2 de janeiro de 2014

# 131



O que já não se falou do amor em 2 mil anos?

O amor não se presta apenas para o sexo, para dominar ou persuadir, a escolha do amor serve de caminho para um embate intelectual, afetivo e fraterno que nos remete à qualidade de anjos terrestres.

É o caminho que sempre me desafiou, cheio de feitos heroicos, de poemas apaixonados e uma iluminação diante das frases simples e sensatas sobre a natureza das coisas. 

Meus olhos sempre foram mais acurados para traduzir as coisas mais elementares, uma lavadeira esfregando roupa no rio, céus tempestuosos. 

Não o coloque numa vitrine, exposto ao lado de objetos raros e preciosos, o amor está relacionado à necessidade espiritual que deve saciar. 

Sua beleza é efêmera, não posso vê-lo, mas através de uma outra pessoas posso tocá-lo, cheirá-lo, ouvi-lo.

A vida com o amor deve ser tomada de uma vez só, líquidos que fecham feridas, erguem impérios e fecham as portas da escuridão. 

Sua beleza lhes é inerente, como a cor das flores. É inseparável de sua função: são coisas belas porque são coisas úteis. 

O amor pertence ao mundo interior, distinto das paixões mais terrenas, muitos amores chegam ao fim por que as pessoas davam à ele um status de pertencimento isolado e autônomo. 

O amor precisa da dualidade para sobreviver, homem e mulher, profano e sagrado, em ambos o domínio do amor é absoluto, transformando o seu poder em um símbolo mágico.

Quando esse sentimento é arrancado do seu contexto original, e colocado como mercadoria nas vitrines da vida, perece. 

Essa mudança de atitude, uma transferência no uso transforma-se em idolatria insana e egoísta.

Há muito tempo, no auge do período em que o amor era tudo que procurávamos pelo verdadeiro significado desse enamoramento, deixando fluir a poesia e a paixão pelas artes, nossas dores deixavam fluir as palavras de uma possibilidade esplendorosa, fictícia mas muito cobiçada.

Os poetas precisaram chorar, deixar fluir em lágrimas os versos que nos arrebataram ao longo dos séculos, os motivos que oprimiam o coração foram levados às telas, páginas, músicas e palcos, e assim as emoções contidas se dissiparam e a alma, aliviada, em paz, pôde sorrir de novo.

Há dias em que a luta e o medo nos fazem esquecer que a vida é marcada pelos sorrisos e oportunidades de reerguer-se com honra. 

O amor é aquele que nos proporciona dias em que a alegria extravasa o peito, expande o espírito e contagia à todos. 

A simples menção desse sentimento forte e profundo nos faz querer ter alguém de um jeito sem jeito, entregando os pontos, delirando e se confundindo.

Saber amar se faz necessário, mas antes se amar para evitarmos os inevitáveis afastamentos dos objetos do nosso amor.

Esse sentimento liberta, doa, não espera e não pede. Somos nós os imperfeitos.  

Tem dias que precisamos pensar, escrever, rabiscar ideias, aprender a dialogar, e o amor nos ensina a calar e ouvir, conviver e perdoar, ser livre e ter fé.

Os dias amorosos foram feitos para buscar algo que nos redima, nos dê força para suportar os tombos das nossas escolhas, o amor é a maior religião do Universo, todo ser humano apesar das dificuldades e as pedras do caminho, necessárias ao nosso aprimoramento moral segue os ensinamentos do amor.