23 de abril de 2013

# 115




Acendi a luz e olhei para você, imagem iluminada que me cega, meus dedos se perdem na geografia do seu corpo, me alegro com essa exploração, e assim me emudeço quando de repente de seus lábios surge uma harmonia que se converte em carícias e emoldura nosso romance.

Se as minhas palavras são perfeitas, minhas atitudes são tortas e emprestadas dos poetas, mas trago no peito a doçura dos versos e a verdadeira intimidade.

Quero caminhar de mãos dadas, sorver seus lábios e colorir seu corpo de toda a fantasia que seu coração puder suportar, quero lavar todo a sua tristeza antes que você adoeça.

Quero que esse romance seja nosso, que ele se derrame em escolhas felizes, em ritmos cadenciados pelos nossos sorrisos e pelo pulsar do coração que se ampara desmedido em nossos desejos.

Eu sei que você suportou muito mais que a própria pele pode sustentar, que a tensão que antecedeu nosso caso foi desmedida e febril, mas hoje somos um ensaio perfeito de tudo que sonhamos, negamos as falhas, enxergamos apenas o real, o que podemos tocar.

E sedentos de romance lavamos nossos corpos com esse amor que converte os momentos em silenciosa súplica de versos.

Em meio a espelhos e escuros labirintos renovamos nosso carinho todos os dias, projetamos nossos sonhos nesse ensaio e assim arriscamos a viver sem muitas esperas.

Marcello Lopes

17 de abril de 2013

# 114



Caminho entre seus sonhos
e na minha realidade imagino muito além.

As cores do passado tingem minha tarde
junto com poemas que despedaço.

Meus versos estão sempre por um fio
É a paixão que me assalta e
nas suas horas que me espanto !

Gosto dos seus rumores,
dos beijos que nos açoitam
repletos de anseios de outrora.

Marcello Lopes

10 de abril de 2013

# 113



Esse olhar varando meu corpo,
apreciando as mãos,
admirando-se em despedida.

Me manda beijo
namorando e sorrindo,
meu amor não acaba nunca.

Em outros tempos era vento
afagando seus cabelos.

Eu gosto mesmo de você,
do corpo macio à boca que murmura
é felicidade falar baixinho
de mãos dadas,
perdidos nas memórias
que a vida cobra.

Marcello Lopes

4 de abril de 2013

# 112



Nas suas costas nuas te molho com meus versos. 

Nasço da sua boca e cresço com o seu afeto, me ajusto ao seu espaço, mudo, transformo para que você me acolha, sou muito ou quase nada. 

Ando quando seus pés ordenam, meus olhos só enxergam a sua beleza, aceito o fardo de ser seu poeta.

Seu corpo inteiro é delírio, onde escrevo e vivo de rimas. Me engole a cada linha, em seu vácuo encontro perdidos meus poemas mais exuberantes que avançam às cegas nos labirintos da sua memória.

Desde que eu te conheci, você é minha felicidade, minha facilidade, cada palavra me esclarece e cada gesto seu me estilhaça.

Sonho acordado, já que durmo para transcrever os seus detalhes, o inverso da sua vida me basta,

Marcello Lopes

2 de abril de 2013

# 111


A música encontrou sua musa mais perfeita em sólido pilar, sorriso perfeito e canto mais puro.

Sua vida recusava confrontos, seus seios e olhos são objetos pacificadores, mediadores de uma poesia reinventada em que o corpo é elevado sob a luz renovadora da paixão.

Sua beleza é palidamente filtrada pelas minhas palavras, em uma atitude desesperada de te conquistar e assim restaurar minha felicidade.

O desejo transforma as ilusões em realidade, a musa que chega discretamente é exatamente como eu a imaginava.

Ela é única, uma forma radical de menina-mulher, musa, demônio, insubstituível. Minha visão poética diante de seu corpo exigiu do meus braços um esforço fenomenal para finalmente vencer o receio e tocá-la, provocando estranheza nos dedos que desde sempre a idealizaram.

Minha musa sorriu, partindo meu coração, a  visão obsessiva da perfeição, meu desejo voa longe, carinho nos gestos, formas e movimentos fundindo versos e silêncio.

Meus lábios nos seus pés, meu mundo gira.

Varre com o seu olhar minhas intenções, com o passar das horas, restituo a imagem da inspiração que seu corpo me presenteia, turbilhão de sensações.

Então a música tocou, latejando em nossa pele, desesperada para nos arrebatar repetindo um mantra inusitado, sussurrando a aversão à monotonia, a boca cheia de paisagens, as mãos vibrando para não escapar dessa serenata.

Sexo, versos, música. A nossa divina e pervertida trindade, onde desenho versos você canta reciprocidade.

Ao seu lado aspiro a eternidade, na sua voz encontro quietude e nos seus quadris a serenidade.

Adormeço entre seus cabelos negros, saciado pelos seus abraços, afogado na sua intensidade.

O sol nos chama, e sento-me ao seu lado e ouço ainda o murmúrio da canção tão delicada que ainda perambula pelo lençol e dorme na memória da pele.

Seus olhos produzem em mim uma sensação misteriosa, como se um formigamento me atingisse, de dentro para fora me fazendo irremediavelmente perdido em sua imagem.

Meus versos marejados de paixão são unicamente destinados a provocar-lhe o tesão, e rabisco essas palavras no seu corpo nu ardendo de alegria, intoxicando a epiderme de poesia e atingindo assim níveis altamente intoleráveis de romance.

Esse é o instante mais perfeito da minha vida, muitos homens vivem suas vidas sem tê-lo experimentado, uma onda que chega despercebida, engasgando, sufocando e se repetindo para sempre na lembrança.

Eu me deixo levar sempre por você, como um menino que se apaixona pela sensação de liberdade que esse instante representa, um momento de compaixão que me devolve a inspiração.

Vivo os outros dias experimentando frases, sorrindo de espanto pela sua música, me fazendo escrever cada vez mais, tornando-me mais ousado, correndo riscos, desenhando sombras e fragmentos de outras musas, capturadas com tintas que sem aviso borram toda e qualquer intenção.

Musa minha, perdido estou, sem sentido, inacessível. Até que comecemos a pulsar novamente.

Marcello Lopes

1 de abril de 2013

# 110



E aí vem você com o coração aberto, cantarolando músicas que eu amo, encharcando meu corpo de cores vivas, rimas e medidas impossíveis.

Você é livre e como tal devora a vida, transformando tudo em movimento, chorando ou rindo as palavras que escrevo ganham um alento em suas mãos.

Para você os instantes valem tudo ou nada !

Tudo que o tempo toma correndo com pressa, seus olhos delicadamente percorrem os detalhes, os seus braços combinam com outros aromas, e suas pernas num giro rápido vislumbram a luz dos segredos que sucumbem no cheiro do mar.

Eu atravessei sua vida, escrevendo e admirando, aprendendo a simplicidade com o seu sorriso, as saudades das suas ideias e claramente seus olhos sorriem quando mesmo de longe o vento te lambe.

Foto: Erica Modesto
Texto: Marcello Lopes