13 de setembro de 2015

A Terra Desolada - T. S. Eliot

Abril é o mais cruel dos meses, germina
Lilases da terra morta, mistura
Memória e desejo, aviva
Agônicas raízes com a chuva da primavera.
O inverno nos agasalhava, envolvendo
A terra em neve deslembrada, nutrindo
Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.
O verão; nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee
Com um aguaceiro. Paramos junto aos pórticos
E ao sol caminhamos pelas aleias de Hofgarten,
Tomamos café, e por uma hora conversamos.
Big gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.
Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,
Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.
E eu tive medo. Disse-me ele, Maria,
Maria, agarra-te firme. E encosta abaixo deslizamos.
Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.
Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.
Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam,
nem te consola o canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca.
Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto

De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.

(Trecho de “Terra Desolada”, de T. S. Eliot. Tradução de Ivan Junqueira)

2 de setembro de 2015

# 149



Meu corpo anseia pelo seu, caminha em círculos viciados de imagens, sensações e orgasmos, respiro seu ar.

Cubro meus sentimentos anatomicamente incorretos, ardendo em plena consciência da sua ausência, minha mãos lapidam essas palavras que encharcam meu peito deixando a minha marca nessa folha em branco.

Sim, meu corpo anseia o seu com uma saudade que lasca o coração e faz meu peito querer desertar a vida, durante o dia escondo essa dor, sorrio para o zelador e para moça que limpa o escritório e observo o mundo com uma máscara de indiferença, atravessando e sumindo entre os diálogos cotidianos.

Hoje não me contento com suas fotos, vislumbro encontros, sorrisos e orgasmos, invento situações para decifrar seu sorriso, entre os muitos atributos que eu amo.

Seu corpo me acende, deslizo entre a realidade e a ficção, falo de maneira intensa como quem quer conhecer todos os segredos, dos belos aos sombrios.

Nessas palavras eu avisto esconderijos onde o amor possa estar, a tentação me faz rir e assim de uma forma peculiar eu te desejo.

É bom te querer, aquece minha alma, atordoa os sentimentos inúteis e nas manhãs solitárias me serve de inspiração.

E sei que vai chegar o tempo em que a ficção ou morre ou vira realidade, por isso sento aqui e escrevo, todos os dias como um diálogo pra entender que essa vontade não vai sumir e ajoelho agradecendo pela esperança que alimenta e enriquece meus dias.

Abro a porta e deixo o vento levar meus sentimentos sempre quando escrevo, a energia que se dispersa enche meu mundo e comporta uma gama de sorrisos e desejosos abraços, rezo pra que eles a encontrem feliz e satisfeita.

Sim, seu corpo não me poupa das febres e das alucinações.

Comporto-me como um cavalheiro, mas sozinho na cama te idealizo como eu quiser.

Fui criado para ser do jeito que você gosta, insaciável, dionisíaco e nu.

Sou o paradoxo que encobre seu corpo de beijos e promessas, abraços e gozo.

Não me contenho e queimo, sou pele e tesão.

Marcello Lopes
Para a minha musa