29 de junho de 2013

# 118



A despedida da luz tocou nossos retratos, no centro da escuridão que se formava surgiu um eco triste das lembranças que começam a ser esquecidas.

A sua mão já não dorme sobre o meu corpo, o tremendo erro das nossas vidas foi ter parado de ter fé em nossos sonhos.

A minha palavra já não conforta mais sua alma, o estridente vazio imobiliza os versos.

O que eu sei, já não separa mais a luz do medo.

O que você lembra, não enfurece mais os dias misteriosos.

Tudo durou o fôlego de um dia, pairou no ar uma leve esperança,

o ciclo se fechou,

viramos a página enquanto assistíamos uma paixão que morria.

Marcello Lopes

17 de junho de 2013

# 117


Não basta ser feliz para reconhecer o efeito do seu sorriso, vivo abismado nele desde que a conheci.

Quando algo dramático acontecia, seu sorriso surgia abafando meus soluços, iluminando as trevas ao meu redor.

E assim eu me sentava e sorria até a primeira luz do amanhecer nos encontrar, tive sorte eu sei, seu amor encontrou-me através de um simples sorriso.

Imagino que sentiu que eu precisava muito de um sorriso porque naquele dia você ignorou a sensação de constrangimento e povoou meu dia com afetos e excessos de gentilezas.

Eu naquele momento, vivia um instante impreciso e solitário, tentava dar sentido a cada estória que vivi, percebi que a luz que irradiava do outro lado da mesa era sua.

Após tanta luz imaginei a minha vida melhor, com um seu carinho incrustado no meu peito, um estado de paixão assustadora e ao mesmo tempo consoladora, que desencadearia toda uma torrente de palavras, imagens e mais sorrisos.

Depois de um tempo ao seu lado, percebo que o momento definitivo onde vou me apaixonar perdidamente é quando minhas pernas travam ao sentir seu toque, quando lucidamente você se deixou cair em meus braços, contemplando o coração seguir suas mãos, lembrando que tudo começou com um sorriso.

Marcello Lopes

9 de junho de 2013

# 116


Uma harmonia que surge sempre que eu penso em você, abrindo uma dimensão totalmente alheia à nossa distância, permanecemos assim, distantes fisicamente mas muito próximos em um nível quase espiritual.

Acho que é realmente assim que você se sente quando estamos conversando, quando eu te pergunto se há uma chance de enganarmos o destino e ficarmos juntos, você ri e se confunde com datas e fatos, mas a intenção é viver o que tanto elaboramos em nossos corações.

Sigo minha vida, me prendendo aos detalhes que me lembram de você, uma leitura, um verso perdido entre o cotidiano, a sinceridade de uma criança e quando eu menos espero, recebo uma mensagem sua, me pedindo para acreditar no futuro, que não vivemos de aparência, que aos poucos estamos criando uma sinfonia de sentimentos, intenções e estórias que aos poucos vai tomando forma, vai preenchendo os espaços vazios em nossas vidas e que a única solução é ter fé e muita paciência.

E eu fico deslumbrado com o seu espírito, com as cenas tão comuns mas tão preciosas que vivemos, penso no desejo que despertamos enquanto conversamos, prestando atenção a cada mudança de tom de voz, a cada música que encontramos e que nasce desse flerte. 

Na história do amor não consegui encontrar nenhuma lógica, porque o amor não se agarra aos fatos pensados e analisados friamente, ao encontrarmos alguém que nos afeta, que ilude todas as nossas expectativas e faz assim morada em nosso pensamento nada tem de óbvio nisso, de calculado previamente. 

É o raio que nos atinge e que nos faz querer o tudo no outro, que me faz querer seguir pela estrada até a porta da sua casa, buscar assim a completude romântica e esperançosa.

Quando conversamos sobre destino, você fica séria e me dá a sensação de que a sanidade atrapalha sempre nossos planos mais loucos, porque buscamos o impossível, algo perfeito e lindo que não é nem de perto o que teremos um dia. 

É como um ruído querer se transformar em nota musical. Mas sei que o coração não deve e nem quer ser impassível, e isso me dá esperança.

Marcello Lopes