21 de janeiro de 2015

# 148



Permanente é o amor conquistado, 
que nunca terminará, 
mesmo após o frenesi 
 da dolorosa partida.

20 de janeiro de 2015

#01

Não quero passar a vida esperando você chegar, para encher de flores essas tardes vazias. Encher de vida minha alegria vadia, que não se contenta com pouco tampouco com muito, que respira constantemente esse descontentamento. Não vou esperar seus olhos cor de céu que me fitam pela manhã nublada, com cheiro de café fresco e cama desarrumada. Não quero seu beijo terno no inverno preguiçoso que entope de neve meu coração deveras gélido, meu bem.

Não quero passar a vida esperando por você, no dia do meu aniversário. Não quero andar de mãos dadas no parque, retomar a infância no parque, deixar o riso frouxo no parque, esperar seu afago no banco do parque. Não quero seus dedos entre meu cabelo negro embaraçado pelo vento, eles não gostam de ti. Não chame por mim nos seus sonhos, eu estarei ocupada com outros homens nos bares da cidade, meus pés não serão teus, meu amor.

Não tocarei piano enquanto você fizer o jantar, não tocarei seu rosto enquanto cuidar do jardim, não tocarei seus pés ao dormir. Não quero ouvir teus passos pela casa, pela sala, pelo quarto, teus barulhos não serão mais nossos ou meus. Não quero meu cachorro fazendo festa pra ti nas manhãs de sábado, quando costumamos pegar a estrada sem rumo para reverenciar o céu-seus olhos-azul. Não quero ouvir seu sorriso bossa-nova quando colocar Chico na vitrola. Não quero tua incansável paciência, tua ternura me corrói.

Não uso mais o perfume que você gosta, o vestido que você gosta, o meu corpo não será seu. Nosso anel não uso mais, sobrou apenas uma tatuagem branca em meu dedo testemunhando que um dia minha mão foi tua. Não conte para mim seus segredos, sua taras, suas músicas, seus amores. Não deixe nada seu guardado em mim. Não quero passar a vida esperando seu retorno que dizia tão breve, leviano. 

Apaguei meu passado e vivo o presente rejeitando o futuro, sem você.

Karina Duprat

9 de janeiro de 2015

# 147



As conversas banais e as ideias mais clichês são nossas, somos comuns, parecidos e improvisamos esse romance como podemos.

Somos o esboço frágil e efêmero daquele casal de Hollywood, perfeito e lindo, que se decifra pelos olhares.

Somos a inesperada tradução de um livro emaranhado de sons, sentimentos e vontades.

Não olhamos para trás, nem fazemos planos porque estamos convencidos que somos abençoados simplesmente por viver o mesmo instante.

Nosso caso não tem adereços, nem fios dourados nos ligam às obrigações cotidianas, a finalidade do nosso relacionamento é produzir tempestades, não temos chaves que abrem as portas, nem instrumentos que conferem a desenvoltura do nosso amor.

São nossos costumes que sustentam esse cotidiano, usamos as palavras mais comuns quando queremos soar solenes, não queremos nosso amor sustentado por palavras refinadas e meros adereços, queremos a pureza da integridade brotando do peito, desejamos apenas o que nos acrescenta.

Você se apresenta para mim, sem diademas, coroa ou símbolos de beleza celebradas, não temos raízes, nada conquistamos a não ser aquilo que nos serviu de lição.

Eu não me contento com a palavra rica em sentidos provisórios, nem disfarces visando as ofertas infrutíferas e sem consistência.

Somos um casal que se mostra farto de tanta soberba, de pessoas rudes e situações inesperadas que indiquem um caminho a seguir. Nossas mãos são criativas, trilhamos o caminho que escrevemos em nossa pele, beleza e simplicidade são como nossas mãos entrelaçadas, nós combinamos com descoberta, entrega, solidão.

Seu cabelos longos sem enfeite traduzem com elegância o que somente permanece no seu espírito, e suas pernas deixam se levar pela sedução dos versos que minhas mãos oferecem.

Queremos ser apenas partículas, em um instante volátil, em outro calmo.

Desejamos que as manhãs nasçam azuis, nossa cor favorita.