25 de novembro de 2014

# 146





Me fala de onde vem essa vontade toda?

Essa sensação de que temos todo o tempo do mundo e que somos os únicos que sabemos a verdade, e quando eu vejo seu sorriso me dá uma sensação esquisita e reconfortante de que ele sempre esteve aberto para mim, mesmo quando eu não estava olhando.

Me conta como duas almas machucadas podem ter os mesmos sonhos ? Os mesmos desejos luminosos e esperançosos ?

Nada do que você me conta me parece novidade, é como se eu estivesse olhando no espelho uma versão mais bonita de mim mesmo.

Você também sonha acordada, olhando para lugares e imaginando nós dois juntos ali, no parque ou até mesmo fazendo compras ???

Não te assusta essa familiaridade em nossas vidas? Esses hábitos e manias em comum que temos e nem nos conhecíamos pessoalmente para ser apenas uma imitação do cotidiano.

Os seus olhos me conquistam, quando olho suas fotografias, roubadas de uma rede social qualquer, vem aquela sensação engraçada de que você sorri pra mim.

E você tem noção do que eu sinto quando ouço qualquer música que fale de amor ?

Quando o refrão atinge meu peito e nas minhas veias corre uma espécie de compreensão de tudo que passamos, de tudo que sofremos até esse momento.

Enquanto eu escrevo essas palavras você dorme tranquilamente ao meu lado, vestindo apenas a minha camisa, a mesma que você elogiou no restaurante.

Por muito tempo eu plantei sonhos, semeei esperança jogando-a pelo ar, até que os bons ventos me trouxessem você, e assim o instante nos reuniu, um momento apenas, talvez o único que teremos em nossa vida.

Nos encontramos para conversar e jantarmos, sabíamos que iríamos dormir juntos, e o desejo que temos um pelo outro é parecido com o mar, que nos lambe, devora até que venha a próxima onda.

Minhas mão tremiam, mas a sua intuição não falhou e você aos poucos me acalmou transformando esses instantes em uma noite repleta de particularidades.

Me fala de onde nos conhecemos tanto?

Na cama nos beijávamos delicadamente, sorvendo cada gosto, cada sabor de diferentes partes do corpo, suas mãos passeando pelo meu rosto enquanto eu tentava desesperadamente mapear a geografia do seu corpo.

Dei razão ao sentimento que nos envolvia, e diante da paixão que aos poucos nos tragava deixei cada impressão em seu corpo, e nesses instantes nunca estive tão vivo.

Aos poucos a paixão desenfreada foi dando lugar a paz, tão antiga e delicada, que começamos conversar, mesmo sabendo que algumas palavras são desnecessárias, e o gozo amadurecendo na pele, o afeto germinando, tudo nos levava para um novo entendimento.

De onde vem essa avalanche de sentimentos, de cálido carinho? Minhas mãos estão inertes em suas pernas, saciadas, repleta de conhecimento da sua pele, da linguagem do seu corpo, do seu tempestuoso orgasmo, da rara beleza do grito ao final de tudo.

Aos poucos vou relembrando esses instantes com perene admiração, de onde estou posso vê-la, tocá-la, sentir seu aroma e isso inebria minha alma.

Houve momentos em que seu corpo pesava sobre o meu, éramos um só, fundidos em um pensamento de carinho e sede, um pulso, uma só pele abrasadora que consumiu tudo em volta.

E de novo me vem a pergunta, de onde nossas almas dialogavam para que essa sintonia se tornasse tão perfeita ?

Antes do sexo, tivemos um momento de rara cumplicidade, os toques eram harmoniosos, as carícias desdobravam-se em atenção e paixão, um arrepio nos atingiu quase ao mesmo tempo.

Varamos a noite nos conhecendo, nos amando e vimos juntos enrolados no edredon o dia nascer e maravilhados com a luminosidade esquecemos de que as circustâncias que nos levaram até esse encontro foram doídas e ásperas.

Seu amor nessa noite afroxou todos as minhas dores, todos meus padeceres e me livraram de tudo que é pesado, e fez o tempo parar para descansar.

E seus olhos abriram...


Marcello Lopes

18 de novembro de 2014

# 145






Eu te amo!

Não no sentido total que essas palavras significam, mas no sentido afetivo que elas podem traduzir, a de uma vontade de sentir, de desejo e de plantar uma esperança no ar e deixar livre pro vento colher o melhor de nós dois.

Marcello Lopes