4 de novembro de 2013

# 129



Há sempre uma lembrança encravada na noite, na ilusão de uma madrugada, num triste verso de música.

Enquanto homens comuns dormem engolfados em sonhos mundanos, seu corpo reina em meus versos, meu coração expurga a sua imagem e submerge nessa paixão milagrosa.

Há sempre um milagre quando minhas mãos encontram seu corpo nu e nele fundo raízes poéticas que clamam papel e sol.

Quem ama esconde nos versos a loucura imperecível de ser indivisível, me ama em sua dor e em seu prazer, com flores aos pés e a esperança nos olhos.

As mãos que constantemente tecem ao longo do corpo o dever amoroso, devasta a solidão que cativou por tanto tempo essa alma.

Marcello Lopes