28 de agosto de 2013

# 123



A luz em suas mãos faz raiar meu desejo, apaixonamento que turva a razão, esconde o gênio e faz com que eu escreva versos que se eriçam quando descrevo seu relevo.

Jogo que alimenta nossas peles, nos afogam em fendas, depressões e linhas.

Seu corpo contém toda a febre que eu desejo padecer, maneira louca e áspera de morrer.

Meus versos tem desvios e incursões que fervem quando declaram a suavidade dos seus pés, a doçura extrema do seu sexo de onde jorra mel.

Pele branca, explosiva composição atada a uma força espiritual enorme.

Minhas mãos pulsam dolorosamente, energia dos elementos que se expressam e desdobram a cada verso, a cada suspiro que canta tudo que as minhas palavras não alcançam.

Marcello Lopes

26 de agosto de 2013

# 122



Seus olhos precisam que cada substância amorosa encontre seu caminho,
nossa paixão está na ânsia do verso declamado, da metáfora do peito apaixonado.

Deixa seus olhos dividirem o poema e sorver a essência das palavras, do mais puro orgasmo que lava o corpo.

As palavras que a sua voz ecoa materializam um espaço mágico, onde canções falam sobre tristeza e metamorfoses,
arenas onde o fogo purifica o coração apavorado, e das orações intensas colhem o verbo amar.

São seus olhos que transbordam um ritual de paixão e sexo,
dos seios surge a secreta incisão do oráculo, no modo como se entrega, como se abre aos versos.

O sagrado e o profano, relâmpago e a luz,
a eterna monotonia que ejacula o próprio desejo enlouquecendo a cada sílaba.

Em seus olhos desabrocha o sol que ilumina as clareiras, que colore a nudez das paisagens, e abruptamente borda em minhas mãos o código secreto da poesia.

Marcello Lopes

23 de agosto de 2013

# 121



O poeta e a musa vivem em igualdade, paixões despertadas pela imagem, do corpo e da letra, pela absorção do calor, de sentir a pele e de se emocionar com os versos.

Dessa vivência resulta a visão de mundo poética, onde o poeta enxerga a mulher como um elemento essencial em sua vida, as cores sem um corpo não tem função, a variabilidade de formas, tamanhos, cores, personalidades excitam e incitam a criatividade do poeta.

Os desejos e sentimentos são inominados até que um poeta encontre sua musa, e assim eles são nomeados ainda virgens de toque, de expectativa, e ficam livres assim que recebem suas designações.

O poeta olha a musa sem o desejo de posse, vendo todos os detalhes da pele, inaugurando uma relação lúdica entre corpo e verso, entre rima e orgasmo, e após o mundo poético em estado puro encontrar o desejo, ele se torna único, eterno.

A musa assim expõe o corpo, a alma em contornos e assim cria por si só o poema que o poeta só tem o trabalho de traduzir em versos.

O amor que surge, que engole os dois é como uma dança, onde cada um busca um espaço, uma alternância onde é necessário voltar ao estágio do tato, onde a pele queima e a alma cala.

No poema, o amor não é medido em número de estrofes mas pela habilidade de derramar sentido nas coisas mais insignificantes, na suavidade das letras ao comparar o movimento dos seios, ou mesmo reinventar o tempo ao envolvê-la com seus lábios.

Paixão poética é onde se constroem as relações mais expressivas da vida.

O poeta traduz a beleza em versos, a musa enfeita a vida em flores e encantos.

Marcello Lopes

8 de agosto de 2013

# 120



Pele branca, tesão em néon.

Jorro em cima declarando toda a minha paixão.

Pele branca, explosiva combustão.

Desenho em sua pele uma composição atada de versos e ruídos.

O corpo fala sobre o desejo, treme a certa temperatura e queima irrompendo sob o orgasmo.

Pele branca, delicada paisagem.

Proclamo os versos faiscantes, costurando-os em seus seios, pés e coxas.

Assim, essas palavras se expressam, se desdobram em harmonia com o movimento do seu corpo.

Pele branca, cenário revelado.

Ouço as vozes dessas palavras, elas se referem ao seu coração, oferecendo tonalidades únicas.

O seu corpo é caminho que recebe meu tesão, integrando-o, transformando-o.

Pele branca, luz vulcânica.

Encontro seu corpo em estado de revelação, envolvida e arremessada pelo meus poemas !

Marcello Lopes