13 de dezembro de 2016

# 152



Observe a vida livre que ela leva, desobrigada da paixão, sem o fardo do amor, com suas sobrancelhas arqueadas como se ela abandonasse algum sonho que se desenha inutilmente do lado de fora da sua janela.

Elegante, de gestos puros e que pretende convencer à todos que ela é livre e capaz de não querer amar demais.

Em raros momentos sua armadura apresenta rachaduras, e é nesses espaços que a luz da poesia mostra que é possível o amor transbordar, ela se agita em silêncio como se lutasse contra um sentimento que grita e estala quando ela o aperta dentro de si.

Essa é sua fortaleza, não absoluta mas é onde ela se protege das ondas transparentes desse sentimento, escudo opaco que evita a interação, desvia a sintonia entre as frequências.

Rejeita a ideia de amar como apenas um fato inverossímil e assim aos poucos ela se reveste com um disfarce feito de independência e tramas superficiais que ela aproveita sem muito interesse verdadeiro.

Ela traz consigo muitos descaminhos, dores e decepções que ao longo dos anos foram diluindo a ilusão de ter e ser de alguém.

É desses momentos que ela construiu sua fortaleza, transformou um mundo mágico que dialoga de maneira inventiva mas sem envolvimento profundo.

Eu quero vê-la e entendê-la e ao seu lado tenho a sensação de conforto e felicidade, um propósito, todavia, é inevitável sua opacidade em relação ao romance. Ela cria pontos cegos, naufraga planos.

Tudo acontece entre um poema e outro, suas tentativas de fuga de se tornar opaca é paradoxal, pois eu a enxergo cada vez mais, todas as vezes em que ela tenta se esconder.

Marcello Lopes

Um comentário:

  1. Feio, muito feio fazer a pessoa chorar logo que acorda, poxa Má! Vc é o cara mesmo, obrigada por ser esse amigo tão querido sempre, te amo!

    Powwww nos devemos um café!

    Beijos, muito!
    Abraços tbm, vários!

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