16 de maio de 2014

# 132


Me conta de onde vem essa paixão que funciona através do sorriso e das atitudes mais simples.

Me conta de onde vem a confissão apaixonada que grita entre as prateleiras do supermercado, e semeia sorrisos entre os desconhecidos, por que nosso amor não tem vergonha de esclarecer dúvidas e sentimentos, de calar fundo o silêncio que constrange muitos casais.

Conta por que quando você fala alguma bobagem eu só consigo te amar cada vez mais, e naqueles momentos onde nem precisamos falar para nos entendermos são os que mais me fazem sentir importante para você.

Caminhamos juntos de mãos dadas, sorrimos ao lavar a louça e nada do que você me conta parece ser segredo ou mistério, é como se nós estivéssemos relembrando situações e não vivendo-as.

Essa familiaridade que nos atrai, que nos impulsiona e revela tantas coisas, mesmo quando não falamos nada.

Uma vez você me disse que nosso amor vem do inconsciente, almas que já se conhecem e se encontraram na Terra, como um sonho que lembramos aos poucos, porque conosco é tudo mais profundo, sempre algo é (re)descoberto, um desejo profundo e secreto que se desvencilha das armadilhas do tempo.

Te amar é muito mais do que sexo, é sobretudo, desvendar, acho que essa palavra se encaixa no nosso relacionamento, retirar o véu da minha alma para te amar, e descobrir pelo o que estou te amando, sobreviver aos dias cinzas.

Um dia você me perguntou o significado de tudo isso, desse sentimento que me faz carregar o mundo, mas eu não tenho explicações, pelo menos não as razoáveis, entendo que quando estou com você sou um homem melhor, quando escrevo percorro os dias em que passamos juntos através dos versos, de uma narrativa cambaleante mas sincera e devocional. Eu me exponho ao ridículo, me aproprio de versos e rimas e me jogo na imensidão desse amor.

E você me olha na beira da cama esquecendo de todos os problemas e me agradece com aquela voz que ecoa no meu corpo e toma forma no meu peito, alimentando todas as loucuras que cometo em seu nome.