23 de junho de 2014

# 134



Será que é loucura?

É como se não pudéssemos ser livres ao amar, de tanto ouvirmos sobre as cruéis histórias de fracasso e de dor.

Será que não percebemos a tortura que é ficar sem alguém que podemos confiar nosso corpo, nossa alma e mais importante nosso querer?

As neuroses e idiossincrasias das pessoas que nos cercam e perseguem tudo que destoa, tudo que ecoa dentro de nós.

E então, seguimos assim, sempre na defensiva, sempre insatisfeitos com o tempo que nos é dado, um mistério que se oferece diariamente.

Mas o bom é que sempre nos damos muito, nos oferecemos inteiramente um ao outro, nossa vida repleta de sonhos, sons e cores preenchem esse vazio da cidade que tanto se esforça pra nos prender.

Temos sorte, sorte de termos um ao outro perto, nos tornamos presentes por opção, dando valor ao dia, aproveitando a noite.

Da cidade pálida tiramos o calor que evapora nosso cansaço, da frieza das pessoas transformamos em candura, não esmorecemos porque as aparências dos outros nos assustam e sabemos que eles sofrem demais pra mantê-las.

O tempo desmancha os amores frágeis, derruba as incertezas tão efêmeras e a gente aqui se reiventando a cada noite de graça e alívio.

De manhã vemos pela janela pessoas enrugadas pela dor e encurraladas pelas más escolhas, e sob o vapor do café fresco sorrimos da nossa sorte que não envelhece esse amor que compartilhamos.

Mas é bom lembrar que nosso amor não é isento de quedas, mas ele é sobrevivente, floresce de momentos onde a dor germina, se esparrama de lugares onde o constrangimento aperta e apesar de todas essas memórias doloridas aprendemos a não envelhecer.

O impossível é não querer acreditar na luz no fim do túnel, e pra nós luz é azul, o vermelho do nosso corpo nos empolga e confiamos no amanhã e sabemos das intenções das cores.

Embora a cor pra alguns seja algo abstrato, para nós é significativo.

Hoje querida, plantamos sonhos onde os outros plantam discórdia e nosso amor se impôs, enquanto vemos em outras pessoas que a desconfiança toma conta, para elas a vida não é desejo e verdade, é poder e obsessão.

Dirigimos nosso foco no bem-estar, destinamos nosso carinho aos significados mais silenciosos.

Como descrever o indescritível? Será loucura?

Existe muito mais do que novas impressões em nossos momentos, a música, a arte estão lá para nos lembrar que tudo muda, que se não nos adequamos às diferenças seremos derrotados.

O orgulho pode nos esmagar, mas fazemos concessões, esperamos pela dádiva dos céus e usamos a cumplicidade para segurar a vida pelas mãos, sem fingir, sem refazê-la.

Marcello Lopes

P.S: A trilha sonora foi descoberta do Ique Carvalho, que escreve textos sensacionais aqui !!!!  E lendo um de seus textos tive vontade de escrever novamente.

20 de junho de 2014

# 133


Nossa vida merece felicidade, sob o céu recortado de nuvens cinzas seu corpo rodou em direção ao meu corpo, seu riso preenchendo toda a minha vida, sua boca avançando sorridente para a minha, através de uma lenta e melódica caminhada.

Nossa vida merece lágrimas e risos, mas não dores, nem aqueles sentimentos que agarram e mordem nossa boca, que trava o corpo e enlouquece a alma, não, que sejam efêmeras, quase macias, que sejam tão delicadas quanto a palma da nossa mão.

Nossa vida merece músicas e mais músicas, daquelas que são tão nossas que parecem o prolongamento do nosso coração, uma solidez espiritual que transforma e regenera.

Nós dois juntos cantamos sacrifícios, arrancamos do suor e do sangue a leveza das coisas, erigimos em nossa casa um altar de sinceridade e respeito, onde comemoramos até mesmo as derrotas que adestram nossas sensações, e guiam nosso caminhar.

Você nunca foi de falar muito, seus atos e seu olhar sempre me mostraram a transparência da sua alma, sempre inteligente e culta.

Quando você me abraça e explica as regras e cores que habitam sua vida sempre me arrancava risadas e gestos alegres, fazendo-me definir incessantemente nosso amor como algo rico e raro hoje em dia, e nós dois sabemos que merecemos tudo isso, todas as reflexões e nosso precioso tempo analisando a importância de se viver junto.

Merecemos igualdade e diferenças, ideias e palavras, lembro como você aperta os olhos quando as minhas palavras saem em uma velocidade quase pueril, dizem que nosso amor se faz através dos nossos hábitos e paixões que não interessam mais a ninguém.

Esse mesmo sentimento que é criação da nossa criatividade e dos versos. Namoramos em todos os instantes, ao te dar a mão acredito afastar todos os problemas do mundo e me sinto magnífico, e essa impressão se espalha pelos cantos da casa como um perfume, impregnando os móveis de afeto e calor humano.

Minha afinidade com você tem fatores profundos, falamos sobre literatura, viagem, arte, séries, buscamos as mesmas sensações e apreciamos nossos ideais, desejamos tranquilamente o conforto e objetos, enlouquecemos procurando livros e essas combinações são adereços importantes em nossa vida.

Adoro quando no fim do dia você ainda tem energia para bagunçar meu cabelo e sorrir sem ter razão, você é meu sol, extinguindo todas as sombras do meu dia. Por sua causa aprendi a dançar, seguindo seus pés, ouvindo a música e atordoado pelo tamborilar do peito te seguia.

Rodopios e avanços, recuos afoitos e novamente rodopios eram tudo que conseguia fazer, nunca me recompus dessa falta de habilidade.

Marcello Lopes