexo, saudade do gozo.

Continuo na festa, transitando com aquele sorriso estampado na cara, mas sem deixar o mundo ouvir meu lamento, mas é bobagem minha pensar que ninguém sabe, porque sua falta atinge meu corpo, meu equilíbrio, colorindo de cinza meu rosto.


Esse desvio que não foi traçado, vive da nossa saudade, de nossas listas de desejos, de utopias. Mas eu sou de amor único, sou espanto solitário em uma neurose de declarações.


Condenamos mediocridades, hipocrisias, somos verdadeiros.


Faço uma única promessa que estou certo que irei cumprir, destruo o passado e levo comigo a pele que arde, o tesão que urge e a adoração forjada de preocupação pela sua vida.


Eu te desnudo de roupas, de alma, sob os lençóis recortados pelos nossos orgasmos, tomo sua mão e escrevo em louvor à esse amor.


Mas são outros tempos, meu corpo tombado no seu pede perdão. Na boca que tanto beijei vejo a veracidade do seu sacrifício, minha cegueira é aquela que acomete os apaixonados.


Não é uma derrota, é um vão em nosso caminho. Seu sorriso permanece na minha memória, na minha pele, nas mãos.


A sua língua repele a tristeza, e minhas mãos adornam seu peito cansado.


Texto: Marcello Lopes

22 de março de 2012

# 83




Teu corpo é festa na cama 
em tua fronte despejo mil beijos cadentes 
em cada mão escrevo bilhetes de amor 
que amarro na tua pele 
pingando surpresas.

Teus lábios são refúgios 
que aparam minha língua.

Acima do murmúrio cotidiano
desabo em teu ventre
despojado de medos e anseios. 

Texto: Marcello Lopes 

20 de março de 2012

# 82



Bebi teu sumo em tua pele sedosa
atenção úmida de pressentir emoção.

Intuitiva, delicada. 
Repleta de orgasmos que brilham nas mãos hábeis do poeta.

Tua língua desejada, é pra mim a plenitude da pessoa amada.

É nas tuas pernas trêmulas que se move minha boca,
no arrepio que causa o riso, 
as estrias de mármore sulcam tua pele
causando o inebriamento azul do sexo.

Teu seios fartos, 
lindos artefatos fervorosos, 
imersos no membro tingido
de sedutores gozos.

No teu corpo sagrado, 
semeio sêmen de alegrias profanas em um mundo lírico, 
repleto de girassóis, talhado pelo vento
se desfazendo na manhã gélida de um novo dia.

Marcello Lopes

#81


Lágrimas gotejaram sua pele,
queimando e invadindo o peito.

Na chuva nenhuma gota lava a impressão
dos seus poros, dos seus beijos, 
da música sem fim dos seus orgasmos noturnos.

Se trancou na cela da penumbra
vendo em sonhos o que a realidade poderia criar, incendiando a alma, gotejando versos.

É possível amar uma lembrança?

Marcello Lopes

16 de março de 2012

# 80


Por favor, deixa eu te dizer abertamente o que eu sinto.

Colocar tudo pra fora pode ser a chance que eu tenho de reviver nossos momentos mais doces, mas também de exorcizar os meus erros mais grosseiros.

Eu queria te acordar com café pronto e um beijo morno como as manhãs, mas nunca soube onde era sua casa, sempre quis deitar e passar dias na penumbra vivendo de sorrisos e se alimentando de coisas nada saudáveis.

Eu queria te dizer que apesar do medo, o amor sobrevive e implora por misericórdia.

Por favor, não desligue o telefone porque há noites em que tudo que eu precisava era ouvir sua voz. E mesmo sabendo que você dorme profundamente na madrugada, queria perturbar seu sono, te cobrir com o edredom no frio.

Eu apaguei seu número do meu cel, mas não do meu pensamento, então desligo o meu celular para não cair na tentação de ouvir sua voz, e perceber o quanto eu te faço sofrer com isso.

Por favor, não mate esse amor, todos podemos errar, somos humanos em busca de redenção, e a minha era você.

Tivemos poucos momentos juntos, mas decorei a geografia do seu corpo, decifrei os caminhos que te fazem sorrir.

Deixa eu te falar agora enquanto a coragem permanece gravada na pele e na memória, a vida tem sua própria fluidez, mas eu não seguiria seu curso se nossos caminhos não se desviassem. As escolhas que somos obrigados a fazer são as mais amargas.

Por favor não chore, não pretendo mais falar sobre as complexidades do nosso amor, nem muito menos ameaçar a fragilidade da nossa situação.

Vou te deixar, com os sentimentos confusos, mas com as lembranças doces da minha paixão.

Eu nunca soube o que é passar as noites em claro com você, conversando sobre tudo e ouvindo músicas que nunca iria ouvir.

Vou te deixar sim, com a minha melhor parte, porque eu deixo metade de mim em suas mãos, você me ganhou nos detalhes simples.

É um risco, já que nada é duradouro, não quero ser egoísta porque eu já dei tudo que eu tinha para você.

Será que algum dia teremos uma segunda vida ?

Marcello Lopes

15 de março de 2012

#79


Acho que foi assim que tudo terminou.

Uma tempestade, uma enxurrada de sensações pelo corpo e o amor despencando em uma zona abissal silenciosa e perdida em lembranças.

Só pude ver meu reflexo abatido dia após dia recordando qual dos meus erros foi o mais predominante nessa cisão que desviou meu caminho do seu.

Hoje caminho gerando esperanças de manhã e na curva perigosa da noite as perco em períodos de loucura. Meu coração ainda sente as dores que se prolongam até as mãos, impedindo assim que os versos respirem.

Eu vejo sua alegria fingida como uma faca afiando a pedra, amortecendo os sentimentos, coalhando o chão de lágrimas, mas mesmo assim caminhando sempre em frente, esperando o momento certo para assassinar minha imagem.

Então porque eu não consigo?

Porque o barulho dos seus sorrisos ainda fazem tremer minha pele ?

Encaro demoradamente suas fotos tentando imaginar se naquele momento exato ainda se recorda de mim, das mãos que distraiam as formigas, que arrastavam folhas em branco pela casa espremendo da pele o início de um poema.

Eu não sou forte, coloco a aliança e meu dedo se dilata, como se sentisse falta daquele pedaço de metal adormecido, não me enquadro em nenhum contexto, finjo que expulso essa tristeza mas meus joelhos doem de tanto chorar.

A ausência não pode ser medida em dias, meses mas sim na erosão que provoca no corpo, na alma, como uma navalha que corta a vontade, dilacera a emoção, pois a distância é fluída e tem dias que ela separa minha memória da humanidade.

O silêncio assombroso que ouço na casa é resultado do vácuo da sua presença, corrompendo todas as minhas certezas, estrangulando pouco a pouco todas as minhas vontades.

Para que mentir e dizer que isso já passou ?

Já deixei de me preocupar com os outros que inventam mentiras para justificar meu sofrimento ou seu próprio desespero.

Eu te perdi porque eu não soube segurar sua mão, e o destino puxou os fios do nosso amor, sufocando o futuro que começava a nascer.

Marcello Lopes

12 de março de 2012

# 78


Há em meu peito uma espécie de vida própria, uma conexão com os versos que exerce em mim uma influência espantosa.

Mais um amor que se despede em meio as cinzas das lembranças e frustrações, o vento que o trouxe tão azulado, agora o leva tão cinza, de chuva e de tristeza, derrubando assim todos os sonhos e deixando vazia a minha vida.

Talvez seja a materialização de um desejo há muito solicitado, de que eu amadurecesse de um modo dolorido mas breve.

Nesse contexto o vazio e o cinza se materializam rapidamente me fazendo sentir como parte da tempestade, mas estranhamente devido aos versos e literatura consigo me fazer compreender de que a felicidade da chuva é sua virtude purificante, a chuva limpa o ambiente levando as coisas negativas para longe.

Então só posso ser feliz dentro da minha cabeça.

Durante toda minha vida me interessei em viver a vida alheia, mergulhar por longos períodos no universo líquido da vida de alguém, mas com o passar do tempo, essa prática se tornou dolorosa, sempre me deixando à margem de mim mesmo.

Vivendo envolvido na atmosfera alheia não percebi que a felicidade sempre existiu sob o efeito de sensações fraternas e percepções turísticas.

Aliviado pela ausência das frustrações que me carregavam o espírito, um distanciamento quase anestésico me atinge o peito, e sustenta minhas mãos através de choques ao contato de novas possibilidades, mas são choques etéreos, quase imperceptíveis já que carrego comigo a dolorosa lembrança do fracasso.

O que não é intenso não me interessa, quero coragem, quero impetuosidade, o amor é meu ópio, o sexo meu antidepressivo, só assim sou capaz de suportar meus próprios defeitos.

Marcello Lopes 

8 de março de 2012

#77


Existem dias assim...

Que iluminam como sóis a escuridão da alma, 
clareando a mente, refrescando os pés cansados. 

Existem dias assim...

Que revelam segredos guardados a sete chaves no peito, 
dores que brilham como faróis, 
e sacrificam a pele da memória.

São assim meus dias, 
ora cobrindo minhas feridas de esperança de um reencontro, 
ora restaurando a fé nos versos que abrem caminhos.

Marcello Lopes

4 de março de 2012

#76


Construir uma história é juntar centenas de pequenas estórias, retratos e instantes apaixonados. Construir um diário onde as palavras sejam repletas de desejo, de sentimentos é uma tarefa das mais árduas, e nada melhor que escrever a 4 mãos.

As palavras nos engolem por inteiro, através delas buscamos a tranquilidade, o desespero da paixão e também o sonho de dar sentido à vida, desnudando ansiedades, eclipsando medos e atordoando receios. Esse diário reconta de forma simples e direta o encontro e os desencontros de duas almas atormentadas pelo desejo de serem felizes, de terem lembranças que possam se orgulhar, repletas de sons, de cores e ventos.

Em diversos momentos a vida nos brindou com uma sucessão de viagens, de cores, frases e lágrimas que coroaram esse relacionamento, um encontro entre o sublime e o feio, entre a ventania e os versos.Um embate sem violência entre a fé raciocinada e a descrença racional.

Ainda hoje eu posso sentir o frio na barriga do primeiro encontro, da sensação de medo e de angústia quando o telefone tocou e anunciou o fracasso do encontro, e ainda mais palpável foi o vento da alegria quando a encontrei em um estacionamento de shopping, linda e inflamada.

Esse diário já nasce com meses de atraso, nasce do desejo de eternizar cada instante dessa ventania que é nosso amor. Mas não é aquela ventania que destrói tudo que alcança, é a lufada de ar que silencia os pássaros, que isola as tristezas e espera os dias vindouros.

Existe uma tempestade lá fora que faz com que vivamos o instante como a eternidade, que faz com que nossas arestas implorem aparas urgentes.

Mas não há uma queixa áspera por isso, não existe um sangramento precipitado pela distância, apenas um véu que desce impedindo que esses instantes acabem, então sento-me e escrevo com a sensação de proteger a memória de nós dois.

Nossa história começou com uma brincadeira, uma troca de gentilezas em uma manhã despretensiosa, de palavras vãs e intenções sem muitas convicções.

Em meio a risos e pretensões alheias, o interesse, o despertar na folha em branco que começou a ser escrita de uma maneira impar, sem pressa, sem expectativas.

Ela, com sarcasmo tipico de quem admira a sátira e a ironia encontradas em crônicas.

E eu com minha poesia, rica em detalhes, sonhos e manhãs branco azuladas.

Assim, aos poucos, foram surgindo dezenas, centenas, milhares de balões de pensamentos que culminaram na junção de dois mundos dispostos em rever conceitos, reler estórias e escrever novos capítulos.

Marcello Lopes